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        <title><![CDATA[Stories by Ana Luiza Bessa on Medium]]></title>
        <description><![CDATA[Stories by Ana Luiza Bessa on Medium]]></description>
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            <title>Stories by Ana Luiza Bessa on Medium</title>
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            <title><![CDATA[Prática que mutila direitos e preserva supremacia de gênero]]></title>
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            <dc:creator><![CDATA[Ana Luiza Bessa]]></dc:creator>
            <pubDate>Tue, 15 Dec 2020 15:49:13 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2020-12-15T15:49:13.048Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/700/1*N7gnDL72pxIXY7Zys_eBxw.jpeg" /><figcaption>Foto do site: DW.COM — Lâmina usada para mutilar quatro meninas do Vale do Rift, no Quênia</figcaption></figure><p>Há mulheres que nascem com destinos condenados, por consequência de uma execrável tradição que assombram-nas há séculos.</p><p>A mutilação genital feminina (MGF), consubstancia uma realidade catastrófica para cerca de 200 milhões de meninas e mulheres que vivem hoje, de acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU).</p><p>O procedimento consiste na remoção ritualista de parte ou de todos os órgãos genitais externos, com higiene absolutamente precária, nenhum tipo de analgesia, sendo que a talhadora (nome dado a executora da mutilação), utiliza o mesmo material — lâmina de gilete ou faca cortante — para todas as jovens presentes à cerimônia. Atentem para os riscos enormes, muitas vezes graves, tais como: hemorragias, contaminações, infecções, etc.</p><p>Existem quatro tipos de mutilação, o primeiro chamado de <em>clitoridectomia</em>, que significa a remoção parcial ou total do clitóris e da pele no seu entorno. Já o método conhecido como <em>excisão,</em> traduz a remoção parcial ou total do clitóris e dos pequenos lábios. O terceiro procedimento chama-se<em> infibulação, </em>onde há corte ou reposicionamento dos grandes e pequenos lábios que incluem uma costura, ficando apenas pequena abertura para passagem do fluxo menstrual e urina. O último caso de mutilação, abarca um leque de métodos como perfuração, incisão, raspagem e cauterização do clitóris ou de toda área genital externa.</p><p>As vítimas da tradição não têm escolha ou domínio de seus próprios corpos, sendo destinadas a um procedimento cruel e invasivo, que aniquilam seus direitos e deixam marcas nocivas pelo resto de suas vidas.</p><p>A tortura já se manifesta momentos antes do processo acontecer, como conta a jovem Christiana ao reportar sua experiência com a MGF, realizada aos 16 anos de idade na Serra Leoa. Christiana concedeu uma entrevista para o Plan Internacional Brasil, uma organização não-governamental com foco na promoção de igualdade de gênero, onde revelou: “Quando cheguei lá estava com tanto medo! Eu quase desmaiei durante o processo. Foi realmente muito doloroso, por isso tive tanto medo”.</p><p>Uma vez concretizada a mutilação, estaremos lamentavelmente, diante de uma irreversibilidade. Trata-se, como já relatado, de procedimentos extremamente dolorosos, com resultados nefastos à saúde física e mental dessas jovens. Não bastassem a dor aguda lancinante do corte e a exposição à riscos, já citados, muitas vezes fatais, vale lembrar de sequelas importantes no campo da sexualidade: dispareunia, diminuição ou perda da libido, anorgasmia e infertilidade; além de outros sintomas não menos importantes, tais como: dor crônica em órgãos genitais, dismenorreia (sinais e sintomas desconfortantes ligados a menstruação), distúrbios miccionais e evacuatórios.</p><p>No tocante a complicações psicológicas, também há gravidade, com expressão em doenças tais como depressão, estresse pós-traumático, desordens mentais, ansiedades semelhantes àquelas sofridas pelas jovens que foram abusadas sexualmente e até mesmo o suicídio, segundo a médica Elise Johansen do departamento de Saúde Reprodutiva da Organização Mundial.</p><p>Para acrescentar à extensa lista de riscos à saúde, é importante ressaltar também a possibilidade trágica de contaminação com o vírus HIV/AIDS.