Mas… como é que esse negócio de Bitcoin funciona?

Thiago Candido
Apr 10, 2018 · 5 min read

É provável que você já tenha escutado praticamente todo tipo de história envolvendo Bitcoin, seja ela vinda de um programa dominical, de um amigo no happy hour ou do seu youtuber favorito. Talvez você até tenha escutado uma pessoa mais conservadora falando muito mal sobre o Bitcoin — provavelmente a mesma pessoa que comprou Bitcoin na alta e vendeu na baixa. Enfim, de todas essas histórias, um questionamento vem a sua cabeça: como tudo isso funciona?

Se esse é seu caso, esse texto é para você. Se você já sabe o significado dos famosos palavrões e siglas UTXO, Hashcash, PoW, Merkle Tree e HD Wallet: saia correndo.

A explicação será extremamente sucinta, lembrando que cada tópico mencionado poderia render um livro, tendo em vista o quão complexo é o sistema.

Então, prontos? Vamos lá. Vamos utilizar um exemplo estrelando os amigos do Elliot: Charlie, Bill e Jeff. Também falaremos do Mark, que, apesar de não ser amigo deles, tem um papel muito importante.

Charlie acaba de ganhar de aniversário do Elliot um Bitcoin de presente, para se aventurar no mundo das moedas digitais — que presentão! Ele está ansioso para utilizar sua moeda digital e lembra-se de que está devendo dinheiro para os seus amigos que emprestaram a ele no fim de semana que passaram juntos na praia — como o Elliot anda muito ocupado (não dá pra imaginar com o quê, né?), ele não pôde ir. Então Charlie tem a brilhante ideia de pagar seus amigos utilizando Bitcoin. Ele pede a Bill e Jeff o endereço das suas carteiras e envia frações (centavos) de Bitcoin para cada um deles, utilizando um aplicativo que se comunique com a rede Bitcoin.

Bem “tradicional”, certo? Agora vamos explicar o que aconteceu quando o Charlie pagou seus amigos. Primeiramente, com os dois endereços de seus amigos, Charlie criou uma transação que combinava as quantias e os endereços de destino. Com a transação em mãos, Charlie propagou ela para a rede do Bitcoin. A rede é composta por milhares de computadores, e cada participante possui o histórico completo das transações feitas na rede, desde a primeira transação, feita em 2009. Quando uma transação é propagada para a rede do Bitcoin, vários participantes ao redor do mundo a recebem, mas ela ainda não é inserida no histórico imutável de transações efetuadas na rede.

Mark é um dos participantes da rede, e quando Charlie propagou essa transação para pagar seus amigos é Mark quem recebe esse pedido de transferencia de Bitcoins entre as carteiras. Ele primeiramente verifica a transação para ver se Charlie não estava tentando dar uma de espertinho e passar a perna nos seus amigos. Com a transação do Charlie verificada, Mark espera para constituir uma lista de transações, contendo a do Charlie e a de várias outras pessoas que estão fazendo transações Bitcoin ao redor do mundo, assim construindo o que chamamos de bloco de transações. Um bloco não é nada mais do que uma estrutura de dados que une algumas informações, inclusive a lista das novas transações que estão esperando para serem inseridas no registro imutável da rede. Com o bloco em mãos, Mark entra em uma espécie de disputa computacional, que utiliza o poder de processamento dos seus computadores, com milhares de outros participantes da rede. Essa disputa computacional é feita para determinar quem será o participante que vai adicionar o seu bloco permanentemente na rede. Vários participantes ao redor do globo verificam a validade do bloco que o vencedor da disputa está enviando para a rede, assim garantindo que apenas blocos com transações válidas sejam inseridos no histórico imutável da rede do Bitcoin.

Ah, esqueci de um detalhe: o Mark é extremamente competitivo e não gosta nem um pouco de perder. Ele ultimamente vem investindo cada vez mais em computadores mais velozes, para maximizar suas chances de ganhar essa disputa.

Você deve estar se perguntando: o que leva o Mark a entrar nessa batalha de proporções globais, investindo pesado em computadores potentes e colocando todo seu poder de processamento para validar a transação do Charlie e de muitos outros? A resposta é simples: a recompensa. Quando um participante consegue ganhar essa disputa computacional, ele é recompensado pela rede. Atualmente, a recompensa está em 12,5 Bitcoins (aproximadamente R$ 270.000,00 no momento em que escrevo esse texto). Esse processo de gerar blocos e entrar nessa disputa também é conhecido pelo termo mineração.

Com a transação incluída no histórico imutável da rede Bitcoin, é recomendado esperar mais alguns blocos serem adicionados para se ter certeza de que a transação foi feita com sucesso. Jeff e Bill esperam alguns momentos e voilà: Charlie pagou eles.

Algumas coisas interessantes podem ser destacadas como diferenciais em relação ao tradicional sistema bancário que todos conhecemos. Em momento algum, Charlie teve alguma discussão com seu gerente de conta para cadastrar favorecidos ou alterar seus limites; Charlie não teve que se preocupar com o horário do seu pagamento, se foi realizado em um dia útil ou não; Jeff e Bill não tiveram que abrir contas em outros bancos, esperar dias para a transação ser feita, ou até mesmo arcar com os custos de uma remessa internacional (Jeff estava na sua casa em Seattle); Mark não precisou passar por provas de certificação, nem teve que obter uma licença de alguma organização para poder entrar na disputa computacional, e fez tudo da Suécia, seu país natal. Nenhuma autoridade centralizadora restringiu ou deu permissão para Charlie fazer o que queria; a única entidade que mediou e possibilitou a transferência foi o código computacional que roda em cada um desses milhares de computadores.

Se você está com várias perguntas na sua cabeça: isso é um ótimo sinal! Algumas lacunas foram deixadas no texto para a melhor compreensão de quem está entrando nesse mundo, mas todas elas deverão ser respondidas nos próximos textos no blog do Elliot.

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Thiago Candido.

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