Fé (S01 E04 — Season Finale)

Hassam acorda assustado. Sabe quando você acorda achando que perdeu a hora para o trabalho? Foi mais ou menos desse jeito.

Ainda está escuro.

De maneira sutil, tentando não acordar a esposa, Hassam pega o celular no criado mudo e vê as horas. São 5h04 da manhã. Normalmente ele acorda 5h15. Ah, são só onze minutos. Melhor levantar logo.

Ele se dirige para o banheiro, escova os dentes, lava suas mãos, as narinas, os braços até a altura do cotovelo, a face, a cabeça, as orelhas e ouvidos e os pés, e se prepara para a Fajr, sua oração matinal que deve ser realizada com o corpo direcionado para Meca ao nascer do dia.

Hassam leva o ritual muito a sério. Sempre foi um homem muito ciente das suas obrigações religiosas. Mas desde o assassinato, sua fé tem vacilado. Ele tem questionado não só a justiça dos homens, mas também a de Deus.

Após o ritual, ele se veste e toma um rápido café da manhã — sua mulher já está de pé e compartilha a refeição com ele. Ele pega a mochila, se despede da esposa e sai para o trabalho.

Ele jamais imaginaria que essa sexta-feira aparentemente comum faria sua vida mudar para sempre.

Ele pega um ônibus lotado, mesmo às 6h15 da manhã. Hassam vai em pé imprensado entre o sovaco que exala enxofre de um homem obeso e uma mulher grávida que tenta se segurar enquanto o ônibus faz curvas em alta velocidade.

Após quarenta minutos do curso “A Vida das Sardinhas em Lata” patrocinado pela EMTU[1] de São Paulo, ele desce na estação de metrô Corinthians-Itaquera.

Chega um trem. Dois. Três. Hassam consegue embarcar na quarta composição. As demais estavam lotadas e não tinham espaço nem para uma mosca.

São cerca de 55 minutos até a estação Metrô Consolação, na região central da cidade de São Paulo.

É interessante notar como as pessoas passam seu tempo no metrô.

Há, primeiramente, uma legião de “Candy Crushers”. São aquelas pessoas viciadas em joguinhos de celular do tipo match three, isto é, joguinhos que você precisa encontrar três símbolos iguais para que eles eliminem uma parte dos símbolos da tela.

Impressionante como as pessoas perdem tanto tempo e dinheiro em algo que não lhes agrega nada além de entretenimento vazio.

Em segundo lugar, há os leitores. Esse grupo é composto principalmente por mulheres. Elas leem de tudo, mas no último ano o que mais tem aparecido são os romances soft porn no estilo “50 tons”. Vale a pena notar como sorrisos brotam nos lábios dessas mulheres de quando em quando durante a leitura, simbolizando, talvez, uma passagem mais picante no livro, e como o mesmo sorriso desaparece quando a leitora se apercebe dele e lembra que está em um local público. Afinal, mulheres não podem ter fantasias sexuais em público, correto? 1 a 0 para o Machismo.

Um terceiro grupo é o de estudiosos, concurseiros e aspirantes a líderes. Estão sempre com roupa social, mochila nas costas e uma expressão meio grave no rosto, que está enfiado em algum livro de Direito, de tutorial para um concurso, de liderança “efetiva” ou de motivação.

São pessoas que claramente odeiam a sua vida atual e querem o mais rápido que puderem conseguir um bom emprego e deixar tudo aquilo para trás.

Não podemos esquecer dos velhinhos. Os idosos sempre estão cheios de papéis e coisas sendo manuseadas. Sempre estão verificando e organizando algo, quando não estão puxando papo com a pessoa ao lado que está doida para dormir.

Mas, engraçado, o maior grupo é o de “vazios”. Pessoas que passam 30, 40, 100 minutos de viagem inertes, sem vida, com o olhar perdido sem olhar para nada.

Não olham as pessoas em volta, não olham a paisagem que passa pela janela, apenas miram um ponto fictício no além e assim permanecem, vazios, até que a voz do trem lhes alerte que a sua estação está próxima.

É muito triste de ver por fora esta cena de centenas de pessoas em coma temporário diariamente e ao mesmo tempo é intrigante pensar sobre o que passa naquelas cabeças. Sonhos, frustrações, medos? Nunca saberemos, eles estão distantes de qualquer contato humano.

Hassam hoje é um “vazio”. Não enxerga nada. Não deseja nada, além de chegar logo no trabalho. A única coisa que acompanha seu espírito, noite e dia, é o assassinato e dor que e a trouxe.

Por que a vida é tão injusta e cruel? Por que Allah deixou isso acontecer?

Ele desce na estação e caminha até o trabalho. Descobre que nesta sexta-feira ele está com sorte. Apenas três clientes para atender e depois ele pode ir para casa. Todos ali, pertinho, na mesma região.