</p><p>Zara, de origem asiática, ao ser entrevistada pela Euronews, estação televisiva pan-europeia, também conta como foi sua experiência com a brutal tradição: “A ideia do meu pai era casar-me através do skype e me mutilar antes ou logo a seguir do casamento, antes de qualquer contato sexual com meu marido. Disseram-me que teria que fazer ou não era uma boa muçulmana e que podia cheirar a urina”. Após ser submetida aos procedimentos da MGF, Zara completa: “houve dias em que pensei em acabar com a minha vida”.</p><p>No Quênia, Bishar afirma em entrevista á BBC, que a mutilação genital feminina foi feita nela ao lado de outras quatro garotas e completou que o procedimento é trágico.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/800/1*Hh5hdFN7qBcrDldSnlFwwQ.jpeg" /><figcaption><em>Mutilada, Bishara se tornou ativista contra a mutilação genital feminina Foto: Reprodução BBC</em></figcaption></figure><h3>“Depois de alguns minutos, comecei a sentir uma dor aguda. Gritei, gritei, mas ninguém podia me ouvir. Tentei me soltar, mas meu corpo estava preso.”</h3><p>Bishar também revelou que: “É um dos tipos de procedimentos médicos mais severos, e não há higiene. Eles usam o mesmo instrumento cortante em todas as garotas.”</p><p>A Organização Mundial da Saúde estima que 10% das mulheres vítimas da MGF morrem de complicações agudas e 25% mais tardiamente. A Organização também constata, que se os casos continuarem com a frequência atual nos países nos quais a prática prevalece, até 2030 haverá um número de até 68 milhões de mulheres mutiladas.</p><p>Estima-se que a mutilação genital feminina esteja concentrada em 30 países da África e do Oriente Médio e ocorra também em alguns países da América Latina. É frequente em comunidades de imigrantes, que vivem no Leste Europeu, na América do Norte, na Austrália e na Nova Zelândia, afirma a ONU.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/800/1*IgU-ow9j6kuiji5LibhXEA.png" /></figure><h3><strong>Rituais alternativos e ativismo</strong></h3><p>Grande parte das razões apontadas para a eventual prática de mutilação, passa por aceitação social, religião, desinformação sobre higiene, um modo de “preservar a virgindade”, tornar a mulher “casável”, ampliação do prazer masculino e algumas comunidades dizem que ao retirar o “músculo do clitóris”, as mulheres teriam menos chance de trair seus maridos.</p><p>Há culturas que acreditam que o ato levaria à pureza sexual. Existem também grupos que qualificam a tradição como uma passagem de menina para a vida adulta. Cada país possui sua particularidade.</p><p>Com o enfoque em manter a tradição em alguns países, como no Quênia, a organização não-governamental <em>“Amref Health Africa”</em>, propôs um ritual em que haveria tão somente uma simulação da MGF e assim, contribuindo para a permanência da tradição, porém com ausência de qualquer ato invasivo. Há comunidades em que as cerimônias da mutilação genital incluem danças e diferentes celebrações culturais.</p><p>No decorrer dos anos, a MGF foi considerada ilegal em muitos dos países que tinham a prática como tradição. Embora proibida, a mutilação resiste culturalmente em muitas comunidades e ainda é adotada em larga escala.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/1*t_cJ2J4u2IlKrjyhbKo0Og.jpeg" /><figcaption>Créditos: ajuda em ação — Campanha contra a mutilação genital feminina</figcaption></figure><p>Desde a década de 1970, existem esforços internacionais para abolir essa prática, mas o controle de fiscalização é muito difícil. Segundo a jurista britânica Charlotte Proudman, tal conduta tem crescido em bebês e crianças e é praticamente impossível de ser detectada, já que as vítimas não estão nas escolas ou não têm idade suficiente para denunciar isso.</p><p>A luta contra a MGF, ganha cada vez mais notoriedade pelo mundo. Muitas instituições como o Fundo das Nações para a Infância (Unicef), ONU e Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) estão à frente no combate a tradição tão cruel e instigam jovens a se juntarem ao ativismo. Foram criados também coletivos e projetos nos países em que a prática ainda persiste, como “Girl Power” na Serra Leoa.</p><p>O dia 6 de fevereiro, constitui símbolo de resistência e esperança para a luta anti-MGF. Criado pela ONU, o Dia Internacional contra a Mutilação Genital Feminina, vem para lembrarmos sobre o fato alarmante da prática e espalhar o posicionamento contra a mutilação genital pelo mundo.</p><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=397835ae2a81" width="1" height="1" alt="">]]></content:encoded>
