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        <title><![CDATA[Stories by Maddu Barboza on Medium]]></title>
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            <title>Stories by Maddu Barboza on Medium</title>
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            <title><![CDATA[Filtre seu café, mas não filtre sua busca.]]></title>
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            <dc:creator><![CDATA[Maddu Barboza]]></dc:creator>
            <pubDate>Sat, 23 May 2026 01:00:07 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2026-05-23T01:05:48.747Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<h4>O hoje sempre vale a pena.</h4><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/1*DChTbYR9DIjtqt5nyInpqQ@2x.jpeg" /></figure><p>O subtítulo tem uma frase que usei em um <a href="https://medium.com/@maddubarboza/berura-d5a8ebac38d2">texto</a> meu há alguns meses. Talvez eu não tenha entendido exatamente o sentido da frase quando escrevi, pelo menos não completamente. Não naquele momento. Sinto que vim entender por agora, meses depois.</p><p>Quando falamos do comportamento humano, nem sempre lembramos que em certos momentos agimos como um filtro. No texto em que disse a frase título deste, falo sobre fé, sobre Berura ter aprendido que deveria filtrar seu próprio café e não a busca do que a faria feliz.</p><p>No momento atual da minha vida, eu tenho aprendido sobre filtros diversos: felicidade, tristeza, amor, dor e. raiva. Algumas pessoas cruzam minha vida, alguns possíveis amores que não sei se estou pronta para viver. Mas quando sabemos, não é mesmo? Vivemos com esse sério problema da ânsia de saber tudo, o tempo todo, sempre.</p><p>Conversando com alguns amigos, durante os últimos dias, sobre determinada situação desconfortável em que acabei me enfiando, e sendo um pouco inserida forçadamente por terceiros, percebi que cheguei na idade do filtro. Ou deve ser apenas uma fase em que passo pelo meu interior, entendo o que posso, e devo, filtrar, para então poder viver sem pensar o tempo todo que devo limitar a minha busca própria da felicidade.</p><p>Pessoas sempre serão complexas – por mais superficiais que elas sejam —, isso não é uma dúvida, é um fato consumado para a convivência humana. Aprendi isso da forma mais natural, e um tanto cruel demais para um jovem adulto que busca seu lugar ao sol sem querer prejudicar ninguém. Esse é um ponto interessante: conquistar seu espaço sem que seja necessário prejudicar alguém.</p><p>Nunca fui uma pessoa que olhou para alguém e pensou em primeiro criticar quaisquer que fossem as coisas que eles faziam. Nem orna! Quanto mais os anos avançam e acompanho meu crescimento próprio, percebo o quanto as pessoas se tornam escassamente superficiais.</p><p>Ontem foi um dia, estranhamente, desconcertante quanto ao descobrimento da real face de uma pessoa. que, até então, pensei ser uma pessoa que também estava buscando sua sombra em dias quentes nessa cidade que chamamos de Cidade Luz (é assim que chamamos Fortaleza, não é? Não lembro completamente). É triste ver alguém que você nutria um certo carinho desmerecer o trabalho de outra apenas por não gostar da mesma. Não consigo separar essa atitude do que esse ser pode se tornar quando chegar em um futuro próximo. O que será de sua profissão? O que será do seu círculo pessoal? O que fará quando se casar? Qual legado passará?</p><p>Felizmente, a vida tem me abençoado com pessoas boas. A frase da minha antiga chefe ecoa na minha mente sempre que alguma situação ruim acontece: “Maddu, pessoas boas merecem coisas boas e você é uma pessoa boa”. Passei a confiar mais que coisas boas acontecem quando nos rodeamos de pessoas boas. Conforme o tempo avança, eu avanço com ele, aprendo que quando me permito abraçar a alma dos que a mim querem bem, vejo um lado um pouco mais sincero e iluminado da vida.</p><p>Finalizo o texto com um coração repleto de sentimentos reconfortantes. Sentimentos estes deixados por pessoas boas, essas que me mostram todos os dias que dias ruins não devem pesar mais do que os dias bons que nos fazem crer que uma vida vale a pena ser vivida, independente dos acontecimentos que nos testam a mente e peito.</p><p>A vida é uma senhora que adora pregar peças em uma noite de quarta-feira após um dia maravilhoso em um emprego que é apenas o início de um sonho lindo.</p><p>Lembrem sempre de filtrar o café de vocês, mas nunca de filtrar a busca, pelo menos não completamente (ainda estou aprendendo a filtrar).</p><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=39c2c8ea3884" width="1" height="1" alt="">]]></content:encoded>
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            <title><![CDATA[To ye, my Beauty: The lighthouse]]></title>
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            <category><![CDATA[movie-review]]></category>
            <category><![CDATA[film-reviews]]></category>
            <category><![CDATA[cinema]]></category>
            <dc:creator><![CDATA[Maddu Barboza]]></dc:creator>
            <pubDate>Sun, 17 May 2026 20:57:02 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2026-05-17T20:59:34.281Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/864/1*XUJR4BKQbMUVeueWoSwt1g.jpeg" /></figure><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/864/1*M-v0xg6nckv86gdDpXX_9g.jpeg" /></figure><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/864/1*HrF900qkDyX4yibYCG9KfQ.jpeg" /></figure><p>Pelo começo? Tudo bem…</p><p>Quando Vinicius me falou sobre o filme — e eu decidi que faria uma ótima pesquisa sobre essa cinematografia antes de dar play na obra. Um pouco chata? Eu sei. — ser em preto e branco, coisa esta que eu sou obcecada desde sempre, eu fiquei verdadeiramente intriga e <em>muito</em> curiosa.</p><p>Vou confessar: é novo ter alguém me recomendando tanta coisa quando geralmente sou eu quem dá recomendações para meus amigos. Thank a lots for this, Vini!</p><p>Voltando! Quando o filme começou, eu já fiquei animada pelo cuidado com os detalhes do tempo em que a história se passa. Eu, uma apaixonada por P&amp;B, me vi parando tudo que eu estava fazendo, ou tirava minha distração, para não conseguir piscar direito apenas porque o filme é muito rico de <em>tudo</em> existente no mundo do cinema. E é essa a principal coisa que eu gosto do A24. Eles trazem riqueza, mas essa riqueza é preço da autenticidade colocada em cada segundo de cena.