ESTRADA REAL: A marca da escravidão ainda presente

Da série: multifacetadas histórias da Estrada Real

Foto: Lucas Von Dollinger via smartphone

faz quase 130 anos que a Lei da Escravatura foi diplomada e extinguiu a escravidão no Brasil, suas marcas não ficaram somente no passado, ainda hoje percebemos os resquícios da crueldade vivida pelos negros espalhadas por várias cidades interioranas, principalmente aquelas que tinham muita concentração de minérios e pedras preciosas.

A cidade de Acuruí — distrito de Itabirito — vive inflamada pelo passado, o centro da comunidade, que tem uma rua central importante, mostra o apartheid vivido no século XVII e XVIII.

A subdivisão dos negros e brancos a comunidade Acuruí viveu da exploração humana através do trabalho braçal, demonstrando a dominação branca. Além disso, a escravidão saiu da esfera exploratória e passou para a etapa de segregação social.

Atualmente a comunidade tem aproximadamente três mil habitantes, população relativamente baixa para ter em sua rua principal com pouco mais de quatrocentos metros duas igrejas imponentes.

A igreja de “cima” como é chamada é a Igreja Nossa Senhora do Rosário e a igreja de “baixo” é conhecida Igreja Nossa Senhora da Conceição.

A história contada por quem mora na cidade é da típica ignorância humana perante a diferença de raças, a opressão máxima dos incapazes de viver em sociedade étnica diversificada.

Foto: Lucas Von Dollinger via smartphone, Igreja Nossa Senhora da Conceição congregação dos senhores.

Como a primeira igreja a ser construída foi a Igreja Nossa Senhora da Conceição os negros frequentavam a mesma congregação de seus senhores, mas a incapacidade perante o acontecimento fez com que uma ordem fosse promulgada que obrigava os negros a construírem sua própria congregação e foi o que fizeram a Igreja Nossa Senhora do Rosário foi erguida.

Foto: Lucas Von Dollinger via smartphone, Igreja Nossa Senhora do Rosário congregação dos negros.

Ao passar dos anos a igreja de cima e a de baixo tiveram outras nomenclaturas, ficaram conhecidas como igreja dos senhores e igreja dos escravos.

Depois de tanta segregação vivida não só em Acuruí, mas em todo o território nacional o que se espera é o poder igualitário de raças em um estado genuinamente democrático. O retrato vivido na comunidade é o reflexo da incapacidade moral e ética da convivência em sociedade, talvez essa história tivesse se perdido se não fosse os complexos caminhos da Estrada Real, justamente esse trecho que era utilizado exacerbadamente para exploração. O complexo trás essa e outras histórias contundentes e reflexivas para dias atuais que dependem disso para superar um passado sangrento e cruel.

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