A Tartaruga Passageira e os Patos Taxistas

Uma fábula das cidades brasileiras

Uma Tartaruga ansiava por viajar e ver o Brasil, mas com seu casco pesado e as pernas curtas a impediam de ir longe. A Tartaruga tentara imaginar várias e várias vezes alguma inovação com a qual poderia viajar sozinha, mas nenhuma deu certo até ela encontrar os patos taxistas.

— Dona Tartaruga, se a senhora morder este graveto bem no meio, nós dois pegamos as pontas e levamos a senhora aonde quiser.

— Em troca — o segundo pato completou — a senhora nos entrega uma peça de ouro por cada cidade que visitar.

O preço era alto, mas a Tartaruga queria muito viajar, então aceitou a oferta. Levada pelos patos, a Tartaruga visitou Porto Alegre e São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, Manaus e Belém, Cuiabá e Goiânia. Enquanto os três sobrevoavam Brasília, dois corvos apareceram para voar ao lado dos patos.

— Dona Tartaruga, a senhora não prefere voar conosco? — o primeiro corvo perguntou.

— Só vamos lhe cobrar meia peça de ouro por cidade — o segundo corvo ofereceu.

— Concorrência desleal! — os dois patos gritaram juntos.

E com isso a Tartaruga caiu do céu, espatifando-se no asfalto. Os corvos deram de ombros e foram embora, atrás de outra tartaruga que se interessasse pela sua oferta.

— O Leão devia proibir os corvos — um pato disse para o outro.

— Devia mesmo — o outro pato concordou. — São um perigo para as tartarugas.

Show your support

Clapping shows how much you appreciated Francisco Araujo da Costa’s story.