A Lista Dos Boys Lixo Que Você Deve Evitar

Julia Latorre
Aug 22, 2017 · 3 min read

Fake news, tretas de bandas com caras escrotos e os textões

O relato da Clara Corleone contando sobre o relacionamento abusivo que ela viveu com o músico, seu ex-marido, Felipe Zancanaro, da banda ‘Apanhador Só’, brotou na minha timeline, semana passada, para lembrar que apenas suspender o café não é o suficiente para conter as crises de ansiedade. Mas talvez nascer de novo, uma máquina do tempo, ou um textão após uma semana engasgada.

A coisa estranha que ela sofria, pedir desculpa por desconfiar da intuição, se sentir culpada pela própria angústia… Imagino que a empatia com o sofrimento dela não tenha sido apenas minha, mas também de uma boa parte das mais de 56 mil pessoas que curtiram o post dela até a conclusão desse texto.

E aí, logo saiu a lista de Bandas brasileiras que você deveria evitar:

Nesse meio tempo, a ‘Apanhador Só’ anunciou uma pausa nos trabalhos e outro textão questionou a responsabilidade jornalística de expor assim o trabalho das pessoas, também chamando isso de militância irresponsável:

Como jornalista, concordo com a Amanda Magnino, quanto mais responsável, verificada e menos dor esse tipo de informação causar às vítimas, melhor. Só que em tempos de textão, ainda é preciso discernir-lo do que é jornalismo.

Entendo que quando somos vítimas de machismo, assim que cai a ficha sobre o que se trata, passamos a carregar um fardo e o caminho para livrar-se dele pode ser tão diferente para cada uma.

Nessa jornada surgem as válvulas de escape, repassar a bucha para outra mina, escrever sob o calor do momento, criar uma lista com a melhor das intenções, expor os agressores… O certo e errado nessa hora fica volátil ao que está por trás da dor de cada uma.

A treta das bandas, as quais inclusive já frequentei shows, rendeu reflexões sobre alguns pontos que para mim ainda estavam bagunçados. Como por exemplo o fato da ‘Apanhador Só’ ter suspendido as atividades pelo erro de um dos membros do grupo já que “os outros não mereciam passar por isso”.

tsc tsc Logo lembraram, em algum dos comentários por aí, que os membros tinham consciência da escrotidão do ‘parceiro’. Aquela história, né, saber que seu amigo é um babaca, e não fazer nada, não te faz menos machista.

A interpretação do ‘suspender as atividades temporariamente’ com ‘medo de plateia vazia ou vaias’, também foi um dos comentários que me chamou a atenção. E, veja bem.

Apontar o dedo para falar de militância em eras de textões e mil e uma vertentes do feminismo é pisar em um campo minado, é arranjar mais treta, é nos colocarmos umas contra as outras para ver quem é mais feministona da porra.

Falar das feridas que o um relacionamento abusivo, ou o machismo, deixa é sempre igual. Dói para caramba.


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Jornalista e fazedora de conteúdo digital. Aqui eu tento transpor viagens físicas e mentais em parágrafos. ♀ linkedin.com/in/julialatorre

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