Diga X

(a ditadura do sorriso :)

Desde a infância convivemos com esse comando que muitas vezes nos fazem ao tirarmos uma foto. O famoso simulador de sorriso. Fomos educados assim, e assim continuamos a manter nossa educação à risca em nossos (auto)retratos. Relaxemos os nossos rostos e vejamos que sorrir não é tudo e que tem muitas expressões por aí sendo mal julgadas por nós mesmos.

Esse aí é o Douglas. No momento da foto, ele não se sentiu com vontade de sorrir e simplesmente não sorriu (eu suponho). Ao invés disso, ele ofereceu uma expressão cheia de incógnitas que dizem mais do que apenas um sorriso-máscara (diferente do sorriso espontâneo, que é ótimo, claro). Esse conhecido sorriso, dito como natural, é aquele que muitas vezes vemos em selfies, por exemplo. Aposto que já se deparou com uma cena (literalmente) destas: alguma pessoa tirando uma foto de si com um sorrisão para logo depois fazer cara de bunda.

Ok, é bom eu lembrar que o intuito com o qual me proponho ao escrever este texto não se trata de julgar essas ações muitas vezes inconscientes. É só uma reflexão/ideia sobre a nossa educação fotográfica e a ditadura do sorriso.

Imagine quanto perdemos de originalidade e individualidade de cada um presente nas fotos ao darmos o comando diga X. Padronizamos num passe de mágica todos as expressões. Aqui parece não importar como o tema (o ser) fotografado está se sentindo ou a expressão própria que ele ou ela queira guardar naquela foto: o importante é manter a imagem. E não existe meio melhor que a fotografia pra fazer isso. Por mais que seja bacana guardarmos fotos felizes em nosso álbum de família (ou em nossa galeria no celular), não seria meio ilusório termos um álbum só de momentos sorridentes? Encaremos que a vida não é assim, e nem por isso não é bela. Bem pelo contrário.

É exatamente por isso que eu sou fã daquelas fotos que o tiozão da família tira na hora do almoço com todo mundo de boca cheia. Tudo bem, talvez não tão fã assim. Mas a essência de ser como se é, independente da imagem que queira passar, me encanta. Algo que ando curtindo muito (e pra isso sou realmente fã) é a fotografia de rua ou fotografia urbana. Aquela desprovida de cenários arranjados (apesar das composições fotográficas) e que revela a beleza de estar como se está. Aceitar todos as emoções humanas e guardar isso. Quando vier o sorriso, que venha pra valer, não porque o julgamos mais bonito ou ainda mais bonito para os outros.

“Não deixe a pessoa se esconder atrás de sorrisos.” — CARROLL, Henry.

O autor dessa frase escreve sobre a importância da sinceridade nas expressões de um ser fotografado se queremos capturar algo sobre ele, e também sobre todos nós, seres humanos. As expressões humanas registradas nas fotografias oferece uma ponte entre a realidade do momento passado com o momento presente, conectando as pessoas através dos tempos. Um sorriso-máscara para na superfície do que uma foto pode ser.

Em meio a tantas expressões, deixe que a próxima foto seja uma surpresa.

Douglas sendo foda de novo

Pra quem deseja encontrar mais fotos sobre grandes fotógrafos que buscam capturar a essência do outro independente de onde estejam (além de se inspirar ao fazer uma próxima selfie — por quê não?), deixo aqui alguns nomes como Sebastião Salgado, August Sander, Dana Lixenberg, Richard Renaldi (sugestão Touching Strangers), dentre tantos outros fotógrafos “comuns” no Instagram e no VSCO, por exemplo, que saem por aí capturando a essência da cidade (jp.pou, cogu.melo, fabsgrassi, garethpon).

Valeu!

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