Método Adelaide de Mapeamento de Roteiros

um estudo sobre novas possibilidades no processo de decupagem para cenografia

Monica Nassar
Sep 8 · 15 min read

Uma etapa essencial no desenvolvimento criativo do cenógrafo é a “decupagem do roteiro”. Este processo existe desde o começou da produção em larga escala de teatro e cinema e, a partir dele, gerou-se a necessidade de padronizar o trabalho e as informações que eram passadas para as grandes equipes que participavam desses projetos. Nos dias de hoje, essa metodologia mantém-se praticamente a mesma, dividido-se em planos, lâminas e visualizações bidimensionais para construir um espaço tridimensional.

O que é lugar?

Espaço é uma extensão que pode ser limitada ou não. É uma região, uma noção de alcance, um intervalo de tempo, um lugar, acomodação, uma oportunidade. No contexto do teatro, o conceito de “espaço” adquire características bem particulares. Patrice Pavis, pesquisador da semiologia e do interculturalismo no teatro, em seu livro “Dicionário do Teatro”, publicado em 1987, sintetiza em verbetes o léxico da dramaturgia. Entre suas definições, encontramos as potencialidades de significados do “espaço”, tais como: espaço teatral (o teatro, ou espaço que abriga a obra teatral), espaço dramático (do qual o texto fala, aquele que o espectador constrói pela abstração), espaço cênico (espaço real do palco, onde evoluem os atores), espaço cenográfico (conjunto de relações entre os espaços ocupados pelo público e pelos atores), espaço lúdico (criado pelo ator, por sua presença e deslocamentos), espaço textual (quando o texto é usado como material bruto, disposto à vista ou ao ouvido do público) e espaço interior (representação de uma fantasia ou sonho do dramaturgo ou da personagem).

Lugar, por sua vez, pode ser espaço, local, sítio região, posição, ponto, ambiente, espaço livre, posição, espaço a ser ocupado, assento, direção, sentido, rumo, papel, importância, escala, condição, função, cargo, momento adequado, hora, ocasião. Edward Relph o classifica como “onde cada um de nós se relaciona com o mundo e onde o mundo se relaciona conosco.”

Já a cenografia pode ser definida como a arte de recriar ou construir o lugar que interrelaciona os espaços cênico, dramático, lúdico e cenográfico; uma representação tridimensional do espaço/tempo da história. E “é também, por metonímia, o próprio desejo, aquilo que resulta do trabalho do cenógrafo.” (PAVIS, 2008)

As potencialidades de significado de espaço e lugar são evidências de que existe subjetividade latente e inerente a estes conceitos. O geógrafo João Baptista Ferreira de Mello especula que basta o homem “existir” para haver um “lugar” e que esta relação é alicerçada pelo tripé: homem, tempo, espaço. O homem existe como indivíduo, como membro de comunidades e se conecta com o mundo por meio de lugares. Enquanto isso, esses lugares aglutinam as qualidades, experiências e significados da sua existência. (RELPH, 2014)

Segundo Lígia de Oliveira, lugares são conceitos que carregam memória, além de dimensões espaciais e são dotados de identidade. A vivência do homem, durante um determinado tempo, em um determinado espaço, define um lugar, podendo ser ele transitório ou eterno, fixo ou não. Edward Relph faz uma descrição que resume bem a essência de lugar. Segundo ele, “o lugar tem aparência, uma localização e um sentido.” A localização não precisa ser fixa; lugares de transitoriedade (como a web, um avião, um filme) também são lugares. Lugares criam raízes, afeição. Eles incluem, reúnem, aglutinam, conectam e excluem os diferentes, os que não pertencem. O lugar é também lar, onde nos sentimos “em casa”, onde se pertence. Lugares também podem ser manipulados, criados, sacralizados, por cultos, religiosidade ou por atividades que ali acontecem.

Em seu ensaio de geografia fenomenológica Werter Holzer classifica lugar como a “experiência intersubjetiva de espaço em seus fundamentos […] constituindo-se a partir das vivências cotidianas como um centro de significados”. Ele ainda coloca a diferenciação do que seria “espaço” em comparação com o “lugar”, colocando o primeiro como uma generalização, homogeneização da construção mental do espaço físico, enquanto o segundo está diretamente “ligado a vivências individuais e coletivas a partir do contato do ser com o seu entorno”.

