Razão vs Coração

Maria João
Sep 2, 2018 · 2 min read

Dava um livro com direito a filme a história dos últimos meses da minha vida. Um filme de domingo à tarde, com direito a lágrimas e não a gargalhadas.

Chorei, ri, amei, caí e fugi. Fugi para Londres. Quando em dúvida, fujo para Londres.

Voltar tem sempre um sabor agridoce. Volto a casa, às minhas coisas, à minha gata, às minhas pessoas. Mas volto também à pequenez da mentalidade e aos encontros em datas e horas comuns às do passado. Rotinas de uma cidade em Portugal que é do tamanho de uma rua em Londres.

Encontrá-lo não foi coincidência, não foi acaso. Tenho a certeza, embora nada o fizesse prever. As nossas vidas seguiram rumos e caminhos diferentes. Mas há ironia na forma como sempre acontece. Quando é improvável, quando nada o faz esperar, lá o encontro.

A razão?

Em conversa, alguém disse que nada acontece por acaso, que coincidências não existem e que tudo tem uma razão, ainda que não a vejamos no momento.

Estou neste conflito cego entre aceitar que não passa de uma prova à minha capacidade emocional e ataque do universo à minha resiliência (numa tentativa que eu volte a cair, que eu volte a deixar o meu amor sobrepôr-se a mim mesma, que eu volte a sair do primeiro lugar das minhas prioridades); e a irracionalidade romântica que me habita de que é o destino.

Prova de fogo!

Poderemos nós sobreviver? Há uma forma de poder amá-lo sem que o mundo desabe na minha cabeça e eu precise de escalar para sair do buraco? Poderei eu, no futuro, viver longe e esquecê-lo? Não. Todas as células do meu corpo sabem isso, ele sabe isso, o universo sabe isso.

Limitar-me a aceitar o que sinto e seguir em frente torna-se redutor, como se todo o tempo dispensado nesta esperança, nestes sentimentos ficasse perdido para sempre. E não quero que seja tempo perdido. Tenho saudades dele, da voz dele no meu ouvido, do sorriso, das piadas sem piada, da sua ansiedade e dos seus medos. Mas tenho também saudades da calma que sinto quando não o vejo. Quando o meu corpo não está alerta por que posso encontrá-lo. Tenho saudades de não precisar pensar se agi bem ou mal. Tenho saudades de sentir de forma natural sem dever explicações.

Ele decidiu sair da minha vida, contra a minha vontade, eu aceitei que ele saísse contra a minha vontade.

Na dúvida, fugi para Londres. No dia da volta, é a primeira pessoa que eu encontro!

Razão? Haverá razão?

Luv, M.

Eu quero. E tu?

Histórias e histórias que nunca chegaram a ser.

    Maria João

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    In a lifetime marriage to a pen and a camera.

    Eu quero. E tu?

    Histórias e histórias que nunca chegaram a ser.

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