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            <title><![CDATA[Desfrutar do precioso e infinito tempo]]></title>
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            <dc:creator><![CDATA[Ana Luiza Bessa]]></dc:creator>
            <pubDate>Wed, 24 Jun 2020 15:38:18 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2020-06-24T20:52:31.891Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<p>Das diversas passagens que vivenciei nesta quarentena, uma das mais significativas foi apreciar os momentos.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/768/0*an3B5gH6tvYq-Zuy" /><figcaption>Foto da TVTEC Jundiai</figcaption></figure><p>Dentre as diversas lembranças que o isolamento social me deixou, a mais expressiva foi o simples e mágico ato de valorizar o tempo. Antes da quarentena, vivia uma rotina corrida e não me era permitido sentir muitas coisas, que com frequência passavam despercebidas. Ao ficar tanto tempo dentro de casa, aprendi a apreciar os mais simples prazeres da vida.</p><p>Há anos eu não sentava próximo à janela para observar o amanhecer, o céu, o sol, o entardecer e a lua, por mais deslumbrantes que estivessem. Mal me lembro da última vez que desfrutei do delicioso aroma do café das manhãs. Ter a sensação de ter feito algo novo e ver mudança nas chamadas rotinas corriqueiras. Sentar-me junto à minha família e ter longas conversas, ler um livro muito envolvente e, enfim, sentir o sabor de sensações tão sublimes.</p><p>As pequenas conquistas, por mais simples que sejam, tornam-se mais poderosas em tempos como este. É extremamente gratificante poder listar todas as coisas boas que acontecem nos meus dias. Refleti que esse conjunto de apreciações são a base para o meu bem estar. Não é sem razão que dizem “<em>a vida é um sopro</em>”, pois passamos rápido demais pela espiral do tempo e , portanto, temos que aproveitar ao máximo os mais singelos momentos da vida.</p><p>Ao dar o devido valor ao tempo, pude também usufruí-lo de maneira a alcançar um autoconhecimento bem significativo. Por tirar o pé do acelerador, consegui encontrar um instante para focar em mim com mais profundidade. Percebi que não adianta terceirizar as minhas responsabilidades e adaptar-me à realidade. Reclamar não adianta nada, então, fazer desse período o mais proveitoso possível já é um grande passo.</p><p>Ha sim dias infelizes, que caminham junto a saudades, angústias, inseguranças e cobrança pesada em ser produtiva, principalmente nas aulas. Embora seja um cenário catastrófico, tento vivenciá-lo da forma mais compreensível e positiva possível.</p><p>Não se pode pensar que se trata de um episódio positivo, muito pelo contrário, encontramo-nos em meio à crise mundial, que infelizmente tem deixado um número incontável de mortes. Considero-me privilegiada, pois existe uma parcela significativa da população que é muito mais vulnerável a essa pandemia. Só de pensar nas condições em que algumas pessoas estão vivendo, é inevitável a minha enorme tristeza.</p><p>O terrível inimigo invisível tem deixado muita dor ao redor do mundo, com mortes, crises financeiras com desemprego em massa e, portanto, abalando de maneira trágica a economia mundial pelos próximos anos. Mas para mim, Ana Luiza, deixa o valor do tempo.</p><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=9df5ab92d14c" width="1" height="1" alt="">]]></content:encoded>
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            <title><![CDATA[Satyros leva a arte para os lares de quarentena]]></title>
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            <dc:creator><![CDATA[Ana Luiza Bessa]]></dc:creator>
