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        <title><![CDATA[Stories by Jessica Bianchi on Medium]]></title>
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            <title>Stories by Jessica Bianchi on Medium</title>
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            <title><![CDATA[Qualidade é melhor que quantidade]]></title>
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            <dc:creator><![CDATA[Jessica Bianchi]]></dc:creator>
            <pubDate>Mon, 30 Dec 2024 01:21:24 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2024-12-30T01:21:24.934Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<p>O que li em 2024</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/591/1*PW6RQRi0iN8esjhS1gj5MQ.jpeg" /></figure><p>Escrevo esta lista feliz de ter conseguido atingir a meta proposta ano passado: <strong>documentar as coisas</strong>.</p><p>E uma das coisas que consegui documentar foram as leituras realizadas por livre e espontânea vontade — vulgo “ler por prazer”.</p><p>Como muitas pessoas que convivem comigo sabem, eu trabalho lendo e escrevendo. Mas é diferente pegar um livro, principalmente de romance, e ler com afinco. E cada vez mais estamos com um tempo escasso para tal…</p><p>Aqui vai a <strong>minha segunda lista comentada do que li em 2024</strong> e uma notinha de 1 a 5 estrelas.</p><h4>Correr, de Drauzio Varella</h4><p>Eu tive um surto meados de 2023 e <strong>comecei a correr</strong>. Na verdade, tinha acabado de terminar um relacionamento e quase no mesmo período fui demitida do emprego. Do nada achei que seria uma forma saudável de lidar com todo o estresse e saí correr por aí. Até fiz um tempo de assessoria e assisti e li muita coisa sobre. <strong>Resumo: quase morri</strong>, desgastei o joelho e não valeu a pena. O clássico “o que é bom para alguns, pode não ser bom para outros”. Enquanto ainda corria e estava enfrentando dificuldades para me motivar a continuar, busquei um livro sobre e encontrei este do Drauzio. Ele é autobiográfico, fala muito da jornada pessoal do médico e como ele encontrou um refúgio e disciplina na corrida.<br>Eu sofri com ele. Tem umas partes que você pensa: “meu deus, ele vai morrer agora”, mesmo sabendo que o cara tá vivíssimo gravando no Youtube. Nas partes que ele relata as maratonas que correu e como sofreu, faço até uma analogia com o livro “Livre”, de Cheryl Strayed, que li anos atrás. Aparentemente correr ou encarar uma trilha de quilometragem muito alta liberta o ser humano. Uma teoria eu defendo: quem encara isso, é porque tem um trauma enorme a ser superado.</p><p>Devido ao gênero autobiográfico e pelo sofrimento que passei lendo, dou <strong>3 estrelas.</strong></p><h4>70 Historinhas, de Carlos Drummond de Andrade</h4><p>Drummond, né. Aqui você vai se deparar com várias croniquinhas bem humoradas do velhinho. É aquela leitura ótima para hora do almoço, a caminho do trabalho. As crônicas permitem essa leitura mais rápida no dia a dia e deixam tudo mais leve.<br>Recomendo principalmente se você curte o gênero crônica e gosta de textos bem humorados, principalmente depois de uma leitura mais pesada.<br><strong>5 estrelas.</strong></p><h4>Não pise no meu vazio, de Ana Suy</h4><p>VISCERAL. Eu amei tanto, mas tanto este livro. Ele parece uma pessoa que você tá conhecendo. Você começa a ler e se sente desconfortável. Após isso, começa a se identificar. No meio, fica arrebatador e você se apaixona. No fim, você percebe: a vida é isso mesmo. Eu diria que, em poesia, a Ana Suy quase que define os sentimentos mais complexos das nossas vidas sobre relacionamentos, e me fez lembrar até uma troca de cartas ao estilo Rainer Rilke, porque ela dialoga conosco e você sente a dor e o amor, de verdade.</p><p><strong>5 estrelas</strong>. Não recomendo a leitura em períodos sensíveis.</p><h4>Cartas Feministas, Priscila Finger do Prado</h4><p>Leitura didática. Com isso, quero dizer que, se você já estiver familiarizada com a teoria feminista e suas vertentes, vai ficar entediada.</p><p>Gostei da forma criativa de abordagem: é como se a escritora entregasse cartas em resposta às Novas Cartas Portuguesas. Uma escrita muito próxima da leitora, fácil de entender.</p><p>Eu dou <strong>2 estrelas</strong> pela forma de escrita e por ser algo que eu já conhecia. Eu fiquei entediada. Mas o livro é bom; o problema não é com a autora, é comigo.</p><h4>Que tal a linguística como uma colher de açúcar? Textinhos adocicados sobre a linguagem, de Luisa Gogody</h4><p>Ah, eu adoro livros da minha área (linguística) no estilo textos curtos, como ensaios, crônicas, relatos e até artigos menores. Eles mostram que a pesquisa na área linguística não deve se afastar das pessoas que estão fora da vida acadêmica, mas bem pelo contrário: é necessário fazê-las perceberem que a língua está em tudo. Eu achei uma forma direta, curta e divertida de trabalhar o assunto. <strong>4 estrelas</strong>.</p><h4>Canções de atormentar, de Angélica Freitas</h4><p>Poesia sempre estará no meu dia a dia. Nenhum título da Angélica Freitas foi feito para ser apreciado de uma só vez — este aqui já está sendo relido.</p><p>Em vários momentos, no meio das outras leituras, parava e folheava um poema deste livro.<br>“Canções de atormentar” traz um poema que amo:</p><blockquote><strong>abelhas</strong></blockquote><blockquote>se este país</blockquote><blockquote>nos trata</blockquote><blockquote>mal</blockquote><blockquote>é porque</blockquote><blockquote>……………</blockquote><blockquote>……………</blockquote><blockquote>não adianta</blockquote><blockquote>nunca se viu</blockquote><blockquote>uma abelha</blockquote><blockquote>aposentada</blockquote><blockquote>mesmo a rainha</blockquote><blockquote>é mutilada</blockquote><blockquote>levada para longe</blockquote><blockquote>pelas operárias</blockquote><p><strong>5 estrelas.</strong></p><p><strong>Escrever é muito perigoso: ensaios e conferências, de Olga Tokarczuki</strong></p><p>Este livro é uma organização de ensaios, pensamentos e palestras de Olga Tokarczuki, uma escritora polonesa. É muito interessante ler ao menos um título ao ano de algum escritor de algum país que nunca ouvi falar muito. O choque cultural é muito grande.