Tecnologia como inclusão para idosos

Como a tecnologia pode ser um poderoso meio de inclusão. mas que deve ser implementado com cuidado

Para muitos idosos, todo o contexto e terminologia da tecnologia pode ser aterrorizante. Pedir à avó para “vir usar o computador” provavelmente será uma tentativa frustrante. No entanto, chamar seu avô para “visitar o Louvre para ver a Mona Lisa” pode oferecer ao idoso uma luz totalmente diferente em relação ao que a tecnologia pode oferecer. Da perspectiva de uma pessoa mais velha isso pode ser um atrativo da tecnologia, diferente da visão de alguém que cresceu com a internet como parte essencial da vida diária.

Sofia Hengel, aposentada de 72 anos, é categórica em relação ao uso da tecnologia em seu dia-a-dia:

“Não tenho jeito para a coisa. Tenho filhos e sobrinhos, e todos tentam me colocar na internet, mesmo que de brincadeira. Chegaram a criar um perfil no Facebook, mas eu não uso”. Entretanto Sofia não nega o poder da ferramenta: “Sei como é útil, pois já achei parentes distantes através da rede social. Primos que não sabia o paradeiro há muito tempo”.
Fonte: jcfrog

Como qualquer coisa que é novidade, a primeira exposição de alguém à tecnologia pode ser assustadora. Se for uma boa experiência, eles vão voltar; se for frustrante, esqueça. Um bom exemplo é ter essa experiência inicial ligada a se conectar com os netos; esse ato pode acabar se tornando em uma grande receita para o sucesso com a tecnologia, e manterá os idosos voltando sempre. Um bom exemplo disso é o Skype, e seu poder não pode ser subestimado; estar conectado com filhos e netos em todo o mundo é uma atração poderosa.

Para Sônia Benatti, de 64 anos, o Skype é uma ferramenta maravilhosa:

“Minha filha fez intercâmbio por um ano na Irlanda, e poder vê-la semanalmente através de videoconferência foi uma ótima maneira de matar a saudade”.

É fácil projetar nosso próprio uso e hábitos com a tecnologia em idosos com pouca ou nenhuma experiência tecnológica. Todos nós nos sentimos confortável em nosso próprio uso da tecnologia e pensamos de maneira errônea ao pensar que o nosso caminho é o melhor caminho. Não assuma que sua avó gosta de jogar “Plants vs Zombies” no celular, se ela não faz ideia do que é um App , ou o quê é um smartphone . O ideal é concentrar-se em meios acessíveis como, por exemplo, redes sociais de fotos no estilo Instagram.

Os idosos, a tecnologia e os números

Apesar de vivermos no Brasil, sabemos que a relação dos idosos com a tecnologia é muito similar em qualquer lugar do planeta onde exista um grande consumo. Os idosos americanos, por exemplo, têm migrado para o mundo digital mais tardiamente em comparação com os jovens, mas o seu movimento para a vida tecnológica continua a aprofundar-se, de acordo com dados recentemente divulgados a partir do Centro de Pesquisa Pew.

Na pesquisa realizada pelo site da Pew Research Center, é possível ver não só o uso da tecnologia entre pessoas com idades entre 65 anos ou mais e o resto da população, mas dentro da população idosa também.

Fonte: Pew Research Center

Em abril de 2012, descobriu-se pela primeira vez que mais da metade dos adultos mais velhos (definidos como aquelas idades de 65 anos ou mais) eram usuários de internet. Hoje, 59% dos idosos relatam que usam a internet, um aumento de 6% no decurso de um ano, e 47% dizem que têm uma conexão de banda larga de alta velocidade em casa. Além disso, 77% dos adultos mais velhos têm um telefone celular, um aumento de 69% em relação a abril de 2012. Mas, apesar desses ganhos, os idosos continuam a ficar para trás dos mais jovens quando se trata de adesão de tecnologia. E muitos idosos continuam a não ligar para a internet e para a vida móvel — 41% não usam a internet para nada, 53% não têm acesso à banda larga em casa, e 23% não usam telefones celulares.

Fonte: Pew Research Center

Em relação ao uso de redes sociais, 46% dos idosos online são usuários de redes como o Facebook e Twitter, e esses adotadores de redes sociais têm mais conexões sociais com pessoas que eles se importam. Alguns desses idosos que usam esses sites de redes sociais dizem que se socializam com outros (tanto pessoalmente, online ou pelo telefone) diariamente ou quase diariamente.

Mais especificamente no Brasil, os idosos são um grupo que apresenta as taxas mais aceleradas de inclusão digital. Se incluirmos uma faixa maior, dos brasileiros com 50 anos ou mais, a evolução no número de conectados é gigantesca: entre 2005 e 2011, o salto foi de 222,3%, de 2,514 milhões para 8,101 milhões, tornando-os 18,4% de todos os internautas do país. Vale lembrar que a população de 50 anos ou mais era de 39 milhões, o que deixa espaço para um crescimento muito maior. Os dados são da mais recente Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad), do IBGE.

Fórmula para reduzir o isolamento

Uma vez vencidos os obstáculos iniciais, não há dúvida sobre os benefícios que a tecnologia proporciona. É o que afirma Tom Kamber, diretor executivo da ONG americana “Older Adults Technology Services” (OATS), que desenvolve ações e programas de inclusão digital para a terceira idade nos Estados Unidos:

“A tecnologia é uma ferramenta fantástica para a comunicação. Quando usada pelos mais velhos, é notável o poder que ela tem de aumentar a sua inclusão social e reduzir o seu isolamento. Além disso, é uma fonte inesgotável de informações e serviços que podem facilitar a vida dessas pessoas, levando conveniências e benefícios ao dia a dia e à saúde.”

desfecho

José Navarro e Luiz Augusto

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