Femvertising: o feminismo na publicidade

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Femvertising é um neologismo que ganhou destaque em 2014, surgido da junção das palavras feminism (do inglês, feminismo) e advertising (do inglês, publicidade). Neste mesmo ano, este termo se popularizou devido à abordagem da importância da compreensão das marcas em atingir o público feminino de forma adequada.

O significado da palavra Femvertising, segundo a She Knows, é a vertente da publicidade que busca o empoderamento feminino através dos anúncios, desconstruindo antigos padrões estéticos relacionados ao gênero feminino e os posicionamentos diante das questões culturais.

Uma pesquisa, também realizada pela SheKnows, revelou que 71% das entrevistadas acreditam que as marcas devem se responsabilizar pela mensagem que passam às jovens consumidoras, 94% das mulheres acreditam que ser retratada com um sex-symbol na publicidade é prejudicial, 52% já compraram um produto pela maneira que o anúncio se dirigia às mulheres e 45% admitiram já ter compartilhado uma peça publicitária por achar que ele empodera as mulheres, 75% preferem anúncios que mostram mulheres “reais”.

Campanha da Always, “Like a Girl”

Atualmente notamos uma crescente preocupação das empresas em entender o público feminino e transpassar isso em suas campanhas publicitárias, compreendendo que o discurso de empatia e empoderamento vão além de apenas vender produtos, eles fazem com que a simpatia pela marca aumente e esteja sempre no pensamento das mulheres.

O empoderamento e a representatividade têm sido constantes não somente nas campanhas publicitárias, mas como um coletivo que vem crescendo ao redor do mundo, a Fale com Elas é um exemplo disso. E,com a disseminação da informação na era da internet, ficamos mais capazes de absorver conhecimento, e automaticamente a não nos conformarmos mais com qualquer coisa que nos seja passada.

“não se nasce mulher, torna-se mulher”
Simone Beauvoir

As mulheres ao longo do tempo foram resultados da sociedade em que viviam. Se na Grécia Antiga deveriam se abster de conhecimento apenas por ser do gênero feminino, já fomos rotuladas como “nascidas para serem donas de casa” nas décadas de 1940 e 1960, sempre sendo um produto do meio onde vivemos e das coisas que consumimos, sendo desvalorizadas pelo gênero, sem que fosse levado em consideração que somos da mesma espécie que o homem, afinal, somos todos seres humanos.

Fonte: www.etsy.com

É muito importante frisar que jamais devemos nos sentir inseguras ou deixar que a mídia nos reprima, pois tudo o que foi e é representado por lá até hoje estão ligados aos seus interesses lucrativos e contribuiu para a formação da subjetividade feminina. Raquel Moreno, autora do artigo “As lutas feministas e a mídia” diz:

“Como poderosa educadora informal que é, a mídia assim contribui para a reprodução e perpetuação dos estereótipos e preconceitos, naturalizando-os e impregnando-os na cultura. Com isso, enquanto não mudarmos a cultura que retroalimenta a violência, a discriminação e a exclusão social seletivas, até mesmo as políticas públicas conquistadas terão um alcance limitado no suporte à mudança ou ao apoio que pretendiam dar”.

O feminismo está em constante evolução, e exerce um papel fundamental trazendo esta pauta para a sociedade e mostrando a importância da reflexão sobre o assunto, não somente na publicidade — embora este seja um campo importantíssimo -, mas em todas as vertentes, como abordamos aqui no Fale Com Elas.

Nossa luta continua.

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