Lugares podem ser bons, ruins, cheios, vazios, ter significado, memória; podem ser lugares de passagem, transitórios, podem ser lugares para se criar raízes. Mas, cada características de um lugar será dada a partir da observação e vivência de uma pessoa e suas subjetividades. “Não importa se é um local natural ou construído, a pessoa se liga ao lugar quando este adquire um significado mais profundo ou mais íntimo.” (OLIVEIRA, 2014)

Os roteiros

Um roteiro é um documento que narra a história de um sujeito em seu contexto, seja ela real ou fictícia. Ele nos dá o testemunho da vidas das personagens e cabe aos profissionais da cenografia a missão de interpretar e materializar este lugar.

“Roteiro é uma obra aberta. Um guia colocado em xeque, cortado e retrabalhado em um processo contínuo, desde a preparação até a montagem final, expressando diversas visões da equipe que trabalha em sua transposição para a linguagem cinematográfica. “(HAMBURGER, 2014)

Ao se fazer cenografia, existe um processo muito importante que é a decupagem — do francês, “planificação”. Em seu livro “Práxis do Cinema”, Noël Burch fala um pouco sobre esse transcurso: “do ponto de vista formal, um filme é uma sucessão de fatias de tempo e fatias de espaço. A planificação é, portanto, a resultante, a convergência de uma planificação no espaço (ou antes uma série de planificação no espaço) realizada no momento da filmagem, e de uma planificação no tempo, prevista em parte na filmagem e culminada na montagem.”

Dentro do espaço compreendido em uma história, existe aquilo que o espectador consegue ver, no campo do enquadramento ou do palco. Mas também existe um espaço “fora de campo” que é deixado para o imaginário. Segundo Bazin (1991), a tela ou a caixa cênica tomam a função de “máscara” que só deixam ver o que se deseja que seja visto. Já nas palavras de Burch (1973), o tempo desses espaços é ritmado por entradas e saídas de cena. Na verdade, é uma representação virtual de tempo que pode ser estendida ou comprimida, dependendo da ideia que se deseja passar para o espectador. Um minuto em cena pode durar duas horas de peça ou 3 episódios de uma série. Como diria Eisenstein, em seu texto “A Forma do Roteiro”: um roteiro não é cifra. Ele não precisa ser seguido a risca, cabem aos diretores a concepção da interpretação da historia escrita, as soluções visuais e requerimentos emocionais para uma obra literária.

O trabalho do cenógrafo é contribuir para tais soluções visuais e emocionais. Pamela Howard define o processo cenográfico como o processo de se “criar um espaço sugestivo e uni-lo ao tempo dramático”. Em outras palavras, isso significa concretizar tridimensionalmente as insinuações de “lugar” que se encontram em um roteiro, compreender a sua memória, sua dinâmica e geometria, de modo a traduzir um conceito ao universo visual do espectador, que participará como um agente ativo na obra, significando aquele lugar de acordo com sua vivência pessoal e a partir de sua própria inventividade.

A geografia do espaço cenográfico

Agora vamos imaginar o seguinte exercício: desenhar para um conhecido, o caminho da casa dele até a sua casa. Esse processo, por mais banal que pareça, é carregado de intenções, memórias, estímulos, sentidos e vivências. O ato de representar esse percurso, numa facilitação de diálogo, pode ser denominado “testemunho cartográfico” (SEEMANN, 2014). Ele evidencia as múltiplas conexões que podem consubstanciar o tripé homem, espaço, tempo. O que chama sua atenção no seu caminho de casa? Pra onde você olha? Por onde você se situa? Você escolheria o caminho mais rápido e mais feio ou o mais longo e mais bonito? A partir da organização dessas informações, das distinções que fazemos, em uma representação gráfica, temos um testemunho histórico, de memória pessoal. “A experiência pessoal e as associações aos lugares dão um significado diferente ao mapa” (SEEMANN, 2014).

Mapas nada mais são do que diagramas, representações gráficas de um conjunto de informações que são interpretadas e elegidas, apuradas pelos autores de tais esquemas. Assim como qualquer coisa pode virar um mapa, tudo pode também ser representado em um gráfico. Um mapa é um produto de observações diretas e indiretas.

“Tudo que é espacialmente concebível também pode ser mapeado” (ROBINSON; PETCHENIK, 1976).

Acredito que um roteiro também pode ser representado por um mapa. Na realidade, em se tratando desses scripts, talvez seja o retrato mais adequado, um método de se converter palavras em espaço e o tornar inteligível. Afinal, como vimos no item anterior, todo processo de decupar e planificar um script envolve não só um entendimento particular do mesmo como, também, um caráter de tangibilidade de tais compreensões para com o resto da equipe com quem se trabalha.