</p><p>Este livro não é para amadores (risos). Por vezes, você vai achar que Olga escreve de maneira confusa ou que se perde em seus pensamentos. Mas a verdade é que a mulher é tão inteligente que a culpa é nossa de não estarmos conseguindo acompanhar.</p><p>Eu gosto de me debruçar em um título mais desafiador pelo menos uma vez ao ano. Este me levou meses para terminar, pois como se trata de ensaios, quis grifar, reler trechos, refletir durante a leitura. Para mim, se em nenhum momento da leitura você não parou, fechou o livro por um segundo, olhou pra cima e pensou “o que, não pode ser”, é porque a leitura não te pegou de verdade. E este livro me rendeu vários momentos como esse. Eu achei um livro avassalador. Este é um adjetivo que eu amo muito, inclusive. Gosto de coisas avassaladoras, que mexem no fundo da gente.</p><p>Não vou comentar os temas dos ensaios para deixar o ar de curiosidade. Quem quiser emprestado, é só chamar.</p><p>Aqui vão alguns dos grifos que mais gostei:</p><blockquote>A sensação de finitude banaliza tudo, porque apenas aquilo que não se sujeita ao nosso conhecimento é capaz de suscitar entusiasmo e manter o caráter maravilhoso do mistério.</blockquote><blockquote>A liberdade alheia é, em geral, problemática. Aqueles que exercem a liberdade costumam não querer concedê-la aos outros.</blockquote><blockquote>Quando penso nas palavras, elas parecem tão atrozes que seria melhor dizê-las apenas para o travesseiro ou para um buraco no chão (…)</blockquote><blockquote>O fato que não vemos o horror todo dia, que ele nos escapa, que não ficamos paralisados com o terror, é espantoso. (…) O esforço moral é, portanto, um esforço cognitivo: temos que enxergar de um modo novo e doloroso.</blockquote><p>Essas aqui achei, apesar de verdadeiras, tristes (<strong>a verdade é triste</strong>, né?):</p><blockquote>A leitura é efetiva, por sua vez, quando envolve a compreensão e a vivência daquilo que se lê.</blockquote><blockquote>A leitura é, portanto, o privilégio de uma mente saudável e equilibrada.</blockquote><blockquote>Se um indivíduo não tiver sentido aquele prazer quase erótico decorrente da leitura entre, digamos, nove e dezesseis anos, nunca se tornará um autêntico leitor.</blockquote><blockquote>Se o cérebro aprender a extrair música e imagens das cadeias de letras impressas no papel, essa aptidão ficará com ele para sempre, embora vá enfraquecendo com o tempo.</blockquote><blockquote>Lendo, participamos da vida de uma outra pessoa e nos transformamos nela. Olhamos com seus olhos, percebemos o mundo com seus sentidos (…)</blockquote><p>Eu recomendo para as leitoras ávidas e já acostumadas com umas verdades que vem com os <strong>dois pés no peito</strong> e que não têm medo de nada (risos).</p><p><strong>5 estrelas</strong>, óbvio.</p><p><strong>Este ano, li 7 livros.</strong></p><p>E superei em quantidade a lista do ano passado.</p><p>Entro em 2025 com dois em andamento:</p><p><strong>O ano em que morri em Nova York</strong>, romance sáfico de Milly Lacombe;</p><p><strong>Um novo mundo: o despertar de uma nova consciência</strong>, de Eckhart Tolle.</p><p>Vamos ver qual será a lista do ano que vem :D</p><p>Para ver o que estou lendo no momento e o que estou planejando ler a seguir, clique <a href="https://jbianchi.notion.site/c31995c52063457091c4250e1e3093d3?v=486926ffb2644946ae68fc7e6b8d5a1c">aqui</a>.</p><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=c71ab781b92b" width="1" height="1" alt="">]]></content:encoded>
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            <title><![CDATA[novembro]]></title>
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            <category><![CDATA[estilo-de-vida]]></category>
            <dc:creator><![CDATA[Jessica Bianchi]]></dc:creator>
            <pubDate>Sun, 24 Nov 2024 16:36:11 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2024-11-24T16:36:11.123Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/1*GgYdBFsvoc6fbCFXXjnSDw.jpeg" /></figure><h3>intro</h3><p>fim de ano eu fico toda escritora. não que não escreva durante o ano, mas eu trato com mais esmero nessa época porque foi a maneira que encontrei de registrar minimamente o que acontece durante um ano, pois a sensação de parecer “não viver nada” estava me adoecendo.</p><p>vou escrever esse com letras minúsculas. eu acho esteticamente bonito! e vou me dar ao luxo de ignorar a regra de “depois de ponto final, letra maiúscula” porque é uma característica de estilo. escrever é uma arte.</p><p>ano passado comecei uma lista do que li o ano todo, acrescentando um pequeno resumo e/ou percepção que tive do livro. isso me agradou muito e, como uma tartaruga, resolvi adicionar pequenas novas metas: este ano, farei a de filmes. me surpreendi com a quantidade!</p><p>este ano publicarei, então, minha lista de livros lidos, filmes assistidos e — achei relevante criar agora — minha lista de elogios recebidos.</p><h3>direto ao assunto</h3><p>olha, longe de ser algo narcísico — ou talvez até seja, sei lá — é terapêutico.<br>qual foi a última vez que você recebeu um elogio? talvez não lembre. e, se eu não tivesse anotado, eu também não lembraria. e não foi qualquer elogio. são frases que realmente definem a gente, que nos dão parâmetro se o que achamos que somos conseguimos ser realmente.</p><p>eu fiquei feliz porque recebi alguns elogios este ano não relacionados à aparência. não que estes não sejam importantes — eleva por demais a autoestima — mas os que tocam a alma são mais poderosos.</p><p>é muito fácil elencar nossos defeitos. principalmente quando estamos sozinhas, introspectivas, escrevendo, brisando. acho que meu pior defeito é a impulsividade: deve ser por traumas do passado, de ter perdido uma pessoa amada muito cedo, e por conta disso ser efusiva demais achando que todo mundo vai morrer amanhã. isso me faz meter os pés pelas mãos. e, às vezes, em tom de grosseria. “ah, tá me achando impulsiva?! então vá tomar no c*”. horrível.</p><p>e, por conta disso, enxerguei muita coisa ruim em mim. e, por vezes, esqueci que posso ser uma boa pessoa. resolvi, portanto, dar valor aos “elogios da alma”</p><h3>qualidade é melhor que quantidade</h3><p>este ano foi muito melhor que o ano passado, para mim. eu tive a oportunidade de conhecer pessoas incríveis que levarei no coração pelo resto da vida — e espero que em uma próxima.