A agricultura familiar destaca-se nas produções agrícolas de todo o Distrito Federal. As famílias trabalham juntas para garantir o sustento

O trabalho rural começa cedo, exige esforços e muita garra. Os agricultores necessitam de mais políticas públicas que os auxiliem em seus direitos, como aposentadoria, planos de saúde e assistência. A rotina é exaustiva, segue em baixo de sol ou chuva, porém, o importante é não perder a produção.

No Distrito Federal existem cerca de 18 mil propriedades rurais. O GDF possui vários programas de apoio à atividade agrícola familiar, por exemplo, o minha casa minha vida rural, programas de aquisição de alimentos e o PRONAF — Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar, que disponibiliza crédito rural e auxílio à agricultura doméstica.

Segundo Blaiton Carvalho, extensionista rural da Emater, a maioria dos lavradores do DF são agricultores familiares. “Brazlândia, Planaltina e São Sebastião são as regiões que mais se destacam e são importantes produtoras de hortaliças, frutas e grãos, como soja e milho”, afirma Blaiton.

Marlúcia Andrade, moradora da Radiobraz, em Brazlândia-DF

Marlúcia Andrade é produtora rural junto com seus filhos e alguns funcionários. Eles trabalham na cultura de morango, tomate, berinjela e outros legumes, em uma propriedade na Radiobraz, em Brazlândia. “Comprei um carro para minha filha, construí minha casa, tudo com meu trabalho”, diz, orgulhoso da sua produção.

Para os produtores rurais existem vantagens e desvantagens de ser agricultor. A falta de instabilidade nos preços dos produtos e não ter uma política pública como os pontos negativos. Flexibilidade de trabalho e horário, e por ser uma bem para a sociedade, são vistos como qualidades. As dúvidas quanto a aposentadoria cercam de dúvidas a classe que lutou sem cessar para trabalhar em situações difíceis.

Vanilda Clebia de Oliveira é produtora, orgulhosa de sua produção e profissão conta um pouco sobre sua história.

“Tirando os problemas que aparecem dá para viver bem da agricultura, não vou deixar de ser agricultora porque acontecem problemas não”, diz Vanilda.

José já carrega os sinais do cansaço e exaustão. Conta com a ajuda de três funcionários para realizar o trabalho da lavoura. Devido sua idade e aos problemas de saúde, o trabalho que exige mais força já foi deixado de lado. O produtor duas vezes por semana, às segundas e quintas-feiras, acorda às 3h da madrugada, com o caminhão carregado vai à Centrais de Abastecimento do Distrito Federal (Ceasa-DF) vender sua mercadoria. Os preços instáveis causa instabilidade na vida da população agrícola.

Desde a infância…

Quem nasce em área de produção agrícola, tem o “dever”, junto com as mães, de cuidarem dos pequenos animais, ajudarem em tarefas como capina, plantios, colheitas, seleção de produtos para comercialização, e muitas vezes, participam de feiras ou entregas de produtos junto com os pais.

O presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores Rurais (Contag), Alberto Ercílio Broch, criticou o texto e sugeriu a retirada de todo o capítulo sobre os trabalhadores rurais. “Nós estamos conversando com todos os prefeitos do Brasil, com todos os vereadores, mostrando o impacto que isso gerará nos municípios e naqueles que mantêm a economia e a produção de alimentos. Tudo para sensibilizar a sociedade sobre os malefícios da reforma da Previdência da forma como ela está”.

Benefícios

Segurado especial é o pequeno produtor, o parceiro, o meeiro ou o arrendatário rural, que exerçam suas atividades, individualmente ou em regime de economia familiar, ainda que com o auxílio de terceiros, bem como seus respectivos cônjuges ou companheiros e filhos maiores de 16 anos ou a eles equiparados, desde que trabalhem comprovadamente com o grupo familiar.

O regime de economia familiar é o trabalho em conjunto da família, é exercido pelos membros da família em condições de mútua dependência e colaboração, sem a utilização de empregados permanentes.

Para Sonia Lemos, extensionista rural da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Distrito Federal (Emater), fala um pouco sobre os direitos e aposentadoria dos agricultores. “Pelo fato de que o trabalho rural é exercido debaixo de sol ou chuva, as jornadas são longas, começam na maioria das vezes de madrugada e se estende até o anoitecer”, afirma.

“As atividades desenvolvidas são braçais, onde exigem muito do físico da pessoa, portanto, o agricultor merece usufruir do direito à aposentadoria mais cedo que qualquer outra categoria de trabalhado”, ressaltou Sonia.

Veja também matéria sobre a agricultura urbana nesta edição do Esquina On-line.