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        <title><![CDATA[Stories by Pedro Correia de Siracusa on Medium]]></title>
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            <title>Stories by Pedro Correia de Siracusa on Medium</title>
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            <title><![CDATA[A redes sociais por trás do Herbário da UnB]]></title>
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            <dc:creator><![CDATA[Pedro Correia de Siracusa]]></dc:creator>
            <pubDate>Tue, 20 Nov 2018 20:17:25 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2020-07-15T14:43:00.516Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<h3>As redes sociais por trás do Herbário da UnB</h3><ul><li>Acesse <a href="https://www.nature.com/articles/s41598-020-60134-y">a publicação</a> na Scientific Reports</li><li>Acesse o texto da <a href="https://tede.lncc.br/handle/tede/279">dissertação</a></li></ul><p>Ao ler “rede social” no título deste artigo você logo pensou no <em>Facebook, LinkedIn</em>, ou talvez até no <em>Twitter</em>, não é mesmo? Mas o que estas ferramentas teriam a ver com um herbário? Estaria eu interessado em bisbilhotar e divulgar a vida pessoal dos alunos, professores e técnicos que trabalham por lá? Ehrr… não exatamente.</p><p>Apesar da presença marcante destas ferramentas no nosso dia-a-dia, tanto para gerenciar nossas redes de amigos quanto para nos comunicarmos com o mundo, aqui me refiro a “<strong>redes sociais</strong>” num sentido um pouquinho mais amplo: sistemas formados por <strong>entidades</strong> que se <strong>relacionam</strong> entre si, desenvolvendo vínculos sociais. Vínculos sociais por sua vez podem assumir diferentes semânticas, dependendo do contexto. Eles podem ser, por exemplo, do tipo “profissional”, “afetivo”, de “interesse comum”, somente para citar alguns.</p><p>É bem fácil perceber como o <em>Facebook</em> se encaixa nesta definição. Neste caso, interações sociais ocorrem toda vez que damos um joinha ou comentamos na publicação de um colega. É também comum nos associarmos a outros usuários com interesses em comum participando de comunidades, por exemplo. Mas existem outros tipos de redes sociais que são menos óbvias. Você já pensou, por exemplo, nas <a href="https://journals.aps.org/pre/abstract/10.1103/PhysRevE.64.016131">redes sociais que existem por trás de publicações de artigos acadêmicos</a>? No mundo acadêmico pessoas não se tornam co-autores de artigos por acaso. Em muitos casos — embora nem sempre — autores de artigos são pessoas que se conhecem, trabalham juntos e possuem interesses em comum. Dessa forma, listas de autores em artigos podem nos dar uma boa noção sobre como pesquisadores se organizam e interagem em diferentes comunidades na ciência. Outro exemplo também não muito óbvio é a rede social que existe por trás do sistema da <em>Netflix</em>. Embora neste caso os usuários não interajam diretamente entre si, seus hábitos e preferências em relação a filmes e séries podem ser representados como vínculos sociais do tipo “interesse comum”. Este tipo de informação é usado nos sistemas de recomendação da <em>Netflix</em> para identificar as principais comunidades de interesse de seus usuários e, a partir daí, fazer recomendações personalizadas de filmes e séries com base no que um usuário assistiu anteriormente. <a href="https://hackernoon.com/introduction-to-recommender-system-part-1-collaborative-filtering-singular-value-decomposition-44c9659c5e75">Saiba mais</a> sobre alguns dos algoritmos mais usados em sistemas de recomendação.</p><blockquote>Redes sociais: sistemas formados por entidades que se relacionam entre si, desenvolvendo vínculos sociais.</blockquote><p>Legal, mas como estudar estas redes sociais na prática? Uma forma intuitiva é construindo <strong>modelos de redes</strong>, normalmente descritos matematicamente usando ferramentas da <a href="https://www.wikiwand.com/pt/Teoria_dos_grafos">teoria dos grafos</a>. Nestes modelos, entidades são representadas como <strong>vértices</strong> (normalmente ilustradas por pontos, círculos ou outras formas geométricas) e os relacionamentos entre elas como <strong>arestas</strong> (ilustradas por linhas conectando vértices). Veja a figura abaixo:</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/0*XrSCW9gfQI3d9q9j.jpg" /><figcaption><strong>Figura 1. </strong>Um modelo de rede social: Pessoas (entidades) se ligam a outras com as quais se relacionam. Círculos (vértices) representam entidades e linhas tracejadas (arestas), seus relacionamentos. Imagem retirada de <a href="http://open.lib.umn.edu/principlesmanagement/chapter/9-1-social-networks/">http://open.lib.umn.edu/principlesmanagement/chapter/9-1-social-networks/</a></figcaption></figure><p>Modelos de redes podem ser construídos a partir de um conjunto de dados desde que possamos identificar entidades e derivar relacionamentos de alguns de seus campos. Graças à disponibilidade de uma infinidade de bases de dados, muitas das quais públicas e facilmente acessíveis através de portais na internet, redes sociais em muitas áreas diferentes têm sido estudadas recentemente. E a área da biodiversidade não poderia ficar para trás!