            <pubDate>Mon, 15 Jun 2020 18:32:45 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2020-06-24T20:43:20.421Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<p>Em meio a crise do coronavírus teatro paulistano traz peças inspiradas na vivência da pandemia</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/960/0*4GTOwm8CpaRk7lEZ" /><figcaption>Fotos feitas por capturas de tela pelos atores da peca “<em>A Arte de Encarar o Medo</em> “</figcaption></figure><p>O grupo teatral <em>“Satyros”</em> trouxe vida e cultura para as ruas do centro de São Paulo, mais especificamente para a praça Roosevelt. Fundado em 1989, o local deu palco para diversos espetáculos, um deles foi a montagem “Sades ou Noites com os Professores Imorais”, que levou a companhia a um reconhecimento nacional mais expressivo.</p><p>O teatro surgiu em um momento singular no Brasil, após a ditadura militar, na qual ocorriam frequentes censuras às mais variadas expressões culturais, assume a presidência da república José Sarney, em razão da morte de Tancredo Neves. Eram tempos delicados para a cultura, mas <em>Satyros</em> trouxe esperança.</p><p>O teatro mostra seu compromisso com a arte e apresenta uma nova forma de apreciá-la, desfrutando das plataformas online. Investe na busca de soluções criativas, explorando novos métodos performáticos.</p><p><em>“A Arte de Encarar o Medo” marca um avanço na pesquisa dos Satyros sobre teatro e tecnologias em geral. Tem sido uma descoberta estética e política de grande impacto para todo o coletivo dos Satyros. Uma porta de esperança teatral no meio da pandemia.”</em>, conta o diretor e também roteirista, Rodolfo García Vázquez.</p><p>No próximo dia 13 de junho, às 21h, o excepcional Satyros irá estrear a temporada digital do espetáculo <em>“A Arte de Encarar o Medo”, </em>com o roteiro de Ivam Cabral e Rodolfo García Vázquez, e direção de Rodolfo García Vázquez.</p><p>O elenco traz 14 artistas veteranos na atuação, dentre eles a atriz sueca Ulrika Malmgren, que participará de todas as sessões a partir do seu próprio país; e o ator César Siqueira, que nunca teve um contato presencial com os demais atores, só os conhece virtualmente.</p><p>“<em>A arte de Encarar o Medo</em>” foi criada a partir de experiências e impressões da quarentena dos próprios artistas, em meio ao cenário caótico de crise política.</p><p>A obra apresentara um futuro distópico, em que as pessoas tentam construir histórias de uma vida anterior a pandemia. Após 5.555 dias em quarentena, isolados e angustiados, os personagens criam um grupo na internet para se conectar. Os amigos questionam como ainda há energia elétrica e acesso à web, porque as emissoras de televisão e os jornais deixaram de existir e as cidades foram abandonadas.</p><p>Perpassam também a solidão, a depressão, o medo do contágio, a angústia pela proximidade da morte e a decepção frente aos rotineiros ataques diários à democracia brasileira.</p><p>Ao longo de cada sessão, o público será convidado no chat da plataforma para que expressem seus maiores medos, e eles serão incorporados à cena nesta mesma apresentação, através das falas dos atores.</p><p>Certamente é uma proposta impressionante e muito criativa. Nos tempos vividos atualmente, a presença da arte se torna essencial. É magnífico desenvolverem uma peça na qual se pauta extremos de nossos longos e fatigantes dias de quarentena, principalmente quando há a interação com o público, possibilitando um contato mais próximo e realista com as angústias causadas pelo terrível inimigo invisível.</p><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=3dc711ca0c7d" width="1" height="1" alt="">]]></content:encoded>
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            <title><![CDATA[Do olhar para a linguística; imponente Beckett]]></title>
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            <dc:creator><![CDATA[Ana Luiza Bessa]]></dc:creator>