</p><p>estas pessoas me presentearam com as seguintes frases:</p><blockquote>você tem um coração enorme.</blockquote><blockquote>você é maravilhosa.</blockquote><blockquote>você tem uma vida muito boa!</blockquote><blockquote>não parece, mas ela é muito inteligente. (risos, esse aqui pareceu um semi-elogio, mas eu amei!)</blockquote><blockquote>você não é normal, você é doida. mas é uma doida normal.</blockquote><p>é claro que o contexto no qual essas frases foram ditas enalteceram mais ainda e fizeram eu me sentir necessária no mundo. eu agradeço de coração as pessoas que as proferiram. todas foram faladas pra mim.</p><p>esse tipo de elogio só é possível de fazer e receber quando se cria uma conexão. é necessário tempo de convívio. algumas das pessoas acima me veem todos os dias. portanto, o que quero para o ano que vem é: criar laços, criar conexões. sem medo de talvez me enforcar.</p><p>tem um elogio dessa natureza que eu queria fazer para uma pessoa, mas não estou conseguindo entregar. é isso: “não conheço pessoas como você com frequência.” não parece um elogio, né? mas eu achei uma frase muito bonita e única.</p><h3>concluindo</h3><p>se eu puder deixar um conselho — ande com um bloquinho e caneta. ou se você fizer o estilo “cracuda digital” use o celular mesmo e ANOTE.</p><p>anote os elogios recebidos. palavras que tocam a alma. definições sobre você. às vezes alguém fala algo e não era pra ser elogio, mas aquilo te tocou e te definiu de forma positiva. é bom.</p><p>eu tenho um caderninho, caneta e lápis espalhados pelas minhas bolsas e nunca saio sem eles. lá eu anoto dicas de filmes, músicas, livros, frases que as pessoas falam, frases que minha mente me conta (é, pois é!) desenhos feios e também os elogios.</p><p>e, pra finalizar, não abomino os elogios sobre a aparência física, não.</p><p>fique à vontade se quiser fazer um, não estamos reclamando…</p><p>e, se eu puder recomendar também uma música (Moby é demais!):</p><iframe src="https://cdn.embedly.com/widgets/media.html?src=https%3A%2F%2Fwww.youtube.com%2Fembed%2FatyvdC15HFA%3Ffeature%3Doembed&amp;display_name=YouTube&amp;url=https%3A%2F%2Fwww.youtube.com%2Fwatch%3Fv%3DatyvdC15HFA&amp;image=https%3A%2F%2Fi.ytimg.com%2Fvi%2FatyvdC15HFA%2Fhqdefault.jpg&amp;type=text%2Fhtml&amp;schema=youtube" width="854" height="480" frameborder="0" scrolling="no"><a href="https://medium.com/media/a5992382f6f6be693ab28e0605a7cbb7/href">https://medium.com/media/a5992382f6f6be693ab28e0605a7cbb7/href</a></iframe><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=80112830eef5" width="1" height="1" alt="">]]></content:encoded>
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            <title><![CDATA[Outubro]]></title>
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            <dc:creator><![CDATA[Jessica Bianchi]]></dc:creator>
            <pubDate>Tue, 08 Oct 2024 02:41:13 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2024-10-08T02:41:13.099Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<p>Outubro</p><p>Eu costumo me apegar às datas, dando muito valor a elas, lembrando de aniversários e acontecimentos da minha vida. Sei que não faz sentido, afinal, o calendário é uma ferramenta que foi inventada para termos a ilusão de controle do tempo.</p><p>Mesmo assim, nunca me esquecerei do dia 09 de outubro de 2009. O dia em que perdi minha mãe.</p><p>Era uma sexta-feira chuvosa, fim de tarde caótico, ela esperando o ônibus da faculdade junto comigo.</p><p>Mais detalhes só conto pessoalmente.</p><p>A questão é que já faz 15 anos. Eu não sei dar muitos exemplos de coisas que duram mais de 10 anos. Alguns relacionamentos, talvez; algumas pessoas de sorte que fazem carreira em uma só empresa; a vida de um bichinho de estimação. E parece muito tempo, né?</p><p>Eu tive um processo de luto muito doloroso. Eu estava em um processo de descoberta de tantas coisas, que não cabia um luto naquele momento. Não da minha mãe — uma pessoa que era muito parceira e que entendia absolutamente tudo, me acolhia e tinha um diálogo muito aberto comigo.</p><p>Ainda hoje tenho uns espasmos, um estalo na alma, que quando sozinha penso: “eu vou contar isso pra ela”; “ela ia gostar muito disso”; “eu preciso que ela me diga algo sobre isso”.</p><p>Mas aconteceu. E não tive muito pra onde ir e nem sabia reagir.</p><p>E eu sei que ainda não foi superado. E eu levo para a terapia. Mas como tantas outras coisas sem explicação e sentido que rondam nossas vidas, eu acho que o luto é uma delas.</p><p>Acho que é possível ficar de luto o resto da vida. Algumas pessoas dirão que é horrível, que é necessário seguir em frente. O que é seguir em frente?</p><p>Eu acho que segui em frente. Eu fui atrás dos meus sonhos. Eu desenhei uma vida longe de tudo que me lembrava ela. E me senti abandonada inúmeras e inúmeras vezes — inclusive por ela. Poxa, por que você foi morrer? Você era a única que sabia.</p><p>E esse sentimento ainda não passou. Me assombra de vez em quando. Junto com outros lutos que a vida nos traz, eu estou acumulando vários deles. E o fardo está imenso e difícil de carregar. Mas estou levando.</p><p>E quando conto essas coisas, as pessoas só sabem dizer: “tá todo mundo assim”.</p><p>Bom, se todo mundo está assim, então nada basta. A ânsia por cessar essa vida, que acabe todo o sofrimento é algo muito presente. Mas ao mesmo tempo, um desejo imenso de viver a vida de uma forma que ela se orgulharia, de um jeito que ela quisesse pra mim, é mais forte.</p><p>Aproveite cada segundo.</p><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=856e23a15012" width="1" height="1" alt="">]]></content:encoded>
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            <title><![CDATA[Em tom de resenha]]></title>
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            <category><![CDATA[vida]]></category>
            <category><![CDATA[cotidiano]]></category>
            <category><![CDATA[drama]]></category>
            <dc:creator><![CDATA[Jessica Bianchi]]></dc:creator>