</p><p>Neste artigo apresento uma prova de conceito dos dois modelos que propus na minha <a href="https://lncc-netsci.github.io/pedrocs/">dissertação de mestrado</a>, utilizando como base o <a href="https://www.gbif.org/dataset/d82d5a18-0428-4e52-be16-f509153e8126">conjunto de dados</a> de ocorrência de espécies do Herbário da UnB, que acessei por meio da plataforma <a href="https://www.gbif.org/">GBIF</a>. Caso o leitor tenha interesse, uma <strong>demonstração sobre o processo de construção dos modelos</strong> está disponível <a href="https://pedrosiracusa.com/blog/construindo-redes-sociais-colecoes-biologicas">neste artigo</a>. O Herbário da UnB é uma referência mundial em espécies do Cerrado Brasileiro, principalmente no Planalto Central. Fundado em 1963 junto com o Departamento de Botânica da UnB, possui um acervo com cerca de 190 mil exemplares de fanerógamas e 40 mil criptógamas.</p><p>Ao longo do texto mostrarei como aspectos importantes sobre os interesses, comportamento colaborativo e formação de comunidades de coletores do herbário podem ser estudadas sob a ótica de redes sociais. Como não assumirei que o leitor já tenha visitado um herbário alguma vez na vida, explico brevemente o que eles são e qual sua importância para a ciência.</p><h4>O que exatamente é um herbário?</h4><p>Pois bem, um herbário é um tipo de coleção biológica, com vários armários cheios de <em>exsicatas</em> (o nome bonito para pranchas montadas com plantas prensadas e secas, como mostrado na Figura 2). Estes materiais são evidências científicas muito valiosas sobre a ocorrência de espécies no espaço e no tempo, sendo a matéria-prima para muitas pesquisas em botânica e ecologia.</p><blockquote>Herbários são, portanto, considerados verdadeiras bibliotecas da vida vegetal, armazenando grande número de registros de ocorrência de espécies no espaço e tempo.</blockquote><p>E o mais legal é que, até hoje, muitas espécies novas para a ciência têm sido descobertas por pesquisadores inspecionando cuidadosamente estas bibliotecas (mais sobre isso <a href="https://www.nature.com/news/museums-the-endangered-dead-1.16942">aqui</a>).</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/825/0*aEB7ceFyTg0yDYdd.jpg" /><figcaption><strong>Figura 2</strong>. Exsicatas no <a href="https://botanicgardens.uw.edu/center-for-urban-horticulture/visit/otis-douglas-hyde-herbarium/">Herbário Hyde</a></figcaption></figure><p>As exsicatas que compõem um herbário são montadas a partir de amostras de plantas coletadas em campo, que no jargão dos biólogos são referidas como ‘<em>espécimes’</em>. Durante sua preparação, várias informações contextuais referentes ao ato de coleta são anotadas, incluindo a localidade e data da coleta, os nomes dos coletores responsáveis e eventuais notas de campo. A identidade taxonômica do espécime em cada exsicata também fica registrada após determinada por taxonomistas profissionais ou, em alguns casos, pelo próprio coletor (é comum que o próprio coletor também seja um taxonomista).</p><h4>E onde estariam as redes sociais em um herbário?</h4><p>Coletores normalmente não vão a campo sozinhos coletar novos espécimes para o herbário. Vários fatores tornam mais vantajoso formar grupos, ou organizar expedições de coleta. Por exemplo, saídas a campo têm, em geral, um custo financeiro elevado (incluindo combustível, desgaste de equipamentos, alimentação) sendo portanto uma boa estratégia dividir despesas com colegas. Conheço várias pessoas que, embora trabalhem com tipos de organismos diferentes, sempre buscam sincronizar suas coletas para aproveitar a disponibilidade do motorista do instituto, por exemplo. Existe também o fator segurança: é sempre recomendável trabalhar em equipes de duas ou mais pessoas, que possam prestar socorro mutuamente em eventuais emergências. Além disso, é ótimo ter companhia em campo, tanto para ajudar no árduo trabalho quanto para compartilhar “causos”.</p><p>Com isso coletores acabam formando uma <strong>rede profissional</strong>, estruturada com base em seus atos de <strong>colaboração</strong> durante as coletas de campo. Alguns deles gostam de trabalhar em equipes grandes e diversas, enquanto outros preferem estar sozinhos, ou acompanhados de um grupo bem seleto de colegas.