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        <title><![CDATA[São Paulo in Sonho e pão: sagas da imigração portuguesa no Brasil on Medium]]></title>
        <description><![CDATA[Latest stories tagged with São Paulo in Sonho e pão: sagas da imigração portuguesa no Brasil on Medium]]></description>
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            <title>São Paulo in Sonho e pão: sagas da imigração portuguesa no Brasil on Medium</title>
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            <title><![CDATA[Imigração na maioridade]]></title>
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            <dc:creator><![CDATA[Mario Luis Grangeia]]></dc:creator>
            <pubDate>Wed, 22 Mar 2017 03:02:00 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2018-07-15T01:32:30.884Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<p>Após trocar Minho pelo Recife aos 18 anos, português se fixa em São Paulo</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/640/1*OaLJkcYUNpLA8mP04Ro33w.jpeg" /><figcaption>Cunha, na Bella Paulista, e cartão de imigração do pai (fotos: Lis Vilaça e FamilySearch.org)</figcaption></figure><p>A vinda de João Ermilio Souza da Cunha ao Brasil coincidiu com seu 18º aniversário, brindado por ele e outros jovens passageiros sem moderação. “Ele fez uma festa no navio, bebeu muito com os patrícios, mas devia ser um tempo difícil”, diz o paulistano Fernando Cunha, sócio da padaria Bella Paulista e filho de um casal que trocou a lavoura em terra alheia pelo comércio do outro lado do oceano até se firmar com negócio próprio. “Minha mãe fala que eles passaram fome lá, pegaram guerra também e acabava tudo. Muitos irmãos… Era complicado.” O pai saiu em 1952 de Arcos de Valdevez (Minho) para o Recife, de onde o tio enviou a carta de chamada e pagou a passagem para trabalharem juntos numa padaria. Logo virou cocheiro, entregador de pães em charretes puxadas por burro, e acordava às 3h da manhã para encher balaios de pão e ir de porta em porta.</p><p>Após seis anos e uma longa internação por pneumonia contraída nas frias madrugadas, ele se mudou para São Paulo logo que ressarciu ao tio a viagem. Casou-se com a conterrânea que namorava por cartas e trocou o trabalho em padaria por um no restaurante do hotel São Paulo, no Centro paulistano, onde ficou três anos. A mãe de Fernando foi doméstica, lavadeira e zeladora de pensão, enquanto o pai passou de gerente a dono de bares na Barra Funda, onde moravam. O círculo de amigos, no começo, era formado basicamente por portugueses — ele e outros chegaram a dar contribuições para as obras da Portuguesa, o que lhes valeu uma carteira vermelha de sócio remido do clube.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/1*LcQn34FjR2BMv6WqNNEhPw.jpeg" /><figcaption>Bella Paulista, padaria com cinco sócios de três famílias luso-brasileiras (foto: Lis Vilaça)</figcaption></figure><p>Na infância, Fernando foi alvo de chacotas dos colegas devido à origem dos pais. Era chamado de filho de “burrego”, “jumento” e “bigoduda”, mas ele fazia pouco caso. Como a escola era perto de bares de seu pai, o patriarca era conhecido pelos colegas. A família voltaria para a panificação depois de mais três décadas entre bares e restaurantes. Em 1998, os Cunhas e alguns sócios abriram a Palácio de Cristal e, quatro anos depois, Fernando, o irmão Vitor e três sócios fundaram a Bella Paulista numa esquina do bairro Cerqueira César. Nessa esquina, confluem mais do que clientes nas mesas e os pães nos balcões. Nela, se cruzam as imigrações de outros sócios (<em>v. perfil “Saudades e promessa de futuro”, sobre família de Antônio Pereira; o sócio português José Catarino estava de licença médica à época da entrevista</em>).</p><p><em>Fernando Cunha (Bella Paulista) foi entrevistado em julho de 2016.</em></p><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=f326da85cb63" width="1" height="1" alt=""><hr><p><a href="https://medium.com/sonho-e-p%C3%A3o/imigracao-na-maioridade-f326da85cb63">Imigração na maioridade</a> was originally published in <a href="https://medium.com/sonho-e-p%C3%A3o">Sonho e pão: sagas da imigração portuguesa no Brasil</a> on Medium, where people are continuing the conversation by highlighting and responding to this story.</p>]]></content:encoded>