            <pubDate>Thu, 11 Jun 2020 19:39:26 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2020-06-24T20:37:27.113Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<p>Lançado em 1965,<em> “Film”</em>, acompanha os aspectos da modernidade e seus eventuais impactos</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/640/0*DnXdxkI_17-_Ol0D" /><figcaption>Foto do ator Buster Keaton na pele do personagem da curta metragem “Film”</figcaption></figure><p>Samuel Beckett nunca decepciona e, desta vez, reafirmou seu insólito talento com a obra <em>“Film”</em>. Dono de uma impecável coletânea de feitos, o dramaturgo e escritor irlandês continua com sua particularidade de transmitir “uma mensagem” através de suas obras. Explorou seu primeiro, e único, trabalho como roteirista de forma admirável.</p><p>Com um teor expressivo e emotivo, “<em>Film</em>” impressiona por apresentar uma dualidade e metalinguística com os personagens, a grande relevância da câmera e o modo de filmagem. Beckett e Alan Schneider ,como diretor, dão ao personagem uma câmera objetiva.</p><p>Do início até o final, a obra apresenta um homem se esquivando de olhares, que o observam por onde passa. Sempre que cruza com alguém, esconde seu rosto, pois não quer ser visto, nem mesmo pela própria câmera que o persegue. Os personagens que olham para o protagonista se espantam e deixa o intrigante questionamento “<em>do que ele está fugindo?”.</em></p><p>Algo interessante e que choca os espectadores, são os momentos finais do curta. O personagem se acomoda em um apartamento, após se livrar de todos os olhares, inclusive dos animais, e começa a ver uma sequência de fotos que vão desde a sua infância até a idade adulta. Ele se sente ameaçado pelo seu passado e pelo reconhecimento de si mesmo revelado nas imagens. Essas fotos parecem sustentar sua identidade. Somente nos últimos segundos, com um close-up, vê-se o rosto do personagem que se apresenta com um tapa-olho e uma expressão que realça a mesma reação de horror de todos que o olharam até então.</p><p><em>“Film”</em>, assim como outras peças de teatro e televisão do autor, é dividido em três partes que se interrelacionam. A primeira e a segunda parte ocorrem, respectivamente, na rua e em uma escada, mostrando o ponto de vista do homem, enquanto a última acontece em um quarto e intercala a percepção do homem com a da câmera. O próprio personagem nota que, por mais que possa fugir de todos, não consegue fugir de si mesmo.</p><p>O filme, com duração de vinte e dois minutos, não possui áudio, somente o som “sssh!” na primeira parte. O protagonista é dividido em dois: o “homem” e a câmera-olho, surgindo assim a identificação de um personagem duplo, demonstrando a tal dualidade.</p><p>Além dos aspectos expressivos o curta metragem possui características e discursos extremamente relevantes para o estudo do fenômeno cinematográfico. As técnicas que foram escolhidas, como os tremores das filmagens e os bruscos raccords, causam um efeito de concordância entre os espectadores e o personagem.</p><p>Em resumo, a questão de ver e ser visto é recorrente na obra, pois os personagens estão sempre lidando com a percepção do outro e a “insuportável” percepção de si mesmo. A dualidade do personagem é trabalhada de forma simbólica e muito bem pensada. Como de costume, Beckett conseguiu retratar emoções estéticas e reflexões sobre a identidade, a representação, a arte e o cinema.</p><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=b09c1fec42ef" width="1" height="1" alt="">]]></content:encoded>
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            <title><![CDATA[Simplicidade que diz tudo; sombrio e luminoso Cole]]></title>
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            <dc:creator><![CDATA[Ana Luiza Bessa]]></dc:creator>
            <pubDate>Tue, 09 Jun 2020 01:03:29 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2020-06-24T20:06:28.576Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<p>Álbum KOD; cartilha de sentimentos, frustrações, relações com drogas e dinheiro</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/636/0*zFAZDegLSnjKdxgQ" /><figcaption>Foto: Angela Weiss</figcaption></figure><p>Abram alas para J. Cole, rapper e produtor contemporâneo que conquistou uma geração.</p><p>Como o cantor mesmo diz “1985 I arrived”, e chegou para fazer história. Jermaine Lamarr Cole nasceu em Frankfurt, na Alemanha. Aos 8 meses de idade mudou-se para Fayetteville na Carolina do Norte. Foi criado por sua mãe, tia e primo, pois seu pai deixou a família quando Cole ainda era jovem.</p><p>Com a autoral de sucesso, <em>“4 your eyez only”</em> (2014), Cole marcou seu estilo e deixou claro que não precisava se render às tendências musicais da época. Na obra, o artista oferece tocantes narrativas em busca de uma vida simples. São nove minutos em que narra seu passado violento, alguns de seus conflitos e indignações. Evoca um recado para sua filha e questiona “<em>for your eyez do you understand me (Para seus olhos, você me entende?)