Já pensou se incompetência fosse um câncer?



Tudo bem, com certeza a industria farmacêutica não conseguiria produzir medicamentos para a demanda... Mas seria bem bacaninha, mesmo assim. Imagine: a pessoa faz uma super cagada e, páh, ganha uma ferida aberta! Repetiu a super cagada por mais que cinco vezes, contrai uma pneumoniazinha. Passa mais de seis meses fazendo a mesma cagada; sendo uma cagada ambulante: adquiri um câncer gratuitamente! Êêêhh!!!

Acho justo, Deus! Porque, sabe?, não está sendo fácil.

Esta segunda-feira, por exemplo, comecei o dia indo até a faculdade, pegar um documento que eu precisava com urgência e havia pedido há uma semana. Tempo que eles disseram ser necessário, pois o documento viria de São Paulo, e eu moro em Brasília. Quando me entregam o documento, veja só, uma declaração assinada e carimbada com o número de um documento daqui, do DF!

Fiquei muito indignado, o senhor deve ter visto! Eu não ligo que as pessoas mintam, acho que é um dos recursos adultos que deve, mesmo, ser utilizado. Mas, achar que eu sou burro é demais, né? Era um documento pronto, bastava imprimir, assinar e carimbar. Eu passei por três pessoas explicando a urgência. Pago mensalidade, a instituição depende de mim (aluno), qual a dificuldade de se prestar um serviço minimamente razoável? Porque somos todos tão pouco gentis?

Não tinha tempo para discutir muito o assunto, então, saí e chamei um táxi para ir ao próximo compromisso. Cinco minutos depois (a média era de 5 a 10 min) um carro da rádio que eu havia chamado encostou no lugar que eu havia marcado. Perguntei se estava esperando por Rhenan, o motorista respondeu perguntando se eu havia chamado para aquele local, eu disse que sim e ele assentiu para que eu entrasse no carro.

Na metade do caminho recebo uma ligação, de um número que não conhecia. Não costumo atender números que desconheço, mas, como tínhamos o mesmo DDD, atendi. “VOCÊ É O RHENAN, QUE PEDIU UM TÁXI AQUI NA ENTRADA PRINCIPAL DA FACULDADE?”, “Sim, sou eu, mas já estou dentro do táxi!”, “ENTÃO POR QUÊ QUE VOCÊ LIGA CHAMANDO TÁXI? SE ENTRA NO PRIMEIRO QUE PASSA! EU SAÍ DO PONTO, MEU FILHO, CHEGO AQUI NÃO E NÃO TEM NINGUÉM!”, “Meu senhor, eu estou em um táxi da rádio que chamei, e o qual o motorista disse ser pra mim! O senhor ligue para a sua rádio e resolva. Não sou obrigado!”. O sujeito continuou BERRANDO, eu continuei ouvindo por mais alguns segundos e desliguei.

O motorista que me levava não se pronunciou, só disse que eu realmente não tinha nada a ver com aquilo e que não deveria mesmo continuar escutando os berros do colega. Chegamos no destino, perguntei em qual valor tinha ficado a corrida (o táxi era de uma rádio que dá 20% de desconto), o motorista respondeu, conferi o taxímetro e vi que o valor que ele havia me dito era o mesmo, então, perguntei sobre o desconto. Assim: “E o desconto?” (numa boa, juro!). O sujeito sacou uma tabela, virou-se para o banco de trás e berrou (BERRROU!): “VOCÊ SABE QUE O PREÇO AUMENTOU? POIS É, AUMENTOU!”. O preço do táxi aumentou pouco mais de 23%, e está valendo desde esta segunda-feira. Eu não sabia. Não era obrigado a saber, era?

O aumento e o desconto são praticamente a mesma porcentagem, por isso o valor do taxímetro era o que estava valendo, pois, segundo o motorista, não teriam tido tempo de aferir todos os aparelhos à tempo - outra coisa que eu não teria como saber ou verificar. Entendi, paguei o valor, deixei o troco para a “caixinha” e fui para a instituição em que eu precisava de atendimento. Quando chego, um aviso na máquina de retirar senhas: “Não está saindo senha! Aguarde que chamaremos. (Ordem de chegada!)”.

Acontece que o lugar não cabia nem 15 pessoas, e havia cerca 30 esperando atendimento. Sem lugar para sentar, uma desordem absurda e ninguém sabendo quem estava antes ou depois de quem. Fui até a primeira atendente que vi e perguntei - já irritado com os acontecimentos do dia: “Desculpa, mas não teria nenhum jeito de vocês organizarem isto aqui? Fazerem senhas à mão, organizar uma fila nas próprias cadeiras, sei lá… Eu te ajudo, se quiser!”. A moça disse que sabiam o que estavam fazendo e que se eu quisesse atendimento esparasse, como os outros, que ela chamaria.

Não tive mais FORÇAS para questionar nada. Sentei e aguardei, vendo as pessoas serem chamadas da seguinte forma: “Quem é o próximo? Você de azul, não é? Não, pera! Aquela moça ali no fundo, que estava aqui na frente, chegou antes, não? Não? Então vem você de verde”. Pra não chorar, entrei no twitter pra xingar um pouco (quem nunca?). Por sorte tem sempre alguém bem humorado e acabou melhorando meu humor, abstraindo o que estava acontecendo ao meu redor.

Consegui atendimento, peguei o documento que precisava e voltei para a faculdade, onde precisava que o coordenador do meu curso o assinasse. Chego, entrego o documento para a secretária e ela me diz para voltar depois de uma semana, que “já” estaria assinado. Respirei fundo, expliquei sobre o outro documento e o outro prazo, injusto e inexplicável, que já havia me prejudicado, argumentei que era somente uma assinatura e que o prazo não tinha sentido. Ouvi que “é o precedimento”. Deixei o documento e fui para casa com a promessa de um “urgente” no post-it para o coordenador.

Ok! Um câncer como castigo é exagero e absurdo, como o senhor deve estar pensando, aí. Realmente. Mas, sabe?, não seria possível as pessoas terem a OBRIGAÇÃO de se comprometerem a fazer somente aquilo que são capazes? Ou que, caso não possam fazer o que gostem ou tenham talento, que entendam a importância do que estão fazendo, para o seu próprio sustento - ou seja lá o que for! Não seria possível um recall para a instalação de um mecanismo para que tenhamos, sempre, gentileza para com os outros? Porque, com o perdão da expressão, TÁ FODA!!!

Desde já, agradeço.

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