Não é culpa de ninguém

Era mais ou menos meio de 2002 quando ouvi dizer que nessa tal de internet (sim, ainda era tratada assim) havia um troço chamado blog. Nele, você poderia, mesmo que não chegasse nem perto de manjar de programação, ter um espaço só seu para publicar o que quisesse. Eu, que estava no quarto ano do curso de jornalismo sem nenhuma perspectiva de ingressar na área logo, achei aquilo espetacular.
E não fui o único. Aquele ano, além de nos dar o penta, foi bastante prolífico em blogueiros pelo Brasil inteiro. Fui apenas mais um e, garanto, longe de estar entre os melhores. Meu primeiro blog se chamava Filosofia Barata e o conteúdo era tão pobre quanto seu nome (ao longo dos anos consegui arrumar nomes piores, mas essa é outra história).
O fato é que muitos (os melhores) blogueiros surgidos naquela época acabaram gostando bastante da coisa. Vários deles seguiram por esse caminho com seriedade e fizeram de seus blogs algo produtivo, profissional e lucrativo.
Não foi o meu caso. E durante um bom tempo achei que havia algo de errado, que o mundo estava sendo absolutamente injusto comigo por eu não ter “surfado” plenamente essa onda.
O xis da questão é que, por boa parte da vida, essa foi minha reação para tudo o que não desse certo. Se eu não estava na profissão era porque tinha gente menos capaz do que eu roubando minhas chances. Se eu não conseguia uma audiência na internet era porque as pessoas não valorizavam direito o que eu fazia. Em resumo: chato pra cacete.
Na verdade, ao menos no que diz respeito aos blogs, tudo o que eu fazia era tentar emular gente que eu achava descolada, brasileiros e gringos. Ler textos meus daquela fase agora é meio pavoroso, pois enxergo um cara claramente em busca de um estilo que ele nunca vai alcançar.
Ou seja: se eu não consegui, não foi por culpa de ninguém. Na verdade, nem mesmo eu tenho culpa de nada disso. Fui por outro caminho e, embora me arrependa de alguns passos que dei (e de tantos outros não dados), posso dizer hoje que estou mais tranquilo com o que eu mesmo cavei para este cara aqui, 14 anos depois de descobrir que existia um tal de blog.
Agora o momento é outro. E quero voltar a escrever, algo que não faço com frequência há uns bons 10 anos. Sem esperar nada, sem cobrar nada, sem emular estilo alheio e, principalmente, sem culpar ninguém por absolutamente nada.