</p><p>Existe também uma <strong>rede de interesse</strong> por trás do herbário, análoga à que descrevi para a <em>Netflix</em> anteriormente neste texto. Só que em vez de séries ou filmes, queremos estudar o interesse dos coletores por grupos de organismos! De fato, dependendo de sua trajetória acadêmica, coletores desenvolvem interesses por grupos bastante distintos de organismos: alguns deles são apaixonados por arvoretas com belas flores, enquanto outros preferem musgos que crescem sobre as rochas. Outros ainda descobriram seu nicho em organismos que são normalmente ignorados pela maioria dos coletores botânicos, como algas unicelulares.</p><p>Vejamos então como são as redes de interesse e de colaboração no herbário da UnB. Para isso, construí dois modelos a partir dos dados de ocorrência de espécies: a <strong>Rede Espécie-Coletor</strong> (SCN) e a <strong>Rede de Colaboração de Coletores</strong> (CWN). Estes modelos são apresentados nas seções abaixo.</p><h3>A Rede Espécie-Coletor (SCN)</h3><p>Redes Espécie-Coletor (ou SCNs, do inglês <em>Species-Collector Networks</em>) são estruturadas a partir de relações de <strong>interesse</strong>, que necessariamente se estabelecem entre dois tipos distintos de entidades: <strong>espécies</strong> e <strong>coletores</strong>. Estas relações de interesse são semanticamente descritas como coletor -[registra]-&gt; espécie ou, por outro lado, espécie -[é registrada por]-&gt; coletor. Assim, redes espécie-coletor permitem responder às seguintes perguntas, de forma complementar:</p><blockquote>(i) “Quais as principais espécies registradas pelo coletor X?”</blockquote><blockquote>(ii) “Quais os principais coletores que registraram a espécie Y”?</blockquote><p>A rede espécie-coletor construída com os dados do herbário da UnB é mostrada abaixo, na Figura 3 (veja <a href="https://lncc-netsci.github.io/pedrocs/networks/ub_scn/">aqui</a> uma versão interativa da figura). Embora o modelo completo tenha um total de 15.344 espécies e 6.758 coletores, a rede foi filtrada para facilitar a visualização. As espécies também foram agrupadas taxonomicamente, ao nível de família.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/0*sIttBb-S6n1aNonB" /><figcaption><strong>Figura 3.</strong> Rede Espécie-Coletor do herbário da UnB. Círculos (vértices) pintados em verde representam coletores, e os pintados em vermelho, famílias botânicas. O tamanho de cada vértice é proporcional ao número de registros contendo os respectivos coletores ou famílias no conjunto de dados. A espessura de cada linha (aresta) é proporcional ao número de vezes tal associação foi observada no conjunto de dados. Para uma melhor visualização, experimente a <a href="https://lncc-netsci.github.io/pedrocs/networks/ub_scn/">versão interativa</a> desta figura.</figcaption></figure><p>Este modelo nos permite caracterizar coletores em termos de seus perfis de coleta, em um gradiente entre coletores generalistas (aqueles que se interessam por coletar uma grande variedade de grupos de organismos) e coletores especialistas (possuem interesses em um conjunto mais restrito de organismos). Por outro lado, podemos também entender que tipos de organismos são tipicamente coletados por generalistas ou por especialistas.</p><p>Uma hipótese é a de que plantas mais chamativas, que produzem flores e frutos apreciados por humanos tenderiam a ser coletados por uma gama maior de coletores, por sua vez com perfis mais generalistas. Organismos pequenos e menos chamativos, por sua vez, tenderiam a ser ignorados pela maioria dos coletores, salvo aqueles diretamente interessados por eles.</p><h4>Coletores generalistas</h4><p>A região mais central da rede contém alguns coletores com perfil mais generalista, que coletaram uma grande diversidade de famílias. Algumas destas famílias, por sua vez, também são amplamente coletadas por um grande número de coletores. Entre elas podemos citar <em>Fabaceae</em>, <em>Rubiaceae</em>, <em>Malpighiaceae</em> e <em>Euphorbiaceae</em>. Alguns dos maiores coletores generalistas do herbário (em número absoluto de espécimes) são:</p><ul><li><a href="https://plants.jstor.org/stable/10.5555/al.ap.person.bm000003953"><strong>Howard Samuel Irwin</strong></a><em> (irwin, hs)</em>, coletor associado ao <a href="https://www.nybg.org/">Jardim Botânico de Nova Iorque</a> que, atraído pela diversidade de leguminosas na região do Planalto Central Brasileiro, liderou expedições para exploração da região na década de 60. O enorme volume de material coletado por ele e sua equipe contribuiu muito para a coleção do herbário da UnB. Na Figura 3, Irwin aparece fortemente associado a muitas famílias de plantas do Cerrado, dentre elas <em>Fabaceae, Rubiaceae, Asteraceae, Poaceae e Cyperaceae. </em>Um aspecto curioso é que, apesar de a família <em>Myrtaceae </em>ser uma das principais famílias do Cerrado, Irwin aparentemente coletou poucos espécimes pertencentes a ela.