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        <title><![CDATA[anamagal - Medium]]></title>
        <description><![CDATA[Carioca com alma paulistana | Jornalista Freelancer | Redatora | Ghost Writer | Storyteller | Estudante de Mandarim | Blogueira | Umbandista | Mãe de Pet | Bipolar &amp; Ansiosa | Apaixonada por chocolate, coxinha e Pepsi… - Medium]]></description>
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            <title>anamagal - Medium</title>
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            <title><![CDATA[Obrigada por me darem 1 minuto da atenção do dia atribulado de vocês!]]></title>
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            <category><![CDATA[doação]]></category>
            <dc:creator><![CDATA[Ana Magal]]></dc:creator>
            <pubDate>Sat, 28 Sep 2024 04:38:18 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2024-09-28T04:38:18.049Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/1*fUiYEuTtQQYyyOlJpOosfA.png" /></figure><p>Ouvi de algumas amigas pessoais que eu não deveria falar das coisas ruins que acontecem em minha vida, pois tem sempre aqueles que estão torcendo contra mim e ficariam felizes em saber que não estou bem. Eu entendo a preocupação delas, mas para eu ter chegado ao ponto do desespero de pedir uma ajuda tão grande é porque cheguei no meu limite físico e mental.</p><p>Nunca imaginei que pessoas que eu nunca conheci na vida iriam se juntar, literalmente como o nome do site onde criei a campanha se chama em uma ‘<a href="https://campanhadobem.com.br/campanhas/estou-precisando-urgente-de-uma-cama-e-colchao-especial#/">Campanha do Bem</a>’, para ajudar uma pessoa desconhecida. Eu sempre que pude, sempre ajudei, conhecendo ou não as pessoas que precisam de auxílio e sempre serei assim, pois assim fui educada desde criança.</p><p><strong>Foi ideia de uma das amigas usar o meu dom da escrita para agradecer do fundo do coração a união que conhecidos e totais desconhecidos que se juntaram para me ajudar em em um momento de total fraqueza minha.</strong> Sim. Não sou forte o tempo todo, e como uma psicóloga que tive uma vez disse: “<strong>Tá tudo, não estar sempre tudo bem!</strong> <strong><em>Ninguém precisa ser forte o tempo todo. As lágrimas foram feitas para cair e pedir ajuda não é motivo de fraqueza e sim da maior força que você pode ter, pois reconhecer em si mesma que não consegue fazer tudo sozinha e precisa de outros seres humanos ao seu lado para poder continuar a viver em comunidade. E viver bem</em></strong>”. <strong>Nunca mais esqueci isso que ela me falou</strong>. Ela me ensinou que nós não precisamos ser fortes o tempo todo e que tá tudo bem. <strong>O mundo não vai parar de girar porque estamos mal ou bem. Ele sempre vai continuar girando. E saber a hora que você precisa de ajuda é a maior força que uma pessoa pode ter</strong>.</p><p>Segundo essa minha psicóloga, <strong>se todas as pessoas deprimidas ou com transtornos mentais tivessem a força de pedir ajuda nos momentos de fraqueza, muitas delas não teriam cometido o su1c1di0</strong>. E tanto se fala sobre ele, como prevenir, como prever, como saber. Ninguém sabe disso, nem a própria pessoa. Só acontece. É tanta coisa acumulada ao mesmo tempo dentro dela e a vergonha (e às vezes o orgulho) de pedir ajuda é que as faz desistir de tudo.</p><p>Acabamos de passar pelo ‘<strong>Setembro Amarelo</strong>’ que é o mês escolhido para a conversa, <strong>entendimento e prevenção do su1c1di0</strong>. Mas, eu muitas vezes achei isso clichê, e confesso que ainda acho. <strong>Eu tive um amigo, que durante um dia inteiro me mandou mensagens no privado querendo falar comigo alguma coisa. Mas eu estava ‘ocupada demais’ fazendo sei lá o quê e não pude lhe dar atenção. No fim do dia, descobri que ele tinha tirado a própria vida e que ele também tentou falar com várias outras pessoas conhecidas que também estavam ‘ocupadas’ com seu dia a dia e não puderem dar apenas 1 minuto de atenção. Fico até hoje pensando se eu tivesse parado 1 minutinho sequer do que eu estava fazendo e tivesse conversado com ele se eu teria mudado alguma coisa. Não sei. Nunca saberei.</strong></p><blockquote><strong>Por isso, não gosto desses meses ‘clichês’, onde todo mundo fica escrevendo e falando bonito nas redes sociais só para engajamento, mas na hora em que uma pessoa precisa de 1 minuto seu, você não tem, porque estava gastando esse minuto escrevendo abobrinha sobre como ‘dar atenção para os outros durante o ‘Setembro Amarelo’.</strong></blockquote><p>E foi justamente nesse ‘<strong>Setembro Amarelo</strong>’, em que eu mais me senti vulnerável, física e mentalmente e lembrei do que minha psicóloga falou que <strong>pedir ajuda não é sinal de fraqueza e sim de força</strong>. <strong><em>E se existem pessoas que estão torcendo para que sua vida seja uma grande merda, que torçam, eles não pagam suas contas, não colocam comida em suas mesas, não comprar seus remédios e nem estão ao seu lado quando está chorando sozinha na madrugada cheia de dor física e mental</em></strong>. E fingir o tempo todo que está bem só para ‘agradar’ todo mundo não é saudável para nós mesmos.</p><p><strong>Até aqueles que trabalham e ganham bem tem seus problemas</strong>. Podem não ser iguais aos seus, mas podem também estarem chorando à noite no travesseiro e você nem sabe disso, porque para a sociedade ‘temos que parecer fortes o tempo todo’. <strong>Aprendi com anos de terapia, que nem todo dia eu estarei bem e que tá tudo bem. Às vezes o meu melhor é apenas 5%, então darei meus 5%, sabendo que dei o meu melhor que pude naquele dia. E se tem alguém torcendo para que tudo na minha vida dê errado, o problema é dessa pessoa, não meu</strong>. Minha avó sempre dizia que quando se aponta o dedo para alguém, as pessoas sempre se esquecem que 3 dedos estão apontados para você mesmo. Então se você julga ou torce contra o coleguinha, espere, seu dia de estar por baixo chegará, <strong>porque o mundo não é uma montanha-russa e sim uma roda-gigante, um dia você está lá em cima (como estive muitas vezes) e em outros momentos você estará lá embaixo. A diferença é se você terá pessoas lá embaixo esperando por você.</strong></p><p>No dia 26 de setembro de 2024, quando decidi baixar minha guarda e chutar o balde sobre tudo na minha vida, e sim, pedir por socorro, porque não tinha como me levantar do chão, literalmente, percebi, que não tenho mais como contar nem com minha mãe, que já passou dos 70 anos e não está bem de saúde, assim como a maioria dos idosos no Brasil. Então, sim, gritei por socorro. <strong>Pedi socorro para quem eu não conhecia, igual ao meu amigo fez comigo anos atrás. Mas ainda bem, algumas pessoas (umas conhecidas, outras que eu admirava e nem sabia que elas sabiam que eu existia, e outras que eu nem fazia ideia de quem são), mas todas elas tiraram aquele 1 minutinho de suas vidas e me escutaram</strong>. E eu, não me perdoo por não ter tirado 1 minuto para ouvir meu amigo anos atrás.</p><blockquote><strong>Obrigada de coração a todos vocês. Não vou citar nomes, porque esqueceria todos e seria errado citar uns e esquecer de outros. Então agradeço a todos: do Brasil e, pasmem, fora dele também.</strong></blockquote><p>Então, obrigada, do fundo do meu coração a todos que tiraram 1 minutinho do tempo da vida atribulada de vocês para ouvir meu pedido de socorro e vieram me socorrer. Serei eternamente grata por isso. <strong>A única coisa que quero na vida é poder voltar a ser produtiva e sorridente como já fui um dia. E sei que serei novamente, sabe porque? Porque todas essas pessoas, conhecidas e desconhecidas, tiraram 1 minutinho do tempo delas para me ajudar, seja doando seu tempo, seu dinheiro, compartilhando meu pedido de socorro ou apenas conversando comigo no Whatsapp e no LinkedIn. Obrigada a todos!</strong></p><p>E um obrigada especial a funcionária da <a href="https://www.luuna.com.br/">Luuna Colchões e Camax em Caixas</a>. Que foi atenciosa, além do que um funcionário deve ser. <strong>Ela notou que algo de errado estava acontecendo comigo e fez uma ligação pra mim (quem liga para alguém hoje em dia em tempos de mensagens instantâneas?). Sim, ela me ligou e ficou horas comigo no telefone tentando me acalmar, e não se importou apenas em ‘vender’ seu produto para mim, se importou em conversar comigo até eu me acalmar e tentar de todas as formas conseguir um desconto maior para que eu pudesse dormir com conforto e saudavelmente. Então Iza, muito obrigada mesmo pela sua atenção e cuidado. E Luuna, não percam essa funcionária, porque ela vale ouro!</strong></p><blockquote><strong>Eu nunca imaginei que em apenas 24 horas eu teria mais de 70% do valor total para comprar a cama e o colchão que preciso para cuidar da minha saúde física e ter noites de sono tranquilas para ter minha mente tranquila para poder voltar a fazer o que mais gosto de fazer: produzir meus textos!</strong></blockquote><iframe src="https://cdn.embedly.com/widgets/media.html?src=https%3A%2F%2Fwww.youtube.com%2Fembed%2FjEyOTx3B5lI%3Ffeature%3Doembed&amp;display_name=YouTube&amp;url=https%3A%2F%2Fwww.youtube.com%2Fwatch%3Fv%3DjEyOTx3B5lI&amp;image=https%3A%2F%2Fi.ytimg.com%2Fvi%2FjEyOTx3B5lI%2Fhqdefault.jpg&amp;key=a19fcc184b9711e1b4764040d3dc5c07&amp;type=text%2Fhtml&amp;schema=youtube" width="854" height="480" frameborder="0" scrolling="no"><a href="https://medium.com/media/323c6dd7006a2699e4b3972f2be872ef/href">https://medium.com/media/323c6dd7006a2699e4b3972f2be872ef/href</a></iframe><blockquote><strong>…Não é sobre chegar no topo do mundo e saber que venceu<br>É sobre escalar e sentir que o caminho te fortaleceu<br>É sobre ser abrigo e também ter morada em outros corações<br>E assim ter amigos contigo em todas as situações… </strong><br>[Trecho da música ‘Trem Bala’ de Ana Vilela]</blockquote><h3>Obrigada a todos!</h3><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/1*hvPEiTdW8gLGyhjijnVGsQ.png" /></figure><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=f94bac0df5a0" width="1" height="1" alt=""><hr><p><a href="https://medium.com/anamagal/obrigada-por-me-darem-1-minuto-da-aten%C3%A7%C3%A3o-do-dia-atribulado-de-voc%C3%AAs-f94bac0df5a0">Obrigada por me darem 1 minuto da atenção do dia atribulado de vocês!</a> was originally published in <a href="https://medium.com/anamagal">anamagal</a> on Medium, where people are continuing the conversation by highlighting and responding to this story.</p>]]></content:encoded>
        </item>
        <item>
            <title><![CDATA[Parando de Fumar: um relato de 30 dias de tropeços e superação]]></title>
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            <category><![CDATA[stop-smoking]]></category>
            <category><![CDATA[parando-de-fumar]]></category>
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            <category><![CDATA[30-dias-sem-fumar]]></category>
            <dc:creator><![CDATA[Ana Magal]]></dc:creator>
            <pubDate>Tue, 24 Sep 2024 22:16:53 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2024-09-24T22:16:53.032Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/1*pVUc2H8afVzmzpFtW39XfQ.png" /><figcaption>Imagem criada por Bing IA Creator</figcaption></figure><h3><strong>O processo desafiador de abandonar o cigarro e os altos e baixos durante o meu primeiro mês sem fumar</strong></h3><h3>Dia 1 (25/08/2024): o início da jornada</h3><p>O primeiro dia sem fumar foi uma montanha-russa de emoções e sensações físicas. Passei o dia com uma forte dor de cabeça, tontura constante e um sentimento de irritação crescente. A cada cigarro que minha mãe acendia na minha frente, o desafio aumentava. Para tentar lidar com o desconforto e a vontade de fumar, entrei em um <em>modo de TOC</em> e comecei a limpar a casa de cima a baixo. Limpei o banheiro, a varanda, o quarto, a cozinha, limpei tudo que via pela frente.</p><p>Apesar da vitória de ter esquecido do cigarro durante a limpeza, o mal-estar físico era evidente. À tarde, tentei assistir séries para me distrair, mas a dor de cabeça era persistente e o enjoo me lembravam constantemente do que meu corpo estava enfrentando. Consegui dormir um pouco no fim da tarde, mas o alívio foi curto. Acordei com a cabeça latejando, mas segui firme.</p><blockquote>Ao final do dia, consegui! Passei 24 horas sem fumar. A primeira vitória estava garantida.</blockquote><h3>A primeira semana: meu corpo em crise</h3><p>Os dias seguintes não foram fáceis. <strong>A primeira semana foi marcada por sintomas físicos intensos: dor de cabeça, tontura e, claro, a vontade incontrolável de fumar</strong>. Cada minuto parecia uma batalha. Passei a maior parte do tempo tentando me ocupar com atividades domésticas para manter minha mente distante do desejo de acender um cigarro.</p><p><strong>Além disso, minha mãe, que também é fumante, parecia não acreditar na minha determinação</strong>. Continuava fumando ao meu redor e me oferecia cigarro o tempo todo, o que tornava tudo ainda mais difícil. Felizmente, me mantive forte nessa primeira semana, apesar dos sintomas de abstinência.</p><h3>Segunda semana: a tentação de fumar veio fortemente</h3><p>A segunda semana trouxe um novo desafio. <strong>Um estresse particular me abalou profundamente, e acabei cedendo à tentação. Roubei um cigarro da minha mãe e fumei</strong>. O gosto, no entanto, foi diferente. <strong>Em vez do alívio esperado, senti náusea e quase vomitei</strong>. Esse episódio me fez perceber o quanto meu corpo já começava a rejeitar o vício. Foi um deslize, mas, ao mesmo tempo, uma lição importante.</p><h3>Terceira semana: as crises físicas e a ajuda da Clínica da Família</h3><p>Com o tempo, outros sintomas começaram a aparecer. Desenvolvi uma tosse com um muco estranho — não era catarro comum, mas algo diferente. Essa tosse começou a afetar meu dia a dia de forma embaraçosa, já que cada crise me fazia perder o controle urinário, isso mesmo, fiquei com incontinência urinária (<em>literalmente a cada tosse era um mijo nas calças</em>) — <strong>vergonha modo on ativada</strong>. Passei a usar absorventes gigantes, daqueles que mulheres que acabaram de dar a luz usam, para evitar constrangimentos, mesmo assim, era impossível, escapava por todos os lados. Era uma situação desconfortável, parei de sair de casa. Só saía o necessário e sempre vinha correndo de volta e direto para o chuveiro e a roupa para a máquina de lavar, mas continuei firme no meu propósito.</p><p>Na terceira semana, participei da minha primeira reunião de grupo na Clínica da Família. Foi um alívio poder conversar com outras pessoas que estavam passando pelo mesmo processo. Ainda assim, a tentação continuava presente, especialmente ao ver outras pessoas fumando ao meu redor. O desejo de fumar ainda era forte, mas a ajuda do grupo me deu forças para continuar.</p><h3>Quarta semana: a luta contra o desânimo</h3><p>A quarta semana foi talvez a mais difícil. Passei por um episódio de ansiedade extrema. Fiquei tão desesperada durante as minhas crises que cheguei a querer pegar bitucas de cigarro na rua para fumar, que nem cracudo faz. Quando me vi abaixando na calçada para fazer aquilo, perguntei a mim mesma: “Você está louca?”. O desespero era real.