Ori and the Blind Forest


O título de ação e aventura da produtora indie Moon Studios é realmente desafiador e um dos games mais belos do ano até agora

Naru segura Ori no colo; ao fundo, a grande Árvore do Espírito

Quando os créditos de Ori and the Blind Forest rolaram, aproximadamente nove horas depois do início do jogo, meu contador de mortes marcava 524. Bem acima da média dos dez melhores jogadores no ranking disponível on-line para ser sincero.

Talvez eu não seja a pessoa mais cuidadosa ou dona dos melhores reflexos para um game de plataforma, mas a questão aqui é outra: perder vidas em Ori and the Blind Forest é algo tão comum que os criadores nos oferecem uma maneira de acompanhar e comparar essa estatística.

Isso porque a Moon Studios, produtora independente formada por desenvolvedores de várias partes do mundo, criou um título de ação e aventura realmente desafiador, daqueles que nos obrigam a realizar ações extremamente calculadas para ter sucesso.

Ao mesmo tempo, fez dele um dos games mais belos do ano até agora.
Ori desafia a gravidade num templo na floresta de Nibel

O filho perdido


Desde que Ori and the Blind Forest foi anunciado pela Microsoft durante a feira de games E3 do ano passado, tenho ansiado pelo seu lançamento. O emocionante vídeo dos primeiros dez minutos do jogo, liberado alguns meses mais tarde (assista abaixo), só aumentou minhas expectativas. Felizmente, todas elas foram correspondidas.

O game é ambientado numa floresta cuja vida é mantida pela monumental Árvore do Espírito. Durante uma tempestade, uma criatura brilhante chamada Ori, parecida com um gato, se desprende da Árvore e viaja como uma folha ao vento até os pés de Naru, uma habitante da mata. Ela adota o monstrinho perdido recém-nascido, e os dois se tornam carne e unha.

Para tentar trazer seu filho de volta, a Árvore do Espírito emite um chamado luminoso pela floresta de Nibel. O plano não funciona, e o ecossistema começa a morrer. Os anos se passam, a água se torna insalubre, as árvores não dão mais frutos. Sem alimento, Naru sucumbe à fome, e Ori se encontra novamente perdido, sem família.

Mais à frente, ele conhece Sein, uma bolinha de luz que diz ser “os olhos e os ouvidos da Árvore do Espírito”. Juntos, os dois saem numa jornada para trazer a vida de volta a Nibel.

Prólogo de Ori and the Blind Forest, divulgado durante a Tokyo Game Show 2014

Lindo e cruel


Além de desenvolver uma narrativa tocante capaz de amolecer os corações mais rígidos, Ori and the Blind Forest é visualmente surpreendente. Seus cenários pintados a mão têm detalhes impecáveis e de encher os olhos. Lembram os de Child of Light, lançado pela Ubisoft no ano passado.

O título da Moon Studios é inspirado em clássicos do gênero plataforma como Metroid e Castlevania. Há muito o que explorar em Nibel, e Ori está sempre aprendendo novas habilidades (como planar, saltar mais alto ou quebrar superfícies frágeis) para chegar a lugares antes inalcançáveis.

Com Sein, Ori pode invocar chamas espirituais para destruir alguns obstáculos e inimigos do caminho. Mas os monstros são a menor das preocupações do protagonista. Corrompida, a floresta é o personagem que mais impõe riscos à vida de Ori, com seus espinhos, lasers letais e armadilhas capazes de esmagá-lo como uma formiga.

Para tornar tudo mais cruel, há pouquíssimos pontos de salvamento automático no game. Ori and the Blind Forest põe o poder de criar checkpoints nas mãos do jogador, desde que ele tenha energia mágica suficiente para isso.

Difícil é se lembrar de fazê-lo com frequência, o que pode resultar em inúmeros ressuscitamentos frustrantes, distantes demais de onde Ori acabou de ser aniquilado.

Se é sua primeira vez jogando, tenha certeza de que seu contador de mortes vai ultrapassar pelo menos uma centena. Especialmente nas sequências que requerem reflexos rápidos e movimentos precisos para, por exemplo, escapar da inundação ou da destruição de um templo.

Árvores como a de trás de Ori são túmulos de outros espíritos da floresta, que ensinam ao protagonista novas habilidades

Tenha em mente que, quando a história é concluída, o jogador não pode retornar à mesma campanha. É uma opção de design que faz sentido, considerando o desenrolar da narrativa, mas que também pode destruir os sonhos daqueles que adorariam retornar a Nibel para coletar itens faltantes ou desvendar por completo a mística floresta.

Ori and the Blind Forest foi lançado em 11 de março para PC e Xbox One. Uma versão para Xbox 360 deve sair ainda neste ano.