Dezessete

Nude II by Miss Van

Hoje enquanto eu me masturbava aconteceu de você aparecer em cima de mim e por trás. Não acontece sempre de eu ser lançada pra perto de alguém nesses momentos, mas hoje foi isso de uma vez. Quando me dei conta você estava me maldizendo num desses surtos de raiva que lhe acometem. Te perturbava o fato da tua busca molecular por prazer ter te posto ali com o meu corpo num vucuvucu quente o suficiente para derreter as tuas verticalidades. E você me endemonizava como se eu fosse pivô de um perigo que corríamos juntos. Perigo do aceite dessa mistura insana que é a composição do nosso encontro. Eu ia incendiada em serenidade. Muito lógica de saber que era aquilo o nosso possível, afinal nossa contribuição ao equilíbrio dos ecossistemas é suportar erupções ferozes. Você, não sei bem porquê, ainda com os pés pregados na cruz, tinha agonias profundas por estar se desmanchando, perdendo a sensação de limite da pele que te faz agente. E por isso você me odiava. Mas era o nosso junto fazendo desaparecer momentaneamente seu contorno de homem e inventando uma outra organização alagoada que desmedia as nossas identidades. Estive confusa depois que gozamos com a tua atitude de afastamento e com a impossibilidade de poder te encostar. Mas logo agora que inauguramos uma ilha? E neste hábito de arredondar mágoas em compreensões, percebi esta anedota: você, atordoado por ter encontrado momentaneamente comigo uma sensação que era toda a tua busca — e no entanto era abstrata — , descobre que não tem os culhões que achava que tinha para suportá-la. Não podendo se culpar por isso (que afinal estamos falando de um-muito-bravo-guerreiro) me olha e acusa de bruxaria, de sedução, de magia… Eu te aceno com as vistas numa expressão que diz “sério?!”…,

a boca um pouco debochada de decepção e cansaço…,

um passo atrás pela invenção de novos problemas.


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