Queda livre

Fernando Vilela
Nov 2 · 2 min read
A queda é o medo de viver em um mundo solitário (foto retirada de Pexels)

Oito mil pés de altura e eu sigo voando pensando em ti. Nado por milhões de oceanos, escalo montanhas além da exosfera, enfrento tiranossauros perigosos e dromedários carnívoros, mas nada compara enfrentar meus próprios pensamentos. O perigo é constante e a altura sempre relativa. Envolvido por fortes turbulências sentimentais, ainda insisto em te manter viva dentro de mim. É como insistir no sofrimento, mas não sei como evitar.

Plano em pleno ar, em alta velocidade, em milhas de distância, almejando ir o mais longe possível, mas sei que por mais longe que tento ir, acabo sempre estando perto de ti de alguma maneira. Talvez seja a teimosia do coração em querer alimentar sua fome de amor e ilusão. Parece que a esperança desse pobre órgão está na ingenuidade de acreditar em coisas platônicas, banhadas por um jardim de felicidade constante e um mar espinhento de desilusão flamejante.

O pânico alastra pelo céu. Descemos a sete mil pés. Aparentemente estamos caindo em uma velocidade indetectável. Malas voam, crianças choram. Eu, quieto, penso. Continuamos caindo. Penso em ser, em ter, em crer, em desfazer. Seis mil pés e apenas imagino a dor do impacto. Do impacto de te encontrar novamente, frente a frente, olho no olho. Ideia terrível imaginar momentos assim. Seria uma confusão sentir aquele gelo no estômago perto de ti, e um extremo vazio em seu olhar. Penso em queda livre, rápido, certeiro.

Estilhaços espalhados por todo o planeta, por terras velhas e terras novas, por água e fogo, por camas e becos. Imagino que nesse momento meu corpo é apenas queda, apenas medo, apenas lembranças, apenas você. Minhas asas quebraram como pedacinhos de cristal. Foi rápido dentro da eternidade. Realmente passou tão rápido, foi tanto desespero, gritarias internas, peito explodindo. Da janela as nuvens viraram apenas água gelada e sufocante. Meu corpo era apenas um objetivo misturado em caos. Vapor infinito pelo céu. Mas por fim, pude descobrir que mesmo com toda a tragédia, nada se comparou a dor de nunca mais te sentir em meus braços.

Precisei morrer para entender que para viver só basta amar!


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Fernando Vilela

Administrador, apaixonado pela essência das palavras e amante de café sem açúcar.

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Escritor, Administrador, Empreendedor, Malabarista de sentimentos, apaixonado pela essência das palavras e amante de café sem açúcar. Instagram: @fernandofavt

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