</li><li><a href="https://plants.jstor.org/stable/10.5555/al.ap.person.bm000003587"><strong>Ezechias Paulo Heringer</strong></a> (<em>heringer,ep</em>) foi um importante professor e pesquisador da UnB, tendo coletado intensamente na área do Distrito Federal no início da década de 60. Suas coletas compuseram a base do herbário da UnB e do herbário do <a href="http://www.jardimbotanico.df.gov.br/pesquisa/herbario-eph/">Jardim Botânico de Brasília</a>, que foi batizado com seu nome, como homenagem. Também tem um perfil generalista, tendo coletado principalmente as famílias <em>Fabaceae</em>, <em>Rubiaceae</em> e <em>Asteraceae</em>. No entanto, as famílias <em>Poaceae</em> e <em>Cyperaceae</em> não foram tão coletadas por ele.</li><li><a href="http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?metodo=apresentar&amp;id=K4781102E1"><strong>Carolyn Elinore B. Proença</strong></a> (<em>proenca,ceb</em>) é professora na UnB desde 1992, e atualmente é uma das curadoras do herbário. Também possui uma longa carreira como coletora, desde o início da década de 90. Apesar de ter sido incluída no grupo dos coletores generalistas, Proença demonstra interesse notável à famílias <em>Myrtaceae</em> e <em>Bignoniaceae; </em>além de <em>Fabaceae </em>e <em>Asteraceae, que por sua vez são </em>coletadas por um conjunto mais amplo de coletores.</li><li><a href="https://plants.jstor.org/stable/10.5555/al.ap.person.bm000023562"><strong>James Alexander Ratter</strong></a> (<em>ratter,ja</em>) foi um coletor associado ao <a href="http://www.rbge.org.uk/science/herbarium/about-the-collections/collectors">Jardim Botânico de Edimburgo</a>, tendo se interessado pelo bioma Cerrado deste o fim da década de 60. Foi professor associado na Universidade de Brasília durante 1976–77, sendo apontado como um dos fundadores do Departamento de Ecologia na universidade. Com perfil bastante generalista, coletou em parceria com várias gerações de coletores no herbário.</li></ul><h4>Coletores um pouco mais especializados</h4><p>Ainda na região central da rede na Figura 3, existem coletores que têm interesses mais voltados a grupos de plantas que, por sua vez, são normalmente coletados por um conjunto um pouco mais restrito de coletores. É o caso, por exemplo, das famílias <em>Myrtaceae</em>, <em>Poaceae</em>, <em>Asteraceae, Oxalidaceae </em>e <em>Cyperaceae</em>. Alguns destes coletores são:</p><ul><li><a href="http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?metodo=apresentar&amp;id=K4164079D2"><strong>Jair Eustáquio Q. Faria</strong></a> (<em>faria,jeq</em>), um grande coletor da família <em>Myrtaceae</em>, tendo iniciado suas atividades recentemente, por volta de 2005. Foi aluno de mestrado (2008–10) e doutorado (2010–14) em Botânica pela UnB, orientado por Carolyn E. B. Proença, citada acima. Além de <em>Myrtaceae</em>, Faria também é um coletor relativamente importante para as famílias <em>Bignoniaceae </em>e <em>Piperaceae</em>, embora tenha as coletado em proporções muito menores.</li><li><a href="https://plants.jstor.org/stable/10.5555/al.ap.person.bm000002352"><strong>George Eiten</strong></a> (<em>eiten,g</em>) foi um grande botânico do século XX, que veio ao Brasil por interesse em trabalhar e viver em um país tropical. Foi contratado como professor da UnB em 1971, tendo sido um dos fundadores do Departamento de Botânica da universidade. Coletou no Cerrado principalmente entre os anos de 1960 e 1980, com grande interesse nas famílias <em>Cyperaceae</em> e <em>Oxalidaceae</em>, apesar de ter também coletado outras famílias como <em>Fabaceae</em>, <em>Rubiaceae</em>, <em>Poaceae</em> e <em>Asteraceae</em>.</li><li><a href="http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?id=K4791009T9"><strong>Cássia Beatriz R. Munhoz</strong></a> (<em>munhoz,cbr</em>) é professora da Universidade de Brasília desde 1996, tendo iniciado suas coletas por volta de 1991. Seus interesses são mais voltados para plantas do estrato herbáceo, principalmente das famílias <em>Poaceae</em>, <em>Cyperaceae</em>, <em>Melastomataceae</em>, <em>Asteraceae</em>, <em>Eriocaulaceae</em>, <em>Xyridaceae</em>. Alguns outros coletores importantes têm interesses similares aos de Munhoz, dentre eles <a href="http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?metodo=apresentar&amp;id=K4750617A7"><strong>Aryanne Gonçalves Amaral</strong></a><strong> </strong>(<em>amaral,ag</em>) e <a href="http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?metodo=apresentar&amp;id=K4262136P6"><strong>Chesterton Ulysses O. Eugênio</strong></a> (<em>eugenio,cuo</em>).</li></ul><h4>Coletores muito especializados</h4><p>Existem também coletores bastante especializados em determinados grupos taxonômicos, que tendem a coletar apenas grupos que são normalmente ignorados por outros coletores. Um bom exemplo são os seguintes coletores de algas continentais, que contribuíram muito para a representatividade destes organismos no herbário:</p><ul><li><a href="http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?metodo=apresentar&amp;id=K4782199D7"><strong>Ana Lúcia Tostes de A. Leite</strong></a> (<em>leite,alta</em>), responsável pela coleta de algas verdes, quase que exclusivamente da família <em>Desmidiaceae</em>. A coletora obteve um grande volume de material destes organismos durante seu mestrado (em 1987–90, no programa de pós-graduação em Ecologia da UnB), enquanto estudava a comunidade de algas na Lagoa Bonita, DF.