Ele pega suas ferramentas e equipamentos, encontra seu assistente, Jonas, na saída e parte com ele em sua missão.

No primeiro cliente, tudo corre muito rápido. Ele apenas verifica parte dos cabos. Nada ocorreu de mais grave, apenas um alarme falso.

Como mecânico de elevadores há mais de 10 anos, Hassam pode atestar que as pessoas têm mais medo de elevador do que da maioria dos transportes, mesmo esse sendo, de longe, o meio de transporte mais seguro do mundo.

O segundo cliente deu um certo trabalho. É preciso substituir algumas peças. Mesmo assim, antes da hora do almoço Hassam e Jonas estão liberados do segundo cliente. Falta apenas mais um e a sexta-feira terá acabado. Ufa!

Depois do almoço eles partem para o último trabalho. Será bem simples: verificar a casa de máquinas do fosso principal, localizada no terraço.

O prédio é um arranha-céu de 40 andares localizado na Avenida Paulista. Lá funcionam sedes de grandes multinacionais de diversos ramos e escritórios de advocacia dos maiores e mais famosos do Brasil. O luxo e a riqueza são evidentes.

Após uma inspeção rápida na documentação do elevador, Hassam pede que Jonas fique dentro de um dos carros do elevador testando o uso enquanto ele vai para o terraço analisar a casa de máquinas.

Chegando lá em cima Hassam se move em direção a um cômodo pintado de azul que abriga a casa de máquinas do elevador. Basta dar uma olhadinha ali e o dia terá terminado.

Pronto, nada demais nestas maquinas. Tudo correndo às mil maravilhas.

— Jonas, está na escuta? — Hassam fala no rádio de comunicação — Por aqui tudo ok. Estou descendo. Como está aí?

— Por aqui também tudo ok. Sem nada a reportar chefe.

— Ótimo. Vamos entregar o relatório e ir embora para casa. Me encontra no segundo andar.

— Tudo bem.

Quando Hassam começa a se dirigir para a escada que dá para o andar debaixo, começa a pensar novamente no assassinato.

Esses últimos seis meses tem sido muito difíceis para ele e para a esposa. Mas ela parece que está lidando melhor com a questão. Já Hassam, não consegue superar. A dor consome ele diariamente, mesmo crendo que sua filha está em um bom lugar.

Sua mente para de pensar por um segundo. Durante a caminhada Hassan avista, de rabo de olho, algo estranho na paisagem.

Quando se vira para ver direito descobre algo inusitado. Uma figura negra se destaca no parapeito do prédio. Hassam começa a se aproximar para entender melhor.

A figura preta é na verdade um homem. Um homem em pé no parapeito a 40 andares acima da rua.

— Ei. Amigo. Está tudo bem? Precisa de ajuda? — É idiota perguntar a uma pessoa prestes se jogar de um prédio se ela precisa de ajuda. Mas nada melhor passou pela cabeça de Hassam.

A figura vira a cabeça para trás. Dá para ver seu rosto de lado. Parece ser um homem na casa dos cinquenta, talvez sessenta anos. O nariz característico de judeus denuncia a origem étnica do homem. Tirando isso, nada mais chama muita a atenção para caracterizar aquela figura.

— Está tudo bem, amigo. Só estou admirando a paisagem. Fique tranquilo. Vá embora — Responde o homem com uma certa urgência na voz.

— Cara, não quero me meter, mas não parece que esteja só admirando a paisagem. Parece que você quer…bom, você não parece bem. Vamos, sai daí. Você pode cair sem querer.

— Essa é justamente a ideia, idiota. Mas não agora. Tenho de esperar um pouco mais.

— Esperar pelo quê?

— Câmeras. Imprensa. De que adianta um dos maiores bilionários do Brasil se matar se ninguém assistir ao vivo?

— Ah, você é rico?

— Um pouco. Você viu o nome do prédio lá embaixo?

— Sim. Adolfo Schwartsman Plaza eu acho.

— Sim. Prazer, meu nome é Adolfo Schwartsman.

— Ah.

— E você, quem é?

— Hassam Mussi.

Que você faz aqui em cima Hassam? Veio se matar também? Se sim, eu cheguei primeiro, ?

— Claro que não — O repúdio de Hassam é veemente — Eu conserto elevadores. Estava olhando a sala de maquinas e te vi no parapeito.

— Que sorte a minha então. Obrigado, Hassam, por olhar meu elevador. Agora está dispensado. Pode ir.

— Senhor Adolfo, porque você está fazendo isso? Não importa a razão, não vale a pena perder a vida por isso.

— Hassam, eu estava quase começando a gostar de você. Mas, veja bem, não preciso de nenhum sírio de merda me dizendo o que fazer. Vai embora daqui.

— O que minha origem tem a ver com isso? Vocês judeus são sempre tão preconceituosos!

