Como estamos vivendo juntos?

Em uma reflexão anterior, eu escrevi sobre a importância de falarmos sobre o suicídio e também sobre a dificuldade que esse exercício nos coloca. Uma das adversidades que eu apontei remete ao tabu de uma sociedade em busca da vida eterna e da ausência de sofrimento.

Há ainda outros desdobramentos dessas dificuldades. Gostaria de refletir sobre um em específico: nossas limitações no exercício da empatia. Ela exige que a gente encoste em algo que também nos dói. Estar junto do outro, em processo empático, nos solicita vasculhar também nossas finitudes e nossos impossíveis. Nossas dores “na alma”.

Defendo que a construção dessa dor é coletiva, no sentido de que não acredito ser possível justificar um ato suicida apenas por características individuais de quem o cometeu. Nossos processos de adoecimento são coletivos e datados, pois se dão em um determinado momento social e histórico.

Assim, pensar a prevenção do suicídio passa exatamente por um exercício coletivo de empatia. Colocar-se no lugar do outro em suas dores e desafios, em seus desencantos e possíveis. Produzir juntos outros modos de ver e viver o mundo. Criar outras formas de ser.

Temos tido tempo para ser empáticos? Como temos nos encontrado? Como estamos vivendo juntos?

Salvador Dalí, A Persistência da Memória
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