que saudade do meu ex… presidente luis ignácio

Faz frio do lado de fora, e um galho de goiabeira teima em querer entrar no chalé. Bate seu estreito braço de madeira contra a janela da sala, fazendo com que eu me desconcentre a cada coice. Meu amor demora a voltar. Saiu para cortar lenha de manhãzinha, quando o dia amanhecia e céu se pintava da cor da popa da maçã, com pequenos traços vermelhos no horizonte. Com um machado nas costas, deixou o chalé com o cachorro. Antes de sair, disse a ele, Luis Ignácio, não esquece de levar um casaquinho, e ele, com um olhar transbordante de ternura, disse que sou um anjo por lembrá-lo toda vez. Sempre esquece de levar o casaco, e me tranquiliza saber que meu ex-presidente está bem agasalhado, mas preocupo-me com os perigos da selva. Não consigo prestar atenção na tevê. Meu pensamento voa. Como queria que voltasse logo, que estivesse aqui comigo, sob o tecido fofo da coberta, a salvo do mundo e dos perigos da mata virgem.

O tempo demora a passar. Vou até a cozinha vestindo nada além do meu roupão violeta de veludo e calçando sandálias da adidas. Abro a geladeira e pego um pote de iogurte de coco, saco uma colher e quando estou prestes a saborear o doce, ouço passos do lado de fora. Passos firmes, que podem tanto pertencer a um homem, quanto a um urso pardo.

Uma silhueta cresce pelo corredor, até que o reconheço e corro para os seus braços fortes. Lula, eu digo, achei que tivesse se perdido! Lula responde com um forte tapa na minha bunda e um puxão de cabelos. Ofereço a boca e mergulho na fúria do seu beijo. Está suado e sua musculatura está tensa. Passou o dia a rachar troncos de árvores com seu machado afiado. Quem é minha companheira?, ele pergunta com a voz rouca. Entendo o recado. Na ponta dos pés, me estico para um último beijo e subo as escadas para preparar nosso banho.

Pétalas vermelhas decoram a banheira inundada em leite. Velas aromatizadas vermelhas dão ao ambiente o romantismo que contrasta com a brutalidade do que virá a seguir. Espero despida, dentro da banheira. Deixo com que pequenas gotas de leite marquem meu ombro, e meu cabelo está preso com lápis faber castel 6b. A porta se abre e dela sai o homem dos meus mais democráticos sonhos. Luis Ignácio veste nada além de uma toalha de banho e chinelos havaianas. Se aproxima da banheira e sutilmente deixa com que a toalha caia no chão do banheiro.

Passa um pé após o outro para dentro da banheira. Ofereço minhas costas nuas, e com uma esponja redonda, o presidente massageia meu corpo com leite. Movimentos circulares fazem o líquido correr por minha pele. Pelos de bigode grisalho pinicam minha clavícula e beijos quentes me arrepiam até meus braços ficarem dormentes. Uma saliência dura e carnosa roça entre minhas pernas.

Garfo minhas unhas em sua coxa direita e digo socializa minha buceta, ô caralho. Lula se estica sobre meu corpo miúdo e cochicha em meu ouvido enquanto puxa minha cabeça para trás: companheira, eu já te disse que não sou socialista, sou sindicalista, e por acaso meus ideais e interesses sociopolíticos combinam em diversos pontos com o que pensam os socialistas.

Não suporto tamanho desejo que a frase me desperta. Luis Ignácio sabe exatamente como me ter. Passo a mão para trás e coloco eu mesma aquele toco de carne robusto para dentro de mim. Mordo o lábio e cerro as pálpebras. Sinto a violência dos primeiros movimentos. Sinto a carne ir e vir dentro de mim. Lula mete ritmadamente, um dois três, um dois três, um dois, um dois, um dois três.

Companheira, eu vou comer teu rabo. Imediatamente pisco o anus e digo que não sei se estou preparada, mas Lula insiste. Meu corpo pede que sim, mas o medo diz que não. Puxando meus cabelos para trás com violência, ele investe contra meu ouvido. Só uma marolinha, companheira, ele sussurra.

É insuportável a sedução a qual o ex-presidente me submete. Sinto minha carne ceder à pressão e ser invadida pelo falo sindical. Quem é o teu presidente, cadela?, ele pergunta. É ele. Só pode ser ele. Não haverá outro igual. Mas minha voz falha. Não há espaço neste corpo para outra coisa se não gozar. Lula insiste. A marolinha se torna o falo todo, e meu cu nunca mais fará greve. Companheira, me fala quem é teu presidente, porra!, ele pergunta enquanto bomba cada vez mais forte e ritmado. Eu digo que é ele, e Lula começa a gemer irrefreavelmente. Está fora do próprio controle e anuncia: vai gozar. Ergo minha cintura e deixo que me inunde de sêmen.

Vamos para o quarto ao fim do corredor e deitamos na cama. Nossos corpos afundam no colchão ortobom. Mordo seu mamilo peludo e fito seus olhos petrificados em mim, e tenho a certeza de que tudo vai ficar bem.