</p><p>Um dia depois, tive uma discussão feia com minha mãe e isso acabou me levou a acender outro cigarro só de raiva (meio que para mostrar a ela, “ok, você venceu, eu sou a fraca e você é a fodona da casa!”. Após isso, fui para o meu quarto e chorei a a tarde inteira, sentindo que tinha falhado comigo mesma.</p><p>Para piorar, no dia seguinte, acordei sem conseguir respirar. Tinha sido uma madrugada muito fria, vinda de um dia de calor extremo e queimada em uma Floresta perto de casa, na zona norte do Rio. O céu aqui chegou a ficar alaranjado durante a tarde anterior. Na manhã seguinte a esse frio congelante da madrugada, comecei a passar mal. Não conseguia respirar. Pensei logo que por conta do tempo frio a minha rinite alérgica tinha atacado. Mas foi tão forte que precisei de atendimento médico.</p><p>Corri logo cedo para a Clínica da Família perto de casa e pedi atendimento por demanda (uma espécie de emergência). A médica me examinou. Olhou com uma lanterna dentro das minhas narinas, apertou minha face, perguntou se eu tinha sinusite e eu disse que não, apenas rinite. Ela riu e brincou dizendo: “Então você foi sorteada! Está com rinossinusite!” Eu falei: “O quê?”. Ela me explicou que por conta do ar estar com a úmida tão baixa e as partículas de fuligem chegando cada vez mais perto, muitas pessoas estão desenvolvendo a “febre do feno” ou a “rinossinosite”, que nada mais é que uma inflamação extrema dos canais respiratórios. Que são muito perigosos principalmente para crianças e idosos.</p><p>Pode causar incômodo ao respirar, dor no peito e na cabeça, tontura, febre baixa, enjoo e tosse (só pensei: “mais tosse? Agora vou me c*g*r nas calças”). Respirar tornou-se um desafio — o muco da tosse se acumulava, bloqueando meu nariz e dificultando minha respiração pela boca. Eu tinha que ter cuidado, que por ser ex-fumante poderia desenvolver asma. Ela me passou um anti-histamínico bem forte, ibuprofeno, que é analgésico e anti-inflamatório, e um corticoide spray para usar por 6 meses! (isso mesmo: SEIS MESES).</p><p>Nessa hora eu saí de lá com tanta raiva, que confesso: entrei na padaria em frente e comprei 2 cigarros a varejo e fumei os dois seguidos um do outro. Me arrependi no mesmo instante. Nem tinha começando o segundo direito e já estava com falta de ar. Foi como dar um passo para trás em toda a minha caminhada. Ainda assim, decidi que esse deslize não iria definir minha trajetória. Jouei o cigarro ainda aceso no chão, pisei e vim para casa.</p><p>Estou tomando os remédios como combinado. A respiração está melhorando. Mas as mijadas nas calças ainda continuam a cada tosse (ok, eu autorizo vocês a rirem).</p><h3>Dia 24/08/2024 : um dia antes de completar um mês sem cigarro</h3><p>Acordei cedo para ir comprar pão como de costume. Mas minha mãe quis ir atrás para que eu a ajudasse pegar o pagamento dela no caixa eletrônico (ela não aprendeu até hoje usar essa coisa de biometria). Lá fomos nós.</p><p>Primeira parada: vendinha que vende o cigarro dela. E de repente, ao invés dela pedir ou o pacote com 10 maços, ou 5 maços, como sempre pede, ela virou para a menina e disse: “me vê apenas 2 maços, por favor!”. Olhou para mim, eu olhei para ela e ela, meio que com raiva disse: “Tá olhando o quê? Vou parar de fumar também. Tô gastando muito dinheiro com isso!”.</p><p>Pensei comigo: “Ué… Mas eu não era a ‘fraca’ da família que nunca iria conseguir parar de fumar, porque ela que era a f0d0n4 não conseguia, então eu não ia conseguir? Como assim ela vai parar também?”. Juro, ainda não estou acreditando. Mas até o fim desse dia, ela não me mandou comprar mais maço de cigarro e nem foi sozinha comprar. Tô chocada!</p><h3>Amanhã — Dia 25/08/2024 : um mês da minha conquista</h3><p>Está chegando o tão sonhado 30º sem cigarro! Claro, que com seus altos e e baixos, mas cheguei! Para mim, tá sendo uma vitória pessoal enorme. Nem acredito que consegui superar um mês inteiro sem surtar por conta do cigarro. E o mais chocante, e mega surpresa minha: minha mãe também decidiu reduzir drasticamente o consumo de cigarro. Ela, que antes fumava cinco maços por dia, resolveu comprar apenas dois. Não sei o que o futuro nos reserva, mas essa decisão me trouxe um sentimento de esperança.</p><p>Além dos benefícios para a saúde, outro aspecto que me motivou foi a economia. Fiz as contas e percebi que nós duas comprávamos 3 pacotes por semana custando R$ 50 cada. Ou seja, um total de R$ 150 toda semana a menos em nosso miserável orçamento. Sendo que a metade era minha nessa conta, eu economizei R$ 75 por semana, um total de R$ 300 por mês!</p><p>Não fez muita diferença nesse primeiro mês não, porque tivemos várias emergências e percalços (e também fiquei bancando o cigarro dela quando o dinheiro dela acabava). Mas isso me deu ainda mais incentivo para continuar firme, pensando não só na minha saúde física e mental, mas também no impacto financeiro positivo dessa mudança.</p><h3>Rumo ao Mês 2!</h3><p>Com um mês sem fumar, sigo firme no propósito de manter esse novo estilo de vida. Embora tenha sido um mês repleto de desafios, crises físicas e momentos de fraqueza, cada dia sem cigarro representa uma vitória. O apoio da Clínica da Família e as pequenas conquistas diárias me ajudam a seguir em frente. Principalmente do meu pai, que sempre acreditou em mim.</p><p>E dos meu amigo virtual que sei que está torcendo por mim, o Douglas Costa que sempre pergunta como está indo minha jornada, e do meu grande amado amigo Marcus Pantoja que sempre brincou falando comigo no passado que meu beijo tinha gosto ruim de cigarro (agora não terá mais viu rsss).</p><p>Sei que a jornada ainda está longe de terminar, mas, com determinação, sigo adiante rumo ao segundo mês sem fumar.</p><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=649efa6b82f7" width="1" height="1" alt=""><hr><p><a href="https://medium.com/anamagal/parando-de-fumar-um-relato-de-30-dias-de-trope%C3%A7os-e-supera%C3%A7%C3%A3o-649efa6b82f7">Parando de Fumar: um relato de 30 dias de tropeços e superação</a> was originally published in <a href="https://medium.com/anamagal">anamagal</a> on Medium, where people are continuing the conversation by highlighting and responding to this story.</p>]]></content:encoded>
        </item>
        <item>
            <title><![CDATA[Os desafios dos profissionais com ‘Transtornos Mentais’ no mercado de trabalho]]></title>
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            <category><![CDATA[autismo]]></category>
            <category><![CDATA[transtornos-psicologicos]]></category>
            <category><![CDATA[mercado-de-trabalho]]></category>
            <category><![CDATA[inclusão-profissional]]></category>
            <category><![CDATA[bipolar-disorder]]></category>
            <dc:creator><![CDATA[Ana Magal]]></dc:creator>
            <pubDate>Sun, 22 Sep 2024 21:20:33 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2024-09-22T21:20:33.061Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/880/1*Y53NlMnT_Hp2xKN_RUrMPA.png" /></figure><p>Nos últimos anos, a discussão sobre a saúde mental ganhou mais visibilidade. Porém, para quem vive com um transtorno mental, o cenário real ainda é repleto de obstáculos. Essa é a minha realidade, tenho <em>TAB (Transtorno Afetivo Bipolar Tipo II)</em>. E hoje quero compartilhar um pouco sobre o que tenho vivenciado enquanto profissional com um transtorno mental no mercado de trabalho.</p><p>Mas tenho notado que para pessoas com transtornos mentais, como <em>Transtorno Bipolar e Transtorno do Espectro Autista</em>, a realidade no ambiente de trabalho pode ser bem diferente. Mesmo com legislações e políticas de inclusão, o estigma ainda impede que muitas dessas pessoas sejam plenamente aceitas e compreendidas em suas capacidades profissionais.</p><h4>A dificuldade de voltar ao mercado de trabalho</h4><p>Fui diagnosticada com <em>TAG (Transtorno da Ansiedade Generalizada</em>) aos 23 anos. E percebi que minha vida profissional sempre foi uma montanha-russa. Um dia em estava no topo e no minuto seguinte estava indo para o ‘olho da rua’. Mas sempre respirei fundo e continuei em frente. Até que em 2009 eu entrei para a Faculdade de Jornalismo e comecei a fazer alguns trabalhos na área, em minhas horas vagas do ‘trabalho formal’ (<em>aquele que pagava as contas</em>). Até que por um problema com a Polícia Federal, a empresa demitiu um turno inteiro de profissionais, e foi a turma da madrugada (<em>a que eu trabalhava</em>), foi quem pagou o pato.</p><p>Foi quando tive que desistir da faculdade, pois não tinha mais como pagar as mensalidades. Meu pai me ajudou por um tempo, mas sendo aposentado ficou difícil e pesado para ele. Então abandonei tudo. Afinal, já estava atuando na área de Comunicação, e na minha imensa inocência na época, eu pensei que a experiência ia valer mais que um canudo de papel. Me ferrei.</p><p>Acabei fazendo um <em>curso de Estética Animal</em> nesse período e acabei atuando por uns anos na área. Mas como não é uma profissão legalizada (<em>ou seja, sem direitos</em>) e eu tinha muitos problemas com os donos dos petshops acabei me afastando. Fiquei apenas atendendo particular alguns cães, já idosos, que eu tinha carinho por ele e suas tutoras. Cuidei deles até o dia de suas mortes. Mas aí me vi perdida e sem dinheiro. O que fazer?</p><p>A Pandemia chegou e não tinha para onde correr. Minha única opção foi pedir socorro ao governo e receber o auxílio. Eu já estava recebendo na época, o Bolsa Família, por conta da profissão de Tosadora não ser registrada (<em>um dinheirão: R$89</em>), durante a Pandemia mudou o nome para Auxílio Brasil e depois que o Lula voltou ao poder, tornou a chamar de Bolsa Família de novo. Muita confusão para minha cabeça entender essa politicagem toda. Segui em frente, respirando…</p><p>Quase no fim da Pandemia, era 2021, após ter ido atender uma das cadelinhas idosas em um bairro bem distante de casa, senti formigamento e fortes dores em ambos os pés ao chegar em casa. Com os dias, as dores e o formigamento pioraram chegando a me deixar incapaz de me mover. Rodei de médico em médico e nada de descobrirem o que eu tinha. Depois de passar por uma bateria de gente de jaleco, parei em um psiquiatra particular, que me explicou que eu estava tendo um quadro de síndrome conversiva, <em>o mesmo que uma crise de somatização</em>, ou seja, eu estava transformando minhas dores psicológicas em dores físicas. Mas que ele só podia cuidar da parte mental e me encaminhou para uma clínica da Dor para saber qual o problema físico me atingia. Fui parar na <strong>Clínica da Dor do Hospital Universitário Pedro Ernesto</strong>. Depois de vários exames e consultas, o diagnóstico: <strong>Polineuropatia Sensitiva Motora Axonal</strong>. Eu só perguntei para médica: <em>“É de comer?”</em> Não fazia ideia do que era aquilo.</p><p>Ela me explicou que neuropatias são comuns em pessoas diabéticas e como eu não era, ela tinha quase 100% de certeza que foi causada por uma crise estresse emocional, ou seja, a tal crise conversiva que o psiquiatra falou. Falei que tudo bem e o que eu faria para melhorar. Elas olharam para minha cara e disseram: “<strong>Não tem cura”</strong>. Eu entrei em choque. <strong>Como assim não tem cura?</strong></p><p>Ela deu o exemplo dos diabéticos que acabam amputando seus dedos, pés e até pernas por conta das neuropatias. Então, eu tinha uma poli, ou seja, em mais de um local, nos dois pés. Me explicaram que conforme o resultado da eletroneuromiografia, eu tinha perdido toda a sensibilidade dos dedos nos pés, de ambos. Mas que parte do pé para cima, ainda estavam pouco ou totalmente funcionais. Ela me classificou, ali, naquele momento (<em>e visualiza a cena — eu fui sozinha ao médico</em>) <strong>como Pessoa com Deficiência Oculta e/ou Invisível</strong>. Eu só falei: <strong>“O quê?”</strong> Ela deu exemplo de uma pessoa surda, se você a vê na rua de longe, nunca imaginará que ela é uma PcD, a não ser que chegue perto e tente falar com ela, mesmo assim, ela continua sendo uma PcD só que Oculta, eu no caso, seria mais parecido como os pacientes com Esclerose Múltipla, que a maior parte do tempo da doença, ‘<em>são tido como pessoas normais</em>’, mesmo tendo suas limitações, as outras acham que elas não são PcDs, mas são sim… Assim como eu, são <strong>os PcDs Invisíveis</strong>. Ou seja, se eu não uso cadeira de rodas, muleta, bengala, etc… Não tenho deficiência. Nem para a própria Medicina.</p><p>Meu mundo caiu. <a href="https://medium.com/anamagal/tab-tag-tpa-tdm-e-cids-minha-vida-girando-em-torno-de-siglas-3edfa9fad4f2">Não queria mais viver. Como iria me sustentar? Tive surtos e surtos de crise de ansiedade e pânico uma atrás da outra, que me levaram pra emergência.</a> Até que minha médica da Clínica da Família conseguiu um tratamento Psiquiátrico em Saúde Mental de um Posto de Saúde perto de casa.</p><p>Depois de alguns meses de conversa com psicóloga e psiquiatra. Depois de mostrar todos os meus relatórios médicos desde os 23 anos e contar o que estava rolando atualmente, ele [<em>o psiquiatra</em>], começou a escrever um laudo de uma página inteira, relatando tudo e no final colocando como diagnóstico, a confirmação da TAG, os ataques de pânico… Até aí tudo bem… <strong>e a bomba: Transtorno Afetivo Bipolar Tipo II</strong>. Meu mundo caiu….</p><blockquote>Tudo o que era para dar errado naquele ano deu. Tudo. Exatamente tudo. Passei por um limbo de quase 6 meses sem conseguir entender onde eu ia, onde eu cabia, quem eu era.</blockquote><p>Foi quando decidi retornar ao mercado de trabalho, mas optei por atuar como <em>freelancer</em>, em um regime de 100% <em>home office</em>. No entanto, essa escolha trouxe novas dificuldades. A captação de clientes tem sido árdua, e, infelizmente, continuo dependendo principalmente do auxílio Bolsa Família —<em> já que o INSS me negou o Benefício de Prestação Continuada (BPC), ao qual tenho direito e tive que recorrer judicialmente contra essa decisão</em>. Para sobreviver, conto com a ajuda de amigos e até de pessoas que jamais imaginei que me estenderiam a mão.</p><iframe src="https://cdn.embedly.com/widgets/media.html?src=https%3A%2F%2Fwww.youtube.com%2Fembed%2FZ0JQGTXYWkg%3Ffeature%3Doembed&amp;display_name=YouTube&amp;url=https%3A%2F%2Fwww.youtube.com%2Fwatch%3Fv%3DZ0JQGTXYWkg&amp;image=https%3A%2F%2Fi.ytimg.com%2Fvi%2FZ0JQGTXYWkg%2Fhqdefault.jpg&amp;key=a19fcc184b9711e1b4764040d3dc5c07&amp;type=text%2Fhtml&amp;schema=youtube" width="854" height="480" frameborder="0" scrolling="no"><a href="https://medium.com/media/4cf1e7b821d0b475e3473c0b1891ddad/href">https://medium.com/media/4cf1e7b821d0b475e3473c0b1891ddad/href</a></iframe><h4>A falta de oportunidades e as exigências do mercado</h4><p>Mas não desisti. Continuo firme! Muitas vagas se encaixam em meu perfil, <strong>mas exigem o maldito canudo de papel da faculdade que não finalizei</strong> (<em>sai faltando 8 matérias para terminar</em>). Outras empresas, aceitam que eu não tenha o canudo e sim a experiência, <strong>mas exigem que eu seja PJ</strong>, mas para eu me tornar MEI, <strong>eu terei que abrir mão do fixo que eu ganho com Bolsa Família e arriscar em algo que não sei se vai dar certo e ainda terei que gastar pagando imposto, correndo o risco de ficar sem ter como pagar minhas contas e comer</strong>. O que eu faço? Não sei. Respiro fundo e pego ‘<em>trabalhinhos por valores</em> <em>ridicularmente baixos para não ficar sem nada’</em>.