</li><li><a href="http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?metodo=apresentar&amp;id=K4782198Z7"><strong>Christina Wyss Castelo Branco</strong></a> (<em>castelobranco,cw</em>) foi também aluna de mestrado na UnB entre 1987 e 1991. Durante seu projeto com a comunidade planctônica no Lago Paranoá (Brasília, DF), também coletou um volume considerável de algas verdes da família <em>Desmidiaceae</em>. Entretanto ela também coletou outros tipos de organismos microscópios, como Euglenófitas (família <em>Euglenaceae</em>) e Cianobactérias (famílias <em>Nostocaceae</em>, <em>Ocillatoriaceae</em>, <em>Chroococcaceae</em> e <em>Pseudanabaenaceae</em>).</li><li><a href="http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?metodo=apresentar&amp;id=K4767444A9"><strong>João Vademar Grando</strong></a> (<em>grando,jv</em>) foi também aluno de mestrado na UnB, entre 1986 e 1989. Em seu projeto investigou aspectos alimentares da fauna de peixes no Lago Paranoá (Brasília, DF). Possui um perfil de coleta idêntico ao de Christina Castelo Branco, como pode ser visto na Figura 3.</li></ul><p>É importante destacar que estes organismos, representados no contorno <em>ii</em>, não foram coletados por nenhum outro coletor no herbário. Ao mesmo tempo, os três coletores citados acima também nunca coletaram nenhum espécime pertencente a outras famílias a não ser aquelas incluídas no contorno <em>ii</em>.</p><h4>O Laboratório de Criptógamas</h4><p>O <a href="http://labcriptounb.blogspot.com/">Laboratório de Criptógamas</a> faz parte do Departamento de Botânica da UnB, sendo dedicado ao estudo de Algas, Briófitas (musgos), Pteridófitas (samambaias) e Líquens. De acordo com a página do laboratório, a equipe é liderada pelos professores <a href="http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?metodo=apresentar&amp;id=K4721492Z2"><strong>Paulo Eduardo A. S. Câmara</strong></a><strong> </strong>(<em>camara,peas</em>), <a href="http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?metodo=apresentar&amp;id=K4784643A2"><strong>Maria das Graças M. Souza</strong></a><strong> </strong>(<em>souza,mgm</em>) e <a href="http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?metodo=apresentar&amp;id=K4768231J0"><strong>Micheline C. Silva</strong></a><strong> </strong>(<em>carvalhosilva,m</em>).</p><p>Dentre os 4 grupos taxonômicos, o acervo de Briófitas é o maior, sendo referência mundial para os musgos que habitam o Centro-Oeste Brasileiro. Os coletores e famílias de Briófitas estão localizados no interior do contorno <em>i </em>, na Figura 3. Um aspecto importante a ser notado é que coletores neste grupo são em sua maioria especialistas exclusivos ao grupo das Briófitas. Isso significa que, ao mesmo tempo que coletores de Briófitas se interessam quase que exclusivamente por este grupo, outros coletores do herbário tendem a ignorá-lo. Por isso esta região da rede aparece mais “destacada” do centro. Dentre as famílias de Briófitas mais amplamente coletadas estão <em>Sematophyllaceae</em>, <em>Dicranaceae</em> e <em>Hypnaceae</em>. Os principais coletores de Briófitas são:</p><ul><li><a href="http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?metodo=apresentar&amp;id=K4721492Z2"><strong>Paulo Eduardo A. S. Câmara</strong></a><strong> </strong>(<em>camara,peas</em>), professor na UnB desde 2000. Foi um dos primeiros coletores de Briófitas do herbário, tendo então orientado um grande número de alunos que vieram a se tornar coletores relevantes (incluindo <a href="http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?metodo=apresentar&amp;id=K4732631P5"><strong>Abel Eustáquio R. Soares</strong></a> (<em>soares,aer</em>), <a href="http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?metodo=apresentar&amp;id=K4436769A4"><strong>Allan Laid A. Faria</strong></a> (<em>faria,ala</em>) e <a href="http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?metodo=apresentar&amp;id=K4451663J7"><strong>Ronaldo Viveiros de Sousa</strong></a> (<em>souza,rv</em>)). Durante sua carreira como coletor, registrou uma grande diversidade de famílias de Briófitas (e também alguns poucos registros de Angiospermas das famílias <em>Myrtaceae</em> e <em>Piperaceae</em>).