            <pubDate>Mon, 22 Apr 2024 00:36:32 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2024-04-22T00:36:32.599Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<p>Eu sou uma pessoa enlutada. Enlutada no sentido de nunca ter superado um luto e também de já sofrer antecipadamente por possíveis lutos. Ninguém morreu hoje, a não ser minha vontade de ficar sozinha. Vou explicar.</p><p><strong>Atenção</strong>: a consulta com o psiquiatra está em dia. Tá tudo sob controle.</p><p>Não sei se é TPM, o medicamento que precisa ser alterado, a mudança de estação, a aproximação com o dia das mães, um filme que vi hoje ou tudo junto. Mas estou extremamente melancólica, já faz umas duas semanas. Ou três?</p><p>(Para quem não sabe, abro aqui esse parênteses: minha mãe faleceu dia 09 de outubro de 2009, aos 44 anos. Eu tinha 18, na época. Estava no meu ano de caloura em Letras, na minha cidade natal. Sou filha única, a solidão me acompanha desde o tempo da escola. Minha mãe era uma amigona, eu contava tudo a ela. Mente abertíssima, faz uma falta do caralh*. Quero deixar aqui um abraço apertadíssimo aos meus amigos de décadas, lá de Joinville, que conheceram e conviveram com minha mãe, nas nossas reuniõezinhas lá em casa. Vocês moram no meu coração!).</p><p>O filme que assisti chama-se “Todos nós desconhecidos”. Como diz a crítica, “assustador e comovente.” É um drama de cortar os pulsos, mas é lindíssimo. Já deu para ver que eu amo superlativos. Errada é aquela pessoa que não expressa as emoções intensamente. Voltando ao filme, o protagonista perdeu os pais em um acidente de carro, há muito tempo. Isto está na sinopse, então não configura <em>spoiler</em>, ok? E eu só fiquei tipo: hmm vamos ver como você lida com isso. E a história toda é dilacerante. De cunho bastante psicológico, eu diria que você consegue sentir o que a personagem sente. Toda a emoção e efeitos. Muito bem construído. Assistam.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/300/0*dlsEY72RQETla0JC.jpg" /><figcaption>“Todos nós desconhecidos”, com aquele ator que fez o padre de “Fleabag”.</figcaption></figure><p>Usando o filme para discorrer psicologicamente sobre umas questões: eu tô cansada de trabalhar o luto nas terapias. Eu quero trabalhar temas “contemporâneos” (risos). Eu quero falar de desilusão amorosa, de <em>burnout </em>no trabalho, de como o mundo está um caos, de um possível fim de mundo, de como adaptar-se à rotina no capitalismo tardio. TODA vez que introduzo um assunto cotidiano, caio nesse “luto”. E por mais que eu admita não estar resolvido, de ser o maior medo de minha vida, ninguém vê problema nisso. Principalmente porque falo abertamente sobre isso. Minha vida é um livro aberto. Eu realmente não acredito nessas bobagens de gente que diz “você não pode contar as coisas assim”. Oxe. Como que não? E se tudo acabar amanhã? Tem que colocar pra fora.</p><p>Eu não tenho medo da morte, eu tenho um conflito com a ideia de morte. Que nem é ideia né, é um fato. Eu não tolero finitudes. Eu tenho uma dificuldade imensa com finais. Não tarefas, não cursos. Isso tá dominado. Nunca adiei nada. Sigo projetos até o fim. Mas sentimentos, sabe? Eu os prolongo. Os bons e os ruins — beauty and terror, como diz Maria Rilke — porque eu os acho bonitos. Porque a humanidade é isso. A vida é isso. O que seria se não os sentimentos? Por que fazemos o que fazemos? Porque sentimos.</p><p>E pensar que corro risco de perder as pessoas por quem tenho afeto me paralisa. Amigos de longa data, amigos que a grande e linda Curitiba me apresentou, parentes, pessoas com as quais trabalhei e trabalho, minha cachorra (ok, não se resume apenas a humanos). Pensar que algum deles podem morrer antes de mim me dá aflição. Eu não tenho um minuto de paz dentro da cabeça. Isso faz eu meter o pé pelas mãos. Viver intensamente. E isso cansa, a mim e aos outros. Ok, talvez eu precise falar disso na terapia. Anotei.</p><p>Por isso fiquei muito sentida com o filme. Tirou de dentro de mim algo que estava adormecido, ou ao menos pensei que estivesse. Aquele sentimento de ter um nó dentro de si, como mencionado no filme, ainda permanece. E eu percebi que estou criando outros nós como esse.</p><p>E isso tudo para saber se alguém também sente isso. Se esse medo é comum. Normal talvez não seja. Mas me contentaria se fosse natural.</p><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=d5a53e727c17" width="1" height="1" alt="">]]></content:encoded>
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            <title><![CDATA[O que li em 2023]]></title>
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            <category><![CDATA[leitura]]></category>
            <category><![CDATA[books-recommendation]]></category>
            <category><![CDATA[2023]]></category>
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            <dc:creator><![CDATA[Jessica Bianchi]]></dc:creator>
            <pubDate>Sun, 31 Dec 2023 03:27:15 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2023-12-31T03:35:32.632Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/820/1*jqk9meodW7TzPvC1ITobRg.jpeg" /></figure><p>É incrível como documentar as coisas as tornam mais valiosas. Você pode até ser uma pessoa leitora ávida, daquelas que consegue ler mais de um livro por mês, mas se não documentar de alguma forma, parece que não leu tudo isso.</p><p>A minha meta para 2023 era documentar coisas. Dar mais “volume”, para definir metas mais alcançáveis e, consequentemente, lidar melhor com ansiedade e ter uma sensação de ter algo concluído.</p><p>Pensando nisso, resolvi começar documentando, anualmente, quantos e quais livros li. Este é o primeiro.</p><h4>Pedro Páramo, de Juan Rulfo</h4><p>Este foi um romance muito fácil de ler. Li em menos de uma semana, durante uma viagem de ônibus. Pedro Páramo é um romance mexicano, que conta a jornada de Juan Preciado, que depois da morte da mãe, resolve ir atrás do pai desaparecido, o Pedro Páramo. A aventura acontece em meio algumas cenas sobre a situação da sociedade mexicana na época e com a descoberta de segredos sobre o tal Pedro Páramo. Recomendadíssimo, 5 estrelas.</p><h4>A Coragem de ser Imperfeito, de Brené Brown</h4><p>Ai, esse foi até legalzinho no começo, mas fiquei com preguiça. Ok, é um autoajuda escrito por uma mulher psiquiatra com local de fala, mas confesso que cansa o viés sexista que todo autoajuda tem. Não existe essa parada de que homens e mulheres lidam com a própria vergonha de formas diferentes. Isso não é biológico. Se ele fosse reescrito desconsiderando o sexo das pessoas, leria com mais afinco. 