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            <title><![CDATA[Saudades e promessa de futuro]]></title>
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            <category><![CDATA[imigrantes]]></category>
            <dc:creator><![CDATA[Mario Luis Grangeia]]></dc:creator>
            <pubDate>Wed, 15 Mar 2017 22:22:23 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2017-03-22T02:15:29.832Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<p>Imigração na gravidez renova vida de casal de Arouca fixado em São Paulo</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/336/1*zIFWxaLv736LdGvOynO17g.jpeg" /><figcaption>Pereira: mãe imigrou grávida dele (foto: Lis Vilaça)</figcaption></figure><p>Foi por poucos meses que Antônio Pereira, sócio da padaria Bella Paulista e fã da história de seus pais, não nasceu português. A mãe Amália estava grávida quando deixou Moçores (Arouca) rumo ao Brasil no navio North King, em 1947. Ela recém-casara com Agostinho, amigo de um primo natural de Arouca (Fermedo, no caso) e morador de São Paulo há 15 anos. Ele trabalhava na padaria Paiva, de irmãos seus — os 12 deixariam Portugal — que lhe enviaram uma carta de chamada. O documento foi o passaporte para Agostinho deixar para trás a produção de azeite, vinho e bagaceira na terra da sua família.</p><p>De balconista a cocheiro, Agostinho fez tudo nessa padaria na Liberdade, bairro mais lembrado pela imigração japonesa. Mas foi em meio a amigos portugueses dos pais que Antônio, dois irmãos e uma irmã cresceram, sempre próximos da panificação, setor ao qual toda essa geração dos Pereiras se dedicou. O pai teve até um posto de gasolina, mas foi com as padarias que ele e os filhos prosperaram. Depois da Paiva, eles participaram de negócios como a Condessa de São Joaquim, Palácio de Cristal, Iguatemi e Bella Paulista.</p><p>O casal de imigrantes fazia muitos amigos entre os italianos, como relatou Amália, segundo a qual aqueles europeus só diferiam dos portugueses em função do idioma. “O resto era a mesma coisa”, resumiu ela, que sentiu muita saudade e insegurança ao mudar para um país bem diferente do seu, mas não tão distinto do que ela imaginava. “O Brasil é o país mais rico do mundo, mas não tem pessoas para dirigir bem”, diz ela, que voltou cinco vezes à terra natal e a considera muito mais organizada do que há quase sete décadas.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/1*gA7hkO3JIFJ8I7Tapcz8yg.jpeg" /><figcaption>Pereira, atrás de balcão da Bella Paulista: ramo de padarias atraiu casal Agostinho e Amália e seus filhos (foto: Lis Vilaça)</figcaption></figure><p>A fartura das refeições e o valor do respeito são citados por Antônio como as heranças trazidas de Portugal pelos pais. Na infância, as chacotas na escola o faziam ter vergonha de dizer que o pai tinha padaria e era português. O tempo passou e, com ele, veio o orgulho pelo título de sócio remido da Portuguesa e, sobretudo, por suas raízes, compartilhadas com seus sócios na Bella Paulista. O italianismo no nome da padaria não esconde uma valorização da imigração (<em>v. “Imigração na maioridade”, a partir de 22/03 em </em><strong>Sonho e pão</strong>).</p><p><em>Amália e Antônio Pereira (Bella Paulista) foram entrevistados em julho de 2016, aos 90 e 67 anos.</em></p><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=46772efcbe35" width="1" height="1" alt=""><hr><p><a href="https://medium.com/sonho-e-p%C3%A3o/saudades-e-promessa-de-futuro-46772efcbe35">Saudades e promessa de futuro</a> was originally published in <a href="https://medium.com/sonho-e-p%C3%A3o">Sonho e pão: sagas da imigração portuguesa no Brasil</a> on Medium, where people are continuing the conversation by highlighting and responding to this story.</p>]]></content:encoded>
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            <title><![CDATA[Dinastia de panificadores em São Paulo]]></title>
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            <category><![CDATA[historia-de-vida]]></category>
            <dc:creator><![CDATA[Mario Luis Grangeia]]></dc:creator>
