Conexão Lisboa: Todos Os Santos

A efervescência cultural lisboeta, por Pedro Almeida

Espaço f/508
Jul 3 · 3 min read

Pouco tempo após as primeiras caravelas atracarem no Brasil, os nativos depararam-se com alguns senhores que os diziam sobre a religião do homem branco. As missões jesuítas são um dos grandes motivos para o que Brasil tenha as raízes tão atreladas ao cristianismo.

É claro que me esqueci disso quando, à luz do fim de maio, me perguntei “será que Portugal tem festas juninas?”. Era difícil desvencilhar das ideias de nordeste, roça e dos flyers do estilo “Ocê num pode perdê” que me vinham à mente. Mais brasileiro, impossível.

Assim que vi os primeiros anúncios das festas, foi operar a matemática básica para perceber que se tratava de herança colonial. Restava saber o quanto mudou e o quanto permaneceu fiél às origens.

Para minha surpresa, as bandeirinhas deram as caras bem cedo e se alastraram. As principais ruas de Lisboa ficaram enfeitadas e me deram a ótima sensação de estar, finalmente, em casa.

A forma com que se referem ao evento aqui, como “A Festa dos Santos” ou apenas “Santos”, deixa claro que nós já não carregamos tanto quanto Portugal o fundo religioso que toda essa história tem — mesmo que as festas no Brasil sejam quase que sempre realizadas por igrejas.

Fui ao desfile de Santo Antônio na intenção de encontrar o epicentro dos festejos. Os metrôs anunciaram prolongamento do horário, o local era uma das avenidas mais célebres de Lisboa. Comecei a sentir a grandeza.

Imagine que a escola de samba Unidos de Lisboa tenha escolhido como tema para o carnaval A Imagem de Santo Antônio. Foi com isso que me deparei. A rua fechada, milhares de pessoas coladas às grades para verem o desfile passar. E fez bonito. Fechou com chave de ouro desfilando os recém noivos que se casaram ali, mais cedo.

Assim que o desfile acabou, as multidões se dividiram por entre as festas de menor porte que estavam por perto. E essas acertaram em cheio no arraial que eu amo e sinto falta: a música tradicional ao vivo, as danças, a sardinha… A sardinha? Pois é. O tal do peixe é o símbolo. Onde teria milho cozido, coloque sardinha grelhada; Onde haveria chapéu de palha, coloque chapéu com o formato do bicho. Fez jus à fama da cozinha portuguesa.

Se você, como eu, não é fã, é só tapar o nariz, pegar a cerveja (afinal, quentão não cabe no verão) e ser feliz. Ocê num pode perdê.


Pedro é músico e mora em Lisboa desde 2018. Nascido e criado em Brasília, desembarcou na capital portuguesa para estudar composição musical por um ano. O curso chegou ao fim, mas as cores, os tons e sons lisboetas nunca se esgotaram. De tempos em tempos, produz conteúdos relacionados a todos os aspectos da típica efervecência cultural de Lisboa para o Espaço f/508 de Cultura.

Revista f/508

A Revista f/508 é um espaço online dedicado a publicação de conteúdo, entrevistas e outras informações relacionadas à fotografia, arte contemporânea e cultura. O f/508 atua em Brasília e Lisboa, voltado para estudo, difusão e produção fotográfica e artística.

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