Fictícios ou não, uma história vem acompanhada de personagens, ou seja, corpos ocupantes de um espaço. Os corpos não só se relacionam com o espaço, como também são testemunhos dele. Mesmo que fictícios e irreais ou que nos relacionemos com eles só através de uma tela plana ou de um palco, dar à esses corpos um tratamento cartográfico é o mínimo que podemos fazer para dar veracidade e autenticidade às suas existências.

O bolo

Partindo de uma leitura inicial do roteiro “O vestido de Noiva”, de Nelson Rodrigues, foi escolhido um trio de mulheres infelizes no amor, para ser retratado na obra final: Alaíde, Clessi e Lúcia. Alaíde acha que encontrou o amor da sua vida e descobriu que ele não era o que ela imaginava. Clessi encontrou e perdeu o amor da sua vida e, por causa disso, perdeu a vida também. Lúcia teve o que ela acreditava ser seu amor roubado pela irmã. Três mulheres fortes, três mulheres frágeis, três mulheres tão interessantes que mereciam um projeto sobre elas.

Após uma observação minuciosa da obra, ficou claro que o resultado seria extremamente simétrico. Com as variáveis sendo um trio de atos, um trio de planos e um trio de personagens femininas ou três trios, triângulos e triangulação, nada mais propício, então, do que uma abordagem geométrica.

Ordem na qual as páginas do roteiro foram dispostas para a triangulação.
Ordem na qual as páginas do roteiro foram dispostas para a triangulação.
Ordem na qual as páginas do roteiro foram dispostas para a triangulação.

Termo muito comum à disciplinas como planejamento urbano, geografia e sociologia das cidades, Triangulação de Pessoas, pode ser relacionado com a “movimentação de pessoas” nas cidades. Então, a próxima etapa do projeto foi colocar esse roteiro em posição de mapa. As folhas foram dispostas em uma ordem de 5 fileiras, com 5 folhas cada, dentro de um programa CAD e, então, foram realizadas algumas marcações no roteiro como, por exemplo, onde se localizava cada plano, onde cada personagem atuaria e, também, os pontos mais interessantes de catarse, separados em 3 atos. Ou seja, foram coletados três trios de informações.

Em matemática da computação, existe um perfil de cálculo chamado Triangulação de Delaunay. Segundo Fernando Pires, para um conjunto qualquer de pontos, nenhum ponto está dentro da circunferência de um triângulo da Triangulação de Delaunay. Ele serve para conectar sítios com células vizinhas. No caso de representações tridimensionais, usa-se esferas para o calculo do encontro dos pontos. Como dual da Triangulação de Delaunay, temos o Diagrama de Voronoi. Sua primeira utilização foi para dividir as cidades em pontos ideais para as rotas dos carteiros. Basicamente, ele é uma subdivisão de planos formado pela distância “ideal” entre dois pontos, os ortocentros da Triangulação de Delaunay.

O Diagrama de Voronoi foi escolhido como a melhor representação possível para essa obra, por ser encontrado em diversas estruturas na natureza. Ele define disposições espaciais, e, como estamos falando da representação tridimensional dos lugares encontrados na dramaturgia, a associação dos elementos bidimensionais do Diagrama de Voronoi com as sugestões de lugaridades do roteiro foram imperativas para tal conclusão.

Os pontos, então, foram selecionados selecionados e triangulados manualmente. A partir dessa seleção e do traçado da Triangulação de Delaunay, foram selecionados os pontos médios das ligações e, então, as nove lâminas (dos três trios) ganharam suas formas finais. Diagramas Voronois são angulados, portanto, em busca de um resultado ainda mais orgânico no que se refere à aparência das lâminas, cada plano teve seus ângulos abaulados. O resultado lembra um tecido celular.

A ativação dessa obra, que por suas camadas foi chamada de “O Bolo”, se dá quando o usuário manipula as lâminas e as sobrepõem de acordo com a sua vontade. Com essa ativação é possível observar onde os vincos das lâminas se sobrepõem, podendo, assim, ter uma pequena noção de em que parte dos atos e planos cada uma das personagens atua.

O programa Adelaide

Dando continuidade ao raciocínio de mapeamento do “bolo”, o próximo passo lógico seria automatizar o processo. E se fosse possível alterar os dados utilizados para formar o mapa com o simples clique de um botão?

