Era uma vez um casal participante de um reality show. Um médico cirurgião plástico e uma jovem estudante mantinham um relacionamento conturbado, até que as discussões foram se tornando cada vez mais quentes e o que não faltou foi desrespeito. Xingamentos e apertões eram apenas o início do que estava por vir.

Tornou-se, então, um assunto nacional. Não o casal, mas a situação que estavam vivendo: o relacionamento abusivo é uma realidade e precisa ser debatido. Foi olhando para as pessoas à nossa volta e para nós mesmas que surgiu a ideia dessa matéria. Muitas vezes normalizamos algumas situações que vivemos no nosso dia-a-dia e acabamos nos tornando e fazendo os outros de prisioneiros. Diversos veículos retrataram essa realidade pela qual passam muitos pares, mas o que nenhuma mostrou é que não são apenas os relacionamentos amorosos que estão submetidos a tais abusos. Veja a entrevista com a psicóloga Márcia Teixeira.

“Crise de ciúmes” e “crime passional” é como normalmente são abordados os casos abusivos de assédios na mídia. Histórias que normalmente são contadas como contos de fadas, mas que na verdade são pesadelos reais, principalmente quando a vítima é mulher. Um exemplo foi o caso que aconteceu com a jovem Eloá. Mantida refém pelo ex-namorado que não aceitava o fim do relacionamento, a adolescente de 16 anos recebeu diversas críticas e foi alvo de comentários durante a repercussão do caso. De acordo com uma das principais emissoras de televisão, “se a jovem resolvesse dar uma segunda chance”, ela não estaria passando por tal situação. A vítima acabou se tornando a culpada da história.

O número de mulheres vítimas de relacionamentos abusivos é muito maior que o de homens. Segundo o estudo sobre violência doméstica realizado pela OMS, em 2015, a violência psicológica é a mais praticada contra elas, além de ser exercida na maioria das vezes pelo próprio cônjuge. A violência física, porém, também faz parte do cotidiano delas. A cada quatro minutos, uma mulher é vítima de violência no Brasil.

Veja os infográficos interativos.

Os estigmas sociais nos levam a crer que o homem é o ser forte, agressivo, e a mulher é o sujeito fraco e sensível da relação. Isso acaba reproduzido dentro de qualquer que seja o relacionamento, e contribui para que ele possa vir a se tornar abusivo.

A Lei Maria da Penha, principal lei de proteção às mulheres classifica em cinco categorias os tipos de abuso: violência patrimonial, violência sexual, violência física, violência moral e violência psicológica.

Não se cale

O início de vários casos de violência começa como um relacionamento abusivo. Se você está passando por uma situação de agressão, não duvide em procurar canais de ajuda para sair dessa realidade. Alguns deles são:

Delegacia Especializada de Plantão de Atendimento á Mulher (DEAM) — (61) 3207–6172

Disque 100 — O Departamento de Ouvidoria Nacional dos Direitos Humanos tem a competência de receber, examinar e encaminhar denúncias e reclamações, atuar na resolução de tensões e conflitos sociais que envolvam violações de direitos humanos, além de orientar e adotar providências para o tratamento dos casos de violação de direitos humanos, podendo agir de ofício e atuar diretamente ou em articulação com outros órgãos públicos e organizações da sociedade. As denúncias poderão ser anônimas ou, quando solicitado pelo denunciante, é garantido o sigilo da fonte das informações.

Disque 180 — Secretaria de Políticas para Mulheres — A Central de Atendimento à Mulher em Situação de Violência — É um serviço de utilidade pública gratuito e confidencial (preservar o anonimato), oferecido pela Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República, desde 2005.

Disque 156 — O Governo de Brasília oferece uma rede integrada de apoio em caso de violência contra as mulheres.

Imagem — Pixabay

Veja a matéria completa sobre relacionamentos abusivos publicada na Revista Esquina:

Veja também reportagens sobre violência infantil e violência doméstica nesta Edição do Esquina On-line.