Mês 9

Passou e eu não vi

Sim, confesso que perdi o timing, o ritmo e acabei deixando o nono mês passar sem um registro fiel sobre seu desenrolar.
Farei agora, então, uma busca na memória por alguns acontecimentos.

Como eu já disse no post anterior, foi um período de readaptação por conta da mudança de cidade, porém o mais curioso é que esta mudança acabou sendo mais impactante do que a mudança de país. Não sou a melhor pessoa pra falar sobre mudanças, pois não fiz isso muitas vezes. Mas a impressão que tive foi esta sobre as últimas das quais participei.

Mudar de país traz consigo a desccoberta pelo novo, o vislumbre de ter contato com uma cultura completamente diferente da sua, uma sensação de liberdade e muito mais. Após a mudança e o mergulho nesse mar de novidades, algumas coisas vão tomando forma, novos hábitos vão sendo desenvolvidos. A gente já começa a saber onde comprar tal coisa, em qual supermercado ir, onde vende isso ou aquilo e uma espécie de rotina acaba sendo criada.

A mudança de cidade se deu para um lugar bastante diferente do primeiro. O supermercado já não é o mesmo, o funcionamento do transporte também tem suas particularidades, a rede de lojas que se repete não tem exatamente os mesmos produtos, a abordagem no comércio é diferenciada… até as gírias são outras! Sim, deu pra perceber isso também.

A verdade é que isto não é nenhuma supresa pra ninguém. Se alguém se mudar do Rio pra São Paulo também passará por esse tipo de adaptação, apesar de serem estados vizinhos.

Mas estas pequenas coisas do dia a dia me fazem relembrar da facilidade que o ser humano pode ter em se adaptar a diferentes formas de viver e se relacionar. Tudo isto depende, é claro, do quanto cada um está disposto a se entregar, se permitir viver novas experiências e embarcar sem muitas preocupações. Esta já não é tarefa tão fácil, o que pode acabar prejudicando a primeira.

Este mês trouxe um hiato, um silêncio em diversos momentos à minha mente e com isso um novo ciclo de espera e impaciência. Tiveram, como sempre, algumas pequenas burocracias ainda para resolver, além de aguardar decisões que estavam fora do meu controle, como início de aulas, horários, turmas, etc.

Em diversos momentos, me percebi admirando a arquitetura da cidade enquanto caminhava pelas ruas e refletindo sobre várias questões. Vez ou outra lembrava do histórico até à chegada a este momento e construí trajetórias em minha mente que me impulsionavam ou intensificavam o nível de imersão em outro país.

Olho agora pela janela enquanto escrevo este texto e penso em muito do que já passou e tento imaginar pelo menos uma fração do que pode vir a acontecer pela frente durante os próximos dias, meses, anos… enfim, sei que não dá pra saber nada sobre o amanhã. A gente, é claro, planeja, desenha, projeta, traça metas e objetivos, mas tudo pode mudar. Que mude, então. Só espero que apenas uma coisa jamais mude: a realização.