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        <title><![CDATA[Stories by Rubens Arley on Medium]]></title>
        <description><![CDATA[Stories by Rubens Arley on Medium]]></description>
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            <title>Stories by Rubens Arley on Medium</title>
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            <title><![CDATA[Voyeur]]></title>
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            <dc:creator><![CDATA[Rubens Arley]]></dc:creator>
            <pubDate>Mon, 11 May 2026 23:19:47 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2026-05-11T23:19:47.352Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<p>Teve por passa-tempo alagar meu peito. Subia as coxas com os lábios viscosos, comia o arbusto feito bicho. Naquela noite, afiou os dentes, suspirando os ares de Sodoma. Cínico, se desmanchou pedindo para ser sufocado entre o vão das pernas, rogava aos céus babando, chovendo sobre meus jardins. O flâneur arriscou se entremear no meu suvaco. Vamos, se exiba pra mim. Não aguentou e logo me encheu a língua com aquele beijo demorado, com gosto da lama alva que docemente recolheu dos pelos de meu peito.</p><p>Durou duas semanas, nosso precoce amor. Trepamos loucamente no divã, vigiados por aquele senhor carrancudo. Nosso voyeur, que anotava tudo de pau duro. Assim como eu, gostava de ver o dragão voando nas curvas do braço rijo, ritmado, pra cima pra baixo, para-estou-quase-lá. O rapaz bebia da minha alma, mordiscando meu mamilo, quando o velho se levantou bruscamente, de prancheta e caceta na mão, dizendo: Esse menage não vai dar certo, não vês que ele busca o seio da mãe invés do seu peito cabeludo? Não vês que ele quer se fazer primogênito leitando no seu suvaco? Não deixe que esse mastro lustroso e enorme lance sombras sobre teu olhar.</p><p>Não teve jeito. Fui dar pro velho, ele é deveras sábio.</p><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=1eedfe139318" width="1" height="1" alt="">]]></content:encoded>
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            <title><![CDATA[Dos céus de maria dorotéia]]></title>
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            <dc:creator><![CDATA[Rubens Arley]]></dc:creator>
            <pubDate>Tue, 26 Apr 2022 22:23:46 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2022-04-26T22:23:46.022Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<p>A Lygia Fagundes Telles</p><p>Tomás algum</p><p>-nem mesmo em seu exílio-</p><p>viu um pôr do sol tão acre,</p><p>desesperado e morto</p><p>quanto este</p><p>que vislumbro de minha janela.</p><p>Jamais encarou tamanho massacre</p><p>que faz o céu escorrer, sangrar</p><p>por sobre as minhas retinas,</p><p>que banha todo meu corpo com</p><p>um púrpura vil e um laranja expressionista.</p><p>Sinto-me acolhido nesse</p><p>curioso ninho de arame farpado,</p><p>pois sei que é no crepúsculo que mora</p><p>a ambiguidade que transgride.</p><p>Marília, vinteeseisdeabrildedoismilevintedois</p><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=1e298226ffd9" width="1" height="1" alt="">]]></content:encoded>
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            <title><![CDATA[Parcas teias]]></title>
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            <dc:creator><![CDATA[Rubens Arley]]></dc:creator>
            <pubDate>Fri, 04 Mar 2022 03:10:28 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2022-03-04T03:10:28.197Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/735/1*R2kayXVTqdMOg5om0SH8zw.jpeg" /><figcaption>The crossing, 2018. Chiharu Shiota.</figcaption></figure><p>Uma pequena aranha</p><p>habita entre meus franceses.</p><p>hugo e baudelaire, respectivamente.</p><p>Vez e quando visita beckett, meio arisca,</p><p>embora seu vivo rubro cobre</p><p>cintile em meio àquele laranja-Godot.</p><p>Hoje, especialmente, hoje</p><p>avistei-a descendo às colinas Hilst</p><p>lançando nuas teias entre os obscenos H’s</p><p>flutuantes: prosa e poesia.</p><p>Ana e Lúcio só observavam, intrigados.</p><p>Até que se atirou</p><p>às áridas páginas euclidianas:</p><p>mais um círculo deste inferno.</p><p>Passo a passo,</p><p>alçou Morley e seus diários.</p><p>Seus olhos brilhavam por aquela lombada velha</p><p>e amassada.</p><p>!</p><p>Um relâmpago de lucidez</p><p>Em meio àquelas teias,</p><p>a pequena aranha escrevia</p><p>a sua vida de menina.</p><p>Para nós, ruína, decadência e esquecimento.</p><p>Contudo,</p><p>suas teias eram precisamente o oposto.</p><p>Aquela pequena moira acobreada</p><p>ternurava fios de enganos e parecenças:</p><p>narrava não-esquecimentos</p><p>entremeados à poeira, às palavras não-lidas</p><p>e ao oráculo na retina de seu olhar.</p><p>…</p><p>resgatemos, pois, o olhar-tecer da</p><p>nossa pequena aranha</p><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=64c6507bf5f6" width="1" height="1" alt="">]]></content:encoded>
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            <title><![CDATA[Carta de Amor e Gozo]]></title>
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            <dc:creator><![CDATA[Rubens Arley]]></dc:creator>
            <pubDate>Thu, 17 Feb 2022 22:15:09 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2022-02-17T23:58:56.933Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/528/1*1S2GFwa1gGxJudoQTOeV7g.jpeg" /></figure><p><em>A Caio Fernando Abreu</em></p><p>Estou tresloucado, sobretudo</p><p>indigno e apaixonado.</p><p>Escrevo-te como se</p><p>tivesses afogado meu coração em vinho</p><p>e largado-o</p><p>à deriva.</p><p>Você realmente o fez, sem querer… alheio.</p><p>Sua poesia o fez. Póstuma.</p><p>Eu a leio e sei que</p><p>é moi o destinatário</p><p>(a ilusão é perene</p><p>é o combustível da alma,</p><p>disso também o sei)</p><p>desse eu-lírico-remetente.</p><p>Melhor seria se fosse apenas</p><p>metente.</p><p>Metendo — forte — em mim.</p><p>Por favor, me tente.</p><p>Tente: adentre ao meu âmago.</p><p>Dou-lhe as mil chaves em troca desta Chave, aqui.</p><p>esta que arranha, que escorre</p><p>lambe e goza pelas digitais do corpo-meu.</p><p>Corpo-nosso.</p><p>O tempo, esse carrasco,</p><p>não permitiu que você</p><p>entrelaçasse margaridas nos cabelos</p><p>de meu peito.</p><p>Meu peito… dói, sem tuas mãos em brasa</p><p>a afagar, a afogar, a gozar.</p><p>Dói sermos duas bichas solitárias</p><p>cada uma em seu zeitgeist.</p><p>Apesar de e contra o total, o zodíaco, o inominável, o que for</p><p>Serei para sempre seu</p><p>de seu</p><p>amante</p><p>trans-espiritual</p><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=227204a65819" width="1" height="1" alt="">]]></content:encoded>
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