Re:faça, Re:modele, Re:combine

mundo pequeno

Essa anotação tem como objetivo começar uma pequena série de verbetes, sobre iniciativas no diálogo entre arte e novas tecnologias, que merecem um aprofundamento posterior de várias de suas questões específicas.

Re:combo

foi um coletivo multimídia de produção colaborativa audiovisual que, durante o início dos anos 2000 tinha como grande objetivo o questionamento da autoria, inicialmente na produção musical (REBÊLO, 2002) e logo em seguida nas artes mediadas por novas tecnologias, notadamente instalações e web art (FIORELLI, 2006).

Entre outubro de 2001 e fevereiro de 2006, o Re:combo discutiu caminhos e definições da propriedade intelectual aplicada à produção cultural. Conceitos como “Generosidade Intelectual” eram defendidos no coletivo, que chegou a ter mais de 40 participantes espalhados por várias cidades do Brasil e do Mundo (BEIGUELMAN, 2003), sua atuação ia de instalações que convidaram participantes de todo mundo para mandar arquivos de audio que seriam tocados em tempo real na exposição (RADIL, 2003) até uma cidade imaginária formada pelas várias imagens afetivas de membros espalhados pelo mundo, em mais de 1500 lambe-lambes distribuídos pela cidade do Recife e entrando para o MAMAM (CANETTI, 2006)

Em entrevista de 2003, um membro do coletivo falava: “Outro motor do projeto é conseguir dar um uso adequado à internet. Com a entrada da web comercial perdeu-se, praticamente, a verdadeira função da rede: o trabalho colaborativo à distância” (BEIGUELMAN, 2003). Os desafios do momento se relacionavam com o início da internet comercial e os mega portais, num momento de direcionamento do consumo de informação de massa em detrimento à produção autoral de conteúdo dos anos 1990.

O que a experiência do coletivo, que teve seu ápice durante o boom do Software Livre, durante o ministério da cultura de Gilberto Gil e Juca Oliveira e em um mundo anterior às redes sociais, pode trazer para a discussão contemporânea nas artes, propriedade intelectual e novas mídias?

Referências

BEIGUELMAN, G. Samplear é preciso, 2003. Disponível em: <http://www.revistatropico.com.br/tropico/html/textos/1386,1.shl>. Acesso em: 26 set. 2017.

CANETTI, P. Mundo pequeno, 2006. Disponível em: <http://www.canalcontemporaneo.art.br/e-nformes.php?codigo=1173#1bis_c>.

FIORELLI, M. C. Arte interativa e colaborativa em rede: estudo de caso do coletivo pernambucano Re:combo. Salvador, Universidade Federal da Bahia, 2006.

GLENN. Recombo Brazil. Disponível em: <https://creativecommons.org/2004/06/04/recombobrazil/>. Acesso em: 26 set. 2017.

RADIL, A. Radio Re:combo. Disponível em: <http://www.www.nettime.org/Lists-Archives/nettime-lat-0309/msg00083.html>. Acesso em: 26 set. 2017.

REBÊLO, P. Brazilians’ Spin: Remix Music Biz. Disponível em: <https://www.wired.com/2002/07/brazilians-spin-remix-music-biz/>. Acesso em: 26 set. 2017.

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