Espaço Maker

O que acontece quando as gerações digitais, nascidas e crescidas na cibercultura, na Internet, na web, voltam seus olhares e atenção ao mundo físico? Que reflexões, demandas, estranhamentos e proposições surgem quando sujeitos acostumados a protagonizar relações, produções, adaptações, customizações e compartilhamentos decidem atuar no mundo físico?

A geração digital está acostumada ao uso de ferramentas tecnológicas (de comunicação e informática) para o desenvolvimento de protótipos únicos, exclusivos, que atendam suas expectativas pessoais — e imediatas. Sujeitos habituados a desejar e fazer, precisar e realizar em curtos períodos de tempo. Sem qualquer necessidade de permissão, autorização ou negociação. Alterações de softwares e hardwares são comuns para os nativos da cibercultura. A personalização proveniente das adaptações, a tendência de produção de objetos autênticos e originais que contemplem a singularidade de expectativas é marca da relação dessas juventudes com as tecnologias disponíveis e seus benefícios.

Os adeptos da Cultura Maker pretendem inaugurar um tempo no qual seremos cada vez menos consumidores de produtos projetados (e, portanto, possivelmente desejados!) por outrem. Um novo tempo no qual teremos condição de fazer nossas próprias coisas, operar nossas próprias ideias — dando-lhes a solidez da “coisa pronta”. A criatividade se apresenta de forma poderosa, tanto na imaginação de coisas originais como na reelaboração de coisas pré-existentes, tanto nas iniciativas das primeiras etapas de invenção (projeto, plano, estudo de viabilidade) como no aperfeiçoamento de determinada etapa no percurso produtivo de uma peça ou parte do todo.

Jogo educativo: curvas de nível e topografia

Quando permitimos que esse movimento entre na escola, tornamo-nos mais dialógico com as juventudes forjadas pela cibercultura. Afinal, as crianças e os jovens que chegam à Escola hoje possuem, correndo em suas veias, a inclinação para o pensamento tecnológico e a lógica maker. Eles realizam incessantemente a ligação entre o concreto e o virtual, e nesta fusão que expande o real, assumem a responsabilidade e o desejo de edificação/personalização de seus próprios itinerários formativos.

Na esteira deste processo, cabe, ao professor do Terceiro Milênio assumir também a filosofia maker. Assumindo com vigor e rigor, a necessidade de reconhecer-se e apresentar-se como um fazedor de coisas (do mundo real-virtual dos bits e do mundo real-concreto dos átomos) nas diferentes salas de aula. Implementando suas ações educativas com produtos (materiais e imateriais) que expressem a força da invenção, da autenticidade e da originalidade, atraindo o interesse dos estudantes na mesma medida em que os convida para os modos cooperativos e colaborativos de produção de novos conhecimentos.

Braço hidráulico

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