ESTRADA REAL: A beleza de Sabarabuçu

Da série: multifacetadas histórias da Estrada Real

Foto: Lucas Von Dollinger via smartphone
Foto: Lucas Von Dollinger via smartphone

O trecho Sabarabuçu — um dos caminhos do ouro — é daqueles lugares que em seu trajeto desvenda paisagens magníficas que são vislumbradas somente por quem tem a oportunidade em fazer a trilha. É um dos braços do Caminho dos Diamantes e em sua extremidade ao norte tem início o município de Cocais passando por mais nove distritos até seu desfecho em Glaura e início do Caminho Velho.

Antes de entrar na Estrada passei por um restaurante em Rio Acima, num lugarzinho chamado Coxo D’água, lá três garotos me atenderam, perguntei sobre o trajeto Sabarabuçu e se teria uma cidade ou comunidade ao qual pudesse saber mais sobre a Estrada Real e seu impacto, todos foram enfáticos em descartar, não conheciam nada por lá, não sabiam nada sobre Estrada Real, só que tinham casas ao longo do trajeto, mas alertaram sobre os marcos fixados na estrada de terra, pediram que eu os seguisse, pois são eles que demarcam o trajeto.

Foto: Lucas Von Dollinger via smartphone

Me despeço, mas antes que eu entre no carro e comece a ir para a trilha eles me contam sobre um passaporte, fico intrigado com o que se trata, eles logo dizem que é para os que fazem trilha e serve para confirmarem que passaram pelo local licenciado — o restaurante é um dos pontos credenciados a carimbar esse passaporte. A curiosidade chega ao nível mais alto, mas é o máximo que eles conseguem explicar e quem realmente sabe sobre toda a história não está presente, o proprietário do restaurante só estaria à noite, mas ainda era o início da tarde naquele momento e não poderia esperar, tinha que fazer a trilha, o assunto ficou em aberto, quando passasse na volta tinha que tentar falar com o dono.

Iniciei o caminho ao pé da Serra do Rola Moça, a estrada de terra passa por matas densas que limitam a visão e vão até picos que permitem um visual panorâmico das belezas de Minas Gerais, suas montanhas. Os marcos anteriormente alertados pelos garotos aparecem e servem de guia em pontos estratégicos, ao deparar com o primeiro, percebo o inusitado, eles são patrocinados por marcas como: Coca Cola e Master Card, elas estampam suas identidades em todos os que vi, possivelmente a FIEMG necessite de recursos externos para compor todo o ciclo mercadológico que cerca o complexo, seja através de cursos ofertados ou em marketing de divulgação.

Foto: Lucas Von Dollinger via smartphone

Fiz uma pausa, tirei algumas fotos. Meus irmãos: Augusto e Arthur, que estavam comigo desde o início me ajudaram na captura das imagens. A paisagem era deslumbrante, ficamos anestesiados com tamanha complexidade natural. Ao longe percebemos pequenos trechos de nuvens densas e escuras que faziam chover em algum lugar.

Era perceptível o contraste no olhar de quem só vê concreto, agora diante dos meus olhos o trecho Sabarabuçu desvendava um novo descobrimento.

Fotos: Lucas Von Dollinger via smartphone

Vários braços da estrada davam em fazendas, elas são muitas no caminho.

Finalmente chegamos a um vilarejo, as portas da cidade percebemos suas congratulações, Seja Bem Vindo ao Acuruí, entramos e percebemos que as pessoas têm muitas histórias sobre a Estrada Real, coletamos várias. Pessoas como Ana Preta e Eliane são fragmentos de um trajeto com mais de 199 comunidades em 1600 KM.

Após passar a tarde inteira em Acuruí voltamos a fazer o trajeto, ao olhar de uma nova perspectiva continuamos a vislumbrar a paisagem linda, formosa, feita como um produto artesanal, cheia de detalhes que não serão vistos nem se passarmos por ela por dois séculos consecutivos.

Na volta tentamos novamente saber mais sobre o carimbo da Estrada Real, mas o proprietário do restaurante ainda não havia voltado, a chateação foi evidente, mas por outro lado tivemos a oportunidade em conhecer um dos mais belos lugares de Minas, a Estrada Real se mostrou não só a faceta da exploração, mas também um vislumbre dos mais belos da natureza.