foto: Uirá Lourenço

Poucas cidades são tão hostis aos pedestres quanto Brasília. A afirmação é de estudiosos em mobilidade urbana e moradores da cidade. Para especialistas e pessoas que andam a pé, o modelo urbano da capital privilegia os automóveis. Principalmente em trajetos maiores, quem não tem carro e depende de ônibus e metrô sofre com a dificuldade de locomoção.Uma das justificativas para esse problema é a expansão do Distrito Federal.

Brasília cresceu mais do que planejou o arquiteto, urbanista e professor Lucio Costa em 1957. Criada para 500 mil habitantes, a capital teria, em 2016, 2.977.216 pessoas. Essa é a estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Manter esse modelo hoje é algo insustentável, um dos caminhos buscados é incentivar as pessoas a se deslocarem mais a pé ou de bicicleta. Para isso foi lançado o projeto “Mobilidade Ativa”. O projeto não consiste apenas em fazer ciclovias ou reformar calçadas. É preciso implantá-lo em vias que conduzam as pessoas para seus possíveis destinos.

FROTAS DE ÔNIBUS

O Diretor Técnico do Transporte Urbano do Distrito Federal (DFtrans), Márcio Antônio de Jesus, relata que o DF conta com cerca de 650 mil usuário de ônibus por dia, e todas as regiões tem demanda de Transporte público, mas as que mais necessitam dessas demandas são as populosas, como Taguatinga e Ceilândia. “ A quantidade de frota de ônibus é de 3,1 mil, tendo 2.711 mil bacias, 517 Piracicabana, 625 Pioneira, 529 Urbi, 464 Marechal, 576 São José, 350 Cooperativas e 39 (TCB).”Ele explica que as cooperativas operam somente nas regiões administrativas, e a (TCB), apenas em linhas do plano piloto.

Em 2013 o Distrito Federal foi dividido em cinco bacias para o serviço de transporte público. A empresa Piracicabana, por exemplo, tem 417 ônibus para atender a bacia 1 que engloba as regiões de Brasília, Sobradinho, Planaltina, Cruzeiro, Sobradinho 2, Lago Norte, Sudoeste/Octogonal, Varjão e Fercal.

Já a Viação Pioneira possui 640 veículos que rodam nas cidades do Itapoã, Paranoá, Jardim Botânico, Lago Sul, Candangolândia, Park Way, Santa Maria, São Sebastião e Gama.

A empresa Urbi conta com 483 ônibus e circula nas regiões do Núcleo Bandeirante, Samambaia, Recanto das Emas e Riacho Fundo 1 e 2.

A Viação Marechal, por sua vez, tem 464 coletivos para moradores de parte de Taguatinga e do Park Way, Ceilândia, Guará e Águas Claras.

Por último, a São José possui 576 veículos para o Setor de Indústrias e Abastecimento (SIA), Setor Complementar de Indústria e Abastecimento (SCIA), Vicente Pires, Ceilândia (ao norte da avenida Hélio Prates), Taguatinga (ao norte da QNG 11) e Brazlândia.

Gráfico das frotas de ônibus em Brasília e entornos

PLANEJAMENTO URBANO

Segundo o arquiteto urbano, Clay Rodrigues , especializado em planejamento residencial e urbanístico, uma cidade bem construída é aquela que prevê livre locomoção. No entanto, na visão dele, no DF não existe essa organização. “Geralmente quando vão fazer calçadas contratam uma empresa sem nenhum vínculo com arquitetura e executam o projeto. É a mesma coisa com vias e meios de transporte”, alegou.

Ele ainda explica que, para evitar esses problemas, o planejamento urbano é essencial. “O ideal seria quando fizessem uma calçada ter o piso tátil, a inclinação certa para cadeirantes, e isso tem que ser uma regra para ser planejada e executada. Contudo, infelizmente, não existe isso na nossa mobilidade urbana”, acrescentou. Veja mais no vídeo abaixo.

Em contraponto ,Leonardo Firme, planejador Urbano e chefe da Secretaria de Estado de Infraestrutura e Serviços públicos- OBRAS (SINESP), explica que Brasília foi pensada de uma maneira para resolver qualquer problema. “Espaços Públicos, áreas verdes são bem generosas, temos implantações de ciclovias, corredores inclusivos para ônibus, canteiros centrais, coisas que são fáceis de pensar com implantações de projetos, sem precisar de um novo planejamento Urbano, que leva muito tempo nos órgãos”.

O Arquiteto afirma que Brasília já tem a maior malha cicloviária do país, com mais de 400 km de ciclovias implantadas. “ Infelizmente mesmo sendo umas malhas recentes, elas ainda são muito descontínua, temos um percurso no Plano Piloto, outro no Guará, Park Way, Lago Norte, mas não temos a continuidade de grandes percursos interligados, e isso é o problema”. Confira mais na entrevista com o planejador urbano, Leonardo Firme.

ÁUDIO DO PLANEJADOR URBANO LEONARDO FIRME

Confira abaixo a opinião das pessoas a respeito da mobilidade urbana na capital:

Veja também reportagem sobre ciclismo como meio de transporte e transporte coletivo nesta edição do Esquina On-line.