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/864/1*X9GlnmYLAtSIXHG_ymR6KA.jpeg" /></figure><p>No começo, é muito forte a presença de um desconforto entre os dois personagens principais. O personagem de Pattinson, Ephraim Winslow, me lembrou aquelas pessoas de personalidade quieta, mas que também é simpática quando alguém lhe é primeiro. Já o personagem de Willem, Thomas Wake, nos parece ser um homem rabugento que não tem nenhuma vergonha de mostrar seu desconforto.</p><p>No desenrolar do começo do filme, passei a me questionar: Como que eu nunca pensei sobre como era a rotina de dois guardiões de um farol em uma ilha remota lidando com a solidão? Chega a ser muito curioso como alguém chegou a este pensamento e ideia para filme. Gostaria de parabenizar esse alguém pela ideia absolutamente fantástica, porque sinto que esse se tornou o novo filme no meu ranking pessoal de “<em>TOP 5 filmes com os roteiros mais fodas que eu já li em toda a minha vida!”</em></p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/864/1*Vmw4wBFYdv5yU5Ly5sEaeg.jpeg" /></figure><p>A maneira como ocorre o diálogo ao longos dos principais é interessantemente intrigante. A troca de respostas conflituosas torna todo o roteiro atraente. O fato de que nos primeiros 30 minutos de filme é possível ver o quanto Ephraim tenta a todo custo impor que é digno de respeito porque limpa e mantém a ordem doméstica do lugar, mas acaba levando uma resposta daquela bem no meio de seu nariz. Thomas será o personagem do pesadelo de qualquer ser humano na Terra se está pessoa tiver uma antipátia assombrosa de pessoas rudes. Porque, eu mesma, passei o filme todo me coçando de incômodo unido ao desconforto toda vez que o personagem até respirava.</p><p>A rotina do zelador é caoticamente cansativa. Mentalmente e fisicamente. Assistir a ele passar o dia puxando pesado na limpeza me fez cansar só assistindo. Porém, acredito que podemos ver uma quebra nesse cansaço por poucos minutos quando eles começam a ter o primeiro diálogo um pouco mais longo do que os do início do filme.</p><p>Minuto 00:39:13 me deixou levemente boquiaberta, mas <em>extremamente</em> intrigada. Os 2 minutos a seguir me deixam confusa, porque aqui percebo que Ephraim não é tão dócil e medroso como estávamos assistindo no começo. Ele tem muita raiva contida dentro de si, e o medo não o faz mover um músculo quando o assunto é confrontar Wake.</p><p>Ao chegarmos aos 43 minutos de filme, podemos ver a figura de Wake mudando o comportamento com Winslow ao encher o copo com álcool para que bebessem juntos. Bem que existe um velho ditado em que diz que homens se tornam amigos rápidos com álcool no sangue. Nos minutos a seguir somos surpreendidos pelos dois conversando como se fossem amigos, a parede do desconforto e incômodo some por pouco tempo tendo até direito a Wake dizer para Winslow o chamar de “Tom” e os dois brindam pela última vez com Ephraim dizendo: “Ao meu amigo Tom”.</p><p>Dia seguinte, daquele jeitão! O cara teve que acordar para fazer o zelo do lugar de ressaca. Todo trabalhador se identificou aqui. Te entendo, caro Winslow. Em seguida, o coitado encontra uma sereia. Isso mesmo, <em>uma sereia</em> e ele sai correndo mais apavorado que eu quando chega o momento de pagar minha fatura do mês.</p><p>Gostaria de ressaltar o quanto eu fiquei encantada esse filme pode facilmente ser usado em aulas sobre técnica de cinema. Técnicas cinematográficas expressionistas foram usado para criar uma atmosfera claustrófobica. O simples fato de que filtros ortocromáticos antigos foram usados junto ao preto e branco no formato do filme me deixou mais apaixonada pela maneira cirúrgica em que o filme foi construído para que prendesse a atenção do espectador. E eles conseguiram. Durante o filme, eu me via fixada assistindo Winslow bêbado sendo desbocado ao conversar com Thomas.</p><blockquote>“O quê?”</blockquote><blockquote>“O quê?”</blockquote><blockquote>“O quê?”</blockquote><blockquote>“O quê?”</blockquote><blockquote>“O quê?”</blockquote><blockquote>“O quê?”</blockquote><blockquote>“O quê?”</blockquote><blockquote>“O quê?”</blockquote><blockquote>“O quê?”</blockquote><blockquote>“O quê?”</blockquote><blockquote>“O quê?”</blockquote><blockquote>“O quê?”</blockquote><blockquote>“O quê?”</blockquote><blockquote>“O quê?”</blockquote><blockquote>“O quê?”</blockquote><blockquote>“O quê?”</blockquote><blockquote>“O quê?”</blockquote><blockquote>“É o que estou dizendo.”</blockquote><blockquote>“Esse é o seu problema.”</blockquote><blockquote>“Esse é o seu problema.”</blockquote><blockquote>“O seu!”</blockquote><blockquote>“O seu!”</blockquote><blockquote>“Não!”</blockquote><blockquote>“Eu quero um filé! Eu quero um filé!”</blockquote><p>Esse foi um momento de quebra no filme. Fiquei pensando se levava eles a sério ou não. Logo, eles entram em uma pequena discussão em que o Dafoe nos apresenta um monólogo perfeito com:</p><blockquote>“Ouça, Tritão, ouça!</blockquote><blockquote>Brame, e ordene que nosso pai, o rei</blockquote><blockquote>dos mares, se erga das profundezas, pleno</blockquote><blockquote>de fúria em toda sua imundície, ondas negras</blockquote><blockquote>transbordando de espuma salgada, para sufocar</blockquote><blockquote>esta boca jovem com limo</blockquote><blockquote>pungente…</blockquote><blockquote>…para te afogar, engurgitando tuas</blockquote><blockquote>entranhas até que fiques azul e</blockquote><blockquote>inchado de água podre e salmoura e</blockquote><blockquote>não possas mais gritar… só quando,</blockquote><blockquote>ele, coroado de cracas com</blockquote><blockquote>cauda tentaculada e serpenteante e</blockquote><blockquote>barba fumegante, erguer seu sinistro</blockquote><blockquote>braço escamado — seu tridente</blockquote><blockquote>de coral risca o ar como um banshee no</blockquote><blockquote>temporal e te atravessa a garganta,</blockquote><blockquote>rompendo-te, uma bexiga estufada</blockquote><blockquote>que não és mais, mas uma película</blockquote><blockquote>ensanguentada e destruída agora — um nada para</blockquote><blockquote>as Harpias e as almas dos marinheiros mortos</blockquote><blockquote>bicarem e dilacerarem e se alimentarem,</blockquote><blockquote>só para ser lambido e engolido pelas águas</blockquote><blockquote>infinitas do próprio imperador terrível,</blockquote><blockquote>esquecido por qualquer homem, por qualquer tempo,</blockquote><blockquote>esquecido por qualquer deus ou demônio,</blockquote><blockquote>esquecido até pelo próprio mar… pois</blockquote><blockquote>qualquer substância ou parte de Winslow, até</blockquote><blockquote>o mínimo fragmento de tua alma,</blockquote><blockquote>não é mais Winslow, mas é agora ele mesmo”</blockquote><p>Fiquei perplexa por alguns segundos, porque isso daqui foi um trabalho excelente de um ator fodástico. Tenho que parar de fingir surpresa sempre que vejo um filme com ele e ele entrega o personagem complexo melhor interpretado em cada obra.