O programa escolhido para a realização dessa etapa foi o “processing”, um software livre de linguagem de programação que funciona como um “caderno de desenho flexível”. Sua plataforma simples, capacidade de produção de programas em 2d, 3d e em PDF, além de sua capacidade de integração com vários sistemas operacionais de computadores foram fatores que influenciaram nessa seleção.

O primeiro passo foi definir quais os dados seriam relevantes para a construção do mapa. Como dessa vez o processo seria automatizado, foi possível trabalhar com todas as personagens existentes no roteiro. Também foram considerados dados relevantes, a quantidade de vezes com que cada personagem era citada no roteiro, quais personagens se relacionavam entre si, qual o grau de proximidade entre elas (estabelecido por grau de parentesco, relação desenvolvida ao longo da história ou se uma personagem era fruto da imaginação de outra). Depois desses pontos definidos, foi gerado um banco de dados com um total de 31 personagens.

Fragmento do banco de dados

Analisadas as informações, o procedimento seguinte consistiu em lançar os primeiros pontos no aplicativo. A espessura de cada ponto é dada pela seu número de aparições na história. A personagem Alaíde aparece 286 vezes no roteiro, enquanto sua irmã, Lúcia aparece 82, o pai, Gastão, 26 e alguns personagens aparecem apenas uma vez, formando pontos diminutos. Em um primeiro momento, as posições dos pontos não interessavam. Como Alaíde era a personagem com o maior número de aparições, seu ponto foi amarrado no centro do ecrã, enquanto as coordenadas dos outros pontos eram aleatórias.

Em seguida, foram traçadas as conexões. As personagens que se encontram ou se falam de alguma forma estão conectadas por uma linha. É importante perceber que algumas personagens existem em núcleos separados. Existe o núcleo da família de Alaíde, o núcleo dos jornaleiros, dos médicos, das alucinações, das memórias, dos repórteres e, muitas vezes, as personagens permanecem restritas aos seus núcleos de origem, sem se misturar com os demais ao longo da história.

Um outro fator de interesse para se ter um método automatizado de decupagem é a interatividade que se pode obter. Em decorrer disso, o mapa bidimensional precisou ser convertido em um mapa tridimensional, o que possibilita o usuário de navegar pela história, afastar e aproximar a câmera e rotacionar, tendo o ponto central fixado como eixo de giro, o mapa. Pode-se assim, enquadrar os núcleos de personagens que forem desejados para uma análise mais detalhada.Uma coisa importante de se notar é que os planos onde a história acontece são elementos cruciais para a sua compreensão. No roteiro, muitas vezes, a única dica que temos para entender se as personagens são pessoas reais ou apenas fruto da imaginação de Alaíde, é a indicação do plano onde elas estão localizadas. Ou seja, é imprescindível saber quais personagens atuam em quais planos. Para isso, foram criadas legendas de cor. Cada ponto de personagem pode ser composto por 3 pontos de informação: cinza para o plano da realidade, verde para o plano da memória e vermelho para o plano da alucinação.

Programa rodado em 3d, com as informações de planos lançadas, sendo vermelho para Alucinação, verde para Memória e cinza para Realidade.

Uma coisa importante de se notar é que os planos onde a história acontece são elementos cruciais para a sua compreensão. No roteiro, muitas vezes, a única dica que temos para entender se as personagens são pessoas reais ou apenas fruto da imaginação de Alaíde, é a indicação do plano onde elas estão localizadas. Ou seja, é imprescindível saber quais personagens atuam em quais planos. Para isso, foram criadas legendas de cor. Cada ponto de personagem pode ser composto por 3 pontos de informação: cinza para o plano da realidade, verde para o plano da memória e vermelho para o plano da alucinação.

Outra abordagem que não poderia faltar, é a divisão dos atos. É conveniente saber onde as personagens interferem no espaço tempo da história. Existe significância no fato de algumas personagens só aparecerem no ato 1 e outras continuaram até o final do ato 3. Fica muito claro nessa análise, quem são as principais personagens da história e quem aparece apenas pelo bem de uma cena ou para repercutir uma catarse. O que foi feito aqui para explicitar essa informação foi inserir as conexões separadas por atos. Assim, não só é possível deixar claro quem aparece em cada ato, mas com quem essas pessoas se relacionam em cada ato.

