Me ligaram do Hackathon da Globo, mas não fui convidado :(

Era uma segunda-feira a noite, fim de expediente e eis que o telefone toca: “Oi , Caio! Aqui é do Hackathon Globo, você tem 5 minutinhos?”.

Foi bem assim mesmo, uma mistura de coisas formais e outras mais informais. Embora tenha sido um Hackathon voltado para pessoas que desenvolve, eu me inscrevi como designer e realmente fiquei muito empolgado ao receber a ligação e pensar que poderia participar do evento como um designer (apesar de ser estudante de ciências da computação).

Para quem não sabe, a Globo realizou a sua 2ª edição do seu Hackathon nos dias 9 e 10 de abril, lá na casa do BBB. Foram quase 2k pessoas inscritas e apenas 50 destas foram selecionadas, de acordo com o techtudo. A edição teve o tema: O futuro da produção e distribuição de conteúdo no jornalismo, esporte e entretenimento.

Quase fui uma dessas 50 pessoas, mas infelizmente não deu. Nem recebi nenhum email agradecendo o interesse e só fiquei na vontade mesmo. Fazer o que né? ¯\_(ツ)_/¯

Pior que eu fiz algo: fiquei boa parte da noite pensando sobre o que sugerir e o que eu realmente poderia fazer, caso recebesse o convite.


Um dia desses, decidi começar a escrever um blog sobre as coisas que venho aprendendo sobre UX / UI design e inclusive, eu fiz um post sobre bots e suas possíveis aplicações no futuro, onde eu também listei um possível caso de uso e como eles poderiam nos ajudar nas tarefas do dia a dia.

Saiba mais em Interfaces sem interfaces: é possível?

Resumidamente sobre esse post…

Expliquei que grandes empresas estão começando (e já vinham investindo) a investir mais e mai$ em assistentes pessoais e/ou bots para facilitar as vidas das pessoas em suas tarefas do dia a dia — uma maneira diferente em investir na experiência das pessoas — alguns exemplos sobre isso:

• Google Now
Com notificações inteligentes e baseadas nas suas preferências — particularmente, esse é um dos meus favoritos e é um dos que mais me ajuda no dia-a-dia.

• Siri (Apple)
Uma assistente pessoal em que podemos conversar, perguntar e pedir (gentilmente) algumas coisas.

E também disse que…

Bots vão estar mais presente no processo, atuando como alguém que está te ajudando e melhorando a sua experiência — não apenas fazendo algo para você e ponto final.

e que…

Chat apps vão se tornar algo parecido com o que os browsers foram no passado, facilitando a interação e melhorando a experiência das pessoas a usarem a internet; os bots serão como os novos websites; e assim se inicia uma nova era da internet.

Depois de ficar a noite pensando, comecei a entender um pouco melhor o tema do evento e tentei enxergar como seria ter uma experiência do tipo conversar com a Globo, ou melhor um bot da globo, em que ela/ele pudessem me ajudar nas coisas do dia a dia ou nas minhas preferências em relação a sua programação.


Antes de explicar um pouco mais a minha ideia/sugestão para o evento, queria trazer alguns dados… Se você acha que os chat-apps ainda não são uma oportunidade, tenha em mente que esse é um mercado de 900 milhões de pessoas ativas no WhatsApp (100 milhões de brasileiros) e que quando o WhatsApp foi suspenso por medida judicial, o seu concorrente Telegram ganhou 2 milhões de novos usuários em menos de 20h. Além disso, eles são basicamente multi-plataformas, uma vez que eles utilizam outras aplicações como uma camada de interação e não precisa ser investido recurso$ e horas de desenvolvimento para criar um app ou site para esse tipo de chat-apps — por outro lado, para as pessoas, elas iriam economizar espaço na memória, consumir menos banda e poderiam ser mais engajadas pela própria globo.


Com isso, quero apresentar a/o gê :)

Por quê “gê”? 
Gê de Jéssica, Gê de Geraldo, etc., ou até mesmo Gê de Globo, mas o mais legal é: gê de gente. E o mais importante para gê é: gente. São as pessoas, gente, que ela precisa saber se adequar e a responder de maneira precisa e sensata (como a Siri, por exemplo). Dando um ar não somente de ser uma bot/pessoa carioca (que foi onde a globo foi fundada), mas também um espirito jovem e moderno, o que é tendência da nova globo — que também afirma isso ao ter realizado esse Hackathon.

