Jornalismo 3.0: como se preparar para o Apocalipse

Os tempos mudaram para os jornalistas. E muito. Mas você já conhece esse papo. Não vamos torturá-lo com mais uma análise da Grande Disruptura.

Bola pra frente.

Queremos discutir as alternativas diante do Apocalipse. E nós chegamos a uma conclusão: qualquer saída passa por uma nova atitude. Uma atitude empreendedora. Ser jornalista 3.0 é isso. Abraçar esse novo comportamento na carreira — sem descuidar dos antigos. A tarefa é difícil, sim. Por isso, criamos o curso Jornalista 3.0: como criar oportunidades e contar histórias na era digital.

A palavra empreendedorismo, no entanto, não descreve com perfeição essa postura. No seu sentido mais corriqueiro, o termo significa possuir um negócio, ter um CNPJ. E isso é um problema para jornalistas porque a cultura da nossa profissão está ligada a grandes empresas de comunicação. E qualquer pessoa com um pouco de juízo sabe que competir com tubarões exige investimento pesado, uma agenda de contatos fabulosa e muita, muita, muita resiliência. Jornalistas são críticos por natureza e sempre desconfiaram do poder corrupto do dinheiro. Como, de uma hora pra outra, abraçar o lado escuro da força, lidar com anunciantes e enxergar leitores como clientes? Compreendemos essa rejeição.

A outra solução, partir para negócios menores, nunca pareceu atrativa também. Até pouco tempo atrás, os únicos pequenos negócios do setor eram as assessorias de imprensa — um ramo digno, mas que nunca foi o sonho de carreira de muitos jornalistas.

Mas nós não entendemos empreendedorismo apenas no sentido de possuir um negócio. Quem está empregado numa grande redação e sugere novos projetos para a própria empresa, está empreendendo. E, se essa mesma pessoa criar um projeto sem fins lucrativos para incentivar a circulação de informação no seu bairro, também está empreendendo. Há inúmeras formas de empreender no jornalismo. No fundo, todas têm a mesma inspiração: um sentimento de inconformidade, de que as coisas não podem continuar como estão e que é preciso criar novas iniciativas para preencher os buracos deixados pela revolução. Não interessa a motivação. Seja por tédio, amor ao jornalismo, ao público ou ao saldo da conta corrente. Vale tudo.

O nosso curso foi criado para pessoas que sentem que precisam se mexer para seguir na carreira. Em outras palavras, que precisam empreender e não sabem como. Ou sabem, mas têm medo. Ou estão imersas em dúvidas.

Nós também estamos com medo e com dúvidas. Não existem certezas no atual momento do jornalismo. Só apostas. Queremos ajudá-los a escolher um número nessa roleta. Se der errado, dane-se, pelo menos tentamos. Ficar parado parece ser a atitude com a menor taxa de sucesso no momento.

A Fronteira e o Farol Jornalismo criaram esse curso a pedido da Famecos, a faculdade de comunicação da PUC-RS. Essa parceria deu certo porque une duas dimensões fundamentais para fazer boas apostas. O Farol Jornalismo monitora o mercado jornalístico, no Brasil e fora dele, na sua newsletter semanal, e conhece o que está dando certo e errado. E a Fronteira tem vivido os riscos, fracassos e sucessos do empreendedorismo no mercado jornalístico desde 2011.

O curso não é uma sala aberta para debates. Em quatro sábados, vamos apresentar e explorar técnicas e instrumentos que podem ajudar os neoempreendedores nessa jornada. Além de, claro, olhar exemplos de sucessos e fracassos. Jornalismo é um mercado peculiar. Dificilmente você vai conseguir os mesmos insights com uma consultoria do Sebrae.

Mas que insights são esses? Essa pergunta pode se desdobrar em várias outras. São essas questões que norteiam o conteúdo do nosso curso.

Quais as características do jornalista 3.0? Vamos procurar traçar um perfil desse profissional observando trajetórias de colegas que foram à luta. Como empreender? Adaptaremos raciocínios externos à cultura profissional para pensar o jornalismo também como um produto. E quando as coisas não derem certo? A partir de exemplos que falharam, vamos mostrar a importância de transformar o fracasso em um legado de aprendizado. Quais ferramentas podem ajudar? Montamos uma toolbox para ajudar a empacotar e fazer circular reportagens e projetos. Quem será o público? As redes sociais estão aí para isso: ofereceremos estratégias de construção de uma audiência própria e engajada.

Ser 3.0 é dar esse passo adiante na carreira. A categoria passou por uma via-crúcis nos anos 1990 e 2000 para sair do 1.0 e chegar ao jornalismo 2.0, quando o mundo digital impôs a necessidade de dominar a interatividade e os mais variados meios de contar histórias. Mas esse momento já passou. Ser 2.0 é o básico.

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