</p><p>Porque para o governo federal nós não existimos... Eles acham que uma família inteira consegue sair da extrema pobreza com apenas R$ 600. <strong>Não dá para a gente sair da extrema pobreza com apenas R$ 600 reais</strong>… Vocês só pensam em comida, mas esquecem que tem água, luz, gás, conta de celular (<em>que hoje é fundamental para trabalhar e estudar</em>). Não, mas na conta de vocês, o pobre deve estar comendo caviar com os R$ 600 reais que ganha né? E ainda me impedem de abrir um MEI e correr o risco de perder os milionários R$ 600 que vocês me dão, porque se abro ‘<em>eu me torno uma empresária</em>’… [como eu queria emoji aqui]</p><blockquote>Estou numa corda bamba e não sei para que lado eu vou… Para o fogo ou me jogo para os jacarés?</blockquote><p><strong>Me vejo entre uma decisão extremamente difícil: abrir uma MEI para virar o tal PJ, que as empresas pedem tanto e correr o risco de perder o único dinheiro certo e fixo que tenho, ou continuar com esse apoio e arriscar ficar sem luz, água e comida em casa. E se eu optar por abrir um MEI e der tudo errado? E se, em poucas semanas, eu não conseguir resultados financeiros? São escolhas que exigem um cuidado tremendo e podem afetar profundamente minha subsistência. São muitos ‘e se…’</strong></p><h4>O preconceito e a invisibilidade no trabalho</h4><p>Ainda existe muito preconceito em relação aos <em>transtornos mentais no ambiente profissional</em>. A maioria das empresas não está preparada para lidar com essas questões de forma adequada. Além disso, o fato de minha deficiência ser invisível torna tudo mais complicado. As pessoas tendem a acreditar que, se você não tem uma deficiência física visível, está em perfeitas condições de trabalhar como qualquer outra pessoa.</p><p><em>Porém, viver com um transtorno mental, e um problema físico causado por ele, é uma batalha diária</em>. Nem sempre tenho a energia necessária para enfrentar a rotina de trabalho, mas, por outro lado, preciso manter minha vida financeira e profissional.</p><h4>A importância de um sistema mais justo</h4><p>O sistema de auxílio, infelizmente, ainda apresenta muitas falhas. <em>O INSS não reconhece o Transtorno de Bipolaridade como uma deficiência mental</em>. Mas a legislação já reconhece essa condição como algo incapacitante. Mas os peritos do INSS mal olham para nossa cara. Pegam o laudo que mal leem também e já saem apertando teclas no computador indeferindo nosso pedido. <em>Isso é frustrante e, muitas vezes, desanimador</em>. Parece que estamos constantemente lutando contra a falta de compreensão e as barreiras impostas, tanto pela sociedade quanto pelo próprio governo.</p><p><strong>O que é ainda mais intrigante é que, segundo o CID-10, o Transtorno Bipolar (F31) está classificado como uma condição que dá direito ao BPC</strong>. No entanto, na prática, esse reconhecimento não vem de forma fácil, <strong>e acabamos sendo excluídos de uma proteção que deveria ser garantida</strong>. <em>Nós somos obrigados a contratar advogados que ficarão com parte do que recebermos para adquirir algo que é NOSSO DIREITO!</em></p><h3>Não é só sobre a Bipolaridade as meninas Autistas também sofrem esse preconceito</h3><p><em>As mulheres com autismo frequentemente enfrentam desafios adicionais, já que, em muitos casos, o diagnóstico chega mais tarde do que nos homens</em>. O Autismo em mulheres se manifesta de forma mais sutil e, por isso, elas podem acabar mascarando suas dificuldades por longos períodos. Quando finalmente entram no mercado de trabalho, as barreiras são ainda maiores.</p><p>Relatos de meninas com Autismo apontam que, no ambiente corporativo, muitas enfrentam a falta de empatia e compreensão de seus comportamentos, que podem ser interpretados como falta de interesse ou dificuldade de interação social. <em>Como o Autismo feminino muitas vezes não apresenta sinais tão visíveis quanto no masculino, isso leva ao agravamento da exclusão social e profissional dessas mulheres</em>.</p><p>Conversei com uma menina, <em>vou chamá-la de Sofia</em>, que foi diagnosticada somente aos 25 anos, e me contou que a dificuldade em manter conversas triviais e o desconforto em ambientes de muito estímulo a fizeram ser rotulada como ‘estranha’ por colegas de trabalho. “<em>Eu sentia que, por mais que tentasse me ajustar, sempre parecia deslocada. Isso afetou minha autoestima e me fez questionar minhas capacidades, até eu entender que o problema não era a minha performance, mas a falta de conhecimento sobre o Autismo</em>”, relatou.</p><iframe src="https://cdn.embedly.com/widgets/media.html?src=https%3A%2F%2Fwww.youtube.com%2Fembed%2FYsAuxeWE0Mk%3Ffeature%3Doembed&amp;display_name=YouTube&amp;url=https%3A%2F%2Fwww.youtube.com%2Fwatch%3Fv%3DYsAuxeWE0Mk&amp;image=https%3A%2F%2Fi.ytimg.com%2Fvi%2FYsAuxeWE0Mk%2Fhqdefault.jpg&amp;key=a19fcc184b9711e1b4764040d3dc5c07&amp;type=text%2Fhtml&amp;schema=youtube" width="854" height="480" frameborder="0" scrolling="no"><a href="https://medium.com/media/46f899f9ebde3dfcf632290b9938d8e0/href">https://medium.com/media/46f899f9ebde3dfcf632290b9938d8e0/href</a></iframe><h3>O peso do preconceito</h3><p><em>O preconceito em relação a transtornos mentais no trabalho ainda é uma das grandes barreiras para a verdadeira inclusão</em>. Isso afeta tanto homens quanto mulheres, <em>mas as mulheres com transtornos mentais ou neurodivergências, como o Autismo, enfrentam uma camada adicional de discriminação devido às expectativas sociais e de gênero</em>. A falta de uma cultura organizacional que promova a empatia e o respeito às diferenças tem um impacto direto na qualidade de vida e na produtividade dessas profissionais.</p><h4>Caminhos difíceis, mas necessários</h4><p>Aos poucos, eu vou tentando encontrar um equilíbrio entre minhas limitações e as demandas do mercado de trabalho. Acredito que a sociedade ainda tem muito a evoluir quando se trata da inclusão de pessoas com transtornos mentais.</p><p><strong>A conscientização é o primeiro passo para mudar essa realidade</strong>. É necessário que as empresas estejam preparadas para acolher esses profissionais, oferecendo condições adequadas de trabalho. <strong>Assim como é urgente que o governo revise suas políticas, garantindo que todos aqueles que realmente precisam de apoio possam obtê-lo</strong>.</p><p>A luta de quem possui transtornos mentais no mercado de trabalho é solitária e cheia de altos e baixos. Mas acredito que, ao compartilhar nossas histórias e abrir esse diálogo, podemos construir um ambiente de trabalho mais inclusivo e compreensivo. Precisamos de políticas públicas mais efetivas, sistemas de apoio mais justos e, acima de tudo, de <strong>um olhar mais humano para com quem enfrenta esses desafios</strong>.</p><h3>E as empresas, como podem ajudar?</h3><p>A criação de ambientes de trabalho inclusivos passa, principalmente, pela educação. <strong>Treinamentos sobre saúde mental e neurodivergência devem ser parte da rotina empresarial</strong>, ajudando colaboradores a entenderem melhor as dificuldades e necessidades de seus colegas.</p><p>Além disso, <strong>oferecer suporte psicológico e permitir que os colaboradores com transtornos mentais ou neurodivergências possam adaptar seus horários ou locais de trabalho, pode ser um diferencial</strong>. Programas de mentoria também podem ajudar a criar uma rede de apoio, na qual esses profissionais sintam-se acolhidos e entendidos.</p><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=3c775d9ca8e8" width="1" height="1" alt=""><hr><p><a href="https://medium.com/anamagal/os-desafios-dos-profissionais-com-transtornos-mentais-no-mercado-de-trabalho-3c775d9ca8e8">Os desafios dos profissionais com ‘Transtornos Mentais’ no mercado de trabalho</a> was originally published in <a href="https://medium.com/anamagal">anamagal</a> on Medium, where people are continuing the conversation by highlighting and responding to this story.</p>]]></content:encoded>
        </item>
        <item>
            <title><![CDATA[Etarismo profissional: a dor de sentir na pele que só porque ficou mais velha, você não presta mais…]]></title>
            <link>https://medium.com/anamagal/etarismo-profissional-a-dor-de-sentir-na-pele-que-s%C3%B3-porque-ficou-mais-velha-voc%C3%AA-n%C3%A3o-presta-c6dc8b53f68a?source=rss----d9aeb9f9f45b---4</link>
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            <category><![CDATA[preconceito]]></category>
            <category><![CDATA[etarismo]]></category>
            <category><![CDATA[mercado-de-trabalho]]></category>
            <category><![CDATA[50-anos]]></category>
            <dc:creator><![CDATA[Ana Magal]]></dc:creator>
            <pubDate>Thu, 01 Aug 2024 03:02:07 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2024-08-01T03:03:14.077Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<h3>Etarismo profissional: a dor de sentir na pele que só porque ficou mais velha, você não presta mais para o mercado de trabalho</h3><p>Depois que passei dos 40, não ‘me encaixo no perfil’ de nenhuma empresa</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/706/1*DjnMPNTysGgK7hZ7ISBSGA.png" /></figure><p>Desde 2010 comecei a trabalhar como freelancer home office. A atividade escolhida foi a Comunicação Social — Jornalismo, na qual eu estava na época na faculdade e já tinha tido experiência de ter trabalhado em uma Agência de Comunicação Interna. Eu era nova, tudo parecia estar dando certo, mas o tempo foi passando, os projetos de trabalho foram sumindo, conforme a tecnologia avançava e cada dia mais eu fica sem clientes para atender.</p><p>Foi nesse meio período que acabei fazendo um curso de Banho e Tosa, me apaixonei pela profissão e comecei a atuar em alguns PetShops e realizando atendimentos domiciliares. <a href="https://medium.com/anamagal/tab-tag-tpa-tdm-e-cids-minha-vida-girando-em-torno-de-siglas-3edfa9fad4f2">Mas por conta de um problema de saúde</a> tive que me afastar desse trabalho, que me exigia um esforço físico que eu não podia mais realizar. Foi quando decidi voltar a atuar como freelancer na área de Comunicação, mas vieram os grandes problemas: a falta do diploma (<em>não pude finalizar a faculdade por falta de grana faltando apenas 1 período para o fim</em>), por consequência a falta de registro profissional, o avanço das tecnologias, o surgimento em massa dos influenciadores digitais e o etarismo, eu tinha passado dos 40.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/505/1*pLRlCUuqOzGMssu-u4ORZQ.png" /></figure><p>Comecei a enviar currículos e currículos para diversas vagas de trabalho remoto, mas sempre recebia os e-mails com aquelas desculpas prontas, e nada pessoais, que eu ‘<em>não me encaixa no perfil da empresa no momento, mas que meu currículo ficaria no banco de talentos deles</em>’. E não foi uma ou duas vezes que recebe e-mails com essas mensagens, foram centenas, só ontem, dia 30 de julho de 2024, foram 6 e-mails no mesmo estilo: ‘<strong>não me encaixo</strong>’.</p><p>Até os sites de trabalhos freelancer <a href="https://www.workana.com/pt">Workana</a> e <a href="https://www.writeraccess.com/br/">RockContent</a> recusaram meu cadastro sem dar mais explicações. <strong>Só dando a desculpa que tem muito volume e que eles têm que ser ‘seletivos’ na hora de escolher um profissional para entrar na rede de cadastro do Marketplace deles e que não cabia na rede de redatores deles</strong>. Peraí? Não tenho experiência? O que mais tenho é experiência com isso. Mais de 20 anos escrevendo releases para diversos assessores de imprensa, <a href="https://medium.com/portfoliodamagal/sala-de-imprensa-43589b6fe52d">fazendo reportagens para sites, escrevendo para blogs corporativos</a>, <a href="https://www.abi.org.br/talentos-em-pauta-na-biblioteca-bastos-tigre/">lançando um livro</a>, <a href="https://medium.com/portfoliodamagal/premios-e-reconhecimentos-718d342a9f80">recebendo homenagens e prêmios nacionais e internacionais sobre o assunto</a>. Mas para eles, eu ‘não caibo’ no agrupador de ‘<strong><em>Alecrins dourados que nasceram no campo sem serem semeados…</em></strong>’</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/224/1*GcdskfpPZcUkusrHDamv8A.jpeg" /></figure><p>Preciso me atualizar? Sim. Tenho dinheiro para isso? Não. Porque esses profissionais que querem ensinar coisas tecnológicas novas e acham que todo freelancer é milionário, só pode. Cursos que vão de 500 até 5 mil reais. Eu queria fazer um curso de IA, o valor era de 2.500 reais. Se eu ganhasse isso no mês eu não estaria me afogando em dívidas e parcelando até conta de água e energia.</p><p>Vejo profissionais falando que um monte de empresa hoje dá acesso aos profissionais mais velhos e experientes…. Blá, blá, blá… Tudo balela! Eu devo morar em outro planeta desse pessoal, porque ou eu volto a ser novinha ou assalto um banco para bancar os cursos que eles querem e termine minha faculdade. <strong>Parece que para essas empresas o canudo vale mais do que minha experiência de mais de 20 anos no ramo</strong>.</p><p>Comecei a frequentar mais a rede social, voltado para o mundo profissional, <a href="https://www.linkedin.com/in/anamagal/">LinkedIn</a>, comecei a ser ativa e postar coisas por lá, mas nem assim sou vista. <strong>Ou melhor, sou vista por empresas que querem me vender cursos com valores absurdos ou empresas que querem ‘me ajudar a alavancar minha carreira’, mas só se eu vender um rim para pagá-los.</strong></p><p>Não sei o que dói mais, meu problema físico que me tornou uma <strong>PcD oculta/invisível</strong>, que ninguém acredita que eu seja, ou <strong>não ser levada a sério por estou chegando nos 50</strong>.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/721/1*osM_osGVBXo2ntyr85_r4w.jpeg" /></figure><p>Depois perguntam porque continuo deprimida, triste e sem vontade de mais nada na vida. Que vida? Para eles [as empresas/empregadores] eu não existo mais porque passei dos 40 anos…</p><p>Tô cansada sério… Cansada de murro em ponta de faca por migalhas para sobreviver só porque não sou mais ‘<strong>garotinha</strong>’ ou não fico ‘<strong>rebolando no TikTok</strong>’.</p><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=c6dc8b53f68a" width="1" height="1" alt=""><hr><p><a href="https://medium.com/anamagal/etarismo-profissional-a-dor-de-sentir-na-pele-que-s%C3%B3-porque-ficou-mais-velha-voc%C3%AA-n%C3%A3o-presta-c6dc8b53f68a">Etarismo profissional: a dor de sentir na pele que só porque ficou mais velha, você não presta mais…</a> was originally published in <a href="https://medium.com/anamagal">anamagal</a> on Medium, where people are continuing the conversation by highlighting and responding to this story.</p>]]></content:encoded>
        </item>
        <item>
            <title><![CDATA[TAB, TAG, TPA, TDM e CIDs. Minha vida girando em torno de siglas]]></title>
            <link>https://medium.com/anamagal/tab-tag-tpa-tdm-e-cids-minha-vida-girando-em-torno-de-siglas-3edfa9fad4f2?source=rss----d9aeb9f9f45b---4</link>
            <guid isPermaLink="false">https://medium.com/p/3edfa9fad4f2</guid>
            <category><![CDATA[ansiedade]]></category>
            <category><![CDATA[bipolar-disorder]]></category>