Nesse momento, já sabemos quem são todas as personagens, com quem elas se relacionam, quantas vezes elas aparecem, em quais atos e em quais planos isso acontece. Porém, algumas delas aparecem ao longo de toda a história, enquanto outras possuem participações pontuais. É possível saber, por exemplo, que uma personagem, que aparece no plano da alucinação e apenas no primeiro ato, é uma consequência da desorientação inicial de Alaíde na história. Da mesma forma, uma personagem, que aparece apenas no plano da realidade e que não se conecta com Alaíde em nenhum dos atos, não é um membro de sua família.

Dito isto, para complementar a interatividade do aplicativo, foram adicionados comandos acionados por botões. Esses comandos são capazes de criar resultados de análises feitas por comparação. Foi, então, proporcionada a possibilidade de “ligar” e “desligar” algumas informações lançadas no aplicativo. Os comandos são acionados pelo teclado do computador. Os botões 1, 2 e 3 controlam os atos. Sendo 1 = ato 1, 2 = ato 2 e 3 = ato 3, enquanto os botões 4, 5 e 6 controlam os planos. Sendo 4 = alucinação , 5 = realidade e 6 = memória. Agora é possível observar apenas o ato 1 e ver quais personagens participam dele e em quais planos e assim sucessivamente, em qualquer combinação, de acordo com a necessidade de informação a ser obtida.

Medidas de relacionamentos entre pessoas, ou neste caso, personagens, podem ser feitas a partir da distância entre elas. Ou seja, o posicionamento dos pontos no mapa surge aqui como uma condição de relevância para os dados que serão inseridos no mapa. Neste caso, como a quantidade de pontos é relativamente pequena (apenas 31), esse posicionamento foi escolhido deliberadamente.

Adelaide finalizado

Ainda considerando a personagem Alaíde como principal e localizada no centro do programa, quanto maior a relação que as outras personagens têm com ela, mais próximas elas ficam. Já quanto menor a relação, mais distantes elas estão de Alaíde. Porém, deve ser considerado que algumas personagens, dentro de seus núcleos de atuação, podem ter maior proximidade com determinadas pessoas do que com outras, fazendo com que a distância entre elas também seja relevante. Na figura abaixo, pode-se perceber claramente uma personagem que se encontra isolada, um pequeno núcleo de 4 jornaleiros e um núcleo bem maior de personagens com um grande número de aparições, percebido devido ao tamanho dos seus pontos, concluindo-se que esse último núcleo é sobressalente aos outros.

Considerações Finais

As duas propostas de trabalho apresentadas, uma manual e outra automatizada, foram consubstanciadas com propostas de mapeamento e de relação espaço/tempo dentro da geografia. Pode-se perceber, pela disparidade estética entre elas, como são vastas as possibilidades de desfechos e, consequentemente, de proveitos que o mapeamento de roteiro pode gerar.

Acredito, inclusive, que tal metodologia possa (e, talvez, deva) ser transposta para gerenciamento de projetos criativos, em geral. A simplificação do compartilhamento de dados é sempre vantajosa.

A linguagem de computação gráfica evoluiu de um sistema binário de zeros e uns para uma linguagem visual acessível e adotada por empresas e depois por cidadãos comuns, o sistema cartográfico também passou pelo mesmo processo e se encontra presente em itens de consumo pessoal, como smartphones.

O Adelaide ainda precisa de aperfeiçoamento, porém, assim como conseguiu-se construir uma rede geocartográfica digital, que pôde ser compartilhada, aprendida como linguagem e compreendida, acredito que o mesmo possa acontecer com os mapeamentos de roteiros e que, talvez, a facilitação da linguagem da decupagem cenográfica para uma linguagem visual facilidade resulte numa série de eventos sociais-tecnológicos que tornem o processo do “fazer cenográfico” mais prático e acessível para os interessados no assunto.

Revista f/508

A Revista f/508 é um espaço online dedicado a publicação de conteúdo, entrevistas e outras informações relacionadas à fotografia, arte contemporânea e cultura. O f/508 atua em Brasília e Lisboa, voltado para estudo, difusão e produção fotográfica e artística.

Monica Nassar

Written by

Artista | Empreendedora | Desenvolvedora do método Adelaide de gestão de projetos criativos

Revista f/508

A Revista f/508 é um espaço online dedicado a publicação de conteúdo, entrevistas e outras informações relacionadas à fotografia, arte contemporânea e cultura. O f/508 atua em Brasília e Lisboa, voltado para estudo, difusão e produção fotográfica e artística.

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