</p><p>Uma coisa que me agradou visualmente foram a forma como algumas cenas das paisagens foram bem trabalhadas. O mar. As aves. O plano americano para mostrar o ambiente ao redor da residência dos faroleiros. Quando o preto e branco é usado como um complemento principal da fotografia do filme. As sombras também são uma parte absurdamente bem trabalhadas e posicionadas em toda a fotografia que o filme carregada como parte de sua identidade.</p><p>Agora, algumas das cenas eu fiquei levemente confusa e muito “WTF IS HAPPENING HERE?” são as cenas do Ephraim pique <em>s3rial k1ll3r</em> lunático e logo em seguida caía no nosso colo uma cena dele cantando <em>completamente</em> alcoolizado com o Wake. Acho que a solidão pode ter feito com que Thomas começasse a ver Winslow um pouco como um ser humano que também estava aprendendo a lidar com aquele cotidiano solitário em que estava se inserindo ao aceitar o trabalho como zelador.</p><p>Inclusive, a cena deles abraçados dançando enquanto Thomas cantarola uma música e logo em seguida eles vão para um <em>mano-a-mano</em> é bem confusa. Mas eles estão bêbados, é o que faz a cena ter sentido. Homens bêbados fazendo coisas de homens bêbados.</p><p>Em alguns minutos a frente, vem a cena que me deixou desconcertada (no sentido “caralho, esse filme é uma maluquice!” da coisa).</p><blockquote>“Jesus, Maria e José, Tommy. Ontem à noite você fez uma confissão que faria um santo blasfemar. Eu não tenho nada pra confessar, mas você, Tommy, abrindo o bico assim… olha o que isso te fez. Te deixou louco. Eu já sabia que você tava louco quando destruiu o bote agora há pouco, me perseguindo com um machado, tentando matar o Velho Tom. Você não confia em mim, Tommy?</blockquote><blockquote>É melhor me entregar a faca de mesa que você enfiou no bolso. Você não tá seguro com ela.”</blockquote><p>O filme começa a explorar uma parte em que eu começo a questionar mentalmente sobre eu ter prestado atenção no filme ou o Thomas é um grande manipulador ou se o Winslow está tão isolado naquela ilha que ficou paranoico. Coisa essa que eu vim perceber apenas com 1:22:27 de filme. O comportamento dos personagem era um grande sinal do quanto a falta de suprimentos, do resgate à vista, afetados pelo isolamento e perdendo a sanidade.</p><p>Singular seria a palavra exata para descrever toda essa obra.</p><p>Singularmente penetrante.</p><p>Singularmente misterioso.</p><p>Singularmente visceral.</p><p>25 minutos para o fim e temos a cena em que chove dentro da casa. Enquadramento deliciosamente satisfatório para mim. Tudo nessa cena teve minha atenção — tirando a parte em que Winslow vomita na água em que está agachado. Nojeira tem limite, mas entendo que foi necessário para tornar a cena o mais realista possível. — , a maneira como a iluminação e sombras se comportaram na cena foi naturalmente prazerosa de assistir. Tudo estava devidamente seu lugar, e eu adorei isso.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/864/1*6FQiIL7JSA6B-xBqipKgYA.jpeg" /></figure><p>Confesso que os minutos restantes do filme foi uma completa aula de atuação. Um filme imersivo o suficiente para que você sinta raiva que o personagem parece conseguir estender-se através da imagem da tela.</p><p>Os 13 minutos finais me pegam muito de surpresa com a cena em que Winslow passa a tratar Thomas como um cachorro. Sim, <em>literalmente</em>, como um cachorro. E quando ele manda o Wake entrar no buraco e começa a enterrar ele vivo e depois desenterra apenas para pegar as chaves do farol? Subiu para a cena nº 1 que me deixou em choque depois da cena em que Ephraim mata uma das aves só batendo ela em um muro.</p><p>Definitivamente tenho um filme favorito nesse ano de 2026, e olha que O Farol foi lançado em 2019. Que filme fantástico e visualmente digno das minhas 1 hora e 49 minutos investido. A24 mais uma vez me surpreende com seu domínio cinematograficamente autêntico.</p><blockquote>“Se a morte pálida, com tríplice terror,</blockquote><blockquote>fizer das grutas do oceano nosso leito,</blockquote><blockquote>ó Deus que ouves o troar das ondas —</blockquote><blockquote>digna-te salvar a alma suplicante.”</blockquote><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=d4bf2690b327" width="1" height="1" alt="">]]></content:encoded>
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            <title><![CDATA[RASCUNHO | C4: Dia de mercado (Otto)]]></title>
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            <dc:creator><![CDATA[Maddu Barboza]]></dc:creator>