            <category><![CDATA[bipolar]]></category>
            <category><![CDATA[pessoas-com-deficiência]]></category>
            <category><![CDATA[depressão]]></category>
            <dc:creator><![CDATA[Ana Magal]]></dc:creator>
            <pubDate>Sat, 27 Jul 2024 11:11:39 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2024-07-31T14:55:06.441Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<p><strong>Estou aprendendo como lidar com tantos transtornos e ter uma vida ativa e ‘normal’</strong></p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/1*klVCM-pnw3bg4ND1rbs08Q.png" /></figure><p>Desde os 23 anos luto contra minha ansiedade excessiva que já me impossibilitou de fazer muitas coisas e causou muitos danos ao longo dos anos. Mas no ano de 2023, depois de uma década convivendo com isso e vários tratamentos que nunca deram certo, mudei de Psiquiatra, que reviu todo meu histórico e chegou a uma nova conclusão, e diagnóstico: não tenho apenas TAG. Também tenho TAB, TPA e TDM. Calma que já vou explicar tudo isso!</p><p>O TAG, como já expliquei aqui várias vezes, é a sigla utilizada para o Transtorno de Ansiedade Generalizada. Mas os ‘novos colegas’ que tenho são TAB (Transtorno Afetivo Bipolar), TPA (Transtorno do Pânico com Agorafobia) e TDM (Transtorno Depressivo Maior. Muitos T’s, não é? <a href="https://medium.com/anamagal/a-primeira-coisa-que-um-transtorno-psicologico-tira-de-voce-e-a-vontade-de-cuidar-de-si-mesma-b203bb8ae034?source=collection_home---4------6-----------------------">Se já não era fácil viver com um, imagina quando descobri que na verdade já convivia com todos eles e não fazia a menor ideia?</a></p><p>Culpa dos meus antigos médicos? Não. A Bipolaridade, por exemplo, é um transtorno difícil de ser diagnosticado e precisa de pelo menos 10 anos de sintomas e problemas no histórico médico para que o psiquiatra possa bater o martelo com sua afirmação. Isso vale o mesmo para o TPA e a TDM.</p><p><strong>Mas vou explicar por partes</strong></p><p>Todos eles são transtornos de ansiedade e humor. Ou seja, todos invadem nossa mente e nos tiram do rumo. O Transtorno Afetivo Bipolar, assim como o Autismo, é considerado uma forma de <strong>neurodivergência</strong>, ou seja, quem é Bipolar, também vive dentro de um ‘<em>espectro</em>’, como os Autistas.</p><p>Todas as siglas citadas são são condições psiquiátricas comuns e cada uma tem características e abordagens diagnósticas e terapêuticas específicas.</p><p><strong>TAB (Transtorno Afetivo Bipolar)</strong></p><p><strong>O que é:</strong></p><p>O TAB é uma condição de saúde mental caracterizada por mudanças extremas de humor, incluindo episódios de mania (ou hipomania, que é uma forma mais leve de mania) e depressão.</p><p><strong>Diagnóstico:</strong></p><p>- <em>Critérios Diagnósticos do DSM-5 (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais 5.ª edição):</em> Inclui a presença de pelo menos um episódio maníaco ou hipomaníaco, e episódios depressivos.</p><p>- <em>Avaliação Clínica:</em> Envolve uma história detalhada, exame psiquiátrico e uso de escalas de avaliação, como a Escala de Mania de Young (YMRS) e a Escala de Depressão de Hamilton (HAM-D).</p><p><strong>Tratamento:</strong></p><p>- <em>Medicação:</em> Estabilizadores de humor, anticonvulsivantes e antipsicóticos atípicos. (<em>Não vou aqui citar nomes de remédios, pois cada pessoa é única e quem tem que receitá-los são seus médicos</em>)</p><p>- <em>Psicoterapia: </em>Terapia cognitivo-comportamental (TCC), psicoeducação e terapia familiar.</p><p>- <em>Suporte Social:</em> Envolvimento em grupos de apoio e educação sobre o transtorno.</p><p><strong>TAG (Transtorno de Ansiedade Generalizada)</strong></p><p><strong>O que é:</strong></p><p>O TAG é caracterizado por uma ansiedade e preocupação excessiva e persistente com diversas atividades ou eventos, que ocorrem na maioria dos dias por pelo menos seis meses.</p><p><strong>Diagnóstico:</strong></p><p>- <em>Critérios Diagnósticos do DSM-5:</em> Inclui sintomas como inquietação, fadiga, dificuldade de concentração, irritabilidade, tensão muscular e perturbação do sono.</p><p>- <em>Avaliação Clínica:</em> Entrevista clínica detalhada e uso de escalas de ansiedade, como a Escala de Ansiedade de Hamilton (HAM-A).</p><p><strong>Tratamento:</strong></p><p>- <em>Medicação:</em> Inibidores seletivos da recaptação de serotonina, inibidores da recaptação de serotonina-noradrenalina e benzodiazepínicos (para uso a curto prazo).</p><p>- <em>Psicoterapia:</em> TCC, terapia de aceitação e compromisso (ACT) e mindfulness.</p><p>- <em>Técnicas de Relaxamento:</em> Meditação, ioga e exercícios de respiração.</p><p><strong>TPA (Transtorno de Pânico com Agorafobia)</strong></p><p><strong>O que é:</strong></p><p>O TPA é caracterizado por ataques de pânico recorrentes e inesperados, seguidos por um mês (ou mais) de preocupação persistente sobre ter outros ataques ou mudanças comportamentais significativas relacionadas aos ataques. Já a agorafobia, que é o medo de estar em lugares de onde a fuga possa ser embaraçosa ou difícil diante de uma crise de pânico. Entre as situações evitadas: lugares fechados, multidões, estar longe de casa, enfrentar filas, etc. O TP pode ser acompanhado da Agorafobia ou não. No meu caso, sim.</p><p><strong>Diagnóstico:</strong></p><p>- <em>Critérios Diagnósticos do DSM-5:</em> Inclui ataques de pânico recorrentes e inesperados, seguidos por preocupações persistentes ou mudanças significativas no comportamento.</p><p>- <em>Avaliação Clínica:</em> História detalhada dos episódios de pânico e uso de escalas de pânico, como a Escala de Pânico e Agorafobia (PAS).</p><p><strong>Tratamento:</strong></p><p>- <em>Medicação:</em> Inibidores seletivos da recaptação de serotonina, inibidores da recaptação de serotonina-noradrenalina e benzodiazepínicos.</p><p>- <em>Psicoterapia:</em> TCC focada em ataques de pânico, terapia de exposição e dessensibilização sistemática.</p><p>- <em>Educação:</em> Informação sobre a natureza do pânico e estratégias de enfrentamento.</p><p><strong>TDM (Transtorno Depressivo Maior)</strong></p><p><strong>O que é:</strong></p><p>O TDM é uma condição de saúde mental caracterizada por um humor persistentemente deprimido ou perda de interesse ou prazer em quase todas as atividades, junto com outros sintomas, por pelo menos duas semanas.</p><p><strong>Diagnóstico</strong>:</p><p>- <em>Critérios Diagnósticos do DSM-5:</em> Inclui sintomas como tristeza profunda, perda de interesse, alterações no sono e apetite, fadiga, sentimentos de inutilidade ou culpa, dificuldade de concentração e pensamentos s**** (vocês sabem o que, mas não é permitido escrever).</p><p>- <em>Avaliação Clínica:</em> Entrevista clínica, exame físico e uso de escalas de depressão, como a Escala de Depressão de Beck (BDI) e a HAM-D.</p><p><strong>Tratamento:</strong></p><p>- <em>Medicação:</em> Inibidores seletivos da recaptação de serotonina, inibidores da recaptação de serotonina-noradrenalina, antidepressivos tricíclicos (ADT) e inibidores da monoamina oxidase (IMAO).</p><p>- <em>Psicoterapia:</em> TCC, terapia interpessoal (TIP) e psicoterapia psicodinâmica.</p><p>- <em>Terapias Biológicas:</em> Eletroconvulsoterapia (ECT) e estimulação magnética transcraniana (EMT) para casos resistentes ao tratamento.</p><p>Isso foi só um apanhado geral do que são e como funcionam esses transtornos. Não é igual para todos, nem os tratamentos. Por exemplo, para quem tem TDM é aconselhado antidepressivos, porém, quem tem TAB, eles não fazem efeito, e aí? Os médicos utilizam outros tipos de medicamentos e terapia para ajudar os pacientes a saírem das crises depressivas.</p><p>Todos os profissionais falam que é importante para o paciente a colaboração entre o paciente, família e equipe de saúde é fundamental para o sucesso do tratamento. Porém não é tão simples assim. Meus familiares, por exemplo, não fazem a mínima ideia do que estou passando, até porque, quando souberam do meu TAG, falaram que ‘era frescura ou falta do que fazer’, então decidi não falar mais sobre meus problemas para eles. Amigos? São poucos os que tenho e quem me dão suporte emocional do que preciso. Posso contar nos dedos quem são, a maioria deles, também passam por algum problema psicológico como eu, então é mais fácil para eles entenderem o que estou passando.</p><h3><strong>No meio disso tudo o caos de viver com uma MN idosa</strong></h3><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/650/1*wi3zuVl7NBblVimpo272Pg.jpeg" /></figure><p><a href="https://medium.com/anamagal/tenho-uma-m%C3%A3e-narcisista-tentando-me-livrar-da-depend%C3%AAncia-emocional-da-minha-m%C3%A3e-95dc8c9b27e2">Muitos sabem da minha história problemática com minha mãe narcisista</a> (MN). Mas do ano passado para cá, passei a estudar mais sobre Narcisismo e entender melhor como funciona a mente dessas pessoas. Uma coisa básica e importante a se aprender sobre eles é que narcisismo não tem cura! Ou seja, eles não mudarão. Ou você aprende a conviver com eles, quando são obrigados (<em>o meu caso</em>) ou se afastam de vez para ter uma saúde mental estável.</p><p>Um dos conselhos dado pela minha psicóloga para me ajudar nas crises de Ansiedade de Bipolaridade é fazer atividade física regular, ter uma dieta equilibrada, um sono adequado e reduzir o estresse para não piorar os sintomas. Mas como fazer isso vivendo com uma pessoa narcisista ao lado? Difícil né?</p><p>A minha convivência com ela foi piorando conforme ela foi envelhecendo. Sim, os narcisistas envelhecem e ficam piores. Agora, nossa médica da Clínica da Família, desconfia que ela esteja em um estágio inicial de Alzheimer. Mas está difícil fazer ela sair de casa, pois está, também, com uma depressão profunda que não quer sair do sofá, dia e noite.</p><p>Para piorar, já quase colocou fogo na cozinha duas vezes cozinhando e fez outras coisas que nem quero citar. Fiquei muito preocupada e pedi socorro aos meus médicos, que me aconselharam a conversar com nossa clínica de família para ver um melhor tipo de atendimento para ela e confirmar se é mesmo esse tipo de demência ou não.</p><p>Ela está mais agressiva, impossível de lidar e acusatória. Sem eu fazer nada, só tentando acalmar ela durante as crises de ansiedade e nervosismo que tem, começa a gritar que estou agredindo ela. Tenho medo que os vizinhos chamem a polícia e eu seja presa por maus tratos a idosos. Por isso, quero tanto que ela vá ao médico para eu também poder me resguardar.</p><p>Afinal, o narcisista, principalmente as mães narcisistas, fazem questão de fazer da vida da filha um inferno. A minha me afastou de todos os namorados que tive, de todos os amigos, parentes, vida social e profissional. Passei a trabalhar home office e o único contato com seres humanos, além dela, que tenho, são as pessoas que encontro na padaria quando vou comprar pão, as pessoas no supermercado, farmácia e quando vou ao meus médicos. Estou em contato zero com qualquer pessoa. E também não posso receber amigos e familiares, ela faz questão de que não demorem dentro de casa.</p><p>Nos mudamos a pouco tempo e ninguém, nem amigos, nem família, vieram ver nossa casa. Simplesmente porque ela não deixa convidar ninguém. Só um primo meu que apareceu um dia de surpresa e ela, sem graça, teve que deixá-lo entrar.</p><p>Mas como ela é sempre a vítima para os outros e eu sou a vilã, fica difícil pedir socorro para alguém quando preciso de suporte ou até um colo para chorar. Todas as vezes que tive ataque de pânico, em que eu pensava que estava enfartando, fui sozinha, de Uber para a emergência, pois ela não se deu o trabalho de me acompanhar. Só ligou para mim para saber se eu ‘ia demorar demais pra voltar’.</p><h3><strong>E no tropeção dos anos, ainda me tornei uma PcD invisível</strong></h3><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/499/1*gGnSaXRmjT36ldADdkyB2A.png" /></figure><p>Durante uma das minhas crises de ansiedade foi acionada uma crise de somatização, chamada também como Síndrome Conversiva, que transforma seu problema mental em algo físico. Pode ser uma dor de cabeça, dor de barriga, dor nas costas, tontura ou algo mais grave.</p><p>Eu, tive o ‘<em>algo mais grave</em>’. Depois de passar meses sentindo dores nos dois pés e pernas, <a href="https://medium.com/anamagal/crise-de-ansiedade-s%C3%ADndrome-de-burnout-polineuropatia-sensitiva-um-ano-de-caos-em-minha-vida-e2419a588863?source=collection_home---4------1-----------------------">fui diagnosticada com Polineuropatia Sensitiva Motora Axonal</a>. A polineuropatia é a disfunção simultânea de vários nervos periféricos por todo o organismo. Nos meu caso eu senti for e formigamento que foram dos pés até as bochechas por meses e depois ficou somente nos pés.</p><p>A polineuropatia surge quando acontecem danos graves em vários nervos periféricos, que levam a informação desde o cérebro, e medula espinhal, até ao resto do corpo, causando sintomas como fraqueza, formigamento e dor persistente. No meu caso atingiu os membros inferiores.</p><p>Tanto a poli quanto a neuropatia periférica não têm cura, mas podem ser realizadas medidas para ajudar a aliviar os sintomas do paciente, como, por exemplo, de sessões de fisioterapia para apoiar o paciente. Alguns medicamentos também podem ser utilizados, de acordo com os sintomas que são apresentados pelo paciente. Mas como a minha ainda é classificada como ‘sensitiva’, ou seja, os nervos dos meus pés morreram, eu perdi a sensibilidade e o equilíbrio, me tornando assim, um pessoa com deficiência sensitiva. Mas esse tipo de PcD é uma das mais difíceis de serem aceitas pela sociedade, porque não sou uma amputada ou cadeirante, por exemplo. Então como ‘não veem’ minha deficiência, acham que sou apenas ‘preguiçosa’.</p><p>As <strong>deficiências ocultas, ou invisíveis</strong>, são aquelas não percebidas de imediato, variam de distúrbios para distúrbio, como ansiedade, depressão, esclerose múltipla, perda auditiva e distúrbios do espectro autista e da bipolaridade, e tantas outras mais. Como não ‘veem’, para eles ‘não temos’.</p><p>A polineuropatia, ou qualquer tipo de neuropatia, são causadas principalmente pelas diabetes, mas podem ser causadas por diversos fatores. Como eu não sou diabética, os médicos começaram a investigar e chegaram à conclusão que foi a síndrome conversiva que causou o dano aos meus nervos periféricos inferiores.</p><p>Agora estou tendo que processar o INSS pelo meu direito a receber um benefício, que pela lei, eu tenho direito, mas que a primeira tentativa, ano passado, foi indeferido pelo perito. Só quero o que me é de direito, não posso mais trabalhar fora, não posso ser aquela pessoa que eu era antes, ativa, feliz e completa. Uma parte do meu corpo morreu, mas para os peritos do INSS, eu estou ‘apta a trabalhar’, tendo crises de ansiedade e Bipolaridade, depressão profunda, tentativas de s******(vocês sabem o quê, mas não é permitido escrever) e nervos mortos nos pés. Ok, INSS, você venceu o primeiro round, vamos para o segundo.</p><p>Agora tento colocar a minha cabeça no lugar e seguir em frente. Ontem um amigo me perguntou o que me faz continuar em frente e eu não sabia dizer a resposta, porque nem eu sei realmente o que me faz seguir em frente. Um dia acha que é uma coisa, no outro acho que é outra e vou levando. Até quando? Não sei… Mas querendo ou não, tenho uma MN com problemas sérios de saúde, um pai que já passou dos 80 e também não anda bem, uma cachorrinha idosa que precisa de mim e acabei de realizar um dos sonhos que sempre tive, ter minha casa própria, em meu nome.