</em></p><p>Dos seus trabalhos mais marcantes, o álbum KOD (2018), entrou em cena para reafirmar a independência do artista e ressaltar sua particularidade no rap atual. Jermaine destaca-se por sua resistência inabalável às obviedades do Trap e do Rap americanos: o desejo de poder, a violência, o dinheiro e, enfim, a ostentação, de um modo geral, estão longe de ser objetivos do artista.</p><p>KOD traz a sigla com três possíveis significados: <em>Kids On Drugs (“Crianças drogadas”), King Overdosed (“Rei Overdose”) ou Kill Our Demons (“Matando nossos demônios”)</em>. Estes três nomes representam os conceitos principais apresentados por Cole ao longo do álbum.</p><p>A peça foi majoritariamente produzida pelo próprio artista, junto a alguns nomes como Mark Pelli, do Magic!, e T-Minus, famoso produtor canadense que já trabalhou com <a href="https://escutaessareview.com.br/2017/03/25/drake-more-life-2017/">Drake</a> e <a href="https://escutaessareview.com.br/2017/04/21/escuta-essa-27-damn-a-nova-profecia-de-kendrick-lamar/">Kendrick Lamar</a>.</p><p>Em termos de produção, o álbum foi elaborado por bases bem simples, com o maior foco na narrativa dos vocais. Cole deixa claro suas escolhas na construção de seu som, quando utiliza tonalidades mais dramáticas e sofridas, que combinam perfeitamente com as melodias.</p><p>A capa diz muito sobre o conceito e estética do disco. Nela, o próprio Cole é representado como o personagem “King Overdoz” e, sob seu manto, estão crianças usando drogas. Toda esta construção espelha a “grande mensagem” do disco, mostrando como uma sociedade é levada a glorificação das drogas, do dinheiro e a trágica influência desses fatos nos jovens e crianças.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/0*UarKCzuqXc3jNzFR" /><figcaption>Capa de “Kod”, representando J. Cole na figura de “Rei Overdose” e as “crianças drogadas”. (Imagem: Reprodução)</figcaption></figure><p>Embora de modesta produção, seus versos nos permitem diversas reflexões. O rapper expressa críticas sociais, situação dos negros norte americanos, problemas com drogas, dores e autodestruição.</p><p>Ele se engaja ao falar sobre o cotidiano caótico na vida como vendedor de drogas, no qual descreve o fato de amigos serem hospitalizados, e a visão fatídica de uma primeira morte precoce. Explica a tentativa de sanar a dor com drogas e como sua vida era uma busca enlouquecida por dinheiro e ostentação.</p><p>O também conhecido como “Therapist King Cole”, aborda com frequência a questão da droga em sua vida e na sociedade. Ao contar sobre suas frustrações, no decorrer do disco, revela como sentia-se bem, aliviado pelas substâncias que ingeria. Na introdução do álbum, diz que <em>“Há muitas maneiras de lidar com a dor: escolha sabiamente.”</em></p><p>O pessimismo se agrava em KOD, na medida que aborda problemas familiares, em grande parte por desentendimentos entre sua mãe e padrasto, e os eventuais impactos na vida do cantor. Também faz referências às suas amizades, onde o lamentável cenário de vícios e falsidades deixaram, por via de consequência, marcas profundas no jovem Cole.</p><p>Outro marco é sua crítica contundente ao nefasto racismo nos EUA, frente a triste realidade das vidas negras no país. Na música “<em>Friends</em>” retrata, em grande parte, o motivo dos jovens negros se drogarem tanto, seguramente em razão dos traumas vivenciados.</p><p>Como Cole recusa a curvar-se ao que é comum e mais usado no hip-hop atual, trilha o caminho em busca de identidade própria em seu trabalho. É uma aposta ousada, mas confiante. No entanto, é possível que alguns ouvintes mais apressados achem o álbum fraco e repetitivo, principalmente se não procurarem se inteirar do seu conceito. Muitos críticos dizem que peca um bocado em sua produção e deixa a desejar nas rimas de suas faixas.</p><p>Em resumo, eu diria que KOD seja, por certo, um dos melhores álbuns do hip-hop contemporâneo. O musico toca o coração do seu público por desenvolver letras tão intensas e expressivas, com aspectos pessoais e sociais, “King Cole” se superou.</p><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=e5080f2913ae" width="1" height="1" alt="">]]></content:encoded>
