Estudos Memeológicos

O que são, como se reproduzem e do que se alimentam os memes.

O tema geral do trabalho será sobre uma linguagem específica, os memes. Acreditamos que o assunto é relevante porque esse tipo de recurso é extremamente popular, principalmente entre os jovens. Como o tema é bastante abrangente, decidimos focar em sua genealogia, como eles surgem, se popularizam, são adotados em diversos contextos e têm consequências reais, que podem ser transportadas para a vida offline.

A fim de analisarmos a formação dessa linguagem e como seu impacto é sentido, vamos estudar o caso do meme Pepe The Frog e os vários processos de ressignificação pelos quais a figura desse sapo passou, sendo até associado a grupos neonazistas. O caso é relevante não só ao nosso trabalho como também à conjuntura política atual, já que foi um ponto de discussão na eleição presidencial americana de 2016 e no crescimento da presença dos supremacistas brancos online.

É importante notar que o criador do meme não compartilhava dos ideais que sua criação passou a representar, o que mostra a relevância da teoria de Roland Barthes conhecida como “a morte do autor”. As disputas de controle de narrativa, que acabam sendo disputas ideológicas, envolvendo não só esse como diversos memes ajudam a entender diferentes nichos na internet, a forma como se comportam e interagem entre si. E, já que essas experiências não existem no vácuo, também contribuem para melhor compreensão de como a identidade e seus símbolos são construídos em grupos no século XXI.

Empiricamente, voltaremos nossa atenção para algumas páginas e grupos no Facebook, como o South American Memes e o Site dos Menes. Focando na genealogia e no aspecto intertextual dos memes, pretendemos traçar os perfis de alguns subgrupos virtuais. Observaremos, on e offline, como esses perfis se constituem: de que forma, por exemplo, o repertório de referências virtual se expressa no cotidiano presencial?

Para o trabalho também realizaremos uma etnografia no grupo “Site dos Menes — O Grupo”, originado da página. É interessante diferenciar que o mene surgiu como uma forma de sátira do meme. Se memes são situações repetidas que têm seu humor derivado da repetição, o mene é sua antítese e sua comédia está baseada no absurdo.

Entretanto, apesar da rebeldia inicial, o processo de formação acontece de maneira similar, e o grupo a ser analisado, hoje com mais de 200 mil pessoas, também cria seu próprio repertório de piadas conhecidas e sua classificação do que é um “mene bom”.

Acreditamos que a criação, discussão e outros tipos de engajamento com a ideia inicial do mene pode revelar com clareza questões sobre identidade, cultura e comunicação.


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Texto de apresentação realizado por Alexandre Caetano e Nathalia Menezes.