3 estrelas.</p><h4>A Extinção das Abelhas, de Natalia Borges Polesso</h4><p>Esse livro é estrondoso. É aquela leitura romance longo e pesado, é preciso escolher o momento certo para lê-lo. Tento encaixar no mínimo uma leitura desse tipo no ano. Natalia consegue entregar um romance instigante que mistura os desafios da personagem protagonista em meio a um caos de fim do mundo — acredite, pior do que este que estamos vivendo — e temos vontade de ficar até o fim como se tratasse de uma escrita premonitória: queremos saber o que vai acontecer no planeta. E parece que não vai ser bom. Top de linha, 5 estrelas.</p><h4>O Expresso Sócrates, de Eric Weiner</h4><p>O título é autoexplicativo: é bem expresso mesmo. Trata-se de uma espécie de romance filosófico em que a personagem está descrevendo experiências que teve durante uma viagem de trem e como cada um dos filósofos e/ou autores e teóricos mais importantes da história reagiriam em cada circustância de nosso cotidiano. É um boost de filosofia aplicada. Contudo, não gostei do jeito da escrita. Acho que sou uma leitora masoquista. 3 estrelas.</p><h4>Tudo é Rio, de Carla Madeira</h4><p>Sensacional. Aqui, mais um romance pesadíssimo de chorar litros. Para mim, foi uma leitura bem demorada, porque romances desse tipo eu gosto de ler exclusivamente em casa, apesar de ter lido um capítulo ou outro em ônibus para dar uma adiantada. Isso porque trata-se de uma história triste demais. “Tudo é rio” é um convite à reflexão sobre a vida, sobre o perdão, sobre o luto. Pra mim, ficou mais forte a questão do luto. Quando chegava em partes pesadas, eu precisava de um tempo para digerir, natural do gênero e da escrita impecável de Carla Madeira. Recomendadíssimo. 5 estrelas.</p><h4>O Gato que Amava Livros, de Sosuke Natsukawa</h4><p>Embora seja outro longo romance, “O gato que amava livros” é uma leitura leve e que beira a fábula. Sim, o gato fala e participa da história. Foi meu primeiro livro de literatura japonesa, e eu confesso que há muita diferença no estilo e na escrita, ainda não me acostumei. Mesmo bem traduzido, você sente diferença e às vezes precisa reler para tentar “sentir” o que o autor sentiu durante a escrita. Mas achei demais! É um livro fofinho, bem escrito, aprende-se bastante sobre a cultura japonesa e o gatinho é muito sagaz e fará você rir muito. Não se engane: não é um livro infantil: ele faz referências sobre filosofia e fala sobre coragem e autoconhecimento. 5 estrelas.</p><h4>Este ano, li 6 livros.</h4><p>E estou bem satisfeita. Acho que descobri mais ou menos minha velocidade de leitura como lazer: cerca de um livro a cada dois meses. Há livros e livros: alguns até permitem uma leitura mais rápida, mas para mim, que gosto de romances em geral e de narrativas densas, preciso de muita reflexão durante e até após. Não emendaria um livro atrás do outro só por número. O gênero romance pra mim é como uma novela ou série: para ser apreciado aos poucos, sentido em cada momento caótico e até relido, se for o caso.</p><p>Vamos ver qual será a lista do ano que vem :D</p><p>Para ver o que estou lendo no momento e o que estou planejando ler a seguir, clique <a href="https://jbianchi.notion.site/c31995c52063457091c4250e1e3093d3?v=486926ffb2644946ae68fc7e6b8d5a1c">aqui</a>.</p><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=65e5317d3435" width="1" height="1" alt="">]]></content:encoded>
        </item>
        <item>
            <title><![CDATA[Modo Caverna (que não é a de Platão)]]></title>
            <link>https://medium.com/@jbianchil/modo-caverna-que-n%C3%A3o-%C3%A9-a-de-plat%C3%A3o-c5bf19107143?source=rss-3bcf7eacf6d5------2</link>
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            <category><![CDATA[produtividade-pessoal]]></category>
            <category><![CDATA[metodologia]]></category>
            <category><![CDATA[caverna]]></category>
            <category><![CDATA[modo-de-vida]]></category>
            <category><![CDATA[produtividade]]></category>
            <dc:creator><![CDATA[Jessica Bianchi]]></dc:creator>
            <pubDate>Sun, 04 Jun 2023 02:39:14 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2023-06-04T02:39:14.180Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<h3>Uma intro</h3><p>Tô me esforçando para não me irritar com o corporativismo ultimamente. “Mas Jessica, você não dava aulas, por que saiu?” Então. Voltar a dar aulas não significa, necessariamente, que vou me afastar do discurso corporativista, fruto do capitalismo, né. Hoje, para entrar em uma universidade como professora, tem que ver se a vaga não é temporária, se estão pagando um salário ok (a maioria das ofertas que encontrei, pagam menos do que estou ganhando hoje) e se a carga horária oferecida é interessante (a maioria oferta 20h, e mesmo que a hora/aula seja atrativa, a gente vai ter que acabar trabalhando em outra coisa para complementar e chegar a um salarin de 4k). E também não significa que, entrando em uma escola de ensino básico, eu vá me livrar da caótica situação que é fazer propagandas eternas da escola como empresa para prospectar alunos. No fim das contas, é um “negócio”. Virou negócio, né. Quando comecei minha carreira, quando ainda era professorinha com 18 anos, a escola ainda era “escola”. Os(as) profes não falavam “vou trabalhar”, falavam “vou pra escola”. Sei lá.</p><h3>Acabou a intro</h3><p>Tudo isso só pra começar a dizer que, como não tem jeito de sair dessa loucura produtiva-capitalista-onde-sou-julgada-por-ser-marxista, resolvi moldar minha vida para ter mais qualidade de vida.</p><p>E hoje penso que, valorizando a pessoa metódica que sou, não tem como ter qualidade de vida sem seguir regras e métodos.</p><p>Foi pensando nisso que me deparei com um vídeo que me fez refletir. É claro que precisamos aplicar recortes (recortes de pós-pandemia, recortes de classes sociais, recortes socioeconômicos, étnicos, etc), mas entendendo qual é o teu recorte e sua necessidade nesse mundo caótico, tá na hora de sentar e desenhar o que é possível ser feito, o que está em nossas mãos.