De volta aos treinos

Mais que uma retomada: um recomeço.


Pra início de conversa, eu gostaria de contar uma breve história que vai contextualizar melhor o porquê deste espaço e o que vai ser esse espaço para mim e para quem quer que esteja desocupado o suficiente para lê-lo.

Começando do começo

Aos que não me conhecem, meu nome é Túlio Hoffimann, sou recifense, tenho 22 anos e esbarrei com os primeiros vídeos de parkour por volta de 2007; o que me motivou a buscar um pouco mais sobre a atividade e como/onde eu podia começar a treinar.

Ainda me lembro do primeiro dia em que eu resolvi procurar o grupo de praticantes aqui na minha cidade. Na época, aconteciam treinos semanais em um pico relativamente próximo a minha casa: o Segundo Jardim de Boa Viagem.

Quando cheguei por lá, pude ver à distância um grupo de pessoas que corriam e saltavam em uma fila, como se estivessem brincando de siga o mestre. A primeira coisa que me veio a cabeça foi: “Como nunca reparei nesse pessoal treinando por aqui antes?”

Me aproximei meio tímido e um pouco deslocado; afinal de contas, eu não conhecia ninguém e não tinha ideia do que era exatamente um treino de parkour. Quem estava puxando o treino naquele dia era Pipou que, com poucas palavras, me fez sentir melhor e mais integrado; em seguida, me explicou alguns conceitos sobre a prática e me pediu pra fazer alguns saltos de precisão enquanto acabavam um percurso que estavam repetindo.

Os aproximadamente 5 anos seguintes a minha iniciação foram o que hoje eu posso chamar dos meus “anos dourados” no parkour. Anos esses que foram repletos de auto-conhecimento, empolgação, falhas e vitórias. Tudo isso aliado a pessoas sensacionais que eu conheci durante todo esse tempo e não consigo sequer contar com os dedos.

Desculpas e mais desculpas

Mas afinal de contas, o que aconteceu? O que fez com que minha frequência de treino caísse tão drasticamente ao ponto de, hoje, eu considerar que meus treinos estão recomeçando? Bom… Eu tenho várias desculpas que costumo dar em resposta a essas perguntas, mas a que se sobressai é essa:

“Não tô tendo tempo pra nada! É trabalho durante o dia, universidade a noite; acordo por volta de 6:30 pra trabalhar e só chego de umas 22:30… Durante o fim de semana tenho assuntos pessoais pra resolver que se acumularam durante a semana. Além do mais, também quero passar um tempo com a minha namorada. Aí só tô conseguindo treinar esporadicamente mesmo.”

Apesar de tudo isso realmente ser verdade, quando eu passei a fazer uma análise mais profunda, comecei a perceber que embora eu não estivesse mentindo para os outros, eu estava enganando a mim mesmo. Deixem-me explicar melhor:

Primeiro, eu não estava de fato treinando; eu estava simplesmente indo a locais de treino uma vez ou outra e fazendo alguns movimentos perdidos e sem objetivo algum… Eu estava simplesmente curtindo um passa-tempo que nem para manter o condicionamento/técnica servia.

Segundo, sabem aquele papo super manjado de que “quem não tem tempo é por que não se organiza”? Pois é… Impossível concordar 100% com essa afirmação, mas por outro lado, ela tem um fundo de verdade se levarmos em conta de que existem certas lacunas de tempo durante o nosso dia a dia e que nossa rotina, apesar de parecer bastante estática, pode ser extremamente flexível e adaptável.

O que eu quero dizer com flexível e adaptável é que certas atividades que fazemos durante o dia e inevitavelmente consomem nosso tempo podem, com um toque de criatividade, ser convertidas em treinos parciais; ou seja, atividades que contribuirão com nosso desenvolvimento físico e mental, a curto, médio ou longo prazo.

Então, retomando a linha de raciocínio, o que vai mudar de fato é o gerenciamento do meu tempo, assim como o aproveitamento desse curto tempo que tenho; treinos fixos aos fins de semana somado aos exercícios funcionais que tenho feito na academia em substituição aos tradicionais exercícios de musculação.

Dessa maneira eu deixo registrado aqui o meu ponta pé inicial ao que eu considero a minha segunda iniciação no parkour. Espero e farei tudo que estiver ao meu alcance para que esse recomeço seja extremamente proveitoso para mim e para aqueles que estiverem a minha volta.

Meu querido diário?

Como eu disse no início desse texto, eu deveria explicar qual é o objetivo para que eu começasse a escrever aqui; então vamos lá… Minha intenção não é que isto se torne o meu diário pessoal. E apesar dessa primeira postagem soar muito pessoal(e de fato é), as próximas deverão refletir um espaço aonde eu possa não só compartilhar experiências, mas também funcione como um depósito de ideias, discussões, notícias e qualquer outro tipo de informação relacionada ao parkour que eu julgue relevante.

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