            <pubDate>Tue, 12 May 2026 14:41:35 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2026-05-12T14:43:31.382Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<h4>trecho do capítulo 4 do livro que estou escrevendo.</h4><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/1*U-1T0NG6HLaRw4UM_nmceA.jpeg" /></figure><p>— Eu acho que é isso que eu quero fazer.</p><p>— Beber coco no meio-fio?</p><p>— Prestar atenção.</p><p>Otto olhou para ela. Ela estava séria do jeito que ficava séria quando dizia algo que parecia simples mas não era.</p><p>— Prestar atenção em quê?</p><p>— Em tudo que as pessoas deixam escapar sem querer. Aquele homem cantando. O feirante que sabe o nome da fazenda onde o queijo foi feito. A senhora que chegou antes da gente e já tinha escolhido os melhores mamões. — Ela fez uma pausa para dar um gole longo no coco. — Tem muita coisa acontecendo o tempo todo que ninguém para para ver.</p><p>— E você quer parar para ver.</p><p>— Eu quero parar para ver porque eu também quero guardar.</p><p>Otto não soube o que dizer na hora. Disse alguma coisa boba, provavelmente, alguma coisa do tipo então vai fazer jornalismo ou então vai fazer cinema, e Edith deu de ombros como quem diz que o nome não importa tanto quanto a coisa.</p><p>Agora ele sabe que ela estava certa.</p><p>Agora ele sabe muita coisa que não sabia naquele meio-fio. Sabe, por exemplo, que aquela foi uma das últimas manhãs realmente leves que passaram juntos antes de tudo ficar mais complicado; a faculdade, os projetos, a vida se arrumando em formas que tomam tempo. Sabe que ele nunca devolveu o disco que pegou emprestado e que isso vai ficar com ele para sempre de um jeito que não tem conserto.</p><p>Sabe também que quando ouve alguém cantando sem querer — no mercado, na rua, em qualquer lugar — para um segundo.</p><p>Não por ela, exatamente.</p><p>Mas por causa dela.</p><p>Que é quase a mesma coisa, e é completamente diferente.</p><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=03e00fbf6fcf" width="1" height="1" alt="">]]></content:encoded>
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            <title><![CDATA[inventário]]></title>
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            <category><![CDATA[medium]]></category>
            <dc:creator><![CDATA[Maddu Barboza]]></dc:creator>
            <pubDate>Thu, 30 Apr 2026 00:02:40 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2026-04-30T00:02:40.378Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<h4>“meu bem, eu vivo da minha emoção” — luiz barata.</h4><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/1*v9eECYs4b1idUPXIIh5DTA.jpeg" /><figcaption>Foto: Maddu Barboza, 2026.</figcaption></figure><p>É uma estranheza mansa, quase confortável, esse jeito que a vida assume quando a gente se desprende do que foi bom para caminhar, tateando no escuro, em direção a uma ansiedade que não tem nome, mas tem o brilho novo das coisas que parecem mágicas. Sinto agora aquele frio de sempre, um velho conhecido revirando o estômago, o mundo soprando no meu ouvido que é tempo de amadurecer, de evoluir, enquanto o que eu desejo se desenha exatamente como aquilo que venho lutando para ter, no silêncio de mim, em parcelas que quase ninguém vê. A gente brinca de acreditar que o destino é justo com os bons, mas no fundo sabemos que a vida gosta mesmo é de testar as almas puras com peças pregadas no escuro, só para ver se elas resistem. Quando choro, não é só tristeza, é uma lavagem lenta, um jeito de limpar o sangue dessas feridas internas que carrego e são tantas, por isso esse mar nos olhos. Sinto que me torno intolerante, um pouco mais bruta a cada sol que se põe; não provoco, mas se me tocam, deixo que pensem que me alcançaram, quando na verdade já estou longe. Tenho confiado tanto nessa que me tornei que virei parede, pedra fria, concreto pesado onde não cabem certezas confusas, porque já tive incertezas decididas demais dentro do peito. Olho para uma criança e me pergunto o que ela vê, que perguntas ela faz, porque em mim a inocência se perdeu faz tempo, escorreu por entre os dedos. Tive paixões, sim, mas nenhuma que me deixasse descansar no conforto de apenas ser; eu gosto desse meu jeito, dessa mulher de cabelos cor de fogo que aperta com força os pesos do mundo. Um homem de óculos me pergunta, rindo, se sou estoica, e eu penso que estranho seria se não fosse; ele nunca lerá isso, mas fica aqui, eternizado no papel, porque escrever é o meu jeito de não deixar ninguém morrer. Gente que eu já tinha esquecido voltou para me provar pontos que eu desconfiava em mim e eu aceito todos, não nego nada, nem o medo do erro que me assaltou por um segundo antes de eu lembrar que errar é o que nos faz humanos e mandar esse medo de volta para a escuridão do túnel. Fotografar a vida tem esse mesmo vento que soprava no jardim dos meus pais lá em Beberibe, um vento calmo que às vezes vira vendaval e, quando a chuva chega, eu percebo que não há metros quadrados suficientes no mundo para conter essa minha melancolia que escorre por este texto. Quanto de mim sobrará depois que essas palavras forem ao mundo? Muitos não entenderão, não por falta de leitura, mas por falta de mim, por esse desencontro de almas, essa falta de tato, de afeto e de reconhecimento que a gente encontra pelo caminho.</p><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=a3b1f2bcbe0e" width="1" height="1" alt="">]]></content:encoded>
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            <title><![CDATA[Quase meio-dia.]]></title>
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            <dc:creator><![CDATA[Maddu Barboza]]></dc:creator>
            <pubDate>Tue, 28 Apr 2026 16:31:02 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2026-04-28T16:31:02.152Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<h4>Escrevo no banco de trás de um carro qualquer, desses que a gente chama por um aplicativo e que nos transportam como mercadorias em trânsito.</h4><p>O asfalto corre sob os pneus, e eu vou à deriva, a caminho de algum lugar que chamam de trabalho. Dois garotos atravessam a faixa de pedestre correndo após sair da escola; as mãos deles se encontram com as grades da bodega. O velho que sorri para eles conhece o segredo: ser cliente fiel é uma forma de pertencer a alguém.</p><p>Os pés estão calçados com chinelas de cabo vermelho e solado gasto. O sol de Fortaleza não queima apenas a pele; ele descasca a alma até que sobre apenas o osso, o brilho, o verde dos olhos de um deles. Onde terminam os meninos e começam os becos? Eles acenam para outras crianças como quem distribui pedaços de um tempo que parece que nunca vai acabar. Mas acaba. Eu sei que acaba.</p><p>Me pergunto qual a idade dessas crianças; se gostam de ler, escrever e qual é a sua matéria preferida da escola. Espero que alguma delas sinta interesse genuíno pelo estudo. O que eles aprendem na escola? Eu só aprendi a ler quando as letras pararam de ser símbolos e viraram feridas.</p><p>Minha atenção é levada para um acidente poucos metros dos garotos. O caminhão tocou o motoqueiro. Há sangue, há um pé ferido, há o meio-fio. E há cinco pessoas em volta. A solidariedade de um desastre. Olhamos para a dor do outro para nos certificarmos de que ainda estamos inteiros. Mas ninguém está inteiro.