</p><p>E pasme: eu diria que mais de 80% depende da gente (novamente: considerando o seu recorte social).</p><p>Aí eu li sobre o modo caverna, uma parada que os influenciadores digitais estão falando por aí no Youtube. Basicamente, é “se esconder” por cerca de 6 meses, dando mais valor a construção de si mesmo do que para festas, drogas, videogames e quaisquer outras coisas que você considerar dopaminérgicas. Segue um vídeo da Ana Jordis:</p><iframe src="https://cdn.embedly.com/widgets/media.html?src=https%3A%2F%2Fwww.youtube.com%2Fembed%2F0pVYcWLxUSM%3Ffeature%3Doembed&amp;display_name=YouTube&amp;url=https%3A%2F%2Fwww.youtube.com%2Fwatch%3Fv%3D0pVYcWLxUSM&amp;image=https%3A%2F%2Fi.ytimg.com%2Fvi%2F0pVYcWLxUSM%2Fhqdefault.jpg&amp;key=a19fcc184b9711e1b4764040d3dc5c07&amp;type=text%2Fhtml&amp;schema=youtube" width="854" height="480" frameborder="0" scrolling="no"><a href="https://medium.com/media/f89899768f94f954595df975081cf344/href">https://medium.com/media/f89899768f94f954595df975081cf344/href</a></iframe><p>Olha, eu não tenho muitos apegos dopaminérgicos. Pelo menos não ultimamente. O que eu tô precisando mesmo é de mais lazer e tempo livre. A vida social me cobra sem cobrar, sinto que não saio pra lado nenhum e não faço uso de nenhuma substância para aguentar essa vida doida (o que eu acho um absurdo, salvo os medicamentos que tomo para meu tratamento psiquiátrico). Portanto, virei uma pessoa chatíssima.</p><p>Maaaas isso não quer dizer que não preciso trabalhar nas partes mais importantes para edificar a vida. O modo caverna tem uma espécie de pirâmide de Maslow que mostra que há três coisas mais importantes que você deve dar atenção, se possível diária. São exercícios físicos, mente e intelecto. Nossa, todo mundo que eu conheço tá com esses três zoados (risos). Ou só consegue focar em um. E eu diria que tem gente que nunca focou no intelecto (daí é pauta para outra discussão). O restante seria mutável, ou seja, menos importante e você poderia dar atenção na lógica do “sobrar tempo”. Nesse topo flexível da pirâmide você pode acrescentar o que quiser. Não bati o martelo ainda, mas acredito que colocaria como prioridade a presença social (sair mais com minha namorada, falar com outras pessoas, participar de happy hours etc; jogar mais videogame; ler meus romances; andar de bicicleta).</p><p>O objetivo aqui é não criar tarefas/metas complexas. A simplicidade é a chave do modo caverna. Também não é necessário ficar na pira de praticar tudo por 6 meses. Pode-se começar a prática por um mês e ver se há adaptação.</p><p>Admiro pessoas que conseguem por os pilares fundamentais da vida em ordem e seguir sem muito esforço. Sei que tem gente que consegue fazer isso. Mas também sei que essas pessoas que são capazes de seguir à risca são pessoas que ganham o triplo do que eu ganho e provavelmente não precisam fazer mercado, lavar louça, limpar a casa, lavar roupa e nem pegar ônibus, o que facilita muuuuito, pois esse tempo de afazeres domésticos não é consumido. Não é o meu caso.</p><p>Mesmo assim, quero organizar essa minha agenda um pouco. Pelo menos a parte de atividade física. Gente, como é difícil. Um cansaço físico, que é o que ocorre SEMPRE que eu volto da academia (já tô fazendo há meses e ainda não passa a dor muscular) interfere na minha produtividade profissional. E dizem que se não fizer exercício todo dia, não rola. O corpo/mente precisa disso. Ok, acho bom, mas com que tempo e disposição dá pra fazer isso? Fica a questã (questã mesmo, sem “o”).</p><p>A parte de mente também tá deixada de lado. De tanto forçar estudos, coisa que gosto muito, de tanto usar computador/celular, percebi que preciso aprender a meditar. Isso sim é um desafio grande. Ou me mudar pra uma fazenda, sítio, algo assim. Mas como não serei feliz nesses lugares, bora aprender a meditar. Um app que gosto muito e que eu aposto que vai me ajudar nisso é o Lojong.</p><p>A parte de intelecto até que tá sob controle. Eu estudo pra caramba, sempre. Não gosto de ficar sem o status “estudante”. Sempre tô procurando o que fazer ao terminar um curso. O desafio aqui será reduzir as horas para caber um pouco de videogame. E fazer uso prático de tudo isso que estudo. Pois sei que só teoria não dá dinheiro. E tá aí uma coisa que tô precisando: mais dinheiro para trocar de apê.</p><p>No mais, é isso. Espero ter ajudado alguém que esteja me lendo, e ficaria feliz em saber se você concorda com alguma coisa dessas linhas e se a vida é difícil pra você também.</p><p>Aliás, é um difícil bem ok, né? Afinal, após uma pandemia, ter como problema a adequação a uma metodologia besta que criaram na internet chamada “modo caverna” é porque somos muito privilegiados. Reconheça.</p><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=c5bf19107143" width="1" height="1" alt="">]]></content:encoded>
        </item>
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            <title><![CDATA[Querido diário, tô desperdiçando minha vida?]]></title>
            <link>https://medium.com/@jbianchil/querido-di%C3%A1rio-t%C3%B4-desperdi%C3%A7ando-minha-vida-34af772c6d62?source=rss-3bcf7eacf6d5------2</link>
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            <category><![CDATA[life]]></category>
            <category><![CDATA[vida]]></category>
            <category><![CDATA[filosofia]]></category>
            <category><![CDATA[phylosophy]]></category>
            <dc:creator><![CDATA[Jessica Bianchi]]></dc:creator>
