[fanfic] A casa da Sra. Figg

Mais um aniversário do seu primo Duda e mais uma vez tinha que ir à casa da Sra. Figg. Não que a companhia dela fosse pior que a da sua atual família, mas Harry sabia que a senhora não gostava dele. Passava o tempo inteiro dizendo para ele não mexer em nada, não sujar o chão, não chutar o gato, “cuidado com as minhas begônias” — gritava ela.

A casa era bastante estranha. Para começar, tudo era pendurado. Tudo o que pudesse ser amarrado era pendurado ao teto. Assim, viam-se panelas, flores, gaiolas, livros, chapéus, fotografias, uma vassoura, um ferro de passar roupa, até mesmo um aquário vazio. A impressão que Harry tinha era que em algum momento uma daquelas coisas iria cair na cabeça dele. A cozinha era repleta de ervas e flores, o que não escondia o cheiro de repolho que predominava.

No entanto o objeto que mais atraia a atenção do jovem Potter se encontrava bem ao fundo da casa. Era um grande telescópio que ficava na cozinha. Lugar nada comum para se colocar um objeto desses. Parecia ser bem antigo, com uma cor amarelo-ferrugem e desenhos bastante curiosos. Ele já tentara olhar através do telescópio mas levara um grito tão grande da Sra. Figg que até o gato, que dormia numa almofada da sala, pulou pela janela de tanto medo. Essa era então a sua missão naquele ano; distrair a Sra. Figg para poder olhar através do antigo telescópio.

- Bom dia Sra. Figg. — cumprimentava tia Petúnia.

À porta da casa estava uma senhora com os cabelos assanhados e um vestido azul marinho gasto. Sem muito esforço poderia-se dizer que ela não ganharia o prêmio de vizinha mais simpática.

- Bom dia. — respondeu a velha.

- Vim trazer o Harry como combinamos. Hoje é o aniversário do Duda e iremos ao King Park. Nosso dudinha merece um dia perfeito porque como a senhora sabe ele… — tia Petúnia já ia começar o seu discurso sobre as qualidades do filho mas a Sra. Figg a impediu a tempo.

- Sim, sim. O Duda é um ótimo garoto. Vamos, entre Harry.

- Comporte-se Harry. Não importune a Sra. Figg. — advertiu tia Petúnia e saiu em direção ao marido e ao filho que esperavam, já impacientes, no carro.

Ao entrar Harry observou todo o local. Tudo estava como lembrava: as flores, panelas, gaiolas, livros, o aquário… todos pendurados por arames ao teto. O sofá onde Pompom, o gato, dormia parecia ainda mais velho. A quantidade de ervas que povoava a cozinha parecia ainda maior e no canto da parede estava ele. O telescópio. O objeto que tanto atiçava a curiosidade do garoto.

A Sra. Figg entrava logo atrás e já começara o seu discurso.

- Garoto, não toque em nada, não suje o chão e fique longe do Pompom. Sim, mais uma coisa: “cuidado com as minhas begônias”. — a última frase Harry repetiu junto mentalmente. Já conhecia todos aqueles avisos.

- Sim, Sra. Figg. Vou ficar quieto. — e olhou nesse instante para o telescópio na cozinha.

- Ali no cesto tem umas revistas. Você pode ficar olhando enquanto eu preparo um chá aqui na cozinha. — disse a velha pegando um velho caldeirão preto.

Harry pegou uma revista e sentou-se no sofá. Percebeu que a revista devia ser mais velha que a Sra. Figg e logo perdeu o interesse. O telescópio não saia-lhe da cabeça. Tinha que encontrar algum modo de fazer a velha sair de casa, “Mas o quê?” se perguntava.

Olhou pela janela e viu uma horta na varanda. Havia alface, cenouras, tomates. Era isso, tomates.

- Sra. Figg, Sra. Figg! — gritava o garoto.

- Que foi menino? — chegava à sala a velha.

- Uns garotos. Vi agora. Roubaram uns tomates seus e saíram correndo por ali. — disse Harry apontando para fora.

- Esse pestes, vão aprender a não mexer nos meus tomates. — disse a velha pegando uma vassoura e saindo as pressas pela porta dos fundos.

“É minha chance”, pensava Harry.

Pegou uma cadeira e foi para junto do telescópio. Subiu na cadeira e pôs o olho no visor. Ficou sem entender o que via. Era a cozinha onde estava mas… sem as paredes. Isso, não havia dúvida, sem paredes. Tirou o olho e olhou ao redor. As paredes estavam ali, mas ao olhar no telescópio, novamente elas sumiram.

Foi girando o telescópio em direção a sala e só via os móveis, os objetos pendurados no teto, mas não havia teto também. Girando o controle de grau pode ver a sua casa. Dava para ver sua cama, a cozinha, o quarto de Duda, dos tios, tudo. Estava enlouquecendo, devia ser isso, pensava.

Girando mais um pouco vasculhou toda a vizinhança. O Sr. Philly estava lendo um jornal na sala de estar dele; a Sra. Fray dava uma bronca nos filhos, o que era bem comum; os Carlsens estavam… pulando numa cama elástica?…

Esquecendo um pouco a vizinhança Harry se pôs a pensar em tudo aquilo. Um telescópio mágico? Isso existia? E por que a Sra. Figg tinha um? Será que ela espiava todo mundo? Muitas perguntas passavam pela mente infantil do menino quando a porta da cozinha se abriu.

A Sra. Figg entrava na cozinha.

Ao vê-la Harry dá um pulo da cadeira e se prepara para correr, mas a mulher é mais rápida; pega um pouco de uma erva em pó de um pote e joga no garoto o que o faz cair adormecido, batendo consequentemente a cabeça no chão.

O que aconteceu a seguir foi algo no mínimo inusitado. A cara carrancuda da Sra. Figg se transformara, agora era um semblante de preocupação, como a de uma mãe quando o filho se machuca. Corre em direção ao garoto o tomando nos braços e se dirige em direção à sala, colocando-o no sofá.

- Oh Harry. Eu precisava fazer isso. Um dia você vai entender.

Passados alguns minutos o garoto começa a acordar.

- Ai, minha cabeça! Sra. Figg, o que houve?

- Você e suas travessuras, como sempre! — falava a senhora, agora no seu tom habitual.

- Como assim? — Harry nada entendia.

- Você estava pulando no sofá e acabou caindo com a cabeça no chão.

Harry põe a mão na cabeça e percebe que existe um galo na parte onde doía.

- Mas eu não me lembro disso. Lembro de tia Petúnia me deixando aqui e depois… não sei…

- Deve ter sido a pancada.

Na verdade o pó que a velha jogara em Harry era de Celeri Oblivione, uma erva usada para apagar a memória de curto prazo. Um efeito colateral era a perda dos sentidos por alguns minutos ou até por anos, dependendo da pessoa.

- Deixe de conversa que vou pegar gelo para pôr nesse galo e depois iremos ver o álbum dos meus gatinhos lindos.

- Mas eu já vi… — protestava Harry.

- Mas não são as mesmas. Espere para ver as nova fotos do Pompom. São lindas.

E para tormento de Harry, passaram o resto da manhã vendo e revendo os álbuns de todos os gatos.

Enquanto mostrava as fotos a Sra. Figg refletia: por pouco sua verdadeira identidade era revelada. Ela tivera mesmo que fazer aquilo, mas como ela mesma falara, um dia Harry entenderia.


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