</p><p>Então fico perguntando toda hora: porque teimo em querer desistir o tempo todo? Não sei dar essa resposta… Desculpe.</p><h3><strong>Mas e aquele tal de CID que você citou lá no título, o que é?</strong></h3><p>O nome correto é CID 10, mas muitos médicos escrevem CID-X, que dá no mesmo. É a <strong>Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados com a Saúde</strong>, uma lista de classificação médica da Organização Mundial da Saúde. Contém códigos para doenças, sinais e sintomas, achados anormais, queixas, circunstâncias sociais e causas externas de lesões ou doenças.</p><p>O objetivo da classificação é permitir registrar os dados em saúde, de morbidade e mortalidade para que seja possível analisar, interpretar e compará-los em diferentes países ou regiões em diferentes momentos.</p><p>As letras antes da numeração é a designação ao tipo de enfermidade, no meu caso <strong>eu tenho as CIDs F e R</strong>. <em>A ‘F’, que vai da 00 até a 99, são relativas aos transtornos mentais e comportamentais. Já a ‘R’, que também tem a mesma carga de numeração, é sobre os sintomas, sinais e achados anormais de exames clínicos e de laboratório, não classificados em outra parte.</em> E cada numeração é referente a um transtorno ou doença, simples, crônica ou aguda.</p><p><strong>Os meus CIDs são: F31.4; F41.0 + R52.1 + R60</strong></p><p>O F31.4 — significa que tenho Transtorno afetivo bipolar (TAB), com episódio atual depressivo grave sem sintomas psicóticos</p><p>O F41.0 — significa que tenho Transtorno de pânico (com ansiedade paroxística episódica)</p><p>Já o R52.1 — fala que tenho uma dor crônica intratável ( tal da Polineuropatia, lembram?)</p><p>E o R60 — é um edema não classificado em outra parte (inchaço, o que causa a falta de sensibilidade)</p><p>Então, pessoal… Lá vou com meus CIDs debaixo do braço, tentando ter uma ‘vida normal’, em meio a uma crise de depressão ou dor que não para nunca, ou quem sabe um tropeço no meio da rua, porque perdi o equilíbrio por conta da ‘morte’ dos nervos dos dedos dos meus pés? Mas tudo bem… Segundo o INSS eu estou super apta a continuar as minhas atividades laborais…</p><p>Bora ser feliz pessoal! E fingir que vivemos no mesmo mundo cor de rosa, cheio de nuvens fofinhas e unicórnios sobrevoando o céu, igualzinho onde os médicos-peritos do INSS vivem!</p><p>*** Obs para o Medium: não estou aqui fazendo apologia a nenhuma coisa ruim, somente relantando o que está de errado com minha própria saúde. Então bloquear minha conta é muito errado, me deixa mais triste e magoada. Agora estou procurando outra plataforma que me trate com mais respeito.</p><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=3edfa9fad4f2" width="1" height="1" alt=""><hr><p><a href="https://medium.com/anamagal/tab-tag-tpa-tdm-e-cids-minha-vida-girando-em-torno-de-siglas-3edfa9fad4f2">TAB, TAG, TPA, TDM e CIDs. Minha vida girando em torno de siglas</a> was originally published in <a href="https://medium.com/anamagal">anamagal</a> on Medium, where people are continuing the conversation by highlighting and responding to this story.</p>]]></content:encoded>
        </item>
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            <title><![CDATA[Tenho uma mãe narcisista? Tentando me livrar da dependência emocional da minha mãe]]></title>
            <link>https://medium.com/anamagal/tenho-uma-m%C3%A3e-narcisista-tentando-me-livrar-da-depend%C3%AAncia-emocional-da-minha-m%C3%A3e-95dc8c9b27e2?source=rss----d9aeb9f9f45b---4</link>
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            <category><![CDATA[mãe]]></category>
            <category><![CDATA[mãe-narcisista]]></category>
            <category><![CDATA[chantagem-emocional]]></category>
            <category><![CDATA[narcissistic-personality]]></category>
            <category><![CDATA[narcissistic-parents]]></category>
            <dc:creator><![CDATA[Ana Magal]]></dc:creator>
            <pubDate>Sat, 09 Sep 2023 17:53:02 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2023-09-09T17:53:02.254Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<h4>Aprendemos a crença de que toda mãe é ‘perfeita’ e ama seus filhos incondicionalmente, mas às vezes, não é bem assim que acontece, não é?</h4><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/593/1*Zg7jObGP_yjZGdG2t47Zzw.png" /><figcaption>Crédito: Depositphotos.com/kmiragaya</figcaption></figure><p>Já me abri aqui como tenho uma relação complicada com a minha mãe desde sempre, e que agora está ficando mais complicada ainda. Não sei se é porque passei dos 40 e a paciência acabou. Não sei se é porque estou fazendo terapia e, enfim, me conhecendo, e não aceito mais o que ela faz comigo. Simplesmente a relação tem ficado cada dia mais complexa que tem beirado aos ataques verbais e às vezes físicos.</p><p>Em 2011, ainda lá no meu velho blog, escrevi um texto sobre Obsessão Materna que rendeu. <a href="https://medium.com/anamagal/obsess%C3%A3o-materna-at%C3%A9-que-ponto-uma-m%C3%A3e-pode-opinar-na-vida-dos-filhos-ca5fd9675b2a">Depois fiz uma continuação em 2018</a>. Mas nada mudou de lá para cá, só piorou. Não só na minha vida e saúde, como no meu relacionamento com ela (mãe).</p><p>Através da minha terapia descobri que minha mãe se enquadra no que eles chamam de ‘transtorno narcisista’. Mas o que diabos é isso? Demorei para entender, mesmo com toda explicação da minha terapeuta. Mas depois fui buscar mais informações no ‘pai dos burros atual’ (Pai Google).</p><p>De acordo com minha terapeuta, uma mãe que sofre de transtorno de personalidade narcisista, acaba pensando na filha como uma ‘propriedade’, como uma ‘posse permanente’. Tipo: “Eu coloquei no mundo, será minha para sempre e sempre terá que acatar minhas ordens”.</p><p>Mas então indaguei a minha terapeuta sobre o narcisismo ser alvo relativo à inveja do outro por querer se achar o ‘único’ belo e ‘espetacular’ do espaço. Ela me explicou que é mais ou menos assim que funciona com as mães narcisistas. Elas literalmente têm inveja das filhas: de sua juventude, de suas realizações, da sua aparência, dos seus bens materiais, da sua relação com as pessoas e até do relacionamento da filha com o pai. Ela acha que tudo de melhor tem que ser dela, não da filha. E fará de tudo para que ela seja ‘inferior’ a ela.</p><p>Não sei se estou me fazendo entender. Vou tentar explicar melhor. Nós todos carregamos em nossas mentes e coração de que toda mãe é um ser perfeito, sem defeitos e que elas amam os filhos incondicionalmente. Mas algumas vezes não é assim. Elas não são perfeitas e não sabem como amar os filhos.</p><p>Normalmente se reconhece uma mãe assim, quando ela tenta que sua filha seja a extensão dela mesma. Tenha o mesmo gosto para roupas, comidas, música, homens, etc. Mas cada pessoa nasceu para ser única e não somos a cópia ou extensão de ninguém. Muito menos de nossos pais.</p><p>Cada um de nós nasce com a própria personalidade e tem suas opiniões, vontades e sentimentos, que independem do que nossos pais vão gostar ou sentir em relação a eles.</p><p>Por isso, minha terapeuta me explicou que ‘mães saudáveis’ sempre se orgulham das filhas e vibram com suas conquistas, desejando que sempre continuem tendo sucesso e que realizem todos os seus sonhos. Já uma mãe com transtorno narcisista, sempre irá olhar a filha como uma ameaça para si mesma, principalmente com relação ao marido (pai dela). E acabará tendo inveja da filha quando ela conquistar coisas que ela (a mãe) nunca sonhou ter ou ser.</p><p>Ou seja, se sua mãe nunca fez estudo superior, ficará com inveja sua por ter passado no vestibular e ao invés de te incentivar a ir bem nos estudos, sempre irá encontrar meios de te deixar para baixo quando você não for bem em alguma matéria. O que aconteceu comigo e minha mãe exatamente. Meu tempo na faculdade, foi um dos piores momentos na relação entre eu e ela, já que ela achava o tempo todo que eu estava perdendo meu tempo e me colocava para baixo. O que me fez abandonar a faculdade no último período, sem me formar.</p><p>E essa relação ‘doente’ entre a mãe e a filha perdura a vida toda, desde a infância até a vida adulta. Quando criança, se você desvia da atenção dela, com certeza sofrerá retaliações, humilhações e até castigos, podendo ser privadamente ou até em público. E isso tudo, poderá causar na criança prejuízos psicoemocionais que perdurarão até a fase adulta.</p><p>E pode ser qualquer coisa que iniciará o gatilho do confronto entre mãe e filha. Uma roupa que você usa que ela acha feia ou brega. Um novo namorado que você traz em casa e ela irá teimar que ele não presta e fará de tudo para sua relação acabar. Ou até um trabalho que você consegue, e está amando, mas que ela fará questão de dizer todo dia que você não é competente o suficiente para estar naquele lugar, te fazendo se sentir assim, até que você mesma se sabote e perca o emprego, e volte a ‘depender dela’.</p><p>Ser ‘invejada’ pela própria mãe é algo que ninguém gostaria de ser. Afinal é uma coisa que você não entende o porquê está acontecendo, já que, como dizem, mãe deveria te amar do jeito que você é. Mas não, elas querem que sejamos a cópia delas ou inferior a elas.</p><p>Essa relação desgastante acontece principalmente entre mãe e filha. Já que a ‘rivalidade’ entre mulheres sempre é menos saudável do que uma mulher com homem. O jogo de disputa entre pessoas do mesmo sexo para ver quem é a melhor, é algo natural que existe no mundo, e quando uma mãe perde o controle sobre isso com sua filha, pode deixar danos permanentes.</p><p>Afinal, a filha espera contar com sua mãe para ser sua amiga, confidente, contar sobre os namoradinhos, escolher o vestido de noiva, revelar que também será mãe e pedir conselhos. Mas com uma mãe narcisista, ela nunca terá essa relação. Sempre será uma relação de choque entre as duas.</p><p>Mas não é culpa delas, é da condição dela. Ela não consegue vibrar junto com você quando algo de bom acontece, a única reação que ela consegue ter é de defesa, e atacando. Elas atacam para se defender de algo que nem precisa de defesa.</p><p>Com isso, o relacionamento entre essa mãe e filha sempre será cercado de brigas, discussões e atritos, na maioria das vezes, por motivos fúteis. E isso pela vida inteira. Ah, e provocações também farão parte do pacote. Afinal, todo narcisista gosta de cutucar os outros para ‘mostrar que é melhor que eles’.</p><p>Durante seu crescimento, as filhas não percebem que suas mães são narcisistas. Não conseguem perceber que elas têm inveja. Até porque é algo que nunca se espera que uma mãe terá por um filho, não é? A lenda de que toda mãe é ‘perfeita’ não existe. E como minha terapeuta disse para mim, temos que começar a aceitar e entender isso, para iniciarmos nosso processo de cura.</p><p>Isso porque, como a filha não percebe que a mãe tem inveja dela, a relação se tornará desgastante e conflituosa, e a maioria das filhas passarão a odiar suas mães, retribuindo na mesma moeda de emoções.</p><p>Nós, filhas de mães narcisistas, crescemos achando que tudo o que fizemos na vida estava errado. Fomos crianças reprimidas, que tivemos poucos amigos (com medo da reprovação dela nas escolhas), que quase não tivemos relações amorosas na adolescência (com medo da reação que ela iria ter) e que crescemos mulheres inseguras com seu próprio corpo e suas próprias decisões. Muitas vezes, se sentindo obrigadas a pedir ‘consentimento’ para tudo o que vamos fazer: procurar emprego, estudar, comprar roupa, arrumar namorado. Vivemos, como se não pudéssemos fazer nada sem a ‘aprovação’ da mamãe. Tudo para evitar um conflito.</p><p>Hoje estou com 47 anos e deixei tanto a minha relação e decisões na mãe dela, que me tornei totalmente dependente financeira e emocional dela. Não consigo sair da teia que eu mesma criei.</p><p>Essa forma de ‘criação/controle’ materno, faz com que cresçamos uma criança que nunca será ‘boa o suficiente’ para nada e se tornará um adulto inseguro, sem saber tomar suas próprias decisões sozinho.</p><p>Depois dessa longa conversa, em várias sessões, que tive com minha terapeuta, fui pesquisar sobre o assunto. Não só na internet, como em livros que encontrei pelo caminho. Encontrei um texto publicado no ‘Psychology Today’, escrito pela doutora Karyl McBride, onde ela diz que existem alguns fatores que determinam que o ciúme de uma mãe pode criar obstáculos no desenvolvimento geral da criança.</p><p>Li em algum lugar da internet que um dos piores sentimentos que uma pessoa pode ter é a inveja, pois ela é a causa principal da baixa autoestima e insegurança das pessoas que são desvalorizadas, e criticadas, pelos narcisistas. Então uma mãe narcisista é aquela que desconta todas as suas frustrações da vida na da filha e a torna uma criança que cresce só e desamparada por conta da relação tóxica que tem com ela.</p><p>Uma das coisas que ouvi na minha terapia é que eu precisava entender que não era minha culpa nascer e crescer em um ambiente doentio. Mas que também existiam maneiras de filtrar os acontecimentos e cuidar de mim mesma, para que eu possa viver em uma lar saudável e se quiser filhos no futuro, possa dar um espaço para eles nascerem em um lar saudável.</p><p>Mas o processo de identificar essa mãe narcisista é confuso e doloroso. Pois o comportamento dela pode se confundir com muitas coisas, como eu confundia antes. Levei muitos anos para entender o comportamento da minha mãe. Vivia me questionando o tempo todo, achando que eu estava exagerando ou que estava sendo ‘sensível demais’.</p><p>Mas reconhecer essas características da dinâmica familiar é iniciar o processo de cura.</p><p>Aos 23 anos fui diagnosticada com Transtorno da Ansiedade Generalizada. Então todas as brigas que tínhamos, eu colocava culpa na minha doença. Achava que eu tinha nascido errado e que era preferível nem ter nascido.</p><p>Conforme fui crescendo, nas raras vezes que alguém de fora presenciava nossas brigas, diziam que eu tinha que ter mais paciência com ela pois a mesma estava ficando velha. Que era a ‘idade’ que fazia isso com ela, que eu tinha que relevar.</p><p>Mas cá estou eu, aos 47 anos e continuando a viver as mesmas, e às vezes até pior, brigas que tinha com ela quando eu era adolescente. Ou seja, não tem nada a ver com a ‘idade’ dela. Tem a ver com ela.</p><p>Este ano também fui diagnosticada com Transtorno Afetivo Bipolar, ou Bipolaridade Tipo 1. Ou seja, todas as explosões que tive a vida inteira, começaram a fazer sentido na minha vida. Os altos, baixos, os momentos de depressão, os pensamentos suicidas e tudo mais. Mas é claro, que conviver com uma pessoa que também está fora de controle piorou, e muito a minha vida. Eu não tive controle nenhum sobre ela a maior parte dela.</p><p>Lendo sobre o assunto descobri que existem algumas formas de reconhecermos uma mãe narcisista. Uma das características mais marcantes delas é que são extremamente sensíveis e têm reações explosivas por qualquer motivo.