</p><p>O carro corre. Passo pela base militar, pela praia, pela estátua da Santa. Edwiges me olha com seus olhos de gesso enquanto eu lembro do festival de música. O trap. O rap. Aquela massa de gente gritando por Matuê. Ele sabe que é bom, e essa certeza é quase uma agressão. Eu fui lá para ver o que era a vida dos outros e descobri que a vida dos outros cansa. É preciso muito esforço para ser jovem e fã de alguma coisa.</p><p>Enquanto me distraio escrevendo, passamos pela BECE e pelo Dragão do Mar. Dois locais que estão na minha lista preferida de lugares para passar horas na minha cidade. Os azulejos azuis da igreja na Monsenhor Tabosa são belíssimos.</p><p>Sinto fome. Ou será desejo? É um mal que me habita: sinto o vazio do estômago, mas o apetite me escapa. Quero comer o mundo, mas não consigo mastigar um grão de arroz. É uma fome de espaço. Sou uma mulher que ocupa muito lugar dentro de si mesma. Não me deem cubículos. Eu preciso de salas onde meus pensamentos possam ecoar sem bater nas paredes. Quero morar sozinha para ver se, no silêncio, eu finalmente me encontro ou, talvez, me perco de vez.</p><p>Ontem falei sobre o tarot com o Vinicius. Quero ler as cartas para ver se o destino tem uma caligrafia melhor que a minha. Aprendi a cuidar da minha energia, a não entregar as minhas pérolas aos porcos, embora os porcos também tenham o seu direito de existir. Ensinar a receber é um ato de caridade que eu ainda não domino, mas venho praticando para provar a mim que também sei ensinar algo.</p><p>Meus olhos doem. Não sei onde estão os óculos. Talvez a cegueira seja o meu estágio final de fome. Se eu comer, a visão volta? Ou será que eu vejo demais e, por isso, preciso comer para esquecer?</p><p>Terei de comer.</p><blockquote>Nos últimos dias, tenho passado por mudanças drásticas, reencontros significativos e construção de um destino que parece ter se moldado sem que eu percebesse. Sou grata a todos que estiveram ao meu lado, apoiando (mesmo não sabendo que estavam me dando o apoio necessário que eu precisava) e cuidando de mim. Tenho escrito pouco, mas o pouco que escrevo é muito em sentimento.</blockquote><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/1*IMIj5FQ70axhhymB-mBr4g@2x.jpeg" /><figcaption>lado direito do meu quarto, onde existem livros, cristais energizados, um instrumento musical o qual não toco com frequência, um espelho qual tenho usado pouco, quadros pintados por mim e que não sei o que fazer com eles e qual destino os dar.</figcaption></figure><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=201571db9f9f" width="1" height="1" alt="">]]></content:encoded>
        </item>
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            <title><![CDATA[i’m de aqui.]]></title>
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            <category><![CDATA[poesia]]></category>
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            <dc:creator><![CDATA[Maddu Barboza]]></dc:creator>
            <pubDate>Mon, 13 Apr 2026 15:22:06 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2026-04-13T15:22:06.657Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<h4>i’m from fortaleza, meu fi!</h4><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/1*MOWqCpln2jpBZStkYQ8q5A.jpeg" /></figure><p>i grew up in a beach city,</p><p>we have beautiful places,</p><p>beautiful people,</p><p>beautiful hearts.</p><p>i never knew what should i do here,</p><p>even when i’m in many places every day.</p><p>our music is pure,</p><p>this warms my heart.</p><p>i know speak english many years,</p><p>but nothing is like speak</p><p>meu bonito português,</p><p>meu bonito dialeto,</p><p>meu bonito sotaque.</p><p>dizem que a gente do ceará fala cantando,</p><p>mas eu já acho que a gente canta falando.</p><p>demorei muito para entender que meu forte não era saber falar uma segunda língua,</p><p>meu forte é meu sotaque,</p><p>é o meu “oxe”,</p><p>é o meu jeito desenrolado de dizer “mancho”,</p><p>é a forma como a gente acolhe o de fora como se já fosse um nosso.</p><p>eu quero mostrar o que é daqui,</p><p>porque um dia eu vou sentir saudades da minha cidade.</p><p>e quando eu lembrar dela,</p><p>eu vou ficar muito feliz por lembrar que eu sou daqui.</p><p>fortaleza,</p><p>minha terra,</p><p>minha casa,</p><p>minha mãe,</p><p>meu lar.</p><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=acd872c6a89d" width="1" height="1" alt="">]]></content:encoded>
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            <title><![CDATA[Incalculável]]></title>
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            <dc:creator><![CDATA[Maddu Barboza]]></dc:creator>
            <pubDate>Sun, 12 Apr 2026 21:52:06 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2026-04-12T21:52:06.631Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<h4>Ter mente e ter sentimento é coisa que Deus fez para nos testar a paciência. É um arranjo bonito, mas que aperta o peito da gente.</h4><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/1*Mr7TAyYuEfMbCstgbX4MEg.jpeg" /></figure><p>Ligo o rádio e lá vem Tim Bernardes. É um transporte imediato. A música toca e eu já não estou mais aqui, estou nos “nossos momentos”. Engraçado que, quando tento escrever sobre você, a escrita sai sem enfeite. Eu, que gosto das palavras, não encontro filosofia nem profundidade. O que escrevo sobre você é cru, como carne no balcão. Não tem tempero, não tem termo difícil. É o que o coração dita e a mão obedece.</p><p>Andei calada esses dias. Guardei as palavras antes de deixá-las voar. Me enfiei num casulo de timidez, coisa que nunca foi do meu feitio. Não sei por que me escondo agora, se a vida sempre me quis do lado de fora.</p><p>As coisas ficaram aqui dentro, se fazendo de amigas da minha solidão. Pensei muito e escrevi nada. Acho que foi porque, na semana que passou, me faltou aquele olhar de menina curiosa para as coisas do mundo. A vista cansou.</p><p>As pessoas continuam as mesmas. E a saudade das que já foram… ah, essa me empurra com mais força do que o meu querer de viver o hoje. Fico pensando: será que um dia a memória vira poeira e me deixa em paz?</p><p>Dou o desconto para a minha idade. Aos vinte e um anos, a gente tem esse direito de achar que o mundo acaba numa coisinha de nada.</p><p>Dizem que tem Copa do Mundo. Que seja. Faz quatro anos que eu não sei o que é me arrepender. Decidi que não nasci para viver em fôrma de pudim, seguindo padrão que só me trazia tristeza. Sofri? Sofri. Tive angústia e dor de chorar no escuro. Mas arrependimento, não. As coisas são o que são. Tudo acontece debaixo da vontade do céu.</p><p>Será que eu pego o telefone e ligo? Olho para as mãos, olho para o aparelho. Não.</p><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=c562b28a5cf6" width="1" height="1" alt="">]]></content:encoded>
