Uma tensa noite às nove

Crônica de uma Oiapoque noturna


Moradores em situação de rua se abrigam debaixo Hansen Araújo, na avenida Oiapoque. Foto por Diogo Fabrin

Quem passa pela Avenida Oiapoque durante o dia percebe a diferença no baixo fluxo de pessoas que circulam à noite. Esta variação se dá principalmente pelo fechamento dos dois shoppings populares presentes no local: Xavantes e Oiapoque.

A noite, são poucos os que continuam na via. Alguns vão para os pontos de ônibus, a espera de uma das cinco linhas que atualmente trafegam pela avenida. Outros só passam pela via para acessar as ruas São Paulo e/ou Curitiba. Mas existe uma minoria noturna, que faz da avenida seu lar temporário ou seu ganha pão.

Na tentativa de falar com um destes habitantes noturnos, o Especial Avoi foi até lá. O que foi constatado é que, mais do que durante o dia, os que estão na avenida à noite são reticentes. Em todas as abordagens realizadas, ninguém quis falar com a reportagem.

À noite, uma Oiapoque opaca

Eram 21h e o panorama já havia se transformado completamente. Os shoppings estavam fechados. Poucas pessoas na rua — tom pouco habitual em relação ao período matutino ou vespertino. Se destacam os taxistas que atendem principalmente pessoas que desembarcam na rodoviária, moradores de rua e figuras de comportamentos suspeitos. Um cenário opaco. Se não pelas construções marcantes, a avenida Oiapoque parece outro lugar durante a noite.

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Na esquina com a rua São Paulo, um guardador de carros, ou flanelinha, se aproxima cautelosamente. Seu nome é perguntado e ele só sorri. Um aperto de mãos quebra o clima. Questionado se aquele era seu ganha pão, responde com um “sem detalhes”, repetido insistentemente. A ausência de dialogo é frustante. Contudo, fixa seus olhos no outro e expõe uma frase coesa.

“Meu nome é Silvio”.