</p><p>As mães narcisistas tendem a reagir de forma explosiva a qualquer contrariedade ou crítica feita a ela. Qualquer comentário que você faça será interpretado como um ataque pessoal a sua imagem perfeita de mãe zelosa e amorosa. Essa sensibilidade exagerada irá levar sua mãe a explosões de raiva, gritando, insultando, diminuindo você, tentando sempre se mostrar superior fazendo de tudo para que você se sinta um nada. E depois a tendência é virar as costas, ficar calada, se isolar e não querer tocar mais no assunto. Só ela fala e mais ninguém.</p><p>Outra característica de uma mãe narcisista é que ela adora impor suas vontades à filha e sempre que pode a explora emocionalmente. Para sua visão distorcida da vida, os outros, principalmente você, existem para servi-la e atender a todas as suas necessidades. E se ela não conseguir isso, não hesitará em explorar seus filhos, manipulando-os para que todos os seus desejos sejam realizados e suas vontades satisfeitas.</p><p>E essa manipulação pode aparecer de diversas maneiras. Ela pode exigir uma atenção constante, fingir que está passando mal, ameaçar que vai sumir da sua vida e muito mais. Serve qualquer coisa para impor suas vontades próprias aos filhos, desconsiderando totalmente o que eles deixam ou não de sentir ou pensar.</p><p>Algumas mães começam a se intrometer na escolha da carreira, amizades, relacionamentos e até momentos de lazer. Tudo isso é uma forma que ela encontra de projetar suas frustrações em você. Comigo, por exemplo, ela sempre sonhou em ser bailarina. Me colocou no ballet aos 4 anos, mas nunca me perguntou se eu queria ou gostava daquilo. Eu era obrigada a ir às aulas e ponto final, porque era isso que ela queria, uma filha bailarina.</p><p>Também foi assim com curso de línguas. Eu queria aprender o inglês, porque é a língua comercial oficial mundial, e ela, porque começou a fazer a não pode terminar por falta de grana, queria que eu aprendesse francês. E detalhe: eu odeio francês!</p><p>Quando comecei na adolescência, implicava comigo porque eu estava engordando, sempre me relembrando que ela tinha um corpo escultural quando mais jovem e todos os rapazes do bairro se interessavam nela, e dizia que se eu continuasse a engordar nenhum homem iria me querer. E foi assim até eu ter o meu primeiro namorado. Que naturalmente, ‘não servia para mim’, segundo ela. Assim como todos os outros ao longo da vida.</p><p>Depois que meus pais se separaram então. Que horror! Uma das piores fases dela. Chorava dizendo que eu era a única filha dela que não podia deixar ela sozinha. Eu arrumava um namorado, começava a ficar sério, ela fazia de tudo para o namoro terminar com medo que eu me casasse e a deixasse sozinha. Então era melhor me ver infeliz e chorando pelo término do que ela ficar sozinha.</p><p>E aí começou a total manipulação da minha vida. Mas hoje, reconheço que também tive culpa, porque permiti que ela fizesse isso. Controlou até os empregos que eu conseguia. E sempre que começava a trabalhar, ficava ‘quero ver só quantos meses esse vai durar, tu não para em nenhum mesmo, adora depender de mim’.</p><p>Foi então que me prender na teia da dependência financeira. Não consegui me manter em nenhum trabalho. Hoje entendo que a Bipolaridade contribuiu um pouco para tudo isso. Mas eu ficava dando ouvidos a tudo o que ela dizia. E ela sempre fazia questão de dizer que eu não era boa em nada. Que sempre começava algo e nunca terminava. Que sempre ia morar debaixo do teto dela para sempre.</p><p>Até quando engravidei aos 35 anos de um ex-namorado, ela me criticou. Dizendo que teria que ‘sustentar mais uma boca’. Acabei perdendo o bebê e o namoro acabou terminando. E ela ficou feliz da vida porque voltei a ser só dela e de mais ninguém.</p><p>Outra característica desse tipo de mãe, que a minha é especialista em fazer é chantagem emocional. Essa é uma das mais destrutivas que elas podem usar. Fingir que está doente, que está morrendo, mas quando você vai socorrer, magicamente está se sentindo melhor, depois de deixar você em completo pânico. Elas usam essa estratégia para nos fazer nos sentir culpados por algo que não é nossa culpa, mas mesmo assim, ela fazem questão de dizer que ‘um dia você ainda vai me matar com essa tua ingratidão’.</p><p>A chantagem emocional cria um ambiente totalmente tóxico para se viver. E você já acorda em alerta total tentando prever o que a sua mãe vai aprontar contigo naquele dia. É uma forma de viver terrível. Sempre em alerta. Sempre com medo. Sempre angustiada.</p><p>A minha, por exemplo, adora dizer que vai ‘sumir no mundo’ e só aí vou dar valor a ela. Ou berra aos quatro cantos da casa que só continuou casada com meu pai (sem gostar dele, e ainda frisa isso) porque engravidou de mim, que se eu não existisse ela teria sido feliz.</p><p>E o pior é quando me ajuda de alguma forma quer um ‘pagamento’ por ter feito isso. Não financeiramente falando, mas emocional. Quando estive doente nesses últimos 2 anos, ela jogou na minha cara que fez tudo para mim e que eu me recuso a melhorar. Só porque os médicos disseram que minhas doenças não têm cura. Ela acha que estou fazendo isso para provocar ela.</p><p>Atualmente brigamos por tudo. Seja sobre algo que passou na TV ou o que minha cachorra vai comer. Não posso ir na rua, ao supermercado, sair com amigos, ir aos médicos, nada. Se saio e passa 5 minutos que estou na rua, ela começa a me ligar no celular e ai de mim se não atender. Quando chego em casa sou recebida com panelas voando por cima da minha cabeça.</p><p>Só este ano de 2023, faltei a várias consultas médicas e sessões de terapia porque ela simplesmente não queria que eu fosse e me barrava na porta literalmente ou inventava que estava passando mal para eu ficar em casa. E eu que me dane né?</p><p>Elas têm tendência a questionar tudo o que você fala. Dizendo que você está ‘exagerando’ na sua reação a um ataque dela ou dizer que ‘está chorando à toa porque sempre teve tudo na vida’. Elas querem atenção o tempo todo e se você tenta ter atenção para si por alguns segundos, já é motivo de começar uma guerra em casa. Afinal, elas precisam ser o centro das atenções.</p><p>Lidar com uma mãe narcisista pode ser algo extremamente desafiador. E isso impacta negativamente nossa saúde emocional e mental. Dizem que fazer terapia em grupo/familiar ou até individual ajuda. Mas um dia citei isso para ela e quase me quebrou ao meio, dizendo que terapia é ‘coisa de maluco’ que é por isso que eu faço, porque sou louca.</p><p>Escolhi então cuidar da minha saúde mental e emocional. Se ela não cuidar dela, cuido eu de mim. Claro que amo minha mãe. Se ela se fosse hoje, seria o fim para mim. Iria morrer de saudades. Mas ao mesmo tempo preciso criar maneiras de ter minha independência financeira e principalmente emocional dela. Preciso virar adulta no sentido total da palavra e não deixar que ela me trate como uma menininha de 5 anos. Afinal, estou quase chegando aos 50 e me sinto sufocada.</p><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=95dc8c9b27e2" width="1" height="1" alt=""><hr><p><a href="https://medium.com/anamagal/tenho-uma-m%C3%A3e-narcisista-tentando-me-livrar-da-depend%C3%AAncia-emocional-da-minha-m%C3%A3e-95dc8c9b27e2">Tenho uma mãe narcisista? Tentando me livrar da dependência emocional da minha mãe</a> was originally published in <a href="https://medium.com/anamagal">anamagal</a> on Medium, where people are continuing the conversation by highlighting and responding to this story.</p>]]></content:encoded>
        </item>
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            <title><![CDATA[Crise de Ansiedade, Síndrome de Burnout, Polineuropatia Sensitiva… Um ano de caos em minha vida]]></title>
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            <category><![CDATA[depression]]></category>
            <category><![CDATA[us]]></category>
            <category><![CDATA[polyneuropathy]]></category>
            <category><![CDATA[dor-crônica]]></category>
            <category><![CDATA[ansiedade]]></category>
            <dc:creator><![CDATA[Ana Magal]]></dc:creator>
            <pubDate>Thu, 15 Sep 2022 11:41:48 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2022-09-15T11:41:48.691Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/1*ez7sE3gN20xH-JwDyOfEEQ.jpeg" /></figure><h3>Quando tudo vira de cabeça para baixa e você não vê saída em lugar algum</h3><p>Em outubro de 2021 eu comecei com uma dor misteriosa nas solas dos pés. Do nada, ela virou uma dormência que ascendeu pelo corpo todo chegando até o rosto. Vi minha vida saindo do meu controle e tudo se tornando um caos e foi piorando a cada mês que passava.</p><p>Passei por mais de 20 médicos do SUS e particulares. Fiz Vakinha virtual para me ajudar a pagar o Uber para ir e vir e comprar medicamentos. Medicamentos esses que não faziam efeito e só me fazia ficar pior.</p><p>São 11 meses, dor 24 horas por dia, desemprego, falta de comida em casa, falta de dinheiro para pagar as contas e comprar medicamentos e muito mais. O início do meu 2022 foi simplesmente tenebroso, deitada em uma casa, sem conseguir andar, sem controle do meu corpo em nenhum sentido e nenhum diagnóstico.</p><p>Tudo o que eu queria era morrer. Não aguentava mais sentir dor e ver minha mãe, que está cuidando de mim, ficando doente por conta de tudo isso, e eu sem poder fazer nada. A depressão bateu e forte. Como se não bastasse tudo o que estava acontecendo, veio aquela porrada na cara da confusão de sentimentos.</p><p>Fora três crises de pânico grave, que me levaram ao hospital, com direito a extrema baixa de pressão, descontrole das minhas necessidade fisiológicas, saturação baixa, desmaios e perda enlouquecida de peso por conta do vômito diário consequência de tanto remédio, que não me servia de nada, só me fazia piorar.</p><h4>Indo ao Psiquiatra</h4><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/867/1*AIcZ8y_e8W_n7KxkErzIbw.png" /></figure><p>Em fevereiro de 2022, fui enviada ao Psiquiatra. No SUS? Não, não consegui. Tive que me virar para arrumar dinheiro emprestado e pagar um particular. Depois de horas de conversas e crises de choro no consultório, diagnóstico emocional: Síndrome Conversiva.</p><p>E eu? O que diabos é isso? Ele me explicou que é quando o estresse ataca nosso próprio corpo a nível neurológico. Entrei em pânico e só pensava: porque eu? já não basta Ansiedade, depressão e Síndrome de Burnout acontecendo ao mesmo tempo? Ainda tinha que aparecer algo mais?</p><p>Uma liga de medicamentos novos: antidepressivos, calmantes, antipsicóticos. E somente dois deles estão na lista da farmácia do SUS. O outro custa 60 por mês e eu que me vire para comprar, mesmo desempregada, quando consigo comprar.</p><p>Consegui agendar visita de Assistentes Sociais em casa e passei a receber o antigo Bolsa Família. Não é muito e mal dá para comprar comida. E as dores nos pés continuavam a latejar me lembrando que ela não iria embora.</p><p>Recebi diversos supostos diagnósticos, como Fibromialgia, Esporão, Fascite Plantar e muito mais. Mas nada combinava com o que eu sentia. E eu cada vez me sentindo impotente, inválida, sozinha e com dor.</p><h4>Em busca da Clínica da Dor</h4><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/1*15o4r64rlhy08ZNJPn9gMQ.png" /></figure><p>Até que em março, o Psiquiatra me deu um pedido para me encaminhar para uma Clínica da Dor. Particular? R$ 800 a consulta, uma das mais barata. E só gritava porque isso tá acontecendo comigo. Minha Assistente Social deu a ideia de levar a indicação dela na minha Clínica da Família e pedir encaminhamento para uma Clínica Universitária.</p><p>Mas eu mal andava. Me arrastava. Minha clínica da família são 9 quarteirões longe da minha casa. Andar era inviável. Até que um amigo de longa data que é acupunturista, o Dr André Resende, soube o que eu estava passando e disse que ia me ajudar e me atendeu gratuitamente. Sou eternamente grata por você André.</p><p>Consegui voltar a andar depois de algumas sessões com ele. De forma arrastada, mas voltei. Consegui ir na Clínica da Família e lá minha médica colocou no sistema para eu ser atendida na Clínica da Dor do Hospital Universitário Pedro Ernesto, mais próximo de mim. E lá fui eu para a fila do SISREG. A maldita fila que não tem fim.</p><p>Chorei, chorei muito todos os dias. Mas uma tentativa de ir embora dessa vida, sem sucesso. Não aguentava mais. Eu doente, minha mãe doente, a gente sem comida em casa, em com as contas atrasadas e o chão se abrindo aos meus pés.</p><p>A maior parte da minha rede vinha dos atendimentos de Banho e Tosa que eu fazia, mas eu mal conseguia ficar em pé, como ia atender os cachorros? Tive que largar de vez uma profissão que amava. Voltei a fazer bicos escrevendo releases para amigos assessores e jornalistas (afinal, eu quase me formei em jornalismo, né?). Era o que complementava o Auxílio.</p><p>Final de abril recebo o papel da Clínica da Família que agendaram minha Clínica da Dor. Dei um grito de alegria. Que durou segundos quando via a data: 17 de agosto de 2022. Era ainda 25 de abril. Comecei a pensar na dor piorando e fui entrando em depressão de novo.</p><p>Passei a tomar 4 comprimidos de dipirona de 6 em 6 horas, o que me dá uns incríveis 30 minutos de alívio. À noite piora. Dormir é um terror. Então a dose do calmante foi aumentada. Ou seja, passo o dia inteiro dopada ou anestesiada.</p><h4>Meu corpo desistindo</h4><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/931/1*_4MDJ9xepSSEFMoqyaCahQ.png" /></figure><p>Perdi mais de 20kg, estou desnutrida, estou sem forças. Mas olhando pelo lado bom, por conta da acupuntura, recuperei meu controle fisiológico, não tô usando mais fraldão e não tive mais crises de intestino preso.</p><p>Mas aí não tive mais dinheiro para ir ao Psiquiatra particular mais. A minha médica da Clínica da Família me colocou em contato com a psicóloga de lá para ela tentar conseguir para mim um no SUS. Acabou que ganhei uma equipe interdisciplinar, com: psicóloga, terapeuta ocupacional, fisioterapeuta, assistente social da saúde e professora de educação física.</p><p>Com muita dificuldade, sem dinheiro nem para pegar ônibus, ia andando até lá nos dias das consultas (os 9 malditos quarteirões), me arrastando pela rua e me segurando pelas paredes, mas chegava. E lá tudo tem que ser pessoalmente. E eu que me vire. Mas fui em todas as consultas. Tudo isso, enquanto eu estava em contagem regressiva para agosto chegar e eu ir na Clínica da Dor, descobrir o que estava me paralisando.</p><p>A psicóloga foi me ajudando. Fez pedido de exames de sangue de check-up com minha médica lá, pq eu estava perdendo muito peso, muito rápido. Até que chegou um dia e meu agente de saúde me trouxe outra marcação do SISREG, com outra equipe de Saúde Mental no posto de saúde perto de casa, mas estava marcado para setembro. Mas bora lá! To esperando mesmo… Respira fundo e não pira!</p><h4>A família toda sendo afetada</h4><p>Nesse meio tempo minha cadelinha ficou doente. Animais são empáticos. Tudo o que sentimos eles sentem. Ela estava me vendo definhando em casa e presenciando brigas constantes entre eu e minha mãe, que achava que eu tinha que reagir na marra e fingir que não sentindo dor alguma. Ela adoeceu e eu não tinha dinheiro para cuidar dela. E lá foi minha cara de pau e fiz mais uma Vakinha para levar ela ao Vet.