Libertação tardia.

Não pensava em nada a não ser nele mesmo.

Ignorava todo o fato existente do chão ao firmamento.

Não importa quem estivesse ao seu redor.

Ignorava com olhar de superioridade, sem dó.

Pensava ser mais abençoado que Antônio Conselheiro,

mesmo sem ter feito algo de bom aos companheiros.

Companheiros? Quais companheiros? Ele não os tem.

Sua vida sempre foi mais importante que qualquer outro alguém.

Soube desde cedo o que queria da vida:

carro importado, casa com churrasqueira e piscina.

Foi capaz de coisas inescrupulosas.

Manja aquele cara que apunhala qualquer um pelas costas?

Então…

Esse é o caminho cujo pagamento é somente a solidão.

Vive hoje à base de analgésico, morfina, penicilina

e com a dúvida: o que eu fiz da minha vida?

Só queria sair do lugar onde nasceu

e ter a vida que de berço Deus não lhe deu.

Então…

Foi atrás de seus sonhos imensos, intensos, sem arrependimentos e nunca pedira perdão.

Cheio de experiências mal resolvidas,

nunca soube como cicatrizar todas aquelas feridas.

Agora, deitando, olha pela janela

a água turva da piscina que não reflete o brilho dela.

O aparelho emite um “bip” baixinho.

Sente o coração ficando fraco, fraquinho.

Respira com dificuldade e fecha os olhos.

Sente alguém se aproximando, um visitante insólito.

O “bip” agora é constante.

Um zunido agudo e irritante.

Nenhuma lágrima foi derramada,

levando o visitante aquela alma encomendada.

Liberdade!


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