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            <title><![CDATA[“Ângela tem em si água e deserto.”]]></title>
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            <category><![CDATA[medium]]></category>
            <dc:creator><![CDATA[Maddu Barboza]]></dc:creator>
            <pubDate>Tue, 07 Apr 2026 20:47:32 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2026-04-07T21:06:29.486Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/1*QvWCMySGbo44aAUKQf-qXg@2x.jpeg" /></figure><p>Às vezes, me sinto Ângela. Carrego em mim águas de desertos que sequei. Eu poderia me banhar com esta água, mas vivo de uma sede teimosa que insisto em manter-me ao longo do tempo. Já não sei se por teimosia própria ou por desconhecido do ser que há muito tempo tento ser — e que não sei se um dia tornarei a ser.</p><p>Este é um dos rascunhos mais sinceros que escrevi em toda a minha vida. Comecei a ler “Um sopro de vida” de Clarice Lispector, e mais uma vez — admito ser uma grande fã — vi a mim mesma nas palavras que ela juntou como forma de buscar o próprio desconhecido de seu ser.</p><p>Poderia gastar todo meu tempo restante no laboratório de estudos da faculdade para dizer o quanto estou com fome enquanto digito com uma pressa faminta neste teclado, mas já o fiz antes mesmo de dar-me conta do que não poderia ter dito ou feito.</p><p>Agora, neste laboratório cheio de computadores, ocupam espaços individuais eu, Guilherme (do curso de direito, não sei em qual semestre ele está, mas sei que ele frequenta a mesma igreja que minha prima e quando entrei no laboratório uma hora atrás ele falou meu nome com certo anseio de estar errando o nome de uma pessoa), Bianca (uma colega de turma da qual eu aprecio muito seu estilo de vestir-se para vir às aulas, uma mulher muito da autêntica, posso ser honesta em confessar isto), e três mesas à frente tem um rapaz do qual desconheço nome, personalidade, curso, trajetória que está dormindo em cima do próprio notebook após chegar neste espaço. Opa, acrescento aqui que uma mulher de cabelos cacheados, óculos bege, usando uma camisa da mesma cor, acaba de adentrar a sala LI32. À minha direita tem as coisas de uma mulher loira, que também não sei o nome, que entra e sai direto da sala.</p><p>Honestamente, não sei porque escrevo este texto. Eu deveria voltar a concentrar-me na matéria da prova que terei em uma hora, mas não consigo fazer nada a não escrever após dias reclusa em minha própria maneira de ser e viver.</p><p>Passamos da Páscoa. Não sou uma cristã assídua. Arrisco-me em dizer que já não sei se sou cristã. Nunca me denominei assim. Leio a bíblia, sim. Sei algumas músicas louváveis, sim. Mas prefiro o que não me é sacramentado do santo. Prefiro o que olho e vejo uma certa espiritualidade reconfortante após tantos anos tentando encontrar-me nestes dogmas que ainda me são desconhecidos.</p><p>Perdoem-me pelos erros gramaticais. Meu tempo é curto por agora. Sinto fome. Passaram-se 15 minutos desde que comecei meu desabafo em forma de escrita. Aqui sinto que não serei tão julgada como se estas palavras me saíssem da boca. Tenho certa preguiça do mundo de agora. Sinto que fui lançada em uma reencarnação que terei de lutar contra o que não me é confortável para enfim livrar-me do ciclo cármico que venho arrastando comigo de outras vidas.</p><p>Neste semestre penso sobre tantas coisas que questiono a mim internamente se devo dar continuidade à escrita de um livro que parei apenas na dedicatória. Me seria mais fácil começar o livro pelo capítulo final, assim não viveria nesta ansiedade que é viver. Sinto que morri em várias noites de sono, mas não prolongarei o papo pesado, porque agora juntarei minhas coisas e subirei ao quinto andar, onde tentarei arrastar minha sanidade para uma prova de uma matéria que tenho uma certa afinidade.</p><p>fica com você, bial.</p><p>xêro.</p><p><em>07/04/2026, às 17:45, Uni 7 — Centro Universitário 7 de Setembro, por Maria Eduarda Barboza de Carvalho.</em></p><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=eda9a29590e1" width="1" height="1" alt="">]]></content:encoded>
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            <title><![CDATA[quando que sei que é hora de voltar para casa?]]></title>
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            <category><![CDATA[literatura]]></category>
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            <dc:creator><![CDATA[Maddu Barboza]]></dc:creator>
            <pubDate>Thu, 02 Apr 2026 16:19:20 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2026-04-02T16:19:20.901Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<h4>para aqueles que estão longe de casa e não sabem quando é hora de retornar.</h4><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/1*GH8ArTaQAA3cGf74YGMmMw.jpeg" /></figure><p>Quando jovem, tive o prazer de comprar um barco. Usei o dinheiro de um carro velho que tinha e vendi. <em>Adfinitas</em> era seu nome. Sim, meu barco se chamava <em>Adfinitas</em>. O nome surgiu quando o vi pela primeira vez e senti uma afinidade quase que imediata.</p><p>Luigi, o antigo dono, estava em sua última viagem com o barco antes de decidir vendê-lo. Os filhos não tinham o mesmo desejo de velejar do pai. Lembro-me de uma conversa que tive com ele sobre o motivo que o levou a decidir vender o barco para um completo desconhecido — que era eu para ele.</p><p>O italiano riu na minha cara e apenas me respondeu: “Quando o olho de alguém brilha para uma paixão, não podemos fazer nada a não ser permitir que essa paixão seja vivida, <em>bambino</em>.”