</p><p>O dinheiro arrecadado deu para consulta, exame de sangue inicial, ultrassonografia e medicamentos iniciais. Agora ela precisa de um exame de sangue específico e um remédio manipulado e já não tenho mais cara de pedir nada a ninguém. To esperando chegar os dias do Auxílio e tô fazendo tudo aos poucos.</p><h4>Enfim, um diagnóstico!</h4><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/960/1*c8lt4le6DhGQeTv30zHekg.jpeg" /></figure><p>Mas Agosto chegou! E com ele minha consulta no Pedro Ernesto na Clínica da Dor. Lá fui eu, arrumei dinheiro emprestado para o Uber e fui. É por ordem de chegada, você tem que madrugar lá. Fui atendida.</p><p>Passe por uma banca de profissionais da Clínica antes de chegar na médica: psicólogo, fisioterapeuta, check-up com a enfermeira e lá fui eu para a estrela do show. Fui chamada e Dr Bárbara, a anestesiologista, me chamou. Ouviu meu relato e foi anotando tudo. Viu todas as mais de 70 receitas e exames que já tinha feito antes. E começou o exame físico.</p><p>Cutuca daqui, dali. Sobe perna, desce perna. Espeta, aperta, belisca e de repente, chegou em uma parte do meus pés e nada. Nenhuma resposta. Totalmente anestesiado. Meus dedos estava paralisados de vez, e escuros. Ela achou estranho eu estar daquele jeito sem ser diabética, pois normalmente são diabéticos que tem aquilo, eu falei: ‘Aquilo o quê?’, o que eu tenho afinal?</p><p>Ela disse que estava 99% de que eu estava com polineuropatia sensitiva motora. Tem diversas causas, a mais comum é a diabetes. Mas eu não tenho diabetes. Começou um novo mistério. Falei do diagnóstico do psiquiatra e ela também me marcou com a psiquiatra da Clínica para um check-up, confirmação de diagnóstico e revisão de medicação.</p><p>Pediu para eu fazer uma eletroneumiografia para confirmar o diagnóstico e ver o tamanho do dano nos nervos. Fiz e perguntei logo na hora para o médico. Ele confirmou que era polineuropatia sensitiva motora e que eu realmente tinha perdido a sensibilidade dos dedos dos pés por conta da demora de diagnóstico e tratamento. Falou que ia analisar o exame com calma e dar o laudo em 20 dias.</p><p>Ele ainda falou que a partir de hoje sou uma pessoa deficiente. Tenho oficialmente deficiência sensitiva e que por isso, tenho direito a pedir BPC ou Aposentadoria por Invalidez. Mas eu não pago INSS desde 2015, então só o BPC, que posso conseguir ou não, depende do bom humor e boa vontade do meu futuro perito.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/960/1*116JoRtrpi_zfS_Pli_ZpA.jpeg" /></figure><h4>A dificuldade de comprar ou conseguir remédios no Brasil</h4><p>A médica da Clínica da Dor passou um remédio específico, que os dois primeiro meses eu tenho que comprar e depois pedir a médica da Clínica da Família que ela preencha um tal de documento chamado RME para enviar para Brasília para liberar o remédio e eu terei que ir na Farmácia Popular do Estácio para pegar.</p><p>As 6 primeiras caixas tenho que comprar, R$ 40 cada caixa, não tenho dinheiro e até agora não comprei e não sei quando irei comprar. E segue a vida. Porque ou eu compro o remédio ou eu pago as contas e como.</p><p>Alguns amigos me ajudaram e enviaram dinheiro para mim para comprar o remédio. Eu guardei aqui, mas não foi o suficiente para todas as caixas e eu só recebi 1 receita, na qual tenho que comprar todas as caixas de uma vez só. Lá vou eu esperar o Auxílio pra ver se sobra para comprar. E sigo a vida à base de dipirona e lágrimas.</p><p>O retorno na Clínica da Dor é só em dezembro. Só lá poderei pegar laudo para dar entrada no BPC. E a Assistente Social disse que também tenho direito a pegar o cartão do ônibus social, para ir às consultas, mas também somente com laudo médico. Até lá, vamos nos virando com o dinheiro que sobra e com as lágrimas. E rezando para o perito que eu pegar me aprove no BPC para eu receber 1 salário mínimo.</p><p>Agora é aprender a aceitar que tenho uma doença que não tem cura e que tudo começou com uma crise braba de ansiedade. Essa maldita ansiedade que acaba com a minha vida em todos os sentidos.</p><p>Não deboche de doenças psicológicas! Pode ter algum amigo ou parente ao seu lado sofrendo como eu, tentando morrer como eu, tentando desistir de tudo como eu, ou lutando para pagar as coisas como eu, pois a doença leva o dinheiro todo embora. Então respeite, não ria e ajude quando a pessoa precisar.</p><h4>E como estou agora?</h4><p>Fazendo terapia no posto de saúde perto de casa, fazendo atividades físicas orientadas por indicação médica, mas ainda sem medicação, por falta de dinheiro.</p><p>Com depressão, crises de ansiedade e ainda muita vontade de que tudo se acabe… E o pior de tudo: com dor! Muita dor…</p><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=e2419a588863" width="1" height="1" alt=""><hr><p><a href="https://medium.com/anamagal/crise-de-ansiedade-s%C3%ADndrome-de-burnout-polineuropatia-sensitiva-um-ano-de-caos-em-minha-vida-e2419a588863">Crise de Ansiedade, Síndrome de Burnout, Polineuropatia Sensitiva… Um ano de caos em minha vida</a> was originally published in <a href="https://medium.com/anamagal">anamagal</a> on Medium, where people are continuing the conversation by highlighting and responding to this story.</p>]]></content:encoded>
        </item>
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            <title><![CDATA[2020: recomeços, solidão, autoconhecimento e perdas. Uma ansiosa em tempos de pandemia]]></title>
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            <category><![CDATA[solidão]]></category>
            <category><![CDATA[quarantine]]></category>
            <category><![CDATA[quarentena]]></category>
            <category><![CDATA[ansiedade-generalizada]]></category>
            <category><![CDATA[ansiedade]]></category>
            <dc:creator><![CDATA[Ana Magal]]></dc:creator>
            <pubDate>Sat, 04 Jul 2020 02:42:27 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2020-05-22T02:58:44.867Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/279/1*szJMHBRXr6p_wtr0Luz1Hg.jpeg" /></figure><p>Faz tempo que não tiro um tempo para escrever aqui. O que me fez voltar ao meu cantinho foi justamente a minha volta à terapia. Fiquei alguns anos sem poder fazer, pois não tinha dinheiro para pagar, mas com todas essas mudanças acontecendo no mundo, precisei abrir mão de algumas coisas e entender que cuidar da minha mente era fundamental em tempos de pandemia.</p><p>2020 começou um caos para mim, muito antes do caos mundial por conta da pandemia do novo coronavírus. Comecei o ano tentando me reinventar: pessoal, amorosa, profissional e financeiramente. Aquela relacionamento, que citei em 2018, não deu certo e segui em frente, sozinha. Meu pai completou um ano de operado e com boa saúde, mas emocionalmente instável. O trabalho, comecei um novo desafio que tem me ocupado o tempo e a mente. E meu relacionamento com minha mãe… Ah, esse conseguiu chegar ao extremo da piora.</p><p>No ano passado não consegui colocar minha mente em atividade para escrever aqui. Acho que estavam acontecendo tantas coisas que não conseguia me organizar para colocar para fora, meus medos e frustrações. Estava em um relacionamento à distância que estava ruindo, um novo trabalho que me sugava o tempo e vivendo a eterna luta de conseguir me reerguer financeiramente. O ano simplesmente passou e nem vi.</p><p>Mas 2020 chegou e disse para mim mesma que ia ser diferente. Maldita hora em que fui abrir a boca e falar isso. O caos da saúde no mundo chegou aqui e todos tiveram que reaprender a viver um ‘novo normal’. Coisas que só víamos em filmes e séries de TV, bateram em nossa porta e parece que estamos vivendo dentro de um filme de Tarantino.</p><p>No final de 2019 tive que passar por uma pequena cirurgia, depois que um exame ginecológico de rotina deu inclusivo e o médico suspeitou de câncer de colo de útero. Pirei! Pensei comigo mesma: ‘tanta merda na minha vida e mais isso?’. Mas fiz a cirurgia e a biopsia e deu tudo certo. Nada de câncer. Respirei aliviada. Pensei que agora a minha vida ia andar para frente. Mas veio o maldito vírus mortal e me jogou ladeira abaixo.</p><p>Como trabalho na imprensa, não tenho descanso dia e noite. Tem dias que chego a virar a madrugada trabalhando incansavelmente. Junto com um amigo, lançamos um portal de notícias e precisamos alimentá-los com todo tipo de acontecimento. É cansativo, mas gostoso ao mesmo tempo. Ter algo para se importar ocupa minha mente e não me deixa pirar de vez.</p><p>Em casa ficou tudo mais complicado. Com minha mãe sem poder sair, eu que estou a frente de tudo: ir ao supermercado, farmácia, pagar contas etc. Isso tem me deixado muito cansada (e estressada). As brigas com minha mãe hoje são diárias e pelos motivos mais bestas possíveis.</p><p>Minha mãe está sob forte estresse por conta do isolamento social. Não poder sair de casa e acompanhar as notícias sobre o caos político que assola o Brasil, está deixando ela completamente a flor da pele. Tudo a irrita: um papel que cai no chão ou o latido da cachorra no quintal. E acaba virando combustível para discussões entre nós duas.</p><p>Virei a válvula de escape da minha mãe durante a quarentena. Ela discute se compro algo errado no mercado, que não lavei algo direito, que não dei comida para a cachorra na hora certa e até me culpa pelas loucos discursos do Bolsonaro. Ela anda tão estressada que este ano não me deu ‘parabéns’ no meu aniversário, porque disse que não tinha motivo para comemorar aniversário no caos. E no Dia das Mães, estava sem falar comigo, porque tinha brigado dois antes por conta de uma panela de comida que ela queimou e achava que eu tinha que levar a culpa por algo que ela fez. Um caos!</p><p>Esse ano está sendo tão traumático para lidar com minha ansiedade, que decidi, mesmo sem dinheiro, voltar para terapia. Consegui, através de indicações de amigos, uma terapeuta que está atendendo on-line e fez um preço dentro do que posso gastar (até quando não sei). Então estou aproveitando nossos encontros para colocar para fora minhas neuras e tentando não pirar.</p><p>Minhas preocupações são muitas: não ter dinheiro para o básico (como alimentação e pagamento de contas), não conseguir meus medicamentos (porque o SUS suspendeu suas atividades nas Clínicas da Família), não matar alguém (ou a mim mesma). Estou tentando respirar debaixo d’água. Mas isso também está fazendo parte da rotina de milhões de pessoas no mundo inteiro, quem sou eu para reclamar?</p><h3>Crises de pânico</h3><p>Uma das coisas que tem mais tirado meu rumo são as crises de pânico. Desde 2015, quando fiquei 6 meses internada para as cirurgias de emergência da vesícula e fígado, que desenvolvi hiperidrose (suor excessivo e sem controle) na cabeça. Quando entro em modo estresse, começo a pingar ao ponto de parecer que acabei de lavar os cabelos.</p><p>Minhas idas à rua tem sido uma tortura sem fim. Usar as máscaras de proteção tiram meu ar (literalmente — ataca minha rinite e não consigo respirar) e acabo entrando em pânico. Automaticamente meu couro cabeludo começar a suar e parece que liguei um chuveiro em minha cabeça. Toalhinha de rosto virou um item essencial no meu look.</p><p>Outro dia tive uma crise de pânico (com direito a gritos e esperneios) dentro do supermercado. O medo do inimigo invisível está nos tornando paranóicos. Uma pessoa encostou em minha e tive um ataque na fila do caixa. Comecei a chorar, gritar, empurrar e hiperventilar. Que sensação terrível. Não sentia isso há anos.</p><p>Depois daquilo, passei a usar um calmante fitoterápico para me ajudar a controlar as crises de ansiedade no meio da rua. Não resolve 100%, mas estão pelo menos me ajudando a dormir (coisa que estava difícil). Mas cada saída que preciso fazer é uma tremedeira só.</p><p>A sensação de sufocamento com a máscara é simplesmente insuportável, mas respiro fundo e sigo em frente. Afinal, mesmo eu também sendo do grupo de risco (fumante, hipertensa e obesa), ainda acho que é melhor eu ir na rua do que minha mãe (com 72 anos, hipertensa e fumante). Sei lá, mas acho. Mas cada dia ir às compras tem sido uma aventura.</p><p>Hoje (dia 21/05), voltando do mercado para casa correndo (porque estava quase na hora da terapia), tive um crise de espasmos musculares no meio da rua. Comecei a ter cãibras por todo corpo (abdômen, pernas, braços) e não conseguia me mexer. Aí veio a hiperventilação, a sudorese excessiva e o medo de desmaiar no meio da rua sem socorro. Durou alguns segundos, mas parecia uma eternidade.</p><p>Chegando em casa, fui logo chamando a terapeuta no Whatsapp e conversamos sobre minha crise. Consegui me acalmar e levar tranquilo o resto da noite.</p><h3>O amanhã e eu</h3><p>O que vai acontecer daqui para frente não sei. Apenas sei que o medo constante de perder alguém que amo para o vírus é cada dia mais real. O medo de ter outras crises de ansiedade na rua e não ser socorrida, também. Mas vou seguindo em frente, um dia de cada vez.</p><p>Hoje estou tentando evitar discussões com minha mãe. Quando percebo que ela vai se estressar, já saio de perto e me recolho ao meu quarto. Tento mergulhar de cabeça no trabalho, na leitura de livros e em momentos de prazer, como assistir um filme ou série nas plataformas de streaming.</p><p>Minha quarentena tem sido: respirar fundo, relaxar quando percebo o estresse chegando, evitar discussões bobas e tentar chegar viva no fim do ano.</p><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=a6606caee377" width="1" height="1" alt=""><hr><p><a href="https://medium.com/anamagal/2020-recome%C3%A7os-solid%C3%A3o-autoconhecimento-e-perdas-uma-ansiosa-em-tempos-de-pandemia-a6606caee377">2020: recomeços, solidão, autoconhecimento e perdas. Uma ansiosa em tempos de pandemia</a> was originally published in <a href="https://medium.com/anamagal">anamagal</a> on Medium, where people are continuing the conversation by highlighting and responding to this story.</p>]]></content:encoded>
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            <title><![CDATA[Enxaqueca Tensional Mista: mais uma doença crônica, e incapacitante, que entra para minha lista de…]]></title>
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            <category><![CDATA[ansiedade]]></category>
            <category><![CDATA[crise-de-enxaqueca]]></category>
            <category><![CDATA[enxaqueca]]></category>
            <category><![CDATA[cefaleia-tensional]]></category>
            <category><![CDATA[desmaio]]></category>
            <dc:creator><![CDATA[Ana Magal]]></dc:creator>