            <pubDate>Wed, 08 Mar 2017 03:02:02 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2017-04-26T14:38:08.744Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<p>Tradição familiar começa com penhora de ovelhas para pagar passagem</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/336/1*wOIdJCF836NUpyiQWWW-Lg.jpeg" /><figcaption>Corrêa: orgulho em fazer pão (instagram @reidabroa)</figcaption></figure><p>É com orgulho que Marco Antonio Corrêa se apresenta como panificador, tal como foram antes seu avô Alfredo Caetano e o pai Antônio. Seu orgulho fica claro no apelido que usa para divulgar as capacitações que oferece: “Rei da Broa”. Este nome singular é a senha para achar seus pães e serviços nas redes sociais. O sócio da padaria Requinte, no bairro paulistano da Penha, demonstra ainda muito orgulho de suas raízes, em Portugal. Tanto que conhece em detalhes a trajetória de seu avô nascido em Candosa (Tábua) em 1911.</p><p>Alfredo Caetano Correia cruzou o Atlântico para evitar o alistamento no exército às vésperas do governo de Antônio Salazar (1932–68). Para pagar a passagem do navio que levou 40 dias até o Rio de Janeiro, o pai dele, muito humilde, empenhou suas ovelhas — o custo começou a ser reembolsado já ao fim da primeira semana de trabalho do filho na então capital brasileira. Alfredo aproveitava cada oportunidade de trabalho que surgia, atuando em estabelecimentos de ramos os mais distintos: oficina mecânica, açougue, comércio de tecido… Mas foi em uma padaria em Madureira (zona norte carioca) que ele se fixou, dormindo até em saco de farinha e entregando pães como cocheiro, o que o obrigava a começar de madrugada sua jornada.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/490/1*qIZrFtH28JYT6DnFCb37YA.png" /><figcaption>Documento do avô de Corrêa no Brasil (fonte: FamilySearch.org)</figcaption></figure><p>Com dois anos de Brasil, Alfredo aproveitou uma nova oportunidade que surgiu e se mudou para São Paulo, onde conseguiu trabalho como cocheiro numa padaria na Mooca. Detestando ser chamado de “carroceiro”, ele morava na própria loja e se aproximou da família do dono, um napolitano com dez filhos. O empregado, tempos depois, virou genro do patrão, que deu as bênçãos ao casamento dele com sua filha Nicolina.</p><p>Após a união, o casal adquiriu uma padaria na Vila Esperança, cuja localização era ótima: em plena estrada que ligava São Paulo ao Rio de Janeiro, o que rendia uma clientela frequente. Naquele fim dos anos 1940, a padaria vendia mais do que pães e laticínios. “Era uma espécie de supermercado, onde havia até freguês de caderneta, que levava os produtos e pagava depois”, conta Marco Antonio, ilustrando a relação de confiança da família com sua clientela.</p><p>Outras padarias passaram pelas mãos de Alfredo, que comprava um ponto, fazia melhorias e vendia-o mais valorizado. Negócios como esse foram feitos em bairros como Aclimação e Brás. Tinha tanto crédito no mercado que, certa vez, sofreu um desfalque que o deixou sem recursos, mas o moinho continuou a lhe fornecer farinha na confiança. Logo ele se reergueu. A atual padaria está com a família desde 1953, quando foi comprada por Alfredo e seu filho Antônio, cujo empreendedorismo também foi exercitado alguns anos à frente de uma pequena construtora de moradias e na vice-presidência do sindicato de panificadores de São Paulo. Enfim, a história atesta que a majestade desse “rei” não é de hoje; é parte de uma dinastia no ramo.</p><p><em>Marco Antônio Corrêa</em><strong><em> </em></strong><em>(Requinte) deu entrevista em julho de 2016, aos 50 anos.</em></p><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=b562b2bd619c" width="1" height="1" alt=""><hr><p><a href="https://medium.com/sonho-e-p%C3%A3o/dinastia-de-panificadores-em-sao-paulo-b562b2bd619c">Dinastia de panificadores em São Paulo</a> was originally published in <a href="https://medium.com/sonho-e-p%C3%A3o">Sonho e pão: sagas da imigração portuguesa no Brasil</a> on Medium, where people are continuing the conversation by highlighting and responding to this story.</p>]]></content:encoded>
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            <title><![CDATA[Em busca da “árvore das patacas”]]></title>
