ESTRADA REAL: Comunidade Acuruí

Da série: multifacetadas histórias da Estrada Real

Foto: Lucas Von Dollinger via Smartphone

O simpático distrito de Acuruí localizada entre Itabirito e Rio Acima, tem seu significado em tupi-guarani “rio das pedras”, foi fundada no século XVIII, mais precisamente no ano de 1702 e têm hoje aproximadamente 3.000 mil habitantes. O trecho da Estrada Real que leva até a comunidade é o Sabarabuçu.

Ao chegar à porta da cidade fomos saudados por uma senhora simpática que logo nos recepciona em um quiosque, era agradável e faz do seu estabelecimento “nossa” casa, pede para entrarmos, escolhermos o que quisermos, não utiliza de menor desconfiança no tratamento.

Dando dois passos para trás vi um monumento branco, dei mais dois e vi que era uma igreja, claro que por regra as cidades têm igrejas no centro além de uma praça, perguntei sobre o que era e Ana (a senhora que trabalha no quiosque) me explicou, era a igreja dos escravos e que teria outra igreja mais a baixo que era dos senhores. Inusitado para uma comunidade tão pequena. Agradeci a receptividade e ao sair do seu estabelecimento rumo a igreja tirei algumas fotos, lá tirei outras e prosseguimos até o centro.

Assim que chegamos logo vimos a igreja dos senhores, em sua volta uma singela praça que também serve como rotatória, ela fica a sua frente e em seu lado direito algumas casas e do lado esquerdo um restaurante, como estava na hora do almoço resolvo entrar para comer.

Conheci outra pessoa que há muito tempo mora em Acuruí, Eliane é a proprietária do restaurante e apresenta a cidade com muita afinidade, não hesita nas palavras e fala como se fosse líder comunitária, sua voz tem muita propriedade e conhecimento de causa, mostra o que a comunidade mais necessita. Em aspectos gerais diz das belezas naturais, três cachoeiras formidáveis, as quais não consegui visitar pela limitação de tempo.

Acabando de almoçar fomos até a igreja dos senhores, de aparência sombria ela retrata a crueldade de quem usou da cor da pele como argumento discriminatório, hoje é apenas história, mas já foi dor.

A cidade é aconchegante, agradável, acolhedora, faz com que os viajantes se sintam em casa, o tratamento das pessoas são sem interesse, isso faz falta em cidade grande, tão falta que por esse motivo existem pessoas que preferem viajar para o interior de um Estado ao invés das praias superlotadas e confusões, pois acham tranquilidade em locais como Acuruí.

Fotos: Lucas Von Dollinger via Flickr