O que não falaram sobre a pesquisa do Datafolha

Os resultados que a imprensa noticiou, como um copia e cola sem raciocínio crítico (com exceção do Antagonista), foi que os nomes de políticos mais conhecidos, estão na frente. Essa foi a estimulada, aquela em que nomes são apresentados para o respondente. Por isso os nomes mais conhecidos, que estão a toda hora na mídia, são mais bem colocados. Óbvio. E com tanta antecipação, os extremos da ferradura é que aparecem.

Mas a parte que realmente nos diz alguma coisa não foi notícia em lugar algum. É a parte espontânea da pesquisa. Não há nomes apresentados, apenas a pergunta em quem pretende votar. O resultado dessa parte, que julgo a mais importante, mostra que 46% não sabe em quem votar e 19% responde ninguém. Ou seja, 65% dos votos ainda não tem “dono”.

Estes resultados nos apresentam um cenário ainda incerto e com inúmeras possibilidades. Deixando a imaginação de lado, não há nada líquido e certo. Nem mesmo um indicativo do que poderá vir pela frente. A realidade é que não dá pra afirmar que o Fulano não tem a menor chance, que Sicrano está eleito ou que Beltrano é o único capaz de derrotar alguém.

É preciso colocar os números em perspectiva., contextualizá-los frente à realidade. A verdade é que as pessoas estão tentando fechar o ano, que foi muito difícil sob todos os aspectos. É preciso entender que fora da bolha dos que se interessam muito por política ou dos que têm consciência da importância das próximas eleições, as pessoas nem estão pensando nisso ainda.

O que sabemos é que as pessoas mostram uma aversão à política predominante no país e querem renovação. Isso é uma constante em todas as pesquisas dos últimos meses. Sob esta ótica, arrisco a dizer até que é possível que o próximo mandatário do país não esteja na lista Dos 5 mais deste último levantamento do Datafolha, tão ventilado pela imprensa. Quem viver, verá.


Gustavo Ramos é analista chefe da Esentia.