</p><p>Só tive compreensão de suas palavras quando fiz parada em Granada, na Espanha, e me apaixonei por uma dançarina de flamenco que tocava saxofone melhor do que dançava. Francesca Bianco foi uma grande responsável pelo meu amor por jazz. Acabei ganhando o saxofone de seu irmão antes de partir para Toulouse, na França.</p><p>Toulouse foi um dos lugares mais surpreendentes por onde passei. Seus tijolos rosas eram encantadores, mas nada superaria a loja de antiguidades do senhor Damien Lou. Para um jovem que cresceu dentro de um ambiente limitado, as antiguidades daquela loja foram, sem dúvida, uma verdadeira aula de arte.</p><p>O velho francês dedicou algumas tardes para me mostrar que nem tudo deveria ter uma utilidade dentro de casa. Por tanto tempo em minha vida, acreditei que tudo que se comprava para uma casa deveria ter sua devida função. Tudo isso caiu por terra após conhecer Damien. Despedi-me dele levando na bagagem um quadro feito por um artista local — presente de Lou, que recusou permitir minha partida sem que eu levasse um “simples” souvenir.</p><p>Cruzei a França para chegar em Frankfurt, onde finalmente mergulhei em tantos livros que, quando cheguei em Kiel, na Alemanha, fiquei me questionando o que me levara até ali. Absolutamente nada. A Alemanha foi um lugar que me fez sentir grande saudade de casa. Já faziam meses que não via meus pais e, sendo o filho que estava longe, pude entender o quanto havia crescido. Um adulto independente, como diria tia Carmen em uma das cartas que recebi enquanto estava em Pattaya, na Tailândia.</p><p>Passei cerca de dois meses apenas na Tailândia. Recusei-me a me despedir tão rápido de lá. Que cultura rica. Enquanto estive pelo país, embriaguei-me de toda a cultura tailandesa. Durante minha estadia em Chiang Mai, conheci um restaurante da família Jiratchapong. Phuwin, o filho mais novo, me explicou como funcionava o uso dos nomes tailandeses e por que o país inteiro fazia uso de apelidos ao invés do nome real — uma proposta aceitável, dado que os nomes na Tailândia são quase gigantescos e muitos dos estrangeiros que visitam o país não conseguem pronunciá-los com facilidade.</p><p>No restaurante dos Jiratchapong foi onde fiz minhas melhores refeições de todos os países por onde passei. O <em>Som Tum</em> feito por Khao, o filho mais velho, era como almoçar com amigos de longa data. Também experimentei o <em>Pad Thai</em> que Pran, o pai dos garotos, fazia. Simplesmente como sentar à mesa com os deuses e jantar após um longo dia.</p><p>Quando decidi me despedir do país, questionei-me por longas semanas o motivo de os Jiratchapong serem desconhecidos. Fiz questão de mencioná-los a cada conversa com outros cidadãos estrangeiros ao passar pelos outros países, até chegar em Lima, no Peru.</p><p>Agora eu finalmente estava perto de casa. Mas a saudade do café da minha mãe continuava a mesma — e parecia crescer ao invés de diminuir. Para minha sorte, meu primo Daniel estava de passagem pela cidade no mesmo período que eu, e pude, mesmo que brevemente, matar um pouco da saudade de um rosto conhecido. Pela primeira vez em meses não precisei me apresentar ou explicar que sou um viajante que navega ao redor do mundo.</p><p>Ao me encontrar com Dan em um café próximo a um museu, ele me atualizou sobre a situação de nossa família no Brasil. Contou-me que tia Dora já não faz mais parte da igreja evangélica que, por anos, foi o lugar mais frequentado por ela. Fui pego de surpresa quando ele disse que ela, agora, frequenta terreiros de candomblé e faz oferendas para os orixás.</p><p>Conheci tantos lugares ao redor do mundo e vejo, por meio dessas atualizações, que minha tia também evoluiu. O mais velho me conta que minha partida mexeu com o movimento da família.</p><p>Tio Roger, pai de Daniel e Gio, viu meu plano de viagem como inspiração para começar algo novo e matriculou-se em aulas de tênis — paixão antiga sua de quando ainda era apenas o namorado de tia Dora.</p><p>Minha mãe voltou a pintar quadros para preencher as manhãs em que bebíamos café juntos lendo livros, e meu pai começou a escrever em um caderninho — hábito que ele tomou de mim para lembrar de tudo que gostaria de me contar nas cartas que recebi ao longo das viagens.</p><p>Quando terminamos de tomar nosso café, era hora de Daniel me encarar e fazer a pergunta que eu sabia que, havia duas horas, era seu desejo ao me ver após tantos meses.</p><p>“Quanto tempo vai demorar para voltar para casa?”</p><p>Daniel era meu irmão. Nunca consegui vê-lo apenas como primo. Quando nasci, Dan tinha cerca de dois anos. Nossos pais contam que ele era apegado a mim desde que a gravidez havia sido anunciada para toda a família. Quando nasci, ele dormia ao lado do meu berço no hospital e passou a brincar comigo antes mesmo que eu aprendesse a falar ou andar. E eu sabia que aquela pergunta era o sinal da vida me avisando que estava na hora de voltar para casa.</p><p>Cerca de um mês e meio após esse encontro, eu estava descendo do meu barco na praia de Cabedelo.</p><p>Tia Dora foi a primeira a me apertar nos braços e beijar-me o rosto entre lágrimas, dizendo o quanto fiz falta. Tio Roger foi o próximo a me abraçar e dizer que estava extremamente feliz pelo meu retorno.</p><p>Eles me levaram para casa, onde fui recebido com churrasco e música alta. Meus pais só me soltaram na hora de dormir — e mesmo assim, fui eu quem não quis soltá-los. Como fazia quando era apenas um menino, fugi para a cama deles e dormi no meio dos dois, em um abraço familiar que não encontrei em nenhum dos lugares em que pisei nos últimos meses.</p><p>Estava em casa.</p><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=3de334c78899" width="1" height="1" alt="">]]></content:encoded>
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            <title><![CDATA[A grande estrela do meu caminho]]></title>
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            <category><![CDATA[textos]]></category>
            <category><![CDATA[literatura]]></category>
            <category><![CDATA[medium-brasil]]></category>
            <category><![CDATA[literatura-brasileira]]></category>
            <category><![CDATA[brasil]]></category>
            <dc:creator><![CDATA[Maddu Barboza]]></dc:creator>
