Dia 28: as tortas e as cucas

Flávio Basso foi para o álcool o que Arnaldo Baptista foi para o ácido.

https://youtu.be/bOTytNCwWzo

Flávio Júpiter Maçã Basso foi o maior rock star da história do rock brasileiro.

E gênio que é, morreu como morrem os maiores rock stars da história: prematura e bestamente.

Ao contrário de outros que poderiam competir com ele no posto de “o maior”, ele foi rock star compondo, foi cantando e dançando, foi dando entrevistas… e até mesmo entrevistando. Além disso, foi rock star sozinho.

Sozinho porque a genialidade de suas letras e melodias, que já era espetacular na banda (veja o vídeo) Cascaveletes, cresceu estratosfericamente na carreira solo.

Sozinho porque conviveu no estrelato underground de sua época ao lado de Badauis , Rodolfos e Pittys…

Poderia ter um “concorrente” de peso não tivesse Chico Science dado de cara com um poste.

Não estaria tão sozinho então.

Reinou no underground paulistano. Entendeu e musicou o underground paulistano melhor do que qualquer nativo.

Flávio conseguiu decifrar, assim como Arnaldo Baptista, o Código Beatle: a fórmula da canção que é pop e é tecnicamente transgressora.

Ninguém canta “Eu quis comer você” no programa da Angelica sem ter decifrado o Código Beatle.

Em todas as aparições dele na TV que eu vi, ele estava encantadoramente chapado.

Vê-lo era sentir um gostinho roubado daqueles que viram Jim Morrison, Joe Cocker, Syd Barret, Iggy Pop no auge de suas juventudes.

Há um ditado, se não me engano árabe, que diz: cuidado com o que queres pois podes conseguir.

Pois você conseguiu Júpiter. Me lembrarei de você com a idolatria e a admiração sexy que você, tenho certeza, quer ser lembrado.

Eu te amo!

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