</li><li><a href="http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?metodo=apresentar&amp;id=K4768231J0"><strong>Micheline C. Silva</strong></a><strong> </strong>(<em>carvalhosilva,m</em>), pesquisadora colaboradora na UnB desde 2010 (tendo também lecionado e orientado alunos na pós-graduação), e atualmente professora adjunta na UFVJM. Embora esteja no grupo de coletores de Briófitas, Micheline também coletou plantas da família <em>Piperaceae</em>, sobretudo durante seu mestrado (na UnB, entre 2000 e 2002). Sendo assim, Micheline pode ser vista na Figura 3 como um vértice “ponte” — assim como <a href="http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?id=K4718160T3"><strong>Paulo Roberto F. Amorim</strong></a> (<em>amorim,prf</em>) — , conectando o grupo de Briófitas à região central da rede.</li></ul><p>Além das Briófitas, o laboratório também contribui para o herbário com um acervo relevante de algas, principalmente diatomáceas. De acordo com a Figura 3, uma coletora é responsável por praticamente todo este acervo:</p><ul><li><a href="http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?metodo=apresentar&amp;id=K4784643A2"><strong>Maria das Graças M. Souza</strong></a><strong> </strong>(<em>souza,mgm</em>), professora na UnB desde 1993. É uma coletora especialista em algas Diatomáceas, tendo coletado principalmente espécies das famílias <em>Eunotiaceae</em>, <em>Naviculaceae</em> e <em>Pinnulariaceae</em>. Estas famílias, por sua vez, não foram registradas por nenhum outro coletor no herbário, a não ser <em>‘oliveira,rir’ </em>(possivelmente um aluno).</li></ul><p>Sendo assim, famílias de Diatomáceas e seus coletores estão indicados pelo contorno <em>iii</em> da Figura 3. Souza também possui alguns poucos registros de Líquens (famílias <em>Physciaceae</em> e <em>Parmeliaceae</em>), em colaboração com <a href="http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?metodo=apresentar&amp;id=K4469831T6"><strong>Drielle dos Santos Martins</strong></a> (<em>martins,ds</em>).</p><h3>A Rede de Colaboração de Coletores (CWN)</h3><p>Redes de Colaboração de Coletores (ou CWNs, do inglês <em>Collector CoWorking Networks</em>) são estruturadas a partir de relações de <strong>colaboração</strong>, que se estabelecem entre pares de coletores. Estas relações são semanticamente descritas como coletor -[registra espécime com]-&gt; coletor, e podem ser um indicativo do grau de interação profissional entre dois coletores, independentemente de seus interesses taxonômicos.</p><p>A rede de colaboração construída com os dados do herbário da UnB é mostrada abaixo, na Figura 4(veja <a href="https://lncc-netsci.github.io/pedrocs/networks/ub_cwn/">aqui</a> uma versão interativa da figura). Embora o modelo completo tenha um total de 6.758 coletores, a rede foi filtrada para facilitar a visualização.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/0*34UQJzDCajlAg3OI" /><figcaption><strong>Figura 4</strong>. Rede de Colaboração de Coletores do herbário da UnB. Círculos (vértices) representam coletores, e suas cores representam a comunidade de colaboração à qual foram associados. O tamanho de cada vértice é proporcional à quantidade total de registros de cada coletor. A espessura de cada linha (aresta) ligando cada par de coletores é proporcional ao número de registros em que os dois coletores colaboraram no conjunto de dados. Para uma melhor visualização, experimente a<a href="https://lncc-netsci.github.io/pedrocs/networks/ub_cwn/"> versão interativa</a> desta figura.</figcaption></figure><p>Um aspecto interessante a ser investigado é a evolução temporal desta rede, mostrada na Figura 5:</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/600/1*tGbgA0kMf38jdCnfs97kmQ.gif" /><figcaption><strong>Figura 5</strong>. Evolução temporal da Rede de Colaboração de Coletores do herbário da UnB. Vértices estão dispostos nas mesmas posições da Figura 4.</figcaption></figure><p>A partir dela podemos ver que existe uma separação temporal entre alguns coletores, que poderia restringir a possibilidade de colaborarem. Como pode ser visto na animação, as primeiras coletas do herbário datam do fim da década de 50. Com isso identifiquei três principais gerações de coletores:</p><h4>Primeira Geração (1955–1982)</h4><p>Inclui os coletores pioneiros do herbário, cujas atividades de coleta contribuíram muito para a formação inicial do herbário. Três grupos de colaboração são mais notáveis neste período, dispostos na região mais inferior da Figura 4.</p><p>O primeiro grupo (colorido em verde) se organiza em torno de <a href="https://plants.jstor.org/stable/10.5555/al.ap.person.bm000003953"><strong>Howard S. Irwin</strong></a> (<em>irwin,hs</em>), <a href="https://plants.jstor.org/stable/10.5555/al.ap.person.bm000000177"><strong>William R. Anderson</strong></a> (anderson,wr) e <a href="https://plants.jstor.org/stable/10.5555/al.ap.person.bm000023562"><strong>James A. Ratter</strong></a> (<em>ratter,ja</em>). Estes coletores, em sua maioria estrangeiros, tiveram papel fundamental nas primeiras coletas do herbário, durante o período em que faziam as primeiras expedições exploratórias no Cerrado do Planalto Central, resultado de uma parceria entre a UnB e o Jardim Botânico de Nova Iorque. Embora Ratter não