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            <category><![CDATA[historia-de-vida]]></category>
            <dc:creator><![CDATA[Mario Luis Grangeia]]></dc:creator>
            <pubDate>Thu, 02 Mar 2017 14:20:09 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2017-03-01T21:47:34.070Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<p>Exemplo familiar e opções para acumular recursos atraem português ao Brasil</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1000/1*tUHKJuX-htUJAZe4ZHqt5A.jpeg" /><figcaption>Alfredo Carreira em 1958 e em 2016, na Padaria Santa Branca (imagem: TV Record)</figcaption></figure><p>Se fosse um pouco mais alto, Alfredo Carreira teria saído de Portela da Urgueira (Argamil) para o Canadá. Era 1957 e o governo do país oferecia condições de vida a mil portugueses aprovados em certos critérios — ele foi eliminado por não ter a altura mínima. Meses depois, seu irmão Fernando, que morava em São Paulo, lhe enviou uma carta de chamada para trabalhar com ele e o sócio Abel em uma padaria no Tatuapé. O jovem de 19 anos vinha acumulando funções numa serraria local há meia década: ajudante de serrador, carregador, selecionador de madeiras… e a falta de perspectivas de sair daquele meio era o maior estímulo para ele imigrar, fosse para o Canadá, o Brasil ou Moçambique, onde um tio vivia na capital (atual Maputo).</p><p>O interesse pela imigração não era diferente do que tivera seu pai José, que vivera 13 anos no estado de São Paulo trabalhando na expansão de linhas férreas antes de se casar, e sete anos na França, onde teve empregos como carvoeiro e morou com a mulher e quatro dos filhos (teriam ainda Alfredo e a filha caçula). Alfredo veio movido pela busca de horizontes e recursos. Diziam que o Brasil tinha uma espécie de “árvore das patacas”, tão maior era a possibilidade de acumular riquezas aqui do que no interior lusitano à época.</p><p>Segundo Carreira, tinha-se a ideia de um Brasil onde seria possível fazer uma pequena fortuna com relativa facilidade. “Na realidade não era bem isso, mas era a ideia que se tinha”, diz o imigrante. “As pessoas diziam ‘lá tem a árvore das patacas’. Patacas é dinheiro. Você balançava a árvore e cairia dinheiro.”</p><p>Poucos meses, muito trabalho e raríssimas folgas depois, ele virou sócio minoritário de seus empregadores, que saíram do Tatuapé e adquiriram a padaria Santa Branca (Belenzinho), que pertencia a um português e tinha sido fundada por outro conterrâneo. Nunca imaginaria continuar com o estabelecimento nas décadas seguintes, pois era comum investir na troca de padarias. Casado com uma neta de italianos que conheceu na Casa de Portugal, Alfredo teve um casal de filhos — sua filha o acompanha no negócio. Pode não ter achado uma “árvore das patacas”, mas tem colhido outros frutos.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/598/1*yL-G3F-waPWwlNwvRlIL0Q.png" /><figcaption>Cartão de imigração de Alfredo Carreira (fonte: FamilySearch.org)</figcaption></figure><p><em>Alfredo Carreira (Santa Branca) foi entrevistado em julho de 2016, aos 76 anos.</em></p><p><em>Abaixo: reportagem da TV Record (jan./2016) com Carreira como entrevistado.</em></p><p><a href="http://noticias.r7.com/jornal-da-record/videos/serie-saindo-do-forno-mostra-as-delicias-das-lojas-de-paes-de-portugal-06012016">Série Saindo do Forno mostra as delícias das lojas de pães de Portugal</a></p><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=2e6300ad32cd" width="1" height="1" alt=""><hr><p><a href="https://medium.com/sonho-e-p%C3%A3o/em-busca-da-%C3%A1rvore-das-patacas-2e6300ad32cd">Em busca da “árvore das patacas”</a> was originally published in <a href="https://medium.com/sonho-e-p%C3%A3o">Sonho e pão: sagas da imigração portuguesa no Brasil</a> on Medium, where people are continuing the conversation by highlighting and responding to this story.</p>]]></content:encoded>
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            <title><![CDATA[Empreendedorismo com versatilidade]]></title>
            <link>https://medium.com/sonho-e-p%C3%A3o/empreendedorismo-com-versatilidade-ab29e137c294?source=rss----d78a5f5c4e6--s%C3%A3o_paulo</link>