— Desculpe, Hassam, não quis ofender. Me perdoe, por favor. AGORA SAI DO MEU PRÉDIO E ME DEIXE MORRER EM PAZ! — Adolfo grita.

Hassam não sabe bem o porquê vai fazer o que está prestes a fazer, mas algo mais forte que ele o faz agir.

Não vou sair não — Diz Hassam enquanto pula no parapeito e agarra a mão de Adolfo.

Agora os dois estão lado a lado, em um parapeito a 40 andares de altura no Sol quente de uma bela tarde na cidade de São Paulo.

— Que porra é essa, seu maluco? Quer morrer? Se você cair daqui você não tem chance de sobreviver. Sai logo! — Ordena Adolfo.

— Não vou deixar um filho de Allah acabar com a própria vida sem fazer nada. Se você vai morrer, eu morro com você para interceder por sua alma na hora do julgamento.

— Qual é, Hassam. Você acredita mesmo nessa merda que está saindo da sua boca? Sai daqui, cara.

— Acredito. Mesmo eu não estando muito confortável na minha relação com Allah nos últimos tempos.

— Que houve? Perdeu sua fé?

Um som mecânico ensurdecedor começa a se aproximar cada vez mais. É um helicóptero de uma rede de televisão que vem filmar o suicídio do ano.

Hassam olha para baixo e vê uma aglomeração de pessoas e carros de redes de televisão na porta do edifício Adolfo Schwartsman Plaza.

Impressionante como as pessoas clamam por tragédias.

— Como tem tanta gente lá embaixo? Por que esse helicóptero está aqui? — Pergunta Hassam.

— Eu chamei, lembra? Para me ver morrer.

— Era sério isso então?

— Claro, você acha que nos meus últimos momentos de vida vou perder meu tempo mentindo? — Responde Adolfo.

Adolfo olha para Hassam por um minuto. Aquele homem simples, mecânico de elevadores, que, sem conhece-lo, foi até a beirada de um precipício para agarrar sua mão. O que será que move este homem, se pergunta Adolfo.

— Por que perdeu sua fé? Você ainda não respondeu.

— Prefiro não falar. Assunto particular.

Cara, estamos a 40 andares de altura, está frio para cacete e estamos de mãos dadas na TV. Não existem mais assuntos particulares.

Hassam reflete por um minuto e resolve falar.

— Minha filha. Morreu.

— Como foi isso?

— Uma louca drogada. Filha daquela apresentadora de TV, Mareca, sabe?

— Não assisto TV. Desculpe. Mas continue.

— Essa filha dela, drogada, avançou um sinal e pegou minha garotinha em cheio. Ela tinha apenas seis anos. Queria ser pianista.

— Que merda, cara. Sinto muito — Comenta Adolfo tentando reconfortar seu novo amigo.

Contendo as lágrimas, Hassam continua.

— O que me deixa revoltado não é minha filha ter sido ceifada. Ela está agora nos braços de Allah, muito melhor que nós dois. Allahu Akbar. Mas a assassina, como tem dinheiro, conseguiu contratar um bom escritório de advocacia e está sendo acusada de homicídio culposo. Aquele quando não se tem intenção de matar. Mas deveria ser doloso. Com intenção, já que ela pegou um carro e saiu dirigindo em alta velocidade.

— Eu sei destes conceitos — Interrompe Adolfo — Sou advogado.

— Então você entende a diferença entre os conceitos. É bastante óbvia a culpa dela. Mas o dinheiro falou mais alto. E Allah deixou que isso ocorresse. Desde então, eu não consigo mais descansar com essa injustiça nas minhas costas.

Hassam pensa por alguns segundos.

— Qual seu sobrenome mesmo? Schwartsman?

— Isso.

— O nome do escritório que está defendendo a assassina é Schwartsman & Pinto Advogados. Você tem algo a ver com esse escritório?

— Sim. Sou o dono dele. Exatamente o Schwartsman do título. Desculpe. Pelo jeito estou defendendo a assassina da sua filha. Mas não me envolvo diretamente com os casos, por isso não sabia.

Hassam encara Adolfo durante uma eternidade. Sua expressão está grave, como se ponderasse algo importante.

Por fim, sua expressão relaxa e ele dana a falar.

— Está vendo. Você parece ser um homem bom. Mas mesmo assim está fazendo coisas más. Nós, homens, somos levados diariamente a fazermos atrocidade de maneira irrefletida.

“Nos xingamos, somos egoístas, nos maltratamos, humilhamos, nos roubamos e nos machucamos uns aos outros. Tudo isso porque não nos aproximamos mais. Não nos conhecemos mais.

Fazemos questão de prejulgar uma pessoa por sua aparência, situação financeira, origem ou religião e assumimos um comportamento eterno em relação a ela com base em apenas nisso.