tenha colaborado diretamente com Anderson nem Irwin, coletou com importantes “mateiros” que também acompanharam os dois coletores (dentre os quais <a href="https://plants.jstor.org/stable/10.5555/al.ap.person.bm000032907"><strong>Raimundo Santos</strong></a> (<em>santos,rrb</em>) e <a href="https://plants.jstor.org/stable/10.5555/al.ap.person.bm000117349"><strong>Sidney da Fonseca</strong></a> (<em>fonseca,sb</em>). Além disso, Ratter é uma ponte importante, tendo coletado tanto com coletores da primeira geração quanto com outros da segunda geração, localizados na região mais central da rede. Outros coletores importantes neste grupo são <a href="https://plants.jstor.org/stable/10.5555/al.ap.person.bm000003418"><strong>Raymond M. Harley</strong></a> (<em>harley,rm</em>), <a href="https://plants.jstor.org/stable/10.5555/al.ap.person.bm000011449"><strong>Joseph H. Kirkbride Jr.</strong></a> (<em>kirkbride-junior,jh</em>) e <a href="https://plants.jstor.org/stable/10.5555/al.ap.person.bm000006559"><strong>João Murça Pires</strong></a> (<em>pires,jn</em>).</p><p>O segundo grupo (colorido em azul) se organiza em torno de <strong>Ezechias Paulo Heringer</strong> (<em>heringer,ep</em>), <strong>George Eiten</strong> (<em>eiten,g</em>) e <strong>Liene T. Eiten</strong> (<em>eiten,lt</em>). George e Liene, que foram casados até 1979 (quando Liene veio a falecer), estiveram fortemente associados em suas coletas até o ano de 1975. Após a morte de sua esposa, George aparentemente interrompeu suas atividades de coleta até que, no período entre 1997 e 2003, colaborou com alguns coletores da segunda geração. Heringer, considerado fundador do herbário da UnB, coletou de 1955 até 1982, tendo colaborado com George Eiten principalmente no período entre 1969 e 1975.</p><p>O terceiro grupo (colorido em roxo) é composto por 6 coletores, incluindo <strong>Romeu P. Belém</strong> (<em>belem,rp</em>), estudante Brasileiro que coletou principalmente na Bahia, entre 1955 e 1968. Esteve fortemente associado com <strong>Raimundo Soares Pinheiro</strong> (<em>pinheiro,rs</em>), além de também ter colaborado com <strong>Mendes Magalhães</strong> (<em>magalhaes,m</em>).</p><h4>Segunda Geração (1983–2003)</h4><p>Coletores da segunda geração estão localizados, em sua maioria, na região mais central da rede. No geral, coletores da segunda geração formaram comunidades mais heterogêneas do que os da primeira geração.</p><p>Três coletores notáveis que surgiram no início deste período (atividades entre 1983 e 1989) são os coletores de algas continentais <strong>Ana Lúcia Leite </strong>(<em>leite,alta</em>), <strong>Cristina Castelo Branco</strong>(<em>castelobranco,cw</em>) e <strong>João Grando</strong>(<em>grando,jv</em>). Os últimos dois coletaram juntos durante praticamente em todos os registros, e portanto são fortemente ligados na rede de colaboração. Ana Lúcia, apesar de ter interesse pelo mesmo grupo taxonômico, aparentemente coletou sozinha, não tendo colaborado com Cristina e João.</p><p><strong>Carolyn Proença</strong> (<em>proenca,ceb</em>), <strong>Maria das Graças Souza</strong> (<em>souza,mgm</em>) e <strong>Cássia Munhoz</strong> (<em>munhoz,cbr</em>), cujas atividades concentram-se entre os anos de 1990 e 2003, são também importantes coletoras desta geração, com padrões de coleta significativamente distintos. Enquanto as atividades de Souza concentram-se quase exclusivamente entre 1990 e 1996 e com poucas colaborações, Proença extende suas atividades de coleta até os dias atuais (2017), tendo colaborado com uma grande diversidade de coletores das três gerações. Munhoz inicia suas atividades por volta de 1990, sob orientação acadêmica de Proença. Tendo se especializado em plantas herbáceas, Munhoz é uma das fundadoras de uma comunidade de colaboração de coletores em torno deste grupo de organismos.</p><h4>Terceira Geração (2004–2017)</h4><p>Inclui os coletores que iniciaram suas carreiras de coleta mais recentemente. Dentre eles, destaca-se <strong>Jair Faria</strong> (<em>faria,jeq</em>), um dos coletores mais produtivos da história do herbário. Faria colaborou com importantes coletores de comunidades distintas, como <a href="http://lattes.cnpq.br/5981278331253704"><strong>Maria Rosa Zanatta</strong></a> (<em>zanatta,mrv</em>), <a href="http://lattes.cnpq.br/4357034543526737"><strong>Vanessa Staggemeier</strong></a> (<em>staggmeier,vg</em>), <a href="http://lattes.cnpq.br/7892840304457832"><strong>Paulo Roberto Amorim</strong></a> (<em>amorim,prf</em>), <strong>Carolyn Proença</strong> (<em>proenca,ceb</em>) e <a href="http://lattes.cnpq.br/9359704960057451"><strong>João Bringel</strong></a> (<em>bringel,jba</em>), principalmente no período entre 2011 e 2017.