Razão vs Coração

Dava um livro com direito a filme a história dos últimos meses da minha vida. Um filme de domingo à tarde, com direito a lágrimas e não a gargalhadas.
Chorei, ri, amei, caí e fugi. Fugi para Londres. Quando em dúvida, fujo para Londres.
Voltar tem sempre um sabor agridoce. Volto a casa, às minhas coisas, à minha gata, às minhas pessoas. Mas volto também à pequenez da mentalidade e aos encontros em datas e horas comuns às do passado. Rotinas de uma cidade em Portugal que é do tamanho de uma rua em Londres.
Encontrá-lo não foi coincidência, não foi acaso. Tenho a certeza, embora nada o fizesse prever. As nossas vidas seguiram rumos e caminhos diferentes. Mas há ironia na forma como sempre acontece. Quando é improvável, quando nada o faz esperar, lá o encontro.
A razão?
Em conversa, alguém disse que nada acontece por acaso, que coincidências não existem e que tudo tem uma razão, ainda que não a vejamos no momento.
Estou neste conflito cego entre aceitar que não passa de uma prova à minha capacidade emocional e ataque do universo à minha resiliência (numa tentativa que eu volte a cair, que eu volte a deixar o meu amor sobrepôr-se a mim mesma, que eu volte a sair do primeiro lugar das minhas prioridades); e a irracionalidade romântica que me habita de que é o destino.
Prova de fogo!
Poderemos nós sobreviver? Há uma forma de poder amá-lo sem que o mundo desabe na minha cabeça e eu precise de escalar para sair do buraco? Poderei eu, no futuro, viver longe e esquecê-lo? Não. Todas as células do meu corpo sabem isso, ele sabe isso, o universo sabe isso.
Limitar-me a aceitar o que sinto e seguir em frente torna-se redutor, como se todo o tempo dispensado nesta esperança, nestes sentimentos ficasse perdido para sempre. E não quero que seja tempo perdido. Tenho saudades dele, da voz dele no meu ouvido, do sorriso, das piadas sem piada, da sua ansiedade e dos seus medos. Mas tenho também saudades da calma que sinto quando não o vejo. Quando o meu corpo não está alerta por que posso encontrá-lo. Tenho saudades de não precisar pensar se agi bem ou mal. Tenho saudades de sentir de forma natural sem dever explicações.
Ele decidiu sair da minha vida, contra a minha vontade, eu aceitei que ele saísse contra a minha vontade.
Na dúvida, fugi para Londres. No dia da volta, é a primeira pessoa que eu encontro!
Razão? Haverá razão?
Luv, M.

