Girl power: cenário do grafite em Brasília é também espaço para mulheres.

Artistas estampam criatividade e ativismo contra machismo pintado de cinza. “É resistência”, garantem.

Rave, Kali, Borgê, Ayõ, Brixx, Ju B, Siren, MiC. Se você anda pelas ruas do Distrito Federal observando as cores impressas nos muros, sem dúvidas já viu alguns desses nomes grafitados ao lado de desenhos icônicos que são a cara de Brasília. Elas são apenas algumas das mulheres que compõem a cena da arte urbana e que colorem a capital e as cidades vizinhas com as cores da resistência feminina nas ruas.

Grafiteira Michelle Cunha em São Sebastião (DF) — Crédito: Anna Jullia Lima

“Acho que todo grafite feito por minas tem a força do feminismo. O fato de estar na rua já é em si um ato feminista”

Assim responde Michelle Cunha, grafiteira conhecida como MiC, quando perguntada sobre a existência da luta feminista na arte urbana. Michelle é paraense e mora em Brasília há 5 anos. Trouxe da terra natal a criatividade, o gosto pela arte e a oficina de grafite que ministra apenas para mulheres.

Ayô Ramos conta que apesar de não ser mal recebida por todos os grafiteiros, o preconceito com o grafite feminino ainda existe. “Na rua vi muita parceria, mas ouvi relatos de minas que sofreram preconceito e notaram que o espaço oferecido a mulher no grafite é reduzido, a visibilidade não é tão grande”. Mas a artista afirma que a mulheres têm ganhado espaço “Alguns falam que mulher não aguenta o trampo, mas a gente está mudando essa ideia. Aos poucos, estamos nos tornando um grupo cada vez maior. O grafite que empodera, reivindica e fala através da mulher está tomando as ruas de Brasília”.

Grafite da brasiliense Siren em banca de jornal na avenida W3, Asa Norte (DF) — Crédito: Roseane Rodrigues

Frente às dificuldades, as grafiteiras têm conquistado maior espaço na cena urbana de Brasília. A capital promoveu o Encontro de Grafite do Distrito Federal, no último mês de maio, para discutir políticas públicas para a cultura urbana, além de incentivar a maior participação das mulheres em eventos desse tipo. Jaqueline Fernandes, Subsecretária de Cidadania e Diversidade Cultural da Secretaria de Cultura do DF, conta que apesar do machismo ser estruturante na sociedade, as mulheres têm conquistado lugares por meio da luta e no grafite a situação não é diferente.

A seguir, confira o documentário MiC, sobre a artista Michelle Cunha, dona das corujinhas espalhadas pelos muros e postes de Brasília. A artista contesta a presença massiva de homens na arte das ruas e a violência contra as mulheres grafiteiras, e ainda, a entrevista completa de Jaqueline Fernandes para o doc sobre a importância do fomento do governo para a cultura urbana.


Corujinha de Michelle Cunha colorida no muro da Asa Norte (DF) — Crédito: Roseane Rodrigues
Grafite de Michelle Cunha em parada de ônibus de Brasília (DF) — Credito: Roseane Rodrigues

Grafite e pichação

Você também tem dúvidas sobre as diferenças entre grafite e pichação? É vandalismo? É arte? Confira o que o professor de comunicação social do UniCeub, André Ramos, diz sobre o assunto!

Grafitologia

Entenda os “jargões” do grafite. As principais palavras usadas no meio.

Crédito: Alice Leite

Part.: Alice Leite

Preparamos comentários sobre a oportunidade de ter acompanhado a criação desta matéria junto as minas do grafite e o cenário do grafite na Capital. Confira abaixo:

Confira a reportagem sobre o assunto publicada pela Revista Esquina, produzida pelos alunos do 6º semestre de jornalismo do Uniceub. Lá você vai saber mais sobre as grafiteiras do Distrito Federal, as histórias de cada uma, o preconceito, as lutas e o enfrentamento das minas!

Veja também reportagens sobre transição de gênero, espaços culturais na periferia do DF e a diversidade do Conic nesta edição do Esquina On-line.
Assista ainda ao documentário “O salto das mulheres”, dirigido por Diego Schueng, aluno do curso de Jornalismo do UniCEUB.
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