</p><p>Comunidades importantes também se consolidaram neste período. Uma delas é a equipe do Laboratório de Briófitas, tendo <strong>Paulo Eduardo Câmara</strong> (<em>camara,peas</em>) como um dos fundadores. Embora Câmara tenha iniciado suas coletas entre 1997 e 2003, suas atividades se intensificaram muito a partir de 2004. Logo em seguida, <strong>Micheline Carvalho Silva</strong> (<em>carvalhosilva,m</em>) e <strong>Abel Soares</strong> (<em>soares,aer</em>) associaram-se a esta comunidade, entre 2004 e 2010. Estes três coletores formaram a base do grupo, que mais tarde recebeu um grande número de alunos de graduação e pós-graduação.</p><p><strong>Aryanne Amaral</strong> (<em>amaral,ag</em>), <strong>Chesterton Eugênio</strong> (<em>eugenio,cuo</em>) e <strong>Thiago Mello</strong> (<em>mello,trb</em>) ajudaram a consolidar a comunidade de coletores de plantas herbáceas do herbário, iniciada por <strong>Cássia Munhoz</strong> (<em>munhoz,cbr</em>).</p><h3>Mas afinal, por que estudar estes modelos?</h3><p>Estudar o aspecto social de coleções biológicas (incluindo herbários) é uma abordagem até então muito pouco explorada, embora possa ser de grande valor para fornecer <em>insights</em> sobre seus padrões de montagem e representatividade em termos de espécies.</p><p>Ao contrário do que alguns possam pensar, a composição de espécies em uma coleção biológica não pode ser considerada uma representação fiel das comunidades naturais na região em que a coleção está inserida. Em outras palavras, espécies não são representadas nos herbários nas mesmas proporções em que são observadas na natureza. Isso ocorre porque a amostragem dos organismos no espaço e tempo está longe de ser aleatória. Em vez disso, coletores tendem a priorizar locais de fácil acesso e com alguma infra-estrutura de apoio, como por exemplo margens de rodovias, propriedades rurais e parques naturais, normalmente nas proximidades de centros urbanos; e em épocas mais favoráveis. Além disso, cada coletor amostra preferencialmente organismos específicos, conforme seus próprios interesses e circunstâncias. A atratividade de cada espécie (por exemplo plantas com flores ou frutos chamativos) pode também contribuir para a probabilidade de ser coletada.</p><p>Um outro fato interessante observado em coleções biológicas é que poucos coletores são normalmente responsáveis pela grande maioria dos registros em uma coleção, enquanto a maioria deles contribui com poucos registros. No caso específico do UB, apenas 20% dos coletores registraram mais de 10 espécies diferentes. Enquanto isso, apenas poucos coletores mais produtivos, com por exemplo <strong>Carolyn E. Proença</strong>, registraram 1000 ou mais espécies. Naturalmente o impacto dos interesses dos coletores mais produtivos é grande: dizemos que eles tendem a “moldar” a composição de espécies do herbário. Este efeito é referido, na comunidade científica, como o <strong>viés do coletor</strong>. E para a maioria das aplicações que fazem uso destes dados é fundamental compreender e caracterizar esta dimensão do viés, antes mesmo de usá-los para a modelagem.</p><blockquote>Os modelos SCN e CWN fornecem uma maneira estruturada de caracterizar o viés de coletor, a partir dos dados de ocorrência de espécies.</blockquote><p>Além disso, a possibilidade de conhecer aspectos sobre o comportamento de coletores em campo a partir destes modelos abre portas para mais uma série de possíveis aplicações práticas: Dado um conjunto de espécies ou grupos taxonômicos, quem são os coletores que detêm maior autoridade científica? Como o comportamento destes coletores influencia o dos outros, menos influentes ou novatos? De forma inversa, como o comportamento de coletores menos influentes impacta a forma de trabalhar dos coletores mais influentes? Quais coletores trabalham em equipes de coleta grandes e diversas, e quais preferem coletar sozinhos ou com equipes mais restritas? Como formar a melhor equipe multidisciplinar para uma determinada tarefa, levando em consideração os interesses taxonômicos de cada coletor e seu histórico de colaboração?</p><p>Finalmente, há a possibilidade de utilizar estes modelos para o <strong>enriquecimento contextual</strong> dos dados de ocorrência de espécies, possibilitando atribuir a cada registro uma série de variáveis para descrever as circunstâncias de coleta, bem com suas limitações. Estas informações podem ser úteis para selecionar o subconjunto de dados mais adequado às particularidades de cada aplicação. Pretendo explorar um pouco mais este aspecto em um outro artigo.</p><p>Por hoje é só, pessoal! Caso tenha curiosidade sobre como construir estes modelos ou mesmo tiver interesse em explorar as redes sociais usando seu próprio conjunto de dados, não deixe de conferir <a href="https://pedrosiracusa.com/blog/construindo-redes-sociais-colecoes-biologicas">este pequeno tutorial</a> que montei.</p><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=e08980f049dc" width="1" height="1" alt="">]]></content:encoded>
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