            <pubDate>Thu, 09 Mar 2023 01:17:28 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2023-03-09T01:17:28.856Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<p>Dia desses estava procurando algum tutorial na internet para criar uma home bacaninha para o meu Notion. Isso virou quase um novo hobby, visto que eu já tenho todas as minhas informações automatizadas lá e já uso diariamente, mas mesmo assim, sinto que falta aquele toque estético que deixa tudo mais cozy.</p><p>Durante essa busca, encontrei um tutorial no canal da Wesley Anna (<a href="https://www.youtube.com/@WesleyAnna">https://www.youtube.com/@WesleyAnna)</a> bem prático. Acabei me perdendo na tarefa pois fiquei intrigada com um vídeo dela com o título “dear diary, I’m wasting my life.” Pensei: quero ver, 11 minutinhos só!</p><p>O que leva a gente a escolher assistir algum vídeo curto ou ler algo pelo título? Eu não soube responder, mas o fato é que eu já estava tendo uma crise existencial por também pensar que estava desperdiçando minha vida. Mas como assim?</p><p>À primeira vista, parece que “desperdiçar a vida” tem um cunho moral né, algo como cometer imprudências. Logo no início do vídeo, Wesley Anna diz que não se trata disso. Ela inclusive sentia desperdiçar a vida quando estava sendo produtiva. Quando estava trabalhando e fazendo tarefas domésticas. Afinal, o que é desperdiçar a vida nesse sentido?</p><iframe src="https://cdn.embedly.com/widgets/media.html?src=https%3A%2F%2Fwww.youtube.com%2Fembed%2F_J6XJeSHD0s%3Ffeature%3Doembed&amp;display_name=YouTube&amp;url=https%3A%2F%2Fwww.youtube.com%2Fwatch%3Fv%3D_J6XJeSHD0s&amp;image=https%3A%2F%2Fi.ytimg.com%2Fvi%2F_J6XJeSHD0s%2Fhqdefault.jpg&amp;key=a19fcc184b9711e1b4764040d3dc5c07&amp;type=text%2Fhtml&amp;schema=youtube" width="854" height="480" frameborder="0" scrolling="no"><a href="https://medium.com/media/875b5a4baeb16e65f23ba94d42b6da69/href">https://medium.com/media/875b5a4baeb16e65f23ba94d42b6da69/href</a></iframe><p>Percebi que era no sentido de: trabalhamos demasiadas horas, uma carga horária que esse sistema capitalista estabeleceu (?) e quando estamos ali, entregando tudo de nós, nos sentimos ocupando nosso tempo com algo que talvez não faça sentido se não olharmos para nós de vez em quando. E isso talvez signifique ir a uma consulta médica periodicamente, fazer atividade física, passar um tempo com as pessoas que gostamos, desenvolver um hobby, apreciar uma vista do pôr do sol, ou simplesmente não fazer nada. Será que estamos fazendo isso?</p><p>E tem outro ponto, que ela mostra também no vídeo e que identifico no meu cotidiano: quando estou fazendo o que quero, o que desejo, seja em um momento de folga de atividades remuneradas ou porque simplesmente arquitetei todos os afazeres num Notion da vida e agora dou conta, sinto que tô desperdiçando a vida também.</p><p>Esse sentimento de desperdício foi agravado em mim quando encontrei um widget que mostra estatísticas do tempo de vida da gente (achei por acaso, não tava procurando isso, não). O tal do widget, ao colocar sua data de nascimento e a sua “expectativa de vida” (basicamente, escrever com quantos anos você aposta que vai morrer) mostrou pra mim que já vivi 40% da minha vida. Eu fui bem otimista na minha expectativa: coloquei 80 anos. Fui ousada, vi que o widget tinha pré-preenchido esse número e deixei lá. Sei lá, né. Nem ousei pensei que pudesse ser menos, rsrs.</p><p>Daí, é muito doido pensar que já vivi ~quase a metade~ da minha vida. E se paro pra pensar, não sinto que faltou nada. Não há algo assim de “grandioso” que eu queira perseguir que parece que não vai dar tempo. E mesmo com essa paz de espírito, fruto de medicação em dia e terapia, ainda acho a vida extremamente efêmera, breve, curta e todos os sinônimos possíveis. Quando olho para a minha cachorra, a Olga Catarina, me dá mais aflição ainda (- toma aqui esse petisco, a vida é muito curta, peluda).</p><p>E depois de todo esse devaneio, me apeguei à conclusão da Wesley Anna, que diz que “desperdiçar sua vida é o único jeito de realmente vivê-la.” Eu curti tanto essa frase que fiz um lettering na parede da minha micro cozinha:</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/1*RqghXuv_sjzCiAcgqqC8QA.jpeg" /><figcaption>não sei colar papel contact, vai ficar assim mesmo</figcaption></figure><p>Agora vou olhar pra esse lettering todo dia de manhã e pensar que desperdiçar a vida pode ser uma coisa boa. Há de ser.</p><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=34af772c6d62" width="1" height="1" alt="">]]></content:encoded>
        </item>
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            <title><![CDATA[a quem interessar possa]]></title>
            <link>https://medium.com/@jbianchil/a-quem-interessar-possa-72c39742f6b5?source=rss-3bcf7eacf6d5------2</link>
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            <dc:creator><![CDATA[Jessica Bianchi]]></dc:creator>
            <pubDate>Sat, 25 Dec 2021 22:40:52 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2021-12-25T22:40:52.790Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<p>a quem interessar possa</p><p>talvez seja porque eu leve muita coisa para o lado pessoal. talvez seja porque fui criada como filha única. talvez porque minha mãe tenha morrido em 2009, quando eu tinha 18 anos. talvez porque senti, de repente, ao ter certeza de quem eu era, que teria que seguir o caminho sozinha.</p><p>desde criança, nos tempos de escola, sentia necessidade de provar que eu dava conta, que sabia fazer tudo. certamente para provar que era merecedora de qualquer coisa boa que a vida poderia proporcionar.</p><p>e eu dava conta. e eu sabia fazer tudo.</p><p>e eu levei isso para minha vida pessoal e profissional: eu escolhi ser professora como propósito de vida, eu bati de frente com quem não tinha consciência de classe, eu coloquei em primeiro lugar meus princípios e sentimentos.</p><p>como professora, aprendi muito. nas boas e más experiências: ganhando bem e ganhando mal; tretando com pais de alunos, direção e outros professores quando via absurdos. eu achava que deveria fazer o que é correto. o correto para mim era combater preconceito, violência, lutar por direitos iguais, formar cidadãos conscientes. eu queria deixar uma marca no mundo. ingênua e sonhadora.</p><p>segui assim. acabei, por querer e olho grande no salário, dentro de uma empresa de materiais didáticos. após uns 10 anos de experiência como professora e com o mestrado completo, senti que poderia fazer meu pé de meia com aquele salário por um tempo, talvez sair do aluguel, viajar, fazer um curso novo, casar, adotar um cachorro. iludida.</p><p>veio a pandemia. parece que tô reclamando de uma coisa que certamente foi muito pior para muita gente, mas eu não vou perder o direito de desabafar pois estou com um problema psicológico sério. o medo me consumiu. aqui eu quero falar só de mim, então nem vou incluir o medo que eu tinha das pessoas que eu amo ficarem doentes. eu levei a sério. eu não saía de casa mesmo. a editora foi para regime home office.