Trabalho não, amor-em-ação!

Vivo na minha experiência de trabalho: amor, verdade, transparência, vulnerabilização, colaboração, equivalência, poder compartilhado e eficácia. Claro que tem tensão, conflitos e obstáculos… que são devidamente cuidados com amor, verdade, transp… Me sinto numa ilha! Olho a minha volta e vejo tanta opressão nas relações de trabalho, tanta ausência de verdade…uma desconfiança generalizada nas instituições de qualquer natureza. O poder estrutural reina (aquele que alguém detém o bem-estar de outrém) punição, recompensa a cada respiração. E tem gente que almeja viver assim? Acho que não. As pessoas obviamente se submetem à toda essa insalubridade por conta de segurança financeira, conforto e por não imaginar que existe vida no trabalho diferente disso. É o que escuto por aí.

Vivo sem salário fixo desde 2005. São 12 anos sem saber quanto vai entrar na conta no mês que vem. Tem mês que dá um frio na barriga… e nessa recessão econômica pode ter uma conta que atrasa, mas estamos aqui vivos e fortes! Então me parece um bom momento para ativar essa provocação: que necessidades estão atendidas e quais estão desatendidas no seu trabalho? Quantas vezes por dia você sente uma tensão no corpo (e na alma) te dizendo que está faltando algo de muito importante que cuide da sua inteireza humana? Sabe quando alguém comenta algo numa reunião que parece ter um subtexto, com uma visível ironia, ou simplesmente é um olhar que revela um julgamento oculto? E só te resta engolir, ou desabafar depois das 21h com um colega tomando uma cerveja.

Bom, pesquiso essa complexa teia há umas boas décadas e algo de muito radical precisa acontecer para a tal “humanização do ambiente de trabalho”. Radical, sim e vamos na raiz: o que de pior pode te acontecer se você resolver expressar aquilo que realmente está vivo aí dentro e pedir mais clareza, transparência e verdade do seu "chefe" ou de um parceiro? Ser demitido(a) ou excluído(a) do grupo? E se isso acontecer? Porque será que vivemos evitando essa cena temida e nos aprisionamos em gaiolas existenciais apertadas (no casamento rola o mesmo drama)? Que criança interna é essa que tem tanto medo de não ser aceita, amada, querida, valorizada, cuidada que aceita essa ilusão toda? Talvez seja um alívio eu ser demitido(a) ou pedido(a) para me retirar de uma sociedade ou grupo que, por sua cultura, cria as condições para a minha homeopática morte diária. Sim, porque se eu não reconheço que certos ambientes são tóxicos eu deveria até agradecer quem me ejetou de lá!

Fazer o que ama, a serviço do seu propósito e criando a realidade relacional que se sonha nunca foi tão possível! Junto com esse idílico cenário costumam vir desapegos, por vezes, dolorosos, como consumir menos, morar num lugar com menos conforto ou luxo, nem sempre fazer aquela viagem bacana na hora que quero… mas será que eu venderia minha autenticidade, meu propósito de vida, o prazer inenarrável de trabalhar com amigos queridos e sentir a força da comunidade me apoiando e sendo apoiada por mim, parar tudo para cuidar das relações às 3 horas da tarde, trabalhar por uma causa que eleva a consciência no planeta e aumenta sua regeneração… por conforto, consumo e segurança? Me parece que esse conjunto de valores era o que eu escutava dos meus pais, tios e vizinhos no milênio passado. Hora de sacudir a poeira e sintonizar com o frescor desse novo tempo, trocando trabalho (que vem de tripallium: instrumento de tortura da idade média) por amor-em-ação!

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