Dias Assim…

Era mais uma tarde de chuva e lá estava eu na janela olhando a água descer lavando a cidade, me distraia ao ver o vai e vem de carros e de pessoas, gente que corria ensopadas com a pressa ou pretensão de encontrar algum abrigo, outras que passavam lentamente em roupas quentes, munidas de capas e guardas-chuvas, como quem viu as previsões do tempo antes de sair de casa. Fiz um chocolate quente, peguei alguns biscoitos, e por mais tentadora que minha cama e o sofá parecessem, nesse dia eu insistia em ficar na janela.

O cair da chuva sobre os telhados soava como uma a mais bela sinfonia. O caos que tomava conta da rua, parecia obra de cinema, era como assistir a sessão da tarde ao vivo, faltava muito pouco para aparecer um maluco cantando e dançando: I’m singin´ in the rain, Just singin´ in the rain, What a glorious feeling, and I´m happy again…

Me perdi um tantinho a imaginar historias a todos que passam por baixo da minha sacada e até dancei e cantei essa música.

Me distrai e para minha surpresa, eis que entre aquelas pessoas apressados e aquelas tão confortáveis, dentro de roupas mais quentes que o meu chocolate. Surge você em um daqueles vestidos floridos, que davam cor ao dia, ainda pensando que estava em um filme da sessão da tarde imaginei você se movendo em câmera lenta, naquele filme da minha vida já tinha musica de fundo e eu aguardava a cidade parar para um flash mob, ilustrando a minha alegria em te ver. Te ver em dias quentes é como encontrar um oásis no meio do deserto e te ver caminhando no meio daquela chuva era como ver um arco iris surgindo.

O vento soprava seu vestido e jogava seu guarda chuva de um lado pro outro, tive receio que aqueles ventos te carregassem até lembrar que cê tinha uma âncora tatuada na panturrilha (parece que finalmente eu descobria o que significava aquela tatuagem), você parecia tremer de frio. Pensei em descer te oferecer um abrigo, sim queria te abrigar em meus braços e te aquecer com os meus beijos.

Olhei pro sofá e lembrei dos dias de chuva que dividimos umas xícaras de chocolate e o controle da televisão. Olhei para cama e senti saudades de ter você por debaixo daquelas cobertas tentando esquentar seus pezinhos nos meus. Passei tanto tempo lembrando de nos dois, enquanto tentava criar coragem para dar uma de Amado Batista e “ Enfrentar a chuva e o mau tempo, pra poder um pouco te ver…Queria muito descer correndo por aquelas escadas em direção a você e te oferecer abrigo, não só para aquela chuva mais para toda a vida. Porem, acabei não encontrando coragem e você passou, assim como a tempestade, o sol voltou a brilhar nos céus, enquanto dentro de mim tudo continuava cinza e frio.

Larguei a xícara de chocolate, peguei um copo de vodka, depois da quinta dose eu sai da janela e me joguei no sofá, comecei a imaginar, se eu te deixaria sempre pra depois ou até mesmo para uma outra vida. Tive medo de não haver amanhã e lembrei que não acreditava em outras vidas. Me vi escrevendo esse texto enquanto as lagrimas rolavam no meu rosto e a solidão da noite chegava aos poucos para me fazer companhia, por mais uma noite de saudades eu morria.

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