</p><p>tudo ia muito bem, fui promovida na empresa e fiquei muito eufórica e feliz. pensei: vai dar tudo certo. vou provar para o mundo que uma mulher sozinha, criada por outra mulher que não teve a mesma sorte, e com um marido ausente (meu pai), ia ter uma vida tranquila e feliz.</p><p>fui demitida 6 meses depois. eu estava tendo um burnout. já havia voltado para a terapia fazia meses por conta do medo exagerado da covid-19. não estava faltando, não estava recusando trabalho, eu sempre fui uma pessoa que inclusive cobria trabalho de férias dos colegas. eu sempre colaborei. eu estudei pois sabia que não tinha experiência corporativa. eu reclamei, diante de todas as injustiças, mas sempre com toda a razão. o motivo eu não sei qual foi, mas isso me destruiu por dentro.</p><p>o desespero aliado às experiências e conhecimento, e bem como a ajuda de colegas, consegui uma recolocação imediata. fiquei feliz. não era o que eu queria, nem o que eu gostava, mas vi que estava diante de “abraçar o que tem&quot; pois o mundo estava em chamas.</p><p>o trabalho era presencial e isso me destruía aos poucos. ao menos, já estava vacinada. o ambiente era tóxico e eu, que me senti mal por reclamar tanto toda hora por uma soma de fatores — demissão, falta de afeto e compreensão, ausência de contato com as pessoas etc — não falei absolutamente nada sobre.</p><p>fui demitida 2 meses depois. alegação de reestruturação, como tudo nessa pandemia. pensei: ok, não há nada a fazer.</p><p>o desespero está batendo agora, que sei que a rescisão, de pessoa pobre, acaba e é dela que viverei até fim de janeiro quando começarei em um novo emprego como professora.</p><p>diante de tudo isso, resolvi recuperar meu propósito.</p><p>continuo magoada, me sentindo desvalorizada e não amada. não bastasse as crises no campo profissional, o lado pessoal segue muito prejudicado.</p><p>nesse momento, tudo me dói. quando vejo alguém que mal me conhece, que às vezes por desconhecimento ou por maldade mesmo me faz um comentário grosseiro, soa como lâmina de navalha no pescoço mesmo. tudo, absolutamente tudo nesse momento, me magoa e me dói muito.</p><p>fora todos os problemas psicológicos que já estavam sendo tratados, a falta de aceitação e um luto nunca resolvido, ainda tenho esses mais novos pra lidar.</p><p>eu queria ter minha personalidade respeitada. eu queria ser valorizada. eu queria viver do meu propósito.</p><p>sinto falta da minha mãe, e embora ache que isso é um problema, eu me analiso de forma totalmente compreensível pois nunca recebi a admiração, amor e atenção de qualquer outra pessoa a não ser ela. e isso é um conflito, pois acabo achando que busco a figura dela nas outras pessoas. eu ainda não sei.</p><p>isso não é pra ser uma carta, nem aviso, nem nada. isso é uma explicação pois eu tenho muita dificuldade de dizer o que tô passando. sigo fazendo terapia. tudo isso meu psicólogo já sabe. sigo tentando uma consulta com psiquiatra, para uma dose de ataque, pra por a vida no eixo.</p><p>que, embora não esteja péssima, está me fazendo sofrer e me sinto definhando e no automático todos os dias.</p><p>logo eu, que sempre respondo a pergunta: “o que é mais importante na sua vida?” com “Viver. Viver a vida e ajudar os outros.”</p><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=72c39742f6b5" width="1" height="1" alt="">]]></content:encoded>
        </item>
        <item>
            <title><![CDATA[Horas não tinham relógio]]></title>
            <link>https://medium.com/@jbianchil/horas-n%C3%A3o-tinham-rel%C3%B3gio-934ea1263a18?source=rss-3bcf7eacf6d5------2</link>
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            <category><![CDATA[poema]]></category>
            <category><![CDATA[literatura]]></category>
            <category><![CDATA[poesia]]></category>
            <category><![CDATA[poetry]]></category>
            <category><![CDATA[leitura]]></category>
            <dc:creator><![CDATA[Jessica Bianchi]]></dc:creator>
            <pubDate>Fri, 30 Jul 2021 01:57:44 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2021-07-30T02:00:39.164Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<p>não há sonhos nos espaços vazios da janela</p><p>pressa de desejos acelerados, vento a soprar em ambos os lados</p><p>manto no céu que nos vestia, ardor que sentia</p><p>nas quadras que desenhava com os pés</p><p>meu corpo torpe reduzido a uma alma doentia</p><p>horas não tinham relógio</p><p>que destreza viver em adjetivos, eles</p><p>demoram</p><p>aqui ou lá? ignoram</p><p>não há vigor mais lindo</p><p>não há dor mais oblíqua</p><p>sem cor, nem dor, vigor, ardor, fulgor</p><p>não compraria essas pressas que me tornam mais fria.</p><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=934ea1263a18" width="1" height="1" alt="">]]></content:encoded>
        </item>
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            <title><![CDATA[peaceful winds of a Sunday]]></title>
            <link>https://medium.com/@jbianchil/peaceful-winds-of-a-sunday-604147c27359?source=rss-3bcf7eacf6d5------2</link>
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            <category><![CDATA[literatura]]></category>
            <category><![CDATA[poetry]]></category>
            <category><![CDATA[curitiba]]></category>
            <category><![CDATA[english]]></category>
            <dc:creator><![CDATA[Jessica Bianchi]]></dc:creator>
            <pubDate>Fri, 23 Jul 2021 01:54:50 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2021-07-23T01:55:26.766Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<p>empty sidewalks</p><p>found silences above.</p><p>oh lord, you did not show me!</p><p>should I have asked…?</p><p>while looking at those eyelashes,</p><p>behind the scenes of an old film</p><p>passing in my mind, why, I mean…</p><p>I should have asked!</p><p>those peaceful winds of a Sunday, your cold skin, your lovely soul</p><p>deep thoughts of fear.</p><p>I’m tired of talking, my dear</p><p>but for you I scream.</p><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=604147c27359" width="1" height="1" alt="">]]></content:encoded>
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