Quando até o Reality Show vira digital

Um estudo sobre fãs brasileiros de “Survivor” e sua ideia curiosa de viver o reality show nas redes digitais

Podemos dizer, de forma bem simplória, que os reality shows se propõem a ser um retrato da vida real com pessoas “de verdade” e uma pitada de drama e entretenimento (se essa “vida real” segue um script, aí cabe ao telespectador acreditar ou não). Mas e quando surge um formato desses programas que se desenrola primariamente em ambientes digitais?

Na Internet, é forte a tendência dos fãs de determinadas atrações de se reunirem em grupos nas redes sociais para discussões sobre o programa. Só que os fãs do reality showSurvivor” (que foi importado para o Brasil pela Rede Globo como o efêmero “No Limite”) vão além disso: eles querem competir. Foi daí que surgiu um nicho que busca simular a experiência e dinâmica do reality, criando uma versão digital do programa no Facebook com direito a provas, eliminações, discussões e estratégias.

Pretendemos mergulhar nesse mundo e fazer uma análise de como se dá a relação entre os fãs do reality show norte-americano Survivor, tanto no ambiente digital quanto no real, que passam a se inter-relacionar por causa da paixão pela atração. O nosso objetivo, portanto, é compreender como são criados os laços nesse meio onde as pessoas são unidas pelo mesmo propósito — o reality — e entender o que as levam a querer sentir-se parte disso, a ponto de trazer a experiência para sua vida real.

Usando os conceitos de second screen e fandom, além das contribuições do antropólogo Daniel Miller e da professora Christine Hine como embasamento teórico, a pesquisa terá uma metodologia que consiste numa etnografia digital, partindo da observação de um grupo do Facebook que simula a competição no contexto da rede social em questão.


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Este texto foi feito por Leonardo Botelho, que tem um pouco de experiência nesse campo de reality shows, e Teresa Rodrigues, que não tem nenhuma.