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            <title><![CDATA[Lembranças de uma radiosa trajetória]]></title>
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            <dc:creator><![CDATA[Ana Luiza Bessa]]></dc:creator>
            <pubDate>Tue, 09 Jun 2020 01:01:52 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2020-06-24T19:55:54.322Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/691/0*EybgfLpx1OeJIREL" /><figcaption>Foto da IstoÉ, Flavio Migliaccio</figcaption></figure><p>Dono de uma prolífica carreira, o ator, produtor, roteirista e diretor Flávio Migliaccio fez história no cenário artístico e ideológico brasileiro.</p><p>Nascido no ano de 1934 em São Paulo, no bairro do Brás, Flávio iniciou sua trajetória atuando em peças amadoras em um teatro na periferia de sua cidade e logo após nos palcos de uma igreja. Como na época necessitava de dinheiro optou também por outras ocupações, trabalhou como balconista e mecânico.</p><p>Com o passar dos anos, o ator se especializou cada vez mais na dramaturgia, estudou teatro e deu um grande salto na sua carreira.</p><p>Teve seu primeira atuação profissional como um cadáver, na peça “Julgue você”, no recém-criado Teatro de Arena, pouco antes do período de ditadura militar. Lá atuou em clássicos da dramaturgia brasileira como “A revolução na América do Sul”, de Augusto Boal.</p><p>Aos 25 anos, estreou no filme “O Grande Momento”, de Roberto Santos que, por sua vez, foi um grande sucesso. O ator passeou por dramas, comédias e até interpretou papéis estrangeiros.</p><p>Destacou-se na série “Shazan, Xerife e Cia”, uma das mais populares dos anos 70 na TV Globo. Divertiu muitos lares ao viver o personagem de um mecânico atrapalhado e bem-humorado.</p><p>Participou, em 2009, da novela “Caminho das índias”, muito conhecida entre os telespectadores da Rede Globo. Na telenovela deu vida ao simpático “Tio Karan”, um dos muitos integrantes da família de indianos.</p><p>Migliaccio também ficou conhecido como o cômico “Seu Chalita”, na serie humorística “Tapas e Beijos”, de 2011 até 2015. Interpretou o mal-humorado dono de uma lanchonete árabe.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/297/0*MybdTS2O795eLEDy" /><figcaption>Migliaccio na pele de Chalita (Foto: Tapas e Beijos, TV Globo)</figcaption></figure><p>Em sua fase popular Flávio explorou seu talento como roteirista e produtor na obra “Aventuras com Tio Maneco”, em 1971, uma de suas maiores produções. O filme foi vendido para mais de 30 países e se tornou um fenômeno com o público infantil.</p><p>Dirigiu também “Os Trapalhões na Terra dos Monstros”, em 1989. O filme foi uma das maiores bilheterias daquele ano, no qual levou 3,2 milhões de espectadores aos cinemas.</p><p>Junto com sucesso cinematográfico, o ator recebeu recompensas e indicações por sua renomada carreira. Em 2019, ganhou o prêmio de melhor ator de televisão pela Associação Paulista dos Críticos de Arte, por sua interpretação do personagem Mamede Al Aud em “Órfão das terras”, da Rede Globo.</p><p>Conquistou também o prêmio FITA de melhor ator e espetáculo por “Confissões de um senhor de idade”. Em sua premiação subiu ao palco do Arte Sesc Flamengo e surpreendeu a todos quando recebeu o prêmio de pijama, destacando sua divertida personalidade.</p><p>Apesar de ter trabalhado como roteirista, diretor e produtor, deixou seu legado mais expressivo como ator. Flávio Migliaccio foi peça-chave para dar voz à dramaturgia escrita no País.</p><p>O ator ficou marcado por navegar entre linguagens e públicos distintos. Sua maior contribuição foi a diversidade de personagens, construídos com cuidado, estudo e pesquisa. Desenvolveu propostas estéticas diversas, que revolucionou o cenário artístico brasileiro.</p><p>Tendo deixado a vida terrena em 4 de maio (2020), sinônimo de referência para muitos artistas e querido por uma longa lista de fãs, sua falta de Migliaccio será muito sentida.</p><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=6c976066bdd3" width="1" height="1" alt="">]]></content:encoded>
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