Por que você não lê sobre publicidade?

.ricardo .laranja
Nov 3, 2016 · 3 min read
De boas acompanhando o Twitter

Uma vez eu vi a Julia Petit falando uma coisa que abriu meus olhos. Segundo ela, para encontrar tendências de moda e comportamento, os melhores lugares para procurar NÃO SÃO as publicações sobre moda e comportamento. (não lembro exatamente onde ela disse isso, se eu achar o link, boto aqui)

Pensando sobre o meu trabalho — a famigerada produção de conteúdo — percebi que a Julia levanta um ponto maravilhoso e que, muitas vezes, a gente fica procurando “inspiração” nos lugares errados. Veja bem, nada contra as publicações especializadas em comunicação, publicidade, negócios e afins. Mas tenho pra mim que o lugar mais interessante para encontrar tendências de comportamento e consumo, na internet, é na timeline.

Por vezes vejo vários veículos publicando a mesma notícia, meio que forçando um tema a ser debatido. E enquanto isso, a timeline está discutindo outro assunto. Neste cenário, prefiro ler e entender o que as pessoas estão falando do que gastar meu tempo lendo uma análise “especializada” sobre “a nova polêmica que parou a internet”. A web é fluida e, quando o veículo vai debater um assunto, o público já está em outro tema.

Percebo, também, meus colegas de profissão lendo esses veículos figurões da publicidade, como se isso os fizesse entendedores do assunto. Já trabalhei com pessoas que, todos os dias, liam o Meio & Mensagem mas não conheciam o meme do Bambam. Quer dizer.

Não estou criticando os veículos, claro que não. Como jornalista, entendo a função do veículo em registrar e acompanhar o que acontece nas redes. O problema está nas pessoas, é claro. Construir uma timeline interessante, que mescla informações “oficiais” com pessoas interessantes que compartilham coisas do dia a dia é difícil mas, na minha opinião, é o que faz um bom profissional de conteúdo.

Para produzir conteúdo, é preciso saber (e, mais do que isso: entender) o que as pessoas estão consumindo. São elas, afinal, que vão compartilhar seu post. Um ex-chefe, certa feita, me deu a maior crítica que eu poderia receber: “Você está fazendo publicidade para publicitários”.

Juntando esse conselho/crítica com a visão da Julia Petit eu fujo (ou, pelo menos, tento), todos os dias, das leituras que todo mundo faz. Esses conteúdos vão chegar até mim de qualquer forma.

Estar atento ao que acontece na “vida real” da internet é o que vai fazer, realmente, a diferença na produção de conteúdo.

Para fazer publicidade e conteúdo é preciso entender muito mais do que de publicidade ou de conteúdo. É preciso saber sobre cultura pop, sobre cinema, sobre política, sobre os movimentos sociais que acontecem na rede, sobre o último meme que está rolando, sobre as celebridades das redes que “ninguém conhece”. Tem que assistir o “Carpool Karaoke” e o debate presidencial. Tem que ler o Não Salvo e o Nexo. E tem que seguir aquele seu amigo genial, que nem trabalha com publicidade, mas sempre faz um comentário ótimo sobre todos os assuntos. Com essas informações em mãos, na maioria das vezes, você não precisa nem passar do título da próxima matéria da Proxxima que aparecer na sua timeline.

Eu acredito em conteúdo

Vamos falar sobre esse tal conteúdo?

.ricardo .laranja

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.um ser humano fantástico, com poderes titânicos △△

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