O caminho desconfortável

Como felicidade e inovação se conectam

Antes que busquemos entender o que está escrito neste texto, vamos refletir um minuto porque você o está lendo.

Diferente daquele livro de química que você leu há anos para as provas da escola ou daquele texto irrelevante sobre aquela imagem brega, este texto já lhe convém de alguma forma.
Você, como eu e todo mundo, é enviesado para buscar, aceitar, fazer e compartilhar o que é consonante com seus próprios valores, conhecimentos e ideias.

Enquanto muitos se preocupam com os efeitos limitantes da chamada ‘bolha de filtros da internet’, não percebemos que durante toda nossa vida temos escolhido amigos, lugares para visitar, cursos, empregos, hobbies e cônjuges baseados em nossas referências anteriores do que é relevante e prazeroso. Nós os amamos por causa disso.
Viver o conhecido é confortável, mas limitante.

Por outro lado, durante nossa vida também percebemos a beleza e os benefícios de explorar contextos estranhos, incomuns ou desafiadores; como descobrir uma personalidade interessante em alguém com quem usualmente não conversaríamos ou se apaixonar por algum tipo de arte [e.g. dança, música, pintura e mais].
Adentrar o desconhecido é interessante, mas desconfortável e possivelmente perigoso.

Como lidar com conforto e desconforto?

De acordo com Mihaly Csikszentmihalyi, uma pessoa é capaz de atingir [não apenas felicidade mas] máxima performance durante experiências de fluxo. O estado de fluxo é um estado ótimo de motivação intrínseca onde uma pessoa está totalmente imersa no que está fazendo. Esse é um sentimento que todos experimentamos às vezes, caracterizado por uma sensação de profundo envolvimento, realização e destreza.
Para atingir tal estado, um elemento é essencial: explorar contextos em que habilidades e desafios sejam compatíveis.

Se um determinado contexto é demasiadamente desafiador para suas habilidades, você tende a se sentir frustrado, ansioso e desinteressado.
Se este é demasiadamente fácil, você tende a se sentir entediado, desperdiçado e igualmente desinteressado.
Equilíbrio é o estado ideal.

Para lidar com a complexidade do mundo, as pessoas, pelo menos a maioria de nós, infelizmente são ensinadas desde a educação primária a aplicar modelos reducionistas, com os quais dividimos, desmontamos e transformamos em números nossa realidade complexa.

O resultado de tal abordagem é uma pilha interminável de regras, métodos e livros “passo a passo”, úteis para contextos conhecidos e previsíveis, mas prejudiciais para os demais.

Ao buscar inovação, profissionais precisam trabalhar com dinâmicas, relacionamentos, stakeholders e variáveis que não compreendem por completo.
Alguns desses aspectos serão compreendidos com o tempo. Outros jamais serão previsíveis.

Com uma mente destreinada para lidar com graus mais elevados de incerteza, profissionais ignoram e rejeitam oportunidades para inovação e, na maioria dos casos, proveem ideias/respostas existentes e conhecidas.
Novos desafios e oportunidades aparecem. “Velhas” respostas são dadas. Nenhuma inovação acontece.
Não por acaso, muitos setores foram transformados por agentes que não têm em suas mentes padrões anteriores de pensamento.
Basta observar, por exemplo, a indústria musical, em que serviços valiosos são atualmente oferecidos por empresas díspares do modelo “gravadora + artista + loja física” anterior, como Apple [iTunes], Spotify, YouTube, Netflix e mais.

Se você deseja ser inovador, comece por seu modo de pensar, mude sua abordagem.
Procure contextos e projetos com graus mais elevados de incerteza. Isso não significa que o desafio em questão seja mais arriscado. Apenas significa que muitos elementos ainda serão nebulosos e você precisará refletir e testar novas respostas para aproveitá-los.

No final, talvez você inove, talvez cresça como profissional e pessoa… e talvez seja mais feliz.


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Originalmente publicado no LinkedIn em 17 de junho de 2015.