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            <dc:creator><![CDATA[Mario Luis Grangeia]]></dc:creator>
            <pubDate>Wed, 22 Feb 2017 03:02:00 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2017-02-22T03:02:00.420Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<p>Panificador em São Paulo foi agricultor, vendeu autopeças e até roupas</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/1*CiR1GGa4y9C2VKHV6oZbFg.jpeg" /><figcaption>Bacalhau, um carro-chefe da panificadora de Manoel Alves (foto: Lis Vilaça)</figcaption></figure><p>Se não tivesse migrado naquele fevereiro de 1964, Manoel Alves poderia não estar hoje no Brasil. A viagem no Federico C até Santos foi a última em que bastava qualquer carta de chamada para a entrada no país. Na regra baixada pelo regime militar semanas depois, só eram bem-vindos aqueles portugueses “recrutados” pelos próprios pais — não era o caso de Manoel, cujo pai tentou a sorte em São Paulo, mas já voltara a Ponte de Lima (Viana do Castelo), onde criou família e cultivou uva, azeitona, milho, feijão, centeio…</p><p>Alves tinha 17 anos e sua imagem do Brasil era de um país onde seus conterrâneos economizaram o suficiente para exibir relógios e roupas novas ao visitarem sua terra natal. Segundo mais jovem entre sete irmãos, ele não se interessava pela lavoura e a travessia do Atlântico lhe parecia abrir novos horizontes, que já vinham sendo explorados pelo tio José e seu irmão João, que o receberam no porto num dia de folga dos serviços de porteiro de hotel e atendente de bar. O parente nem os reconheceu, tal a falta de notícias e fotos recentes. Ele logo sentiria mais saudades da irmã caçula Fátima do que de seus pais (à época, o chefe da família buscava se recuperar de um câncer e encontrar quem o sucederia no comando de sua lavoura).</p><p>Seu plano inicial era estudar muito, mas a rotina de trabalho — primeiro no mesmo bar do irmão e, um ano depois, na padaria Fernandes, no Ipiranga — o desviou daquele rumo. Trabalhou duro, não raro acordando na mesma madrugada em que adormeceu, e passou por todas as funções: balconista, padeiro, confeiteiro… O pouco sono, saciado até no fundo do bar onde essa lida começou, não abalava seu apreço pela terra, “maravilhosa” por ter tudo, e pelo povo, que considerou mais alegre que o português. Polivalente como ele só, logo se tornou sócio da padaria Fernandes. Não apenas dela: até o início dos anos 70, firmou sociedade na Nossa Senhora de Fátima, também no Ipiranga, e outra em São Bernardo do Campo.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/1*o2TgdeOXCi2AN34oTfQFhA.jpeg" /><figcaption>Manoel e três amigos portugueses de longa data (foto: Lis Vilaça)</figcaption></figure><p>Experimentou ser mascate de roupas no interior paulista, após se recuperar de hepatite no hospital onde conheceu a primeira esposa, mas preferiu voltar aos fornos e balcões na capital. A convite de um cliente, foi sócio de um atacado de autopeças, mas vendeu a participação para se ater à sua especialidade. Em suas padarias como a atual, Vila Monumento, no Ipiranga, fez amigos entre funcionários, clientes e panificadores; chegou a ser dirigente do sindicato e da associação local de panificadores (Sindipan/Aipan). Nesse pouco mais de meio século fora de Portugal, voltou mais de 15 vezes ao país. Mas não precisa ir longe para ter contato com suas raízes: mantém o bacalhau como ponto forte de sua padaria e revê sempre os amigos portugueses — como na manhã em que deu entrevista sobre sua vida.</p><p><em>Manoel Alves (Vila Monumento) foi entrevistado em julho de 2016, aos 69 anos.</em></p><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=ab29e137c294" width="1" height="1" alt=""><hr><p><a href="https://medium.com/sonho-e-p%C3%A3o/empreendedorismo-com-versatilidade-ab29e137c294">Empreendedorismo com versatilidade</a> was originally published in <a href="https://medium.com/sonho-e-p%C3%A3o">Sonho e pão: sagas da imigração portuguesa no Brasil</a> on Medium, where people are continuing the conversation by highlighting and responding to this story.</p>]]></content:encoded>
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