            <pubDate>Sat, 04 Jul 2020 02:41:28 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2020-07-04T02:37:37.295Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<h3>Enxaqueca Tensional Mista: mais uma doença crônica, e incapacitante, que entra para minha lista de problemas causados pela Ansiedade Generalizada</h3><p>No último dia 30 de junho, tive um episódio super estranho na rua. Senti uma vertigem terrível e logo depois vomitei. Voltei ao eixo em poucos minutos e parecia que o episódio tinha acabado. Meia hora depois, voltei a sentir vertigem, só que dessa vez eu tinha certeza de que ia ao chão e fui. Literalmente desmaiei na calçada e caí de cara no chão, fraturando inclusive o nariz.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/720/1*UTwT3m3LFtXVn7EE9v8ezg.jpeg" /></figure><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/720/1*eAmnLrvTMNx4aGYgOvy2HQ.jpeg" /><figcaption>Foto do Dia do desamaio, como meu rosto ficou na hora</figcaption></figure><p>As pessoas que estavam na rua ao meu entorno, me socorreram como podiam, sem sucesso. Tenho 1,74 de altura e 120kg, era praticamente impossível me levantar do chão. Ligaram para o SAMU, que só veio ao meu socorro 1 hora e 15 minutos depois de acionado. Nesse meio tempo voltei a vomitar mais duas vezes e desmaiar mais uma. Quando a ambulância chegou, minha pressão media 10X8, muito próxima e super perigoso essa proximidade. Fiquei por alguns minutos tentando me recuperar na ambulância e seguimos para emergência. Na qual no Rio de Janeiro, está uma novela. A UPA recusou me recebeu, pois me classificou como trauma, por conta da cara quebrada. Então minha família se reuniu e me levou para um hospital particular.</p><p>Lá minha pressão já tinha caído para 7X4. Fui direto para medicação e fiz uma tomografia para ver se não tinha tido um traumatismo craniano com a queda. Enfim, tomo limpa, a não ser pela fratura no nariz. Remédio demorou a fazer efeito, só na segunda rodada com doses altas de tramal, que parou, até lá vomitei mais duas vezes e um episódio de diarreia braba. Desmaiei na rua às 10h da manhã e já eram quase 22h e eu ainda estava no hospital. Dia horrível.</p><p>A médica da emergência desconfiou de uma crise crônica de enxaqueca e mandou eu procurar um neurologista especializado em dor de cabeça. Procurei muito no dia seguinte e encontrei alguns próximos de casa, até que achei uma que me encaixou nesta sexta (03) de manhã, três dias após o episódio do desmaio. Cheguei ao consultório, relatei todo o ocorrido e ela perguntou se eu autorizava ela a fazer uma aplicação de corticoide direto em minha cabeça no local da dor, bastava eu comprar o medicamento. Aceitei. Minha tia, que tinha ido como me acompanhar, porque ainda estava com vertigens, foi lá na rua e comprou. A médica aplicou. Ao todo 14 picadinhas no couro cabeludo na altura da nuca. O músculo foi relaxando e pude, enfim, mexer o pescoço e a dor não estava mais tão intensa.</p><p><strong>Diagnóstico:</strong> Enxaqueca Tensional Mista ou Cefaleia Mista (que nada mais é do que uma crise de cefaleia — dor de cabeça normal — tensional e enxaqueca ao mesmo tempo). <strong>Causa:</strong> uma crise de ansiedade forte ou estresse cumulativo (não é novidade que seria culpa dela de novo! Não é?).</p><p><strong>Mas o que é essa tal de Enxaqueca Tensional Mista?</strong></p><p>Uma enxaqueca tensional mista é uma condição com características mistas entre a cefaleia tensional e enxaqueca. Pensa-se que as enxaquecas sejam causadas por substâncias inflamatórias que se formam em volta dos vasos sanguíneos e nervos no cérebro.</p><p>As cefaleias tensionais afetam cerca de 40% da população e constituem uma queixa comum. Contudo, as cefaleias tensionais e a enxaqueca são por vezes incompreendidas e mal diagnosticadas. Algumas pessoas experienciam sintomas de ambas ao mesmo tempo, o que é por vezes determinado como enxaqueca tensional mista.</p><p>Então perguntei para ela, quais são o sintomas, para eu reconhecer uma crise antecipadamente. Ela respondeu:</p><p>- Dor de cabeça pulsante em ambos os lados</p><p>- Dor latejante</p><p>- Dor que pode ser incomodativa e apertada como se fosse uma tira de elástico em volta da cabeça apertando</p><p>- Dor variável entre ligeira a grave</p><p>- Dor que se agrava sem atividade regular (sem esforço, atividade ou motivo aparente)</p><p>- Os sintomas agudos podem durar de 4 a 72 horas seguidas</p><p>- Náuseas com ou sem vômitos</p><p>- Sensibilidade à luz (fonofobia)</p><p>- Irritabilidade, depressão e crises de ansiedade</p><p>- Letargia ou fadiga</p><p>- Insensibilidade ou formigamento nos membros</p><p>- Fraqueza muscular</p><p>- Dor no pescoço</p><p>O tratamento vai variar de pessoa para pessoa. Para mim. Ela começou com um tratamento a curto prazo, para sair da crise. <strong>Aplicando 14 micro doses (injeções), de Dexametasona (corticoide) diretamente na cabeça no local das dores</strong>. Feito no consultório mesmo. Para casa, ela receitou um forte relaxante muscular + um anticonvulsivo + o bom e velho Dorflex para dor. Pediu repouso por mais 4 dias, para completar os 7 dias totais, que normalmente duram uma crise de Enxaqueca Tensional Mista. (Sim, ela dura 1 semana inteira).</p><p>A tomografia feita na emergência só tem laudo pronto, após 5 dias de ser feita, como entrei lá dia 30, só fica pronta a partir do dia 05 de julho. A neuro quer ver o laudo assim que ficar pronto, para saber se pedirá mais exames e poder traçar um plano de tratamento a longo prazo para evitar novas crises agudas.</p><p>Pediu que eu não tomasse mais o diurético que tomava pela manhã, para controlar a pressão, pois a minha estava muito baixa e poderia ser perigoso. Mas me obrigou a manter minha Risperidona, para a ansiedade, à noite, porque uma crise de ansiedade pode desencadear outra crise de Enxaqueca Tensional Mista e mais forte do que a que tive.</p><p>Ou seja, mais uma doença crônica entrando para lista dos males que essa ansiedade me causa na vida. Quando pensamos que a Ansiedade só nos deixa emocionalmente fraco, não sabe da missa a metade. Crises de dor muscular, de cabeça e outras dores insuportáveis fazem parte do dia a dia do Ansioso Generalizado. Agora, além de eu ter gastrite nervosa, crises de coluna, também tenho uma Enxaqueca Tensional Mista, que vai me acompanhar pro resto da vida. Mais uma doença que começou psicossomática e hoje se torna oficialmente física e crônica no meu dia a dia.</p><p>Lidar com a Ansiedade não é apenas ter que tomar nossos ansiolíticos, antidepressivos ou antipsicóticos da vida… Mas também é aprender a lidar com todas as dores físicas que essa coisa irá nos causar. Tomar nossas medicações para não termos crises e fazer terapia para lidarmos com os problemas ajudam, mas ter cuidado para não ignorarmos dores importantes, como de cabeça, estomacal ou muscular, que pode levar a algo mais grave também é importante. Tenho tido dores de cabeça diárias, há 3 meses seguidos, e meio que ‘deixei para lá’, porque, ninguém para a sua vida por conta de ‘dor de cabeça’, não é?</p><p>Segundo a neuro, essas dores já eram um sinal do meu corpo, dizendo que algo não estava certo que ele ia ‘desligar’ e desligou… Literalmente. Eu poderia ter morrido por conta da pressão próxima, poderia ter tido um AVC ou até um aneurisma, por conta da pressão craniana da enxaqueca. Ou seja, não pensem que suas dores são sua imaginação, se tiver sentindo algo de errado, procure ajuda. Você conhece seu corpo e sabe quando algo não está funcionando direito. Eu não escutei minhas dores de cabeça e olha onde cheguei, quase morri. Cuide da sua mente, mas também do seu corpo. Eles devem andar juntos, lado a lado e não um tentando ultrapassar o outro.</p><p>Leia abaixo meu relato de como tudo aconteceu:</p><iframe src="https://cdn.embedly.com/widgets/media.html?type=text%2Fhtml&amp;key=a19fcc184b9711e1b4764040d3dc5c07&amp;schema=facebook&amp;url=https%3A//www.facebook.com/anamagal/posts/10158531683303431&amp;image=" width="600" height="600" frameborder="0" scrolling="no"><a href="https://medium.com/media/db49f83b87c002bc84b15c091f80d412/href">https://medium.com/media/db49f83b87c002bc84b15c091f80d412/href</a></iframe><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=465ab3fc8ae1" width="1" height="1" alt=""><hr><p><a href="https://medium.com/anamagal/enxaqueca-tensional-mista-mais-uma-doen%C3%A7a-cr%C3%B4nica-e-incapacitante-que-entra-para-minha-lista-de-465ab3fc8ae1">Enxaqueca Tensional Mista: mais uma doença crônica, e incapacitante, que entra para minha lista de…</a> was originally published in <a href="https://medium.com/anamagal">anamagal</a> on Medium, where people are continuing the conversation by highlighting and responding to this story.</p>]]></content:encoded>
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            <title><![CDATA[2018: o ano mais desafiador que vivi]]></title>
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            <category><![CDATA[transtorno-de-ansiedade]]></category>
            <category><![CDATA[retrospectives]]></category>
            <category><![CDATA[desafio]]></category>
            <category><![CDATA[ana-magal]]></category>
            <category><![CDATA[relacionamentos]]></category>
            <dc:creator><![CDATA[Ana Magal]]></dc:creator>
            <pubDate>Wed, 12 Dec 2018 14:35:28 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2018-12-12T15:16:21.824Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<p>O ano está chegando ao fim e me levou a pensar em muitas coisas. No começo do ano passei pelo furacão da depressão, causado por uma crise de Ansiedade, e quase não tive forças para continuar o curso. Mas consegui encontrar forças (não sei onde) para seguir em frente e cá estou, em pleno fim de ano cheia de esperanças.</p><p>Tudo foi nebuloso esse ano. Foi complicado, difícil e testador (e ainda está sendo). Passar o ano inteiro desempregada quando tua renda é a principal da casa é desafio grande e nem todos conseguem enfrentá-lo. Eu juro que quase perdi o rumo. Mas respirei fundo e olhei para frente. Pensei nos meus pais e em tudo que ainda poderia viver. E fiz bem.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1000/1*Oy2oqKoAGz4OVJGKW7N29w.jpeg" /></figure><p>Foram meses e meses tentando encontrar meu chão e achando que todo dia eu iria cair novamente. Tropeçava, mas me equilibrava. Balançava, mas não me deixava rolar no chão de novo. Segui o curso da vida fazendo o que podia. Encontrava um trabalho freelancer aqui e outro ali. Juntava o pouco dinheiro que tinha com a ajuda do governo que recebia e ia pagando as contas e comprando comida quando dava. Amigos e parentes me ajudaram como puderam e com isso consegui manter o fluxo da rotina diária.</p><p>Tentei de todas as formas encontrar em emprego fixo, mas “ô anozinho difícil, sô”! Mandei cerca de 342 currículos desde janeiro até novembro e só fui chamada para apenas 4 entrevistas o ano inteiro. Isso foi desanimador e muitas vezes pensei em desistir. E olha que não escolhi emprego não, tinha vaga eu estava me candidatando. Esse ano não me deu o luxo de escolher coisas na minha área de atuação ou não. Só podia respirar fundo e tentar. E eu tentei… Muito.</p><p>No meio do ano ainda lutava pela busca de emprego e na corrida de encontrar um Hospital que operasse meu pai (contei sobre o que está acontecendo com ele <a href="https://medium.com/anamagal/uma-semana-de-caos-e-meias-felicidades-c4febb2595db?source=collection_home---4------3---------------------">aqui</a>). Tudo parecia em vão. É como se a vida me testasse todos os dias para saber o quão forte eu era. Mas não desisti. Depois de um tempo procurando, conseguimos atendimento no Hospital Universitário Pedro Ernesto (na zona norte do Rio), mas a enrolação dura até hoje. É visita atrás de vista, consulta atrás de consulta, pedido de exame atrás de pedido de exame e nada de marcarem a data. É, a saúde carioca está um caos e sinto na pele tudo isso.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1000/1*yAZiXcV5Ahe0rD0MukX6ng.jpeg" /></figure><p>Quando foi em outubro minha vida começou a dar uma guinada e virou de cabeça para baixo literalmente. Enquanto eu lutava por emprego e pela cirurgia do meu pai, apareceu uma pessoa em minha vida que veio me traz luz, amor e paz. Uma pessoa que eu não espera mais conhecer. Uma pessoa que eu pensei que nunca ia aparecer em minha vida. E foi tão bom. Está sendo muito bom.</p><p>Nas andanças pelas redes sociais encontrei um homem e começamos a conversar. Das conversas surgiu a curiosidade de saber um pouco mais sobre essa pessoa incrível que cruzava meu caminho. De repente, quando vimos, estávamos gostando um do outro. Tudo foi muito rápido (e claro, criticado por muita gente), mas não estávamos nem aí. Tanto eu quanto ele não estávamos mais a procura de ninguém e já achávamos que nunca mais iríamos encontrar alguém para dividir a caminhada conosco. Foi tudo acontecendo naturalmente.</p><p>Da atenção veio a amizade, que veio o carinho, que veio a paixão, até que veio o pedido de namoro. E depois de alguns anos sozinha e sem perspectiva de que algo assim iria acontecer em minha vida (pois depois do último namoro, não queria mais ninguém), eu aceitei. Do namoro veio o pedido de casamento e muito receosa, aceitei. E estamos vivendo momentos maravilhosos juntos, de amizade, companheirismo, cumplicidade e principalmente de amor (prometo que farei um post contando nossa história depois). Se vai dar certo ou não, não faço ideia, mas hoje estou me permitindo sonhar, porque descobri que eu tenho direito de ser feliz não importa o tempo que dure essa felicidade.</p><p>Então o ano que começou tropeçando virou algo mais. E para fechar com chave de outro, uma fotógrafa carioca (Aline Pereira) está a fazer um projeto pessoal de fotografias chamado “Permita-se ser você”, onde mulheres que passaram por provações pessoais por diversos motivos poderiam fazer uma sessão de fotos gratuitamente para ajudar a melhorar a autoestima. Contei minha história para ela, mostrei esse blog e eis que fui selecionada. No último dia 09/12 fui tirar as fotos (que ilustram esse post e que é a nova foto de capa desse blog — confiram <a href="https://www.facebook.com/media/set/?set=a.10156825120183431&amp;type=1&amp;l=71874bd7c6">o ensaio completo aqui</a>) e me senti feliz e amada. Me senti bem e desejada, me senti eu novamente.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1000/1*a4wV28csc5l458sTGHG8yQ.jpeg" /></figure><p>Não lembrei dos problemas. Não lembrei do meu peso. Não lembrei dos tropeços. Não lembrei de nada negativo que estava acontecendo em minha vida. Apenas segui sorrindo e sendo eu. E as fotos ficaram maravilhosas (pelo menos para mim). Pois cada uma delas refletiu a Ana desse ano, que caiu, mas levantou. Que sorriu e que chorou. Que se sentiu sozinha e que amou. Essas fotos foram o reflexo de tudo o que passei, e passo. De tudo que fui um dia e que ainda serei. Essas fotos foram um recomeço e uma ponte para iniciar o novo ano com algo que há muito tempo eu havia perdido: esperança.</p><p>Que o novo ano seja para todos que me leem uma ponte de recomeços. Uma etapa nova a ser ultrapassada. Uma meta a ser conquista. Enfim, uma esperança a ser mantida. Pois, por mais difícil que esteja, por mais dolorido que seja, o Sol sempre nasce no dia seguinte, mesmo fraquinho e escondido atrás das nuvens, mas nasce. Então, seja o Sol e nunca deixe nem a nuvem mais nebulosa esconder seu brilho. Teime, continue a brilhar e a mostrar que temos uma força inimaginável dentro de cada um de nós.</p><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=f5387b952e8" width="1" height="1" alt=""><hr><p><a href="https://medium.com/anamagal/2018-o-ano-mais-desafiador-que-vivi-f5387b952e8">2018: o ano mais desafiador que vivi</a> was originally published in <a href="https://medium.com/anamagal">anamagal</a> on Medium, where people are continuing the conversation by highlighting and responding to this story.</p>]]></content:encoded>
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