Nerve

É blockbuster, mas é crítica também

★ ★ ★ ½

EUA, 2016, dirigido por Ariel Schulman e Henry Joost

Assistir a um blockbuster e poder pensar sobre ele depois, é sempre bom. Por mais que Nerve tenha o entretenimento como porta-bandeira (o que por si só não quer dizer ruim), ele consegue se valer dessa forma clássica para narrar seu tema e posicionar, de certa forma, sua crítica. Isso quer dizer que: nada melhor do que discutir a alienação dos jovens por meios virtuais do que nos colocando para jogar/assistir num ritmo intenso e nos embebedar no entretenimento que é próprio desses filmes.

O filme, por exemplo, inicia-se com a tela do computador da protagonista projetada diretamente na tela do cinema, o que nos aproxima dessa realidade tão conhecida por nós e, já de início nos diz que também somos todos suscetíveis à sedução do virtual. Mas não se trata só da virtualidade, pelo contrário, o longa nos apresenta na prática essa linha tênue, ou praticamente a ausência dela, do que é real e virtual, ou melhor, na potencialidade que o virtual tem em ser real e interferir bruscamente em nossas vidas.

Apesar dos clichês americanos já tanto vistos sobre jovens e momentos que tentam colocar nos diálogos aquilo que é claramente mostrado, as camadas de Nerve e seu diálogo com nossa contemporaneidade fazem dele um filme que valha a pena sair um pouco da tela do celular ou do computador. Além disso, alguns pontos como a bela iluminação neon do filme, que nos mostra essa realidade alterada, ou o simples fato do filme não esconder suas marcas ao mostrar o Facebook, a Apple etc., sem substituir por genéricos falsos, colabora para toda a verossimilhança necessária a esse filme tão atual e — esperamos que não — futurístico.

Trailer
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