“Julgamos como diferentes e por isso mesmo ameaçadores. Resultado: estamos sempre em conflito.

“Não quero participar mais disso. Estou brigado com Allah mas ainda confio em seus desígnios e sua palavra.

“O Profeta diz no Corão: E quando dois grupos de fiéis combaterem entre si, reconciliai-os, então. E se um grupo provocar outro, combatei o provocador, até que se cumpram os desígnios de Deus. Se, porém, se cumprirem estes desígnios, então reconciliai-os equitativamente e sede equânimes, porque Deus aprecia os que agem com justiça.

Alguns homens não agem com justiça. Mas não participarei disso. Vou se uma pessoa melhor para que minha filha esteja sempre nas bênçãos de Allah.

“Por isso peguei sua mão neste parapeito. Você parecia em desespero. Parecia desnorteado. Não posso deixar um irmão nestas condições sozinho. O mínimo que posso fazer é te dar a mão. E se você resolver se atirar deste prédio, eu irei com você para garantir que nunca esteja sozinho.

Um vento forte corre, o Sol brilha e queima a pele daqueles homens, enquanto o helicóptero filma tudo o que ocorre.

Mas para Adolfo todo o plano de fundo daquela cena desaparece. Ele só consegue ver Hassam, sentir o contato da sua mão calejada, enquanto mastiga as fortes palavras daquele simples mecânico de elevadores mulçumano.

Uma única lágrima corre pela face do bilionário. Enquanto os dois homens se encaram, o vento seca a lágrima.

Adolfo rompe o silêncio.

— Vamos, Hassam. O show acabou.

— Vai se jogar?

Não. Vamos descer desse parapeito. Está frio para cacete.

Os homens descem. Hassam começa a se tremer todo.

— O que foi, Hassam? Não está tão frio assim também, não é?

— Não é frio. Tenho pavor de altura. Sempre acontece isso quando chego na beirada de prédios. Lá em cima eu estava tenso. Agora que desci e relaxei a crise apareceu.

— Tente relaxar, amigo. Vamos descer ao meu escritório. Vou te dar uma água ou alguma outra coisa para isso parar.

— Obrigado.

— Eu que agradeço, Hassam. Você me mostrou um ponto de vista que eu nunca tinha pensado.

“Eu estava querendo me matar por achar que eu não tinha mais função no mundo. Que era só um peso de papel ambulante. Você me mostrou que todos nós, em qualquer situação e independentemente de nosso background podemos fazer a diferença na vida das pessoas.

“Você conseguiu fazer uma diferença na minha vida e na da minha família com um simples aperto de mão.

“Minha filha, que está no seu país de origem cuidando das vítimas da guerra, certamente vai agradecer por isso. Se você conseguiu fazer tanto com tão pouco, imagine eu com tantos recursos.

“E vou começar agora mesmo. Gostaria de rever o caso do assassinato da sua filha. Gostaria que me contasse toda a história. Vamos reverter essa injustiça, Hassam.

— Obrigado, Sr. Schwartsman — Responde um Hassam lavado por lagrimas.

— De nada. Agora venha cá — Adolfo puxa Hassam e ergue seu braço, como se faz com boxeadores quando vencem uma luta, e aponta para o helicóptero da TV — Sorria Hassam, você agora é um astro.

Os homens começam a caminhar em direção a escada. Adolfo fala.

— Hassam, eu sou dono de uma rede de TV também. O que acha de fazermos um reality show em sua homenagem? Um homem comum que tenta fazer o bem a todos os momentos? Você é sírio e mulçumano. Sírios e mulçumanos estão na moda agora por causa desse tal Estado Islâmico. Você poderia passar sua mensagem para mais e mais pessoas, tocar várias almas e se tornaria uma celebridade. O que acha?

Me tornaria uma celebridade?…


A sala de embarque do aeroporto está lotada. Diversas famílias com várias malas e um grupo que aparentemente vai para a Disney. Um homem degusta um uísque sozinho enquanto olha desinteressadamente para a TV.

Na tela começa a passar uma entrevista de Hassam e Adolfo. Este último explicando como Hassam foi heroico e o salvou da morte. Como ele era um homem bom e como ele deveria espalhar sua mensagem para mais pessoas.

O homem com o uísque, que por acaso se chama James McCloud e espera um avião para a Escócia, pensa consigo mesmo.

— Mais um golpe publicitário. Deve ser o lançamento de um produto novo ou de um novo programa. Este mundo está realmente corrompido. Tudo vira produto e entretenimento. Não há mais alma nas coisas. Não vejo a hora de voltar para Dumfries.


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[1] A Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos de São Paulo (EMTU/SP), é uma empresa controlada pelo Governo do estado de São Paulo. Gerencia o transporte intermunicipal por ônibus na Grande São Paulo, na Baixada Santista, na região de Campinas e no Vale do Paraíba.