Vamos algumas user-stories de Gê — baseada no tema do evento: O futuro da produção e distribuição de conteúdo no jornalismo, esporte e entretenimento:

é um bot para qualquer dispositivo, uma pessoa inteligente, descolada e que consegue trazer conteúdos novos para pessoas de qualquer idade, sexo, condições financeiras, etc. É necessário apenas ter um smartphone que funcione algum chat-app (WhatsApp ou Telegram) e ela é ativada através de uma simples conversa (um simples oi) e/ou algumas perguntas (como foi o jogo do Sport?).

Além disso, também pode te trazer conteúdo baseado nas suas conversas anteriores — ou você poderia customizar através da sua assinatura com o globo.com (só uma ideia mesmo). Ela aprende com você e sempre vai está lá disponível para qualquer pergunta (ou curiosidades sobre novelas ou até mesmo o BBB) — 24h/7dias.

Alguns casos de uso da/do gê.

Arnaldo, 43 anos, professor universitário, casado e adora ler as principais notícias durante o café da manhã — ultimamente tem lido bastante sobre economia por conta do Imposto de Renda.

: Bom dia, Arnaldo! Tudo indica que o dólar vai continuar em queda hoje e que caso queira saber mais, recomendo dar uma lida rápida nesse artigo que a gente criou para você :)
: Dólar fecha abaixo de R$ 3,50, menor valor em mais de 7 meses
Arnaldo: Obrigado! Você sabe como preencher a declaração do imposto de renda?
: Sim! Criamos um Guia do R1 para explicar como preencher a sua declaração. Dá uma olhada aqui!
: Guia Imposto de Renda: G1 explica como preencher sua declaração

Mirela, 19 anos, estudante de fisioterapia, adora ir a academia e há um ano vem acompanhando o UFC — sempre fica consultando novidades no globo esporte.

: Mih! A Amanda Nunes disse que era mais preparada em relação a Miesha Tate. Saca só:
: Amanda Nunes sobre combate contra Miesha Tate: “Sou a mais preparada”
Mirela: Gê! E ai? Quando que elas lutam?
: Vai ser no dia 9 de julho de 2016, em Las Vegas (EUA).
Mirela: Okay! Valeu! 😁

Gustavo, 24 anos, publicitário, grande torcedor do Naútico (aqui de Recife/PE) — sempre fica consultando novidades no globo esporte sobre o time.

Gustavo: gê, alguma novidade nos patrocinadores do náutico?
: Hmmm.. Não entendi direito a pergunta, mas você está por notícias sobre o “patrocínio” e “náutico”?
Gustavo: Isso!
: Ah sim! Acabou de sair uma notícia sobre isso!
: BLOG: Náutico fecha com a Topper até o fim de 2019
Gustavo: Wow! Valeu gê! 😁
: Por nada 😃

Como dito no outro post…

Conversas são as melhoras coisas que podemos pensar como designer. Nosso produto/serviço deve ser capaz de manter ou criar um diálogo com as pessoas que vão usar. Só assim podemos criar uma experiência.

Acredito que pode mudar um pouco a maneira como as pessoas recebem e interagem com notícias em seus aplicativos.

Ao invés de receber notificações, elas recebem mensagens, como se fosse algo que alguém lembrou e se importou em enviar isso para eles. De certa forma a experiência é menos mailing e mais humana, no sentido de passar a sensação de ter alguém do outro lado da tela — sim, tipo Her mesmo.

também poderia estar presentes nos famosos grupos de WhatsApp ou Telegram, como qualquer outro bot (tipo aquele do Slack).

Uma vez que o tema trata sobre o futuro do entretenimento e distribuição, acredito que as “interfaces conversacionais” serão muito mais baseadas nas pessoas que as usam — algo muito mais contextual. Sendo assim, as “interfaces conversacionais” podem se tornar um convite para uma interação, conversa, e com tempo (e aprendizado) vão poder agradar as pessoas.

Provavelmente essas interfaces (conversacionais) estarão cada vez mais presentes em nossas vidas num futuro próximo e assim como a novas interfaces (até mesmo invisíveis) mais amigáveis e agradáveis.

Embora não tenha participado do Hackathon, foi um aprendizado bem legal ler um pouco mais sobre tudo isso e pensar mais sobre como fazer com que pessoas tenham um melhor acesso a conteúdo.

Se quiser conversar ou trocar uma ideia.. manda um e-mail ou add lá no Linkedin 😃


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Atualização: Um amigo que participou do Hackathon da Globo 2016 me informou que o tema do evento foi diferente e que o tema que eu usei era o do ano passado. O novo tema, de acordo com ele, era:

“Criar experiências para aproximas as pessoas das histórias que contamos”

O que me deixou feliz, pois está completamente dentro desse tema. (Você não acha?)