            <pubDate>Sat, 28 Mar 2026 03:34:58 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2026-03-28T03:46:07.718Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<h4>escrito pelo heterônimo Lua Marino.</h4><p><em>João Carlos “Juca” Barros faleceu aos 64 anos, na manhã de 2 de setembro, em seu quarto, em casa, no bairro da Varjota. Deixou para trás uma coleção pessoal de diários, um piano de madeira russa, manuscritos de livros que planejava publicar, três filhos, uma ex-esposa — de quem ainda era grande amigo — , dois irmãos, uma casa em Canoa Quebrada, um estúdio de pintura no Ceará e uma herança estimada em milhões de sentimentos reais.</em></p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/1*ucWj3lR949qo-BGN0D1qqg.jpeg" /></figure><p>O manuscrito favorito escrito por ele se chamava “Estrela do Meu Caminho”. Costumava nos dizer o quanto queria lançá-lo antes que a doença tomasse seu corpo todo. Infelizmente, ele não foi tão rápido, mas deixou-nos como missão fazer esse sonho acontecer. Lembro-me de encontrá-lo — certa vez — sentado em uma das mesas da BECE, em Fortaleza. Ele encarava a árvore do estacionamento e tinha o caderno azul de sempre aberto, com sua caneta preta sobre a página preenchida pela metade — hábito seu quando já não sabia o que escrever e escolhia observar o redor.</p><p>“É bonito, não é?”, ele perguntou, percebendo minha presença antes mesmo que eu me pronunciasse. “Seu pai adorava vir aqui.”</p><p>“Eu não sabia disso”, respondi, ocupando a cadeira ao seu lado.</p><p>“Tu não sabe de muita coisa, Lua”, apontou para o teto vermelho do Dragão e sorriu pequeno. “Quando tu era pequena, dizia que ia expor teus registros aqui. E cadê eles? Ainda não vi, menina.”</p><p>“Eu não fotografo mais.” Não havia desconforto na minha resposta, mas eu não sabia o que esperar da reação dele.</p><p>“Perdeu o tesão pela coisa?” Sua risada me pegou de surpresa. “O quê? É normal perder o tesão pelo nosso talento quando a vida chama a gente para explorar outras áreas.”</p><p>Aquela conversa ficou presa dentro de mim por semanas. Procurei pelas câmeras de meu pai nas caixas da despensa assim que cheguei em casa. Limpei todas, comprei filmes novos e, às câmeras digitais, dei uma manutenção preciosa. Voltei a fotografar. Juca estava certo — como sempre. A gente, realmente, acaba perdendo o tesão pelo talento quando a vida nos chama para conhecer outros setores.</p><p>Pelas próximas três semanas, fotografei de tudo. O que sentia simpatia, o que me causava agonia ou desconforto, animais, famílias, moradores de rua, prédios, casas antigas, museus, meus irmãos, pais, primos, avós, amigos e colegas. Todo mundo. Voltei a estudar sobre composição de imagem, resgatando as técnicas que desaprendi com o desgaste do tempo.</p><p>Ainda existia talento em mim, mas precisei que Juca me jogasse um balde de água fria para que eu me lembrasse disso. Vou sentir falta da presença dele nos meus dias; ele acabou se tornando uma figura paterna. Meu padrinho tinha um coração gigante e uma mente brilhante. Quando lhe contei que decidira cursar Jornalismo, ele chorou e desconversou, dizendo que eu havia escolhido um caminho horroroso; depois sorriu e agradeceu por eu decidir dividir a mesma profissão.</p><p>O primeiro presente que ele me deu — de que me lembro — foi um livrinho amarelo de capa dura, acompanhado por uma caneta-tinteiro de corpo robusto, também amarela. Ele sempre soube dar ótimos presentes. Ao longo da vida, foi o melhor padrinho do mundo; deu-me tantos livros que acredito que 46% da minha biblioteca sejam obras que ele me presenteou ou recomendou.</p><p>Quando meu filho Enrico nasceu, ele foi um dos primeiros a telefonar para o apartamento perguntando se estava tudo bem, se o “rapazinho” tinha nascido forte e se parecia com o “gringo bonito” — era assim que ele chamava meu marido, o italiano Francesco. Na segunda visita de Enrico, quando retornamos para casa, Juca ficou ao lado do berço lendo <em>As Veias Abertas da América Latina</em> para o garotinho de cabelos pretos e olhos verdes. Dizia que Enrico precisava conhecer o gênio que foi Eduardo Galeano; eu concordo com ele.</p><p>Recebi a notícia de sua partida antes de meu pai e tive que me preparar para contar que seu grande amigo de vida havia falecido. Não foi fácil; nunca será. Francesco soube, melhor do que eu, que eu não seria jamais capaz de aguentar tamanha dor sozinha. Meu marido me levou até a casa dos meus pais, ficou no carro com Enrico e Pietro — agora com oito anos, e o irmão com cinco — e esperou todo o tempo que precisei para falar sobre o falecimento do melhor amigo do seu amado sogro. Preferimos que os meninos não vissem o momento da notícia, pois nem eles tinham assimilado tudo quando contamos, logo após eu receber a informação sentada no carpete de casa.</p><p>Pietro ainda chama pelo “Tio Juju”; Enrico continua lendo o livro em quadrinhos que ele enviara há alguns meses. Francesco perdeu o colega de cigarro durante as partidas de futebol do “Mengão”. Eu perdi meu “paidrinho”, que me tornou uma grande jornalista. Meu pai perdeu um melhor amigo que era como um irmão: cresceram na mesma rua, passaram no mesmo ano na UFC — ele para Jornalismo e meu pai para Direito. São amigos há mais tempo do que o mundo tem de mundo. Meus filhos perderam o Tio Juju, o homem que sentava no quintal com eles para ler histórias em quadrinhos enquanto ligava o radinho para ouvir um brega.</p><p>A memória que fica do Juca é a mais real. A alma que se vai é a mais pura que pisou na terra. Fica a homenagem para o homem mais leal aos seus. João Carlos Barros foi um grande jornalista, escritor e padrinho. Suas memórias estarão guardadas comigo, registradas em minhas fotos, nos vídeos de Francesco e nos livros com dedicatórias que nos deu.</p><p>Obrigada por ter sido meu mentor, um excelente padrinho e um grande amigo. Você se vai, mas a vida continua. É estranho me despedir de você mais uma vez, meses após sua partida, mas agora sinto que posso deixá-lo descansar em paz, porque a dor se tornou um pouco mais suportável.</p><p>Descansa, Juju.</p><p>Eterno amor e admiração,</p><p>da sua grande amiga,</p><p><em>Lua Marino.</em></p><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=c7b1f44a0882" width="1" height="1" alt="">]]></content:encoded>
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