Eu tenho uma obra prima na minha estante I: Frankenstein

( Mary Wollstonecraft Shelley com ilustrações Bernie Wrightson).

Aqui, começo com minha série de publicações, na qual contarei sobre minhas experiências, relacionadas as minhas novas/antigas aquisições literárias, que em sua grande maioria, serão do gênero Comics. Nada melhor do que começar com um clássico, ilustrado por um dos maiores artistas do gênero horror: Bernie Wrightson.

Website Copyright © 2016 Bernie Wrightson

Eu sempre tive uma queda por Frankenstein e foi um trabalho de amor. Não foi uma tarefa, não foi um trabalho. Eu levaria três dias aqui, uma semana lá, para trabalhar no volume de Frankenstein . Demorou cerca de sete anos.
BERNIE WRIGHTSON, em uma entrevista sobre a obra.

Sempre me vi voltado para o estilo “horror”. Desde criança, meus desenhos traziam a tona, a forma na qual as pessoas não enxergavam as coisas, uma forma mais escura, sombria e por ai vai. Não pense que sou um necromante, vampiro ou etc, pois isso é apenas minha visão artística que na maioria das vezes emprego em meus desenhos. A medida que crescemos, acrescentamos novas obras literárias ao nosso gosto pessoal, e digo, que se alguém me perguntar sobre qual obra me surpreendeu no estilo literário e artístico, direi com certeza absoluta que foi: Frankenstein ilustrado por Bernie Wrightson.

Já conhecia Bernie há um tempo. Coleciono quadrinhos, e uma das minhas prediletas é Monstro do Pântano, na qual ele é ilustrador, co-criador junto com o Len Wein na primeira fase do personagem, Alan Moore, vem depois e junto com Bernie, reformula o personagem. Monstro do Pântano é um marco na história dos quadrinhos, e muito se deve á quem o escreve e principalmente a quem o desenhou. Bernie, possui um traço surreal, principalmente quando se trata de Horror. Era nítido em Monstro do Pântano, mas em Frankenstein foi maior ainda. Nela, Bernie criou algo diferente do que já era conhecido pelos filmes de Boris Karloff (1931/1935/1939), e nem do que era descrito nos livros de Mary Shelley.

“Eu queria que o livro parecesse uma antiguidade; ter a sensação de xilogravuras ou gravuras de aço, algo daquela época.”

E ele conseguiu mais que isso:

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Ao comprar o livro, a edição do 25° aniversário da obra pela DARK HORSE ao selo MYTHOS ,(acreditem se quiser, é outra experiência quando lido em mãos) que achei por acaso esquecido em uma livraria, pude dizer, que havia encontrado, o que poderia ser uma das obras mais maravilhosas que já havia visto até aqui. A edição, conta com uma introdução de Stephen King (Bernie, era conhecido de King, tendo ilustrado sua novela gráfica Creepshow (1982) e algumas criaturas do filme O nevoeiro) na qual ele conta de sua afinidade com amigo Bernie, seu primeiro contato com a obra clássica de Mary Shelley quando criança, dentre outras coisas. Na primeira página, no inverso da folha, de forma pequena esta escrito:

Em mémoria de Roy Krenkel.

Roy Gerald Krenkel, foi um ilustrador americano que teve como especialização, ilustrações fantásticas, históricas e pinturas para livros, revistas e histórias em quadrinhos. Uma grande inspiração para Bernie. Roy faleceu em 24 de fevereiro de 1983, aos seus vívidos 64 anos, no exato ano da publicação do livro, então pela Marvel Comics.

Em questão da história, dispenso comentários, pois a sutileza e insanidade dos desenhos de Bernie, junto a incrível narrativa de Mary Wollstonecraft Shelley, é incomparável. Que sua obra viva anos, assim como sua maior criação.

Bernie junto Steve Niles, começaram a publicar uma série de quadrinhos como título de Frankenstein Alive, Alive.

Os quadrinhos são descritos como um “exoesqueleto” da obra de 83. Vale a pena conferir.

Para nossa infelicidade, no dia 18 de Março de 2017, perdemos Bernard Albert Wrightson, aos 68 anos de câncer cerebral. Bernie foi homenageado na série The Walking Dead, ao final do ultimo episódio da sétima temporada:

Stephen King, prestou sua homenagem por meio de seu perfil no twitter:

Bernie, estará vivo não só em nossas mentes mas como em nossos corações, e nas mais horrendas e obscuras pinceladas que alguém possa dar, não importa aonde, quando e quem. Não so como desenhista, Bernie, pra mim, é um mestre e inspiração no que fez enquanto esteve neste plano existencial.

Obrigado Bernie!

Quer saber mais sobre este homem